{"id":18717,"date":"2017-11-28T03:26:41","date_gmt":"2017-11-28T06:26:41","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=18717"},"modified":"2017-11-28T03:26:41","modified_gmt":"2017-11-28T06:26:41","slug":"como-entender-e-diminuir-o-impacto-dos-seus-habitos-no-meio-ambiente-de-roupas-a-comida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2017\/11\/28\/como-entender-e-diminuir-o-impacto-dos-seus-habitos-no-meio-ambiente-de-roupas-a-comida\/","title":{"rendered":"Como entender (e diminuir) o impacto dos seus h\u00e1bitos no meio ambiente, de roupas a comida"},"content":{"rendered":"<div class=\"story-body__inner\">\n<p class=\"story-body__introduction\">Com que frequ\u00eancia voc\u00ea lava suas cal\u00e7as jeans? Quando viaja de avi\u00e3o, s\u00e3o viagens longas? Prefere comprar tomates embalados, avulsos ou em conserva? Quantas vezes por semana voc\u00ea come carne?<\/p>\n<p>As perguntas soam, a princ\u00edpio, muito espec\u00edficas. Mas s\u00e3o essenciais para entender o rastro que seus h\u00e1bitos de consumo e escolhas individuais deixam no planeta.<\/p>\n<p>Foi em uma conversa com o marido, no sof\u00e1 de casa, que a designer industrial e escritora holandesa Babette Porcelijn percebeu que, apesar de ser especialista na cadeia produtiva de produtos industrializados, n\u00e3o entendia exatamente qual era o impacto do seu estilo de vida no planeta.<\/p>\n<p>&#8220;Ele me contou que os 16 maiores navios porta-cont\u00eaineres do mundo juntos emitem a mesma quantidade de enxofre que todos os carros que circulam no mundo! E que perdemos cerca de 27 milh\u00f5es de \u00e1rvores por dia por causa do desmatamento&#8221;, disse \u00e0 BBC Brasil.<\/p>\n<p>&#8220;Isso mudou minha maneira de ver nosso impacto ambiental, porque eu achava que est\u00e1vamos fazendo um \u00f3timo trabalho, pelo menos aqui na Holanda&#8221;.<\/p>\n<p>Ao pesquisar sobre o tema, Porcelijn percebeu que pelo menos em pa\u00edses ricos como Holanda e Estados Unidos mais de um quarto da &#8220;pegada ecol\u00f3gica&#8221; de cada ser humano \u00e9 percept\u00edvel no dia a dia.<\/p>\n<figure class=\"media-portrait no-caption body-narrow-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/520\/cpsprodpb\/0FA6\/production\/_98960040_p47_iceberg-01.jpg?resize=412%2C549&#038;ssl=1\" alt=\"Gr\u00e1fico\" width=\"412\" height=\"549\" \/><\/span><\/figure>\n<p>O resto est\u00e1 embutido no ciclo de vida de produtos e servi\u00e7os &#8211; da extra\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias-primas, passando pelo transporte, at\u00e9 o descarte.<\/p>\n<p>Conseguimos refletir, por exemplo, sobre a energia el\u00e9trica gasta para carregar nossos celulares, laptops e outros aparelhos eletr\u00f4nicos.<\/p>\n<p>Mas falamos pouco sobre as consequ\u00eancias da minera\u00e7\u00e3o dos metais necess\u00e1rios para produzi-los ou a quantidade de \u00e1gua utilizada nesse processo.<\/p>\n<p>A principal revela\u00e7\u00e3o da pesquisa, conta Porcelijn, \u00e9 que &#8220;o maior impacto ambiental n\u00e3o \u00e9 causado exatamente pelos carros que dirigimos ou pelo ar-condicionado das casas e, sim, por produtos que consumimos &#8211; livros, eletr\u00f4nicos, roupas, alimentos&#8221;. Pelo menos na Holanda e nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>O resultado do estudo foi compilado no livro\u00a0<i>Hidden Impact<\/i>\u00a0(&#8220;Impacto oculto&#8221;, em tradu\u00e7\u00e3o livre), no qual a autora tamb\u00e9m d\u00e1 dicas de como reduzir, de forma pr\u00e1tica, o impacto provocado pelas escolhas cotidianas. E sem que seja preciso, necessariamente, mudar radicalmente de h\u00e1bitos da noite para o dia.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, a holandesa se dedica em tempo integral a projetos de consultoria e an\u00e1lises de impacto ambiental. Ela esteve em S\u00e3o Paulo para participar do evento What Design Can Do (&#8220;O que o design pode fazer&#8221;, em tradu\u00e7\u00e3o livre).