{"id":18713,"date":"2017-11-27T00:00:16","date_gmt":"2017-11-27T03:00:16","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=18713"},"modified":"2017-11-27T03:44:59","modified_gmt":"2017-11-27T06:44:59","slug":"pmdb-quer-rebatizar-legenda-para-fortalecer-partido-enquanto-crescem-as-fraturas-internas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2017\/11\/27\/pmdb-quer-rebatizar-legenda-para-fortalecer-partido-enquanto-crescem-as-fraturas-internas\/","title":{"rendered":"PMDB quer rebatizar legenda para fortalecer partido enquanto crescem as fraturas internas"},"content":{"rendered":"<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<div class=\"articulo-subtitulos\">\n<h6 class=\"articulo-subtitulo\">Um partido que parece em vias de implos\u00e3o. O\u00a0PMDB\u00a0que na v\u00e9spera do impeachment de\u00a0Dilma Rousseff\u00a0simulava estar unido, certo de que teria um candidato \u00e0 presid\u00eancia em 2018, agora mal consegue reunir sua diretoria para um encontro anual da legenda. Por duas ocasi\u00f5es alterou a data dessa reuni\u00e3o. Est\u00e1 marcada para 19 de dezembro, um per\u00edodo em que Bras\u00edlia provavelmente ter\u00e1 pouco movimento de pol\u00edticos por causa do recesso de fim de ano. Oficialmente, o encontro tem na pauta alguns pontos significativos. O primeiro deles visa definir a mudan\u00e7a do nome da legenda \u2013 retomando o antigo MDB dos fins da ditadura militar, quando havia apenas o bipartidarismo. O MDB representava os anseios do povo, contra a Arena, que somava apoiadores do governo militar. \u201cSe o MDB antigo fez a redemocratiza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, o MDB novo pode fazer a reconstru\u00e7\u00e3o social e econ\u00f4mica do pa\u00eds\u201d, disse neste s\u00e1bado o senador Romero Juc\u00e1, em Porto Alegre.\u00a0\u201cQueremos deixar de ser partido para ser um movimento,\u00a0algo mais forte, mais permanente\u201d, disse ainda Juc\u00e1, conforme\u00a0o jornal\u00a0<em style=\"font-family: Verdana, Geneva, sans-serif;font-size: 15px;color: #222222\">Folha de S. Paulo.<\/em><\/h6>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<div id=\"elpais_gpt-INTEXT\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/politica\/intext_0__container__\">O encontro de dezembro prev\u00ea, tamb\u00e9m, a altera\u00e7\u00e3o no estatuto para decidir como ser\u00e1 a distribui\u00e7\u00e3o dos recursos para as campanhas eleitorais, al\u00e9m da contrata\u00e7\u00e3o de uma empresa de auditoria para criar novas regras que possam combater a corrup\u00e7\u00e3o no partido, acusado de compor um\u00a0&#8220;quadrilh\u00e3o no Congresso&#8221;. Nos bastidores, contudo, o que se fala \u00e9 que a dire\u00e7\u00e3o, alinhada com o governo de Michel Temer, pretende concentrar toda a arrecada\u00e7\u00e3o de recursos na campanha para distribu\u00ed-la da maneira que bem entender para os diret\u00f3rios estaduais. Dessa maneira, os peemedebistas que estiverem mais afinados com o discurso governista tendem a receber mais recursos. Pelo atual estatuto do PMDB, s\u00e3o os diret\u00f3rios estaduais que decidem a destina\u00e7\u00e3o dos valores arrecadados. \u201cMe parece que h\u00e1 uma tentativa de concentrar o dinheiro do fundo partid\u00e1rio na executiva nacional. E essa conversa de mudar de nome \u00e9 o mesmo que mudar o\u00a0nome de Juc\u00e1 para Caju. N\u00e3o adianta nada\u201d, afirmou em tom ir\u00f4nico o senador Roberto Requi\u00e3o, em refer\u00eancia ao presidente interno da legenda, Romero Juc\u00e1. Requi\u00e3o \u00e9 um dos integrante da legenda que comp\u00f5e o grupo de oposi\u00e7\u00e3o a Temer e seus aliados.<\/div>\n<\/div>\n<p>Essas contradi\u00e7\u00f5es internas e um crescente movimento opositor podem resultar em um efeito de esvaziamento da reuni\u00e3o nacional da legenda. Diret\u00f3rios como do Paran\u00e1, Pernambuco e Santa Catarina, por exemplo, amea\u00e7am n\u00e3o comparecer ao encontro. Se forem seguidos por outros, corre-se o risco de n\u00e3o haver qu\u00f3rum m\u00ednimo para delibera\u00e7\u00f5es. Quatro dirigentes opositores a Temer consultados pela reportagem disseram que ainda v\u00e3o pensar se estar\u00e3o na reuni\u00e3o. Tentar\u00e3o conciliar com suas agendas locais. \u00c9 um claro discurso de inconformismo com os rumos do partido.