{"id":19532,"date":"2017-12-18T00:02:23","date_gmt":"2017-12-18T03:02:23","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=19532"},"modified":"2017-12-16T19:42:56","modified_gmt":"2017-12-16T22:42:56","slug":"19532","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2017\/12\/18\/19532\/","title":{"rendered":"Como identificar os diferentes tipos de fakes e rob\u00f4s que atuam nas redes"},"content":{"rendered":"<p class=\"story-body__introduction\">Se a interfer\u00eancia de contas falsas em discuss\u00f5es pol\u00edticas nas redes sociais j\u00e1 representava um perigo para os sistemas democr\u00e1ticos, sua sofistica\u00e7\u00e3o e maior semelhan\u00e7a com pessoas reais t\u00eam agravado o problema pelo mundo.<\/p>\n<p>No Brasil, uma investiga\u00e7\u00e3o de tr\u00eas meses da BBC Brasil, que deu origem \u00e0 s\u00e9rie de reportagens\u00a0<i>Democracia Ciborgue<\/i>, identificou parte do mercado de compra e venda de contas falsas que teriam sido usadas para favorecer pol\u00edticos no Twitter e no Facebook. \u00c9 imposs\u00edvel estimar seu alcance, mas sua exist\u00eancia nas elei\u00e7\u00f5es brasileiras de 2014 j\u00e1 alerta para um potencial risco na disputa no ano que vem.<\/p>\n<p>Nos Estados Unidos, conte\u00fado produzido por russos e difundido por meio de pessoas que n\u00e3o eram verdadeiras alcan\u00e7ou quase 126 milh\u00f5es de americanos no Facebook durante as elei\u00e7\u00f5es do ano passado, de acordo com a plataforma, que teve que submeter dados ao Senado americano.<\/p>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<p>O perigo cresceu porque a tecnologia e os m\u00e9todos evolu\u00edram dos rob\u00f4s, os &#8220;bots&#8221; &#8211; softwares com tarefas online automatizadas -, para os &#8220;ciborgues&#8221; ou &#8220;trolls&#8221;, contas controladas diretamente por humanos com a ajuda de um pouco de automa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Imaginemos uma linha em que em uma ponta estejam rob\u00f4s e, em outra, humanos. Entre as duas pontas, especialistas apontam a exist\u00eancia de ciborgues, &#8220;rob\u00f4s pol\u00edticos&#8221;, &#8220;fakes cl\u00e1ssicos&#8221; e &#8220;ativistas em s\u00e9rie&#8221; antes de chegarmos \u00e0s pessoas reais.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Parte 1, os rob\u00f4s<\/h2>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/16C9E\/production\/_99224339_gettyimages-656741144.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Chatbot\" width=\"696\" height=\"392\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Direito de imagem\u00a0GETTY IMAGES Image captionRob\u00f4s, ou bots, n\u00e3o s\u00e3o necessariamente ruins &#8211; chats automatizados, pr\u00f3prios de servi\u00e7os de atendimento ao cliente, s\u00e3o um exemplo<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>&#8220;Um rob\u00f4, ou bot, nada mais \u00e9 que uma met\u00e1fora para um algoritmo que est\u00e1 te ajudando, fazendo um trabalho para voc\u00ea&#8221;, define Yasodara C\u00f3rdova, pesquisadora da Digital Kennedy School, da Universidade Harvard, nos EUA, e mentora do projeto Opera\u00e7\u00e3o Serenata de Amor, que busca identificar ind\u00edcios de pr\u00e1ticas de gest\u00e3o fraudulenta envolvendo recursos p\u00fablicos no Brasil.<\/p>\n<p>Ou seja, rob\u00f4s est\u00e3o por todas as partes, espalhados nas redes sociais, o que n\u00e3o significa necessariamente que estejam fazendo coisas ruins: os mais comuns s\u00e3o aqueles que automatizam o compartilhamento de not\u00edcias de ve\u00edculos de imprensa e os que ajudam consumidores em atendimentos virtuais, entre outros.