<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Como calcular?<\/h2>\n<p>O que Porcelijn considera como impacto \u00e9 composto de elementos como uso da \u00e1gua e da terra, desmatamento, minera\u00e7\u00e3o e processamento de mat\u00e9rias-primas, esgotamento de recursos naturais, perda de biodiversidade, emiss\u00f5es de gases de efeito estufa, lixo e uso de combust\u00edveis f\u00f3sseis.<\/p>\n<p>&#8220;O que eu quero fazer \u00e9 monitorar todo o sistema e incluir todo tipo de impacto. N\u00e3o s\u00f3 no clima, mas tamb\u00e9m na natureza, na biodiversidade, todo tipo de polui\u00e7\u00e3o&#8221;, explica.<\/p>\n<p>&#8220;Eu n\u00e3o conseguia encontrar esses dados em lugar nenhum, o que achei muito esquisito. \u00c9 esse o tipo de coisa que queremos e precisamos saber. Eu tive que ir muito fundo na pesquisa e contratei empresas especializadas para me ajudar.&#8221;<\/p>\n<p>Para calcular o impacto da carne, por exemplo, \u00e9 preciso levar em conta a produ\u00e7\u00e3o de alimento para o gado e o desmatamento causado para criar o pasto.<\/p>\n<p>Para saber o real impacto de um carro, \u00e9 necess\u00e1rio incluir a polui\u00e7\u00e3o causada pela minera\u00e7\u00e3o dos metais utilizados.<\/p>\n<p>No caso de uma cal\u00e7a jeans, deve-se considerar a \u00e1gua utilizada na produ\u00e7\u00e3o de algod\u00e3o e tamb\u00e9m na lavagem do tecido.<\/p>\n<ul class=\"story-body__unordered-list\">\n<li class=\"story-body__list-item\"><a class=\"story-body__link\" href=\"http:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-41976785\">Como seria S\u00e3o Paulo se projetos de urbanismo tivessem sa\u00eddo do papel?<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<figure class=\"media-portrait no-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/F9FB\/production\/_98959936_jeans_menor.jpg?resize=696%2C811&#038;ssl=1\" alt=\"Grafico\" width=\"696\" height=\"811\" \/><\/span><\/figure>\n<p>A tarefa parece imposs\u00edvel e, de fato, a escritora holandesa reconhece que ainda h\u00e1 muito a ser calculado.<\/p>\n<p>&#8220;Quando eu procurei especialistas, eles me disseram que nenhum m\u00e9todo cient\u00edfico atual inclui todos os tipos de impacto. Mas como podemos superar o maior desafio dos nossos tempos se n\u00e3o conseguimos investig\u00e1-lo de verdade?&#8221;, questiona.<\/p>\n<p>&#8220;Resolvi seguir em frente assim mesmo.&#8221;<\/p>\n<p>Por isso, ela explica, os c\u00e1lculos utilizados em seu m\u00e9todo s\u00e3o aproximados.<\/p>\n<p>Para efeito de compara\u00e7\u00e3o, a designer fez os mesmos c\u00e1lculos para a Holanda e para os Estados Unidos, quando conseguiu obter as informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 meio chocante, porque l\u00e1 tudo \u00e9 o dobro&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Ela conta que est\u00e1, no momento, procurando empresas que a ajudem a fazer as mesmas estimativas para o Brasil.<\/p>\n<p>A pedido da BBC Brasil, ela adaptou alguns gr\u00e1ficos produzidos durante a sua pesquisa e converteu os dados para as unidades de medida brasileiras.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 549px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/11A37\/production\/_98874227_76965002-5b52-4de4-9997-2de1c483f3a9.jpg?resize=549%2C549&#038;ssl=1\" alt=\"Babette Porcelijn\" width=\"549\" height=\"549\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Image caption\u00a0Babette Porcelijn diz que n\u00e3o \u00e9 preciso ser radical para reduzir pegada ecol\u00f3gica individual | Cr\u00e9dito: Johannes Abeling Photography<\/figcaption><\/figure><figcaption class=\"media-caption\"><\/figcaption>Consequ\u00eancias &#8216;surpresa&#8217;<\/figure>\n<p>Ao escolher estudos de caso para exemplificar o impacto oculto do nosso consumo, Porcelijn diz ter se surpreendido com dados que desafiavam o senso comum a respeito do tema.