{"id":21160,"date":"2018-01-27T07:38:20","date_gmt":"2018-01-27T10:38:20","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=21160"},"modified":"2018-01-27T07:38:38","modified_gmt":"2018-01-27T10:38:38","slug":"corrupcao-pode-ser-mais-importante-que-economia-nas-eleicoes-segundo-avaliacao-de-banco-suico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2018\/01\/27\/corrupcao-pode-ser-mais-importante-que-economia-nas-eleicoes-segundo-avaliacao-de-banco-suico\/","title":{"rendered":"Corrup\u00e7\u00e3o pode ser mais importante que economia nas elei\u00e7\u00f5es, segundo avalia\u00e7\u00e3o de banco su\u00ed\u00e7o"},"content":{"rendered":"<div class=\"story-body__inner\">\n<p class=\"story-body__introduction\">A popularidade de um presidente e o desempenho econ\u00f4mico do pa\u00eds costumavam andar de m\u00e3os dadas no Brasil. Desde o primeiro governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB-SP), l\u00edderes que conseguiram controlar a infla\u00e7\u00e3o e o desemprego tamb\u00e9m registraram baixos n\u00edveis de rejei\u00e7\u00e3o. Como consequ\u00eancia, foram reeleitos ou emplacaram sucessores.<\/p>\n<p>&#8220;O voto no Brasil \u00e9 muito ligado \u00e0 percep\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica&#8221;, diz Tony Volpon, ex-diretor do Banco Central e economista-chefe do UBS no Brasil.<\/p>\n<p>&#8220;Quem est\u00e1 feliz com a economia, vota no candidato da situa\u00e7\u00e3o. Quem n\u00e3o se sente bem, vota na oposi\u00e7\u00e3o. Todas as elei\u00e7\u00f5es a partir de 1994 t\u00eam essa l\u00f3gica.&#8221;<\/p>\n<p>O padr\u00e3o, no entanto, parece ter naufragado com o governo de Michel Temer, segundo um estudo enviado pelo banco su\u00ed\u00e7o a investidores estrangeiros, na \u00faltima quinta-feira.<\/p>\n<p>&#8220;A partir de 2016, essa correla\u00e7\u00e3o entre economia e popularidade do presidente se quebra no Brasil. Houve melhora nas condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, com queda na infla\u00e7\u00e3o e no desemprego. Mas o governo Temer \u00e9 hoje mais impopular que o governo Dilma (Rousseff) em seu pior momento&#8221;, aponta Volpon.<\/p>\n<p>Em 1998, embalado pelo sucesso do Plano Real, FHC tinha \u00edndices de aprova\u00e7\u00e3o 10% maiores que os de reprova\u00e7\u00e3o &#8211; e foi reeleito. Mas depois de sucessivas crises econ\u00f4micas no fim dos anos 1990 e no in\u00edcio dos anos 2000, o apoio popular ao tucano despencou e ele n\u00e3o conseguiu eleger o colega Jos\u00e9 Serra, derrotado por Lula em 2002.<\/p>\n<figure class=\"media-portrait has-caption body-narrow-width\">\n<p><figure style=\"width: 412px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/304\/cpsprodpb\/D1B5\/production\/_99758635_foto_02.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/304\/cpsprodpb\/D1B5\/production\/_99758635_foto_02.jpg?resize=412%2C549&#038;ssl=1\" alt=\"Tony Volpon\" width=\"412\" height=\"549\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Image caption\u00a0&#8216;Corrup\u00e7\u00e3o e quest\u00f5es n\u00e3o estritamente econ\u00f4micas v\u00e3o contar mais na cabe\u00e7a do eleitor neste ano&#8217;, diz Tony Volpon | Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure><figcaption class=\"media-caption\"><\/figcaption>Nos oito anos seguintes, mesmo abalado pelo esc\u00e2ndalo do mensal\u00e3o, o petista conseguiu manter infla\u00e7\u00e3o e desemprego em n\u00edveis baixos o suficiente para alcan\u00e7ar a maior aprova\u00e7\u00e3o j\u00e1 obtida por um presidente brasileiro: 80%. Em 2010, Lula conseguiu com relativa tranquilidade passar a faixa presidencial para Dilma Rousseff &#8211; at\u00e9 ent\u00e3o uma figura an\u00f4nima para a maioria dos brasileiros.<\/figure>\n<p>Na semana em que Lula teve sua pena ampliada de 9 para 12 anos, em decis\u00e3o un\u00e2nime de tr\u00eas desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4\u00aa Regi\u00e3o (TRF-4), de Porto Alegre, o levantamento hist\u00f3rico do banco internacional sugere que a corrup\u00e7\u00e3o roubou a cena no pa\u00eds.<\/p>\n<p>O fen\u00f4meno indica que, pela primeira vez na hist\u00f3ria recente, o eleitorado brasileiro n\u00e3o deve se pautar pela situa\u00e7\u00e3o do bolso na hora de escolher um presidente em 2018.<\/p>\n<p>&#8220;Os dados mostram que n\u00e3o ser\u00e1 um mero c\u00e1lculo econ\u00f4mico que vai decidir a elei\u00e7\u00e3o. Corrup\u00e7\u00e3o e quest\u00f5es n\u00e3o estritamente econ\u00f4micas v\u00e3o contar mais na cabe\u00e7a do eleitor neste ano&#8221;, prev\u00ea o economista.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Den\u00fancias contra Temer<\/h2>\n<p>A tese se justifica por uma s\u00e9rie de gr\u00e1ficos enviados a clientes, pelos quais o banco aponta que o maior distanciamento entre popularidade e resultados da economia de Temer coincide com os esc\u00e2ndalos envolvendo o presidente e seus principais aliados, revelados em dela\u00e7\u00f5es premiadas de executivos da JBS.