<\/p>\n<p>O projeto Opera\u00e7\u00e3o Serenata de Amor, por exemplo, tem um\u00a0<a class=\"story-body__link-external\" href=\"https:\/\/twitter.com\/RosieDaSerenata\">rob\u00f4<\/a>\u00a0que analisa pedidos de reembolso de deputados federais e destaca os que parecem ser suspeitos, por meio de &#8220;machine learning&#8221; (&#8220;aprendizado de m\u00e1quina&#8221;, que reconhece padr\u00f5es e aprende com seus erros para evoluir e refinar sua atua\u00e7\u00e3o). Via Twitter, pede aos parlamentares que esclare\u00e7am o gasto suspeito &#8211; h\u00e1 casos de congressistas que reembolsaram a C\u00e2mara por causa do projeto.<\/p>\n<p>Mas tamb\u00e9m h\u00e1 rob\u00f4s cujo uso \u00e9 malicioso, e que est\u00e3o espalhados sobretudo pelo Twitter.<\/p>\n<p>&#8220;O Twitter \u00e9 um ambiente mais amig\u00e1vel para rob\u00f4s&#8221;, explica Marcos Bastos, professor do departamento de Sociologia da City, University of London, no Reino Unido.<\/p>\n<p>Bastos, que \u00e9 brasileiro, e o brit\u00e2nico Dan Mercea, da mesma universidade, descobriram que as discuss\u00f5es sobre o plebiscito do Brexit (que decidiu pela sa\u00edda do Reino Unido da Uni\u00e3o Europeia) no Twitter tiveram participa\u00e7\u00e3o de ao menos 13,5 mil rob\u00f4s, usados para &#8220;bombar&#8221; um lado ou outro com postagens automatizadas.<\/p>\n<p>&#8220;O Facebook \u00e9 de fato uma rede social: voc\u00ea aceita pessoas com quem voc\u00ea tem algum tipo de conex\u00e3o: idealmente, s\u00f3 amigos, embora esse n\u00e3o seja sempre o caso. O Twitter n\u00e3o tem essa reciprocidade, ent\u00e3o funciona n\u00e3o s\u00f3 como uma rede social, mas como um sistema de difus\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Ou seja, a natureza mais aberta do Twitter &#8211; que, diferentemente do Facebook, n\u00e3o exige o nome verdadeiro do usu\u00e1rio nem pro\u00edbe contas automatizadas &#8211; facilita a prolifera\u00e7\u00e3o de rob\u00f4s em sua esfera.<\/p>\n<p>Pesquisadores das universidades do Sul da Calif\u00f3rnia e de Indiana estimam que haja entre\u00a0<a class=\"story-body__link-external\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/pdf\/1703.03107.pdf%20\/t%20_self%20\/o%20https:\/arxiv.org\/pdf\/1703.03107.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">9% a 15% de rob\u00f4s no Twitter<\/a>. A rede tem um total de cerca de 330 milh\u00f5es de usu\u00e1rios &#8211; portanto, ao menos 29 milh\u00f5es deles s\u00e3o rob\u00f4s, segundo o levantamento.<\/p>\n<p>O Twitter informa que &#8220;a falsa identidade \u00e9 uma viola\u00e7\u00e3o&#8221; de suas regras. &#8220;As contas do Twitter que representem outra pessoa de maneira confusa ou enganosa poder\u00e3o ser permanentemente suspensas de acordo com a Pol\u00edtica para Falsa Identidade do Twitter. Se a atividade automatizada de uma conta violar as regras do Twitter ou as regras de automa\u00e7\u00e3o, o Twitter pode tomar medidas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 conta, incluindo a suspens\u00e3o da conta.&#8221;<\/p>\n<p>Mas essas criaturas virtuais s\u00e3o mais facilmente identific\u00e1veis. Pesquisadores desenvolvem ferramentas para detectar rob\u00f4s, monitorando sua atividade e identificando padr\u00f5es. Levam em conta a quantidade de vezes que replicam um conte\u00fado, a propor\u00e7\u00e3o entre seguidores e usu\u00e1rios que o perfil segue, a data de cria\u00e7\u00e3o da conta, as postagens via plataformas externas ao Twitter e a quantidade de men\u00e7\u00f5es a outros usu\u00e1rios, entre outros crit\u00e9rios.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Parte 2, os ciborgues<\/h2>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/3806\/production\/_99224341_gettyimages-804332882.