<\/p>\n<p>No exemplo da cal\u00e7a jeans, ela descobriu que o maior preju\u00edzo ao meio ambiente est\u00e1 escondido no cultivo de algod\u00e3o. Mas o uso de m\u00e1quinas de lavar e de secar, que costuma n\u00e3o ser considerado, emite cerca de 12,5 kg de CO2 por lavagem, al\u00e9m do gasto de ao menos 50 litros de \u00e1gua.<\/p>\n<p>No caso dos alimentos, a pesquisa revelou que frutas e legumes em conserva ou transformados em molhos, como o tomate, podem ter menos impacto ambiental do que os frescos.<\/p>\n<p>A autora explica: normalmente, o impacto da produ\u00e7\u00e3o de vegetais no ecossistema \u00e9 pequeno, incluindo eventuais embalagens pl\u00e1sticas. O problema se encontra, no entanto, no desperd\u00edcio que acontece do momento da colheita at\u00e9 a chegada ao prato do consumidor.<\/p>\n<p>&#8220;Perder um tomate tem um impacto muito mais negativo do que comprar tomates embalados. A embalagem na verdade, se n\u00e3o for excessiva, pode ser boa, se considerarmos que ela impede a perda&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Mais de um ter\u00e7o da comida produzida nunca chega ao seu prato. No caso das frutas, legumes e verduras, a perda chega a 50% das colheitas. Por isso, as conservas &#8211; que s\u00e3o feitas com vegetais frescos logo ap\u00f3s serem colhidos e t\u00eam perda menor &#8211; acabam sendo mais vantajosas para o meio ambiente.<\/p>\n<p>Parte desse n\u00e3o aproveitamento acontece em casa, com a comida que estraga na geladeira ou \u00e9 deixada no prato. Porcelijn calculou tamb\u00e9m esse impacto: se n\u00e3o desperdi\u00e7\u00e1ssemos nenhum alimento, nossa pegada ecol\u00f3gica diminuiria cerca de 15% para comida em geral e at\u00e9 17% considerando s\u00f3 os vegetais.<\/p>\n<p>Uma das dicas da designer industrial \u00e9 fazer um calend\u00e1rio com as frutas, legumes e verduras de cada esta\u00e7\u00e3o e procurar compr\u00e1-los de produtores locais &#8211; localizados a at\u00e9 2 mil quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia, para diminuir o impacto do transporte. Se quiser algum que esteja fora de \u00e9poca, cujo impacto para produzir \u00e9 maior, prefira a conserva.<\/p>\n<p>Outra boa ideia, segundo Porcelijn, \u00e9 comprar produtos que estejam perto do vencimento e consumi-los rapidamente, para evitar que o supermercado jogue no lixo. E vale a pena ficar de olho em embalagens excessivas.<\/p>\n<figure class=\"media-portrait no-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/15004\/production\/_98902068_p71_water-01.jpg?resize=696%2C783&#038;ssl=1\" alt=\"Grafico\" width=\"696\" height=\"783\" \/><\/span><\/figure>\n<p>Os meios de transporte tamb\u00e9m foram computados no c\u00e1lculo de Porcelijn, com mais uma revela\u00e7\u00e3o surpreendente: caso a inten\u00e7\u00e3o seja diminuir realmente o seu impacto negativo no mundo, vale reduzir as viagens longas de avi\u00e3o.<\/p>\n<p>Apesar de, no total, carros polu\u00edrem mais por quil\u00f4metro rodado que avi\u00f5es, os especialistas consultados pela designer ressaltam que a possibilidade de viajar de avi\u00e3o aumentou as dist\u00e2ncias que percorremos.<\/p>\n<p>Por isso, eles fizeram uma compara\u00e7\u00e3o entre diferentes meios de transporte para uma viagem de 6,5 horas. O resultado: avi\u00f5es poluem mais, pelo menos em viagens mais longas. Para outro estado pode valer a pena. Mas f\u00e9rias em Dubai? Pense no impacto, sugere Babette Porcelijn.<\/p>\n<p>Caso voc\u00ea realmente n\u00e3o queira abrir m\u00e3o das f\u00e9rias em outro continente, vale calcular o plantio de \u00e1rvores necess\u00e1rio para compensar as emiss\u00f5es pela dura\u00e7\u00e3o do voo, ou apoiar alguma organiza\u00e7\u00e3o que fa\u00e7a esse trabalho.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape no-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/17AA9\/production\/_98873969_p91_travel_trees-01.jpg?resize=696%2C244&#038;ssl=1\" alt=\"Gr\u00e1fico\" width=\"696\" height=\"244\" \/><\/span><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Por onde come\u00e7ar?