<\/p>\n<p>Um exemplo dessa insatisfa\u00e7\u00e3o ficou expresso no diret\u00f3rio de Pernambuco. Comandado pelo vice-governador Raul Henry, que \u00e9 do grupo pol\u00edtico do deputado federal e ex-presidente do PMDB Jarbas Vasconcelos, o diret\u00f3rio pernambucano quase sofreu uma interven\u00e7\u00e3o nacional nas \u00faltimas semanas. O objetivo do presidente em exerc\u00edcio da executiva nacional,\u00a0o senador Romero Juc\u00e1, era entregar a dire\u00e7\u00e3o estadual para o senador Fernando Bezerra Coelho. A raz\u00e3o \u00e9 porque Jarbas Vasconcelos tornou-se uma pessoa mal quista pelo Governo ap\u00f3s votar duas vezes a favor da abertura de investiga\u00e7\u00f5es contra Temer. Rec\u00e9m-filiado ao PMDB, Coelho deixou o PSB visando tomar a dire\u00e7\u00e3o estadual. At\u00e9 agora, n\u00e3o obteve \u00eaxito porque duas decis\u00f5es judiciais impediram a interven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Se j\u00e1 n\u00e3o bastasse a tentativa de tomada de poder em esfera estadual, o PMDB contraria o seu discurso de implantar uma pol\u00edtica de \u201ccompliance\u201d e ainda mant\u00e9m em seus quadros pol\u00edticos que foram condenados por crimes como corrup\u00e7\u00e3o e lavagem de dinheiro. Por outro lado, expulsa ou amea\u00e7a de puni\u00e7\u00e3o filiados que contrariam o Governo Michel Temer. Nesta semana, a senadora tocantinense K\u00e1tia Abreu foi expulsa da legenda sob a acusa\u00e7\u00e3o de ter violado o C\u00f3digo de \u00c9tica e Fidelidade Partid\u00e1ria e o Estatuto do PMDB.<\/p>\n<section id=\"sumario_1|foto\" class=\"sumario_foto centro\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w980\">\n<p><figure style=\"width: 980px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/11\/24\/politica\/1511561670_711821_1511562579_sumario_normal.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/11\/24\/politica\/1511561670_711821_1511562579_sumario_normal.jpg?resize=696%2C381&#038;ssl=1\" alt=\"A senadora Katia Abreu, que foi expulsa do PMDB.\" width=\"696\" height=\"381\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">A senadora Katia Abreu, que foi expulsa do PMDB.\u00a0FERNANDO BIZERRA JR.\u00a0EFE<span style=\"color: #222222;font-size: 15px\">\u00a0<\/span><\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>Ex-ministra de Dilma Rousseff (PT), Abreu votou contra a reforma trabalhista de Temer e anunciou que ser\u00e1 contr\u00e1ria \u00e0 reforma da Previd\u00eancia. &#8220;A Comiss\u00e3o de &#8216;\u00c9tica&#8217; do PMDB decidiu pela minha expuls\u00e3o do partido de Ulisses Guimar\u00e3es e Tancredo Neves. Fui expulsa exatamente por n\u00e3o ter feito concess\u00e3o \u00e0 \u00e9tica na pol\u00edtica. Fui expulsa por defender posi\u00e7\u00f5es que desagradam ao governo. Fui expulsa pois ousei dizer n\u00e3o a cargos, privil\u00e9gios ou regalias do poder&#8221;, disse Abreu, em nota \u00e0 imprensa. Ela ainda ironizou o fato de a Comiss\u00e3o de \u00c9tica do partido n\u00e3o ter aberto processo contra membros da legenda que est\u00e3o presos por corrup\u00e7\u00e3o numa clara alus\u00e3o a Geddel Vieira Lima.<\/p>\n<p>Mais um senador, o paranaense Roberto Requi\u00e3o, e outros cinco deputados federais podem ter o mesmo rumo, j\u00e1 que ou foram contr\u00e1rios \u00e0s reformas do Governo ou votaram pela abertura de processos criminais contra o presidente. Enquanto isso, figuras como os ex-deputados Eduardo Cunha, Rodrigo Rocha Loures, Geddel e Henrique Eduardo Alves, todos presos pela opera\u00e7\u00e3o Lava Jato e intimamente ligados a Temer, seguem filiados ao partido. Destes quatro, apenas Geddel sofreu alguma puni\u00e7\u00e3o, est\u00e1 afastado cautelarmente por 60 dias.<\/p>\n<h3>Urnas de 2018<\/h3>\n<p>Entre os peemedebistas n\u00e3o h\u00e1 um consenso sobre qual ser\u00e1 o destino do partido. Os esc\u00e2ndalos de corrup\u00e7\u00e3o envolvendo a c\u00fapula do PMDB do Rio de Janeiro serviram para refor\u00e7ar o desgaste que o partido tem sofrido. Em quase todos os Estados em que ocupa o cargo de governador ou em que o partido j\u00e1 teve papel de destaque h\u00e1 algum entrevero que pode refletir nas elei\u00e7\u00f5es do ano que vem. Nesse cen\u00e1rio, surge uma d\u00favida entre os dirigentes peemedebistas: quem ser\u00e1 o defensor do legado de Temer no pr\u00f3ximo pleito?