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Ilustra\u00e7\u00e3o de chat\" width=\"696\" height=\"392\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Direito de imagem\u00a0GETTY IMAGES Image caption Ciborgues simulam ser pessoas reais<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Pouco disso pode ser feito para detectar os ex\u00e9rcitos de ciborgues, que est\u00e3o em uma zona cinzenta e s\u00e3o os pr\u00f3ximos na escala depois dos rob\u00f4s. S\u00e3o chamados tamb\u00e9m de &#8220;trolls&#8221; ou &#8220;socketpuppets&#8221; (fantoches).<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 muito dif\u00edcil detectar esses &#8216;bots&#8217; h\u00edbridos, operados parte por humanos, parte por computadores&#8221;, afirma Emiliano de Cristofaro, professor da London&#8217;s Global University, no Reino Unido, que estuda seguran\u00e7a online. Isso porque perfis operados por algoritmos t\u00eam &#8220;comportamentos previs\u00edveis&#8221; e padr\u00f5es, enquanto uma pessoa real pode interromper isso, &#8220;agindo de forma diferente em hor\u00e1rios diferentes&#8221;.<\/p>\n<p>Ciborgues d\u00e3o origem a perfis mais sofisticados, que tentam de fato imitar perfis de pessoas verdadeiras, publicando fotos e frases e interagindo com outros usu\u00e1rios, criando &#8220;reputa\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Os perfis falsos encontrados pela investiga\u00e7\u00e3o da BBC Brasil s\u00e3o ciborgues. Roubaram fotos de pessoas verdadeiras, criaram nomes falsos e adicionaram como amigos pessoas reais &#8211; o que fez at\u00e9 com que recebessem &#8220;parab\u00e9ns&#8221; em seus &#8220;anivers\u00e1rios&#8221;. Depois, entre publica\u00e7\u00f5es de uma rotina inventada, publicaram conte\u00fado elogiando pol\u00edticos brasileiros e ajudaram a aumentar suas &#8220;curtidas&#8221;.<\/p>\n<p>Para manter o perfil ativo e parecer real, parte das postagens era agendada em plataformas fora do Twitter. \u00c0 primeira vista, n\u00e3o parecem ser perfis falsos.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 preciso olhar para o conte\u00fado que postam, n\u00e3o s\u00f3 para sua atividade. E isso custa caro&#8221;, observa Cristofaro. Por sua natureza mais sofisticada, est\u00e3o espalhados n\u00e3o s\u00f3 no Twitter, como no Facebook tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>O Facebook informou que suas pol\u00edticas &#8220;n\u00e3o permitem perfis falsos&#8221;. &#8220;Estamos o tempo todo aperfei\u00e7oando nossos sistemas para detectar e remover essas contas e todo o conte\u00fado relacionado a elas.&#8221;<\/p>\n<p>A empresa tamb\u00e9m indicou que pode fazer uma &#8220;varredura&#8221; de perfis falsos no Brasil semelhante \u00e0 que fez na Fran\u00e7a e na Alemanha antes das elei\u00e7\u00f5es. &#8220;Estamos eliminando contas falsas em todo o mundo e cooperando com autoridades eleitorais sobre temas relacionados \u00e0 seguran\u00e7a online, e esperamos tomar medidas tamb\u00e9m no Brasil antes das elei\u00e7\u00f5es de 2018.&#8221;<\/p>\n<p>Para o Cristofaro, caso o Facebook come\u00e7asse a varrer contas falsas levando em conta apenas sua atividade, acabaria encontrando &#8220;falsos positivos&#8221;, &#8220;e isso seria muito ruim para eles&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Em um relat\u00f3rio de abril de 2017, o Facebook admitiu que havia difus\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es na plataforma via &#8220;personas falsas online&#8221;, criadas para &#8220;influenciar opini\u00f5es pol\u00edticas&#8221;.<\/p>\n<p>Na ocasi\u00e3o, a empresa disse que estava tomando medidas para excluir esse tipo de conta falsa, sem especificar quantas j\u00e1 identificou e excluiu. Segundo relat\u00f3rio da empresa, em setembro deste ano o Facebook tinha 2,07 bilh\u00f5es de usu\u00e1rios ativos no mundo todo &#8211; n\u00e3o se sabe quantas dessas contas s\u00e3o falsas.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/A733\/production\/_99230824_gettyimages-174374768.