<\/p>\n<p>De l\u00e1 para c\u00e1, quanto mais sinais de recupera\u00e7\u00e3o a economia dava, menor era a aprova\u00e7\u00e3o do peemedebista.<\/p>\n<p>&#8220;Acreditamos que as duas den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o enfrentadas pelo presidente Temer no ano passado, no Congresso, danificaram sua popularidade depois de uma curta melhora em meados de 2016&#8221;, diz o relat\u00f3rio da UBS.<\/p>\n<p>A percep\u00e7\u00e3o se confirma pela evolu\u00e7\u00e3o das pesquisas de opini\u00e3o sobre corrup\u00e7\u00e3o no pa\u00eds.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape no-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 3840px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/395D\/production\/_99758641_getty01.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/395D\/production\/_99758641_getty01.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Ilustra\u00e7\u00e3o de corrup\u00e7\u00e3o\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Direito de imagem\u00a0GETTY IMAGES &#8211; Ilustra\u00e7\u00e3o de corrup\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Em 1989, pouco antes da elei\u00e7\u00e3o do ex-presidente Fernando Collor de Melo, 20% do eleitorado apontava a corrup\u00e7\u00e3o como preocupa\u00e7\u00e3o importante, segundo o Ibope.<\/p>\n<p>No fim de 2017, com o notici\u00e1rio dominado pela Lava Jato, a corrup\u00e7\u00e3o se tornou a principal preocupa\u00e7\u00e3o para 62% dos eleitores, de acordo com o mesmo instituto.<\/p>\n<p>Segundo o UBS, o novo cen\u00e1rio d\u00e1 f\u00f4lego aos chamados &#8220;outsiders&#8221; (candidatos de fora do ambiente pol\u00edtico), e seus economistas ainda n\u00e3o descartam uma candidatura do apresentador Luciano Huck, classificado como eventual candidato de centro &#8211; ele nega inten\u00e7\u00f5es eleitorais, apesar de aparecer bem colocado nas pesquisas.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Julgamento de Lula<\/h2>\n<p>Depois de ocupar cargos em bancos em Nova York, Chicago e Londres, Volpon foi diretor do Banco Central durante o ajuste fiscal do ent\u00e3o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, durante o auge da crise do segundo governo Dilma.<\/p>\n<p>Questionado sobre a nova condena\u00e7\u00e3o do ex-presidente Lula, o economista-chefe do banco su\u00ed\u00e7o diz que o &#8220;mercado esperava a confirma\u00e7\u00e3o da decis\u00e3o de Moro&#8221;, mas sugere que o ambiente de divis\u00e3o pol\u00edtica no Brasil pode tornar avalia\u00e7\u00f5es mais simplistas ou equivocadas.<\/p>\n<p>&#8220;O que tenho dito para meus investidores \u00e9 que n\u00e3o podemos ser levados por quest\u00f5es ideol\u00f3gicas&#8221;, diz Volpon.<\/p>\n<p>&#8220;O Brasil, como muitos outros pa\u00edses, vive um momento muito polarizado. Eu tendo a ter amigos e contatos nos dois lados do debate e vejo diferen\u00e7as muito grandes na forma que eles narram o que est\u00e1 acontecendo.&#8221;<\/p>\n<p>Para a maior parte dos analistas de mercado, uma eventual candidatura de Lula \u00e9 avaliada como um fator de risco para as reformas implementadas pelo presidente Michel Temer.<\/p>\n<p>Volpon diz que \u00e9 cedo para especula\u00e7\u00f5es, e classifica Lula como &#8220;um pol\u00edtico extremamente pragm\u00e1tico&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Ele sempre demonstrou isso e sabe a diferen\u00e7a entre ser candidato e presidente, porque j\u00e1 foi os dois&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Parte da rejei\u00e7\u00e3o do mercado, para o economista-chefe do UBS, ocorreria porque a eventual candidatura do petista n\u00e3o apresentou uma plataforma econ\u00f4mica clara, que possa ser debatida e avaliada pelos mercados &#8211; como foi a &#8220;Carta ao Povo Brasileiro&#8221;, em que Lula buscou tranquilizar investidores, antes de se eleger pela primeira vez.<\/p>\n<p>&#8220;Quando se conversa com o pessoal que est\u00e1 pensando o que poderia se tornar uma poss\u00edvel plataforma econ\u00f4mica em um governo Lula, ouve-se, sim, cr\u00edticas \u00e0s reformas do governo Temer, mas ouve-se tamb\u00e9m propostas de outro tipo de reforma da Previd\u00eancia&#8221;, aponta Volpon.<\/p>\n<p>&#8220;Eles n\u00e3o negam a necessidade de uma reforma da Previd\u00eancia, de um ajuste fiscal duradouro&#8221;, avalia.<\/p>\n<p>&#8220;A ideia n\u00e3o parece ser &#8216;botar fogo no circo&#8217;.&#8221;<\/p>\n<p><strong><span class=\"byline__name\">Cr\u00e9dito: Ricardo Senra da\u00a0<\/span><span class=\"byline__title\">BBC Brasil em Washington -dispon\u00edvel na internet 27\/01\/2018<\/span><\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A popularidade de um presidente e o desempenho econ\u00f4mico do pa\u00eds costumavam andar de m\u00e3os dadas no Brasil. 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