<\/p>\n<div class=\"teads-inread\">\n<div>\n<div id=\"teads1\" class=\"teads-player\">Romero Juc\u00e1, presidente em exerc\u00edcio do diret\u00f3rio nacional do PMDB, j\u00e1 avisou que, se nenhum partido aliado se comprometer em defender Temer (que afirma que n\u00e3o disputar\u00e1 a reelei\u00e7\u00e3o) os peemedebistas lan\u00e7ar\u00e3o um nome, ainda que sem chances de vit\u00f3ria. Procurado, ele n\u00e3o atendeu a reportagem do EL PA\u00cdS.<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Com sete governadores eleitos em 2014, quatro j\u00e1 foram citados em casos de corrup\u00e7\u00e3o. No Rio, as gest\u00f5es Sergio Cabral e Luiz Fernando Pez\u00e3o, somadas \u00e0 m\u00e1fia implantada na Assembleia Legislativa pelo deputado Jorge Picciani, praticamente sepultaram o partido. Em Mato Grosso, o ex-governador Silval Barbosa tornou-se um r\u00e9u confesso de corrup\u00e7\u00e3o e delator da Justi\u00e7a ap\u00f3s ficar quase dois anos preso. No Mato Grosso do Sul, o ex-governador Andr\u00e9 Puccinelli foi preso no in\u00edcio de novembro, quatro dias antes de ele assumir o diret\u00f3rio regional do partido. Contra Puccinelli, pesa a suspeita de que comandava um esquema de desvio de recursos. Em Rond\u00f4nia, Conf\u00facio Moura \u00e9 investigado por participar de uma organiza\u00e7\u00e3o que desviou 57 milh\u00f5es dos cofres p\u00fablicos. No Tocantins, Marcelo Miranda \u00e9 suspeito de compor uma quadrilha que lavou mais de 200 milh\u00f5es de reais.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 complicada ao ponto de at\u00e9 mesmo em Estados em que n\u00e3o apareceram graves desvios de conduta os peemedebistas deixam claro essa insatisfa\u00e7\u00e3o. No Esp\u00edrito Santo, o governador Paulo Hartung j\u00e1 anunciou que deixar\u00e1 a legenda por entender que o PMDB agora \u00e9 apenas uma \u201cconfedera\u00e7\u00e3o de interesses regionais\u201d \u2013 ele aparece como receptor de 1 milh\u00e3o de reais da Odebrecht em anos que n\u00e3o disputou elei\u00e7\u00f5es. No Rio Grande do Sul, outro peemedebista, o governador Jos\u00e9 Ivo Sartori, foi eleito escondendo o nome de seu partido em 2014. Mas era o anti-PT. Hoje, evita falar de candidatura \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o, principalmente porque sua administra\u00e7\u00e3o \u00e9 rejeitada por 50,5% da popula\u00e7\u00e3o. Ainda assim, \u00e9 l\u00edder em um cen\u00e1rio e vice-l\u00edder em outro pesquisado.<\/p>\n<p>Com a falta de uni\u00e3o, em algumas regi\u00f5es do pa\u00eds, o PMDB acaba sendo empurrado a se reaproximar do PT. Principalmente na regi\u00e3o Nordeste, peemedebistas t\u00eam defendido a candidatura de Luiz In\u00e1cio Lula da Silva \u00e0 presid\u00eancia. Isso ocorre claramente no Cear\u00e1, em Sergipe e em Alagoas. Presidente do Senado, o cearense Eun\u00edcio Oliveira, disse que poderia votar em Lula, caso n\u00e3o haja um consenso na legenda. O governador sergipano Jackson Barreto segue o mesmo discurso e j\u00e1 amea\u00e7a sair do partido por entender que \u201co PMDB nacional que tem hoje o governo do pa\u00eds n\u00e3o est\u00e1 correspondendo \u00e0 hist\u00f3ria do governador do PMDB\u201d. Enquanto que o senador alagoano Renan Calheiros, que j\u00e1 foi aliado de Temer, tem defendido Lula com unhas e dentes em seu Estado, e se contrap\u00f5e reiteradamente contra os planos do presidente. No caso de Calheiros, seu objetivo \u00e9 buscar a sua reelei\u00e7\u00e3o e a de seu herdeiro, Renan Filho, que governa Alagoas. Assim, mesmo com o sonho de querer unir a legenda rebatizando-a de MDB (Movimento Democr\u00e1tico Brasileiro), o grupo continuar\u00e1 partido, rachado, dividido.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Afonso Benites \/ El Pais Brasil &#8211; dispon\u00edvel na internet 27\/11\/2017<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um partido que parece em vias de implos\u00e3o. O\u00a0PMDB\u00a0que na v\u00e9spera do impeachment de\u00a0Dilma Rousseff\u00a0simulava estar unido, certo de que teria um candidato \u00e0 presid\u00eancia em 2018, agora mal consegue reunir sua diretoria para um encontro anual da legenda. Por duas ocasi\u00f5es alterou a data dessa reuni\u00e3o. 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