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Curtida do Facebook e passarinho do Twitter\" width=\"696\" height=\"392\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Direito de imagem\u00a0GETTY IMAGES Image caption Facebook e Twitter dizem tomar medidas para evitar a a\u00e7\u00e3o de perfis falsos<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Alguns passos podem ser tomados para identificar ciborgues. Qualquer um pode fazer uma pesquisa por meio da foto utilizada pelo perfil em quest\u00e3o. Em ferramentas de buscas como o Google, \u00e9 poss\u00edvel pesquisar pela imagem com o objetivo de rastrear sua origem e outros sites em que aparece. Esses perfis utilizam fotos que sa\u00edram em not\u00edcias n\u00e3o muito difundidas, de pessoas mortas, de bancos de imagens.<\/p>\n<p>Mas pesquisadores come\u00e7am agora a observar outros padr\u00f5es de comportamento: quando as mensagens n\u00e3o s\u00e3o programadas, sua publica\u00e7\u00e3o se concentra s\u00f3 em hor\u00e1rios de trabalho, j\u00e1 que \u00e9 controlada por pessoas cuja profiss\u00e3o \u00e9 exatamente essa, administrar um perfil falso durante o dia. Intera\u00e7\u00f5es de madrugada, portanto, quando pessoas reais muitas vezes participam de discuss\u00f5es online, est\u00e3o de fora (a n\u00e3o ser que empresas comecem a pagar por plant\u00f5es de madrugada).<\/p>\n<p>Outra pista: a pobreza vocabular das mensagens publicadas por esses perfis. Um dos entrevistados pela BBC Brasil, funcion\u00e1rio de uma empresa que supostamente produzia e vendia perfis falsos, explica que \u00e0s vezes &#8220;faltava criatividade&#8221; para criar mensagens distintas controlando tantos perfis falsos ao mesmo tempo &#8211; cada funcion\u00e1rio controlava entre 20 a 50 perfis com hist\u00f3rias de vida particulares.<\/p>\n<p>Para identificar os mais de 100 perfis falsos no Twitter e no Facebook que seriam ligados a uma empresa, com a ajuda de especialistas, a BBC Brasil levou em considera\u00e7\u00e3o elementos como: o uso de fotos comprovadamente falsas, modificadas ou roubadas; a publica\u00e7\u00e3o de mensagens a partir da mesma ferramenta externa \u00e0s redes sociais; o padr\u00e3o de mensagens que simulam rotina, com repeti\u00e7\u00e3o de palavras; a participa\u00e7\u00e3o ativa nas redes durante debates e &#8220;tuita\u00e7os&#8221;; atividade apenas durante o hor\u00e1rio &#8220;\u00fatil&#8221; do dia; as recorrentes mensagens de apoio ou de agress\u00e3o a candidatos espec\u00edficos e, por fim, v\u00e1rios casos de datas coincidentes de cria\u00e7\u00e3o, ativa\u00e7\u00e3o e desativa\u00e7\u00e3o dos perfis.<\/p>\n<p>Mas esse padr\u00e3o de comportamento se refere a um grupo espec\u00edfico de perfis falsos e ciborgues, produzidos, supostamente, por uma empresa espec\u00edfica. O problema \u00e9 que cada empresa tem uma atua\u00e7\u00e3o diferente, o que significa que diferentes grupos de perfis falsos t\u00eam tamb\u00e9m comportamentos distintos.<\/p>\n<p>O fen\u00f4meno, portanto, ainda est\u00e1 sendo investigado por especialistas \u00e0 procura de formas para aprimorar a identifica\u00e7\u00e3o dos ciborgues.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Parte 3, os rob\u00f4s pol\u00edticos<\/h2>\n<p>Os &#8220;rob\u00f4s pol\u00edticos&#8221; s\u00e3o outra categoria dos rob\u00f4s online.<\/p>\n<p>S\u00e3o perfis de militantes que autorizam que suas contas sejam conectadas a p\u00e1ginas de candidatos ou de campanhas. Por meio de um sistema simples de automatiza\u00e7\u00e3o, &#8220;suas contas passam a automaticamente curtir postagens&#8221;, diz Dan Arnaudo, pesquisador da Universidade de Washington, nos EUA, e do Instituto Igarap\u00e9, no Rio, especialista em propaganda computacional, governan\u00e7a da internet e direitos digitais.