<\/h2>\n<p>A designer holandesa tamb\u00e9m se especializou em dar dicas para tentar mitigar a pegada ecol\u00f3gica de cada um, sem que isso tenha que significar adotar uma vida &#8220;ecor\u00e9xica&#8221;, segundo ela.<\/p>\n<p>&#8220;Para mim, \u00e9 importante come\u00e7ar pelas coisas grandes, que causam mais impacto. Mud\u00e1-las \u00e9 mais eficiente&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Desde que se debru\u00e7ou sobre o tema, Porcelijn inseriu algumas dessas mudan\u00e7as na rotina de sua fam\u00edlia.<\/p>\n<p>&#8220;S\u00f3 compro o que realmente preciso e, se eu puder, de segunda m\u00e3o, especialmente roupas; parei de comer carne e tamb\u00e9m n\u00e3o tenho mais carro e n\u00e3o pego avi\u00f5es, a n\u00e3o ser que isso seja para fazer mais bem do que mal. Estou indo de avi\u00e3o para S\u00e3o Paulo porque acho que alcan\u00e7ar pessoas a\u00ed e eventualmente ajud\u00e1-las a mudar suas vidas faz mais bem do que mal&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>&#8220;Nas f\u00e9rias, viajamos muito de bicicleta. \u00c9 uma aventura incr\u00edvel e nossos filhos tamb\u00e9m adoram. A fam\u00edlia ficou mais pr\u00f3xima.&#8221;<\/p>\n<p>A designer acredita que deixar de comer carne &#8211; o alimento mais poluente &#8211; pode ser mais priorit\u00e1rio para o meio ambiente do que deixar de ter um carro.<\/p>\n<p>&#8220;Na Holanda certamente esse \u00e9 o caso, e pelo que ou\u00e7o do Brasil, tamb\u00e9m&#8221;, diz.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape no-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/6D21\/production\/_98873972_0fc69c70-0305-423e-a319-a9f534db5974.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Gr\u00e1fico\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/span><\/figure>\n<p>O primeiro passo, segundo ela, \u00e9 tornar-se sustent\u00e1vel e reduzir o impacto relativo aos seus h\u00e1bitos pessoais.<\/p>\n<p>De acordo a ONU, a popula\u00e7\u00e3o da Terra ser\u00e1 de cerca de 10 bilh\u00f5es de pessoas em 2050, caso o ritmo de crescimento se mantenha.<\/p>\n<p>J\u00e1 a economia global em 2050 ser\u00e1 2,7 vezes maior do que hoje, segundo a consultoria PricewaterhouseCoopers. E, de acordo com a ONG Global Footprint Network, a popula\u00e7\u00e3o atual vive como se tivesse os recursos de 1,6 planeta Terra.<\/p>\n<p>De acordo com o c\u00e1lculo de Porcelijn, usando as duas estat\u00edsticas, chegar\u00edamos a 2050 precisando de 4,3 Terras para sustentar nosso estilo de vida.<\/p>\n<p>&#8220;Se vivermos de acordo com os limites do nosso planeta, j\u00e1 seremos sustent\u00e1veis&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>No caso do Brasil, cuja popula\u00e7\u00e3o vive como se tivesse 1,8 planeta Terra, viver no limite seria reduzir o impacto m\u00e9dio total para cerca de metade do que ele \u00e9 atualmente.<\/p>\n<p>Para quem pretende ir mais al\u00e9m, ser &#8220;econeutro&#8221; envolve fazer compostagem, plantar \u00e1rvores, investir em energia renov\u00e1vel e apoiar financeiramente organiza\u00e7\u00f5es ambientais, por exemplo.<\/p>\n<p>O n\u00edvel tr\u00eas, &#8220;ecopositivo&#8221;, significa trabalhar para que sua influ\u00eancia na mudan\u00e7a de h\u00e1bitos das pessoas ao seu redor &#8211; em casa, no trabalho e em outros grupos &#8211; seja maior do que seu impacto no mundo como consumidor.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Menos \u00e9 mais<\/h2>\n<p>O impacto negativo est\u00e1, inevitavelmente, em todos os produtos que consumimos e atividades que praticamos. A holandesa ressalta, no entanto, que a mudan\u00e7a n\u00e3o deve assustar.<\/p>\n<p>&#8220;O truque \u00e9: mesmo que voc\u00ea ainda fa\u00e7a tudo o que normalmente faz, fa\u00e7a menos. Por exemplo, pode comer a metade de uma por\u00e7\u00e3o de carne, e n\u00e3o essas enormes. Ou n\u00e3o comer todo dia, mas s\u00f3 uma vez por semana&#8221;, diz.<\/p>\n<p>&#8220;Depois de come\u00e7ar a adotar essas redu\u00e7\u00f5es, pode escolher op\u00e7\u00f5es que tenham menos impacto. No caso da carne, por exemplo, a bovina tem o maior impacto. Frango j\u00e1 seria melhor.&#8221;<\/p>\n<p>Para Porcelijn, tamb\u00e9m \u00e9 preciso combater o mito de que &#8220;tudo o que \u00e9 org\u00e2nico \u00e9 melhor&#8221; na hora de mudar o estilo de vida.<\/p>\n<p>&#8220;A carne org\u00e2nica, por exemplo, nem sempre \u00e9 a melhor escolha. Os dados que recolhi mostram que os animais vivem mais, mas geralmente t\u00eam um rendimento menor e necessitam de mais espa\u00e7o e mais alimento, que \u00e9 o fator mais poluente&#8221;, explica.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape no-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/17714\/production\/_98902069_p130_planets-01.jpg?resize=696%2C576&#038;ssl=1\" alt=\"Grafico\" width=\"696\" height=\"576\" \/><\/span><\/figure>\n<p>&#8220;Ainda precisamos fazer com que a produ\u00e7\u00e3o de org\u00e2nicos seja algo muito mais eficiente do que \u00e9. E tamb\u00e9m melhorar a agricultura e pecu\u00e1ria intensivas. Acho que os dois processos deveriam ser combinados e ter\u00edamos um bom resultado. At\u00e9 l\u00e1, tenha cuidado.&#8221;<\/p>\n<p>A escolha do material das roupas tamb\u00e9m \u00e9 importante.<\/p>\n<p>&#8220;Eu achava que roupas sint\u00e9ticas seriam melhores, porque a produ\u00e7\u00e3o delas \u00e9 menos poluente do que as de algod\u00e3o, l\u00e3 ou seda. Mas o problema \u00e9 que, quando voc\u00ea lava, os tecidos sint\u00e9ticos liberam micropl\u00e1sticos na \u00e1gua&#8221;, explica.<\/p>\n<p>&#8220;Se voc\u00ea sabe que determinado tecido \u00e9 produzido de maneira menos poluente, \u00f3timo. Mas \u00e9 melhor comprar menos roupas, do que simplesmente mudar para roupas org\u00e2nicas.&#8221;<\/p>\n<p>Cr\u00edticos afirmam que a ideia de abrir m\u00e3o de tantos produtos e atividades ainda \u00e9 elitista &#8211; j\u00e1 que, em sua maioria, produtos org\u00e2nicos ou sustent\u00e1veis costumam ser mais caros.<\/p>\n<p>A autora diz, no entanto, que s\u00e3o as pessoas com maior renda que devem, de fato, se preocupar mais com seus h\u00e1bitos.<\/p>\n<p>&#8220;Quanto mais dinheiro voc\u00ea tem, mais impacto pode comprar. Ent\u00e3o os ricos devem estar mais atentos a isso do que os pobres. E, de modo geral, percebo que minha vida \u00e9 bem mais barata com o novo estilo que adotei.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Tento dizer quais mudan\u00e7as seriam as mais eficientes. Mas n\u00e3o julgo o comportamento das pessoas. S\u00f3 acho que n\u00e3o temos tempo a perder.&#8221;<\/p>\n<p><strong><span class=\"byline__name\">Cr\u00e9dito: Camilla Costa d<\/span><span class=\"byline__title\">a BBC Brasil em S\u00e3o Paulo &#8211; dispon\u00edvel na internet 28\/11\/2017<\/span><\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com que frequ\u00eancia voc\u00ea lava suas cal\u00e7as jeans? Quando viaja de avi\u00e3o, s\u00e3o viagens longas? Prefere comprar tomates embalados, avulsos ou em conserva? Quantas vezes por semana voc\u00ea come carne? As perguntas soam, a princ\u00edpio, muito espec\u00edficas. Mas s\u00e3o essenciais para entender o rastro que seus h\u00e1bitos de consumo e escolhas individuais deixam no planeta. [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":18719,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[135],"tags":[],"class_list":{"0":"post-18717","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-clipping"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/meio-ambiene.jpg?fit=800%2C450&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18717","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18717"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18717\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18719"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18717"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18717"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18717"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}