<\/p>\n<p>Yasodara C\u00f3rdova diz que essa \u00e9 uma &#8220;esp\u00e9cie de ciborguiza\u00e7\u00e3o para aumentar a quantidade de visualiza\u00e7\u00f5es ou compartilhamento de uma publica\u00e7\u00e3o, em que um pol\u00edtico usa um ex\u00e9rcito de pessoas que se habilitam a postar por ele&#8221;.<\/p>\n<p>Ou seja, s\u00e3o perfis de pessoas verdadeiras, que abrem m\u00e3o de sua &#8220;autonomia&#8221; para dar curtidas de forma autom\u00e1tica selecionadas pela campanha de um candidato.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/F553\/production\/_99230826_gettyimages-618040666.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Ilustra\u00e7\u00e3o de conex\u00f5es digitais\" width=\"696\" height=\"392\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Direito de imagem\u00a0GETTY IMAGES Image caption\u00a0Tem perfil que at\u00e9 parece fake &#8211; mas n\u00e3o \u00e9<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Parte 4, o fake cl\u00e1ssico<\/h2>\n<p>Um &#8220;fake cl\u00e1ssico&#8221; \u00e9 aquele que j\u00e1 conhecemos: um perfil falso inventado por uma s\u00f3 pessoa, sem rela\u00e7\u00e3o com empresas que vendem esse servi\u00e7o para pol\u00edticos e sem rela\u00e7\u00e3o com campanhas que pedem acesso \u00e0s contas de militantes.<\/p>\n<p>\u00c9 aquele perfil usado por uma pessoa para esconder-se atr\u00e1s de um &#8220;fake&#8221; pelos mais diversos motivos: simplesmente para n\u00e3o expor a identidade do verdadeiro autor, para publicar coment\u00e1rios negativos ou positivos sobre uma pessoa ou para &#8220;bombar&#8221; um pol\u00edtico voluntariamente.<\/p>\n<p>Se isso for feito de forma transparente, ou seja, se o perfil for sat\u00edrico ou deixar claro que \u00e9 um pseud\u00f4nimo, a atividade \u00e9 legal. Quando \u00e9 usado para enganar outros usu\u00e1rios, no entanto, sem deixar claro que o perfil \u00e9 falso ou assumindo a identidade de outra pessoa (roubando sua foto ou nome), \u00e9 ilegal.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Parte 5, os ativistas em s\u00e9rie<\/h2>\n<p>Mas nem sempre um n\u00famero alto de compartilhamentos ou postagens significa que seu autor \u00e9 um computador.<\/p>\n<p>H\u00e1 dois anos, Bastos e Mercea identificaram o que chamaram de &#8220;<a class=\"story-body__link-external\" href=\"http:\/\/journals.sagepub.com\/doi\/10.1177\/1461444815584764\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ativistas em s\u00e9rie<\/a>&#8221; &#8211; pessoas reais altamente prol\u00edficas politicamente no Twitter e com postagens sobre eventos pol\u00edticos em diferentes partes do mundo &#8211; at\u00e9 17 delas. Exemplo: um ativista em s\u00e9rie pode tuitar em grandes quantidades tanto sobre os protestos de junho de 2013 no Brasil quanto sobre o movimento Occupy nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Os pesquisadores entrevistaram 21 ativistas em s\u00e9rie. O resultado: os entrevistados eram em sua maior parte pessoas com 30 anos ou entre os 50 e 60, em per\u00edodos de desemprego, trabalho volunt\u00e1rio ou durante a aposentadoria. Ficavam entre cinco e 12 horas no Twitter dedicando seu tempo a diferentes causas, chegando a tuitar 1,2 mil vezes por dia, ind\u00edcio que levaria pesquisadores a associarem esses perfis \u00e0 automatiza\u00e7\u00e3o, embora fossem pessoas de verdade.<\/p>\n<p><strong><span class=\"byline__name\">Cr\u00e9dito: Juliana Gragnani d<\/span><span class=\"byline__title\">a BBC Brasil em Londres &#8211; dispon\u00edvel na internet 18\/12\/2107<\/span><\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se a interfer\u00eancia de contas falsas em discuss\u00f5es pol\u00edticas nas redes sociais j\u00e1 representava um perigo para os sistemas democr\u00e1ticos, sua sofistica\u00e7\u00e3o e maior semelhan\u00e7a com pessoas reais t\u00eam agravado o problema pelo mundo. 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