{"id":21212,"date":"2018-01-29T00:04:39","date_gmt":"2018-01-29T03:04:39","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=21212"},"modified":"2018-01-28T20:06:19","modified_gmt":"2018-01-28T23:06:19","slug":"febre-amarela-um-desafio-de-saude-publica-para-grandes-cidades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2018\/01\/29\/febre-amarela-um-desafio-de-saude-publica-para-grandes-cidades\/","title":{"rendered":"Febre amarela, um desafio de sa\u00fade p\u00fablica para grandes cidades"},"content":{"rendered":"<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h5 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \">Falta de planejamento aliada a desinforma\u00e7\u00e3o que circula entre as pessoas explicam parte da corrida aos postos de sa\u00fade, segundo especialistas.<abbr title=\"Brasilia Summer Time\"><\/abbr><\/h5>\n<p>O Estado de S\u00e3o Paulo tenta conter uma onda de p\u00e2nico instaurada na popula\u00e7\u00e3o diante do aumento do n\u00famero de casos de\u00a0febre amarela. O medo da doen\u00e7a levou a uma\u00a0corrida aos postos de sa\u00fade da capital, com longas filas, de dobrar o quarteir\u00e3o, em busca de vacina de imuniza\u00e7\u00e3o. A procura desenfreada resultou tamb\u00e9m em desabastecimentos pontuais, epis\u00f3dios de tumulto e at\u00e9 em brigas com funcion\u00e1rios da sa\u00fade. No balan\u00e7o mais recente, divulgado pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, foram confirmados 130 casos de febre amarela no pa\u00eds entre julho de 2017 e 23 de janeiro deste ano, sendo 61 no Estado de S\u00e3o Paulo, onde foram confirmadas 21 \u00f3bitos pela doen\u00e7a. Em Minas Gerais o n\u00famero de mortos pela doen\u00e7a chega a 24, no Rio de Janeiro s\u00e3o 7 e no Distrito Federal foi confirmado um \u00f3bito durante este per\u00edodo. Os dados s\u00e3o muito mais altos do que o pa\u00eds registrou nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<\/div>\n<\/header>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<figure class=\"foto centro foto_w980\">\n<p><figure style=\"width: 980px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/01\/26\/politica\/1516966136_238551_1516966983_noticia_normal.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/01\/26\/politica\/1516966136_238551_1516966983_noticia_normal.jpg?resize=696%2C442&#038;ssl=1\" alt=\"Campanha de vacina\u00e7\u00e3o da febre amarela em Itaquera, em S\u00e3o Paulo. \" width=\"696\" height=\"442\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Campanha de vacina\u00e7\u00e3o da febre amarela em Itaquera, em S\u00e3o Paulo.\u00a0ROVENA ROSA\u00a0AG\u00caNCIA BRASIL<\/figcaption><\/figure><figcaption class=\"foto-pie\"><\/figcaption><\/figure>\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<div id=\"elpais_gpt-INTEXT\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/politica\/intext_0__container__\">Com o aumento da preocupa\u00e7\u00e3o com a febre amarela, a Secretaria de Sa\u00fade estadual do\u00a0Governo Geraldo Alckmin\u00a0acabou antecipando em alguns dias o programa de vacina\u00e7\u00e3o, com doses fracionadas, em 54 cidades. A decis\u00e3o emergencial do fracionamento tem o objetivo de conseguir atender a um n\u00famero maior de pessoas. A dose padr\u00e3o da vacina protege uma pessoa por toda a vida, enquanto a fracionada dura por pelo menos oito anos. A campanha que come\u00e7ou na \u00faltima quinta-feira \u2013 mantendo ainda longas filas \u2013 ir\u00e1 at\u00e9 17 de fevereiro e a meta \u00e9 vacinar 8,3 milh\u00f5es de pessoas.<\/div>\n<\/div>\n<p>Uma combina\u00e7\u00e3o de falta de planejamento das autoridades e de desinforma\u00e7\u00e3o que circula entre as pessoas explica um pouco tamanho alarde, segundo especialistas ouvidos pela reportagem. Eles afirmam, no entanto, que, apesar do quadro n\u00e3o ser confort\u00e1vel e a cobertura vacinal ser aqu\u00e9m da desejada, n\u00e3o h\u00e1 motivos para p\u00e2nico.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">&#8220;Temos que ficar em alerta para ver a magnitude que essa epidemia vai tomar. Se ela passar s\u00f3 no arredor de S\u00e3o Paulo, nas regi\u00f5es de mata e descer para o litoral, como est\u00e1 previsto, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 menos alarmante do que se ela entrar na cidade e desencadear um in\u00edcio de casos de transmiss\u00e3o urbana&#8221;, diz o infectologista Esper Kallas, professor da USP.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">At\u00e9 agora, os casos registrados no Estado s\u00e3o de febre amarela silvestre e n\u00e3o da urbana, um tipo que n\u00e3o circula no pa\u00eds desde 1942 e \u00e9 transmitido pelo mesmo vetor que a dengue, o\u00a0<em>Aedes Aegypt<\/em>i. A silvestre \u00e9 transmitida pelos mosquitos\u00a0<em>Haemagogus<\/em>\u00a0e\u00a0<em>Sabethes<\/em>, que vivem em \u00e1rea de mata e preferem as copas das \u00e1rvores, por isso costumam picar mais os macacos que os humanos.\u00a0A doen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 transmitida de pessoa para pessoa nem de macacos para humanos.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Os afetados atualmente pela doen\u00e7a foram picados por mosquitos silvestres contaminados nas regi\u00f5es de mata. Para que a transmiss\u00e3o urbana da febre amarela ocorra, \u00e9 preciso que uma pessoa infectada na \u00e1rea de mata circule pelo meio urbano e seja picada por um Aedes<em>.<\/em>\u00a0O mosquito, ent\u00e3o, passaria a contaminar todos que n\u00e3o estejam imunizados. Segundo especialistas, apesar de haver risco desse cont\u00e1gio, ele s\u00f3 acontece se houver um grande n\u00famero de infectados pela doen\u00e7a nas cidades.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Na avalia\u00e7\u00e3o de Kallas, a corrida aos postos poderia ter sido evitada se a campanha de vacina\u00e7\u00e3o mais ampla tivesse come\u00e7ado antes, em outubro,\u00a0quando epis\u00f3dios de macacos\u00a0mortos em Mairipor\u00e3, localizada a 40km de S\u00e3o Paulo, foram constatados. A cidade registra grande parte dos casos de febre amarela no Estado. A secretaria de Sa\u00fade de S\u00e3o Paulo (SES-SP) n\u00e3o concorda com a afirma\u00e7\u00e3o do especialista sobre falhas na estrat\u00e9gia de vacina\u00e7\u00e3o,\u00a0j\u00e1 que diz seguir crit\u00e9rios epidemiol\u00f3gicos, dando prioridade aos corredores ecol\u00f3gicos. &#8220;Hoje estamos trabalhando com 54 municipios preventivamente, porque h\u00e1 uma possibilidade do v\u00edrus chegar. Quando voc\u00ea olha para essa corrida aos postos em S\u00e3o Paulo, temos que lembrar que, at\u00e9 agora, estamos falando de uma febre amarela silvestre, em \u00e1reas de matas e florestas. N\u00e3o era prioridade vacinar uma \u00e1rea densamente populacional onde eu n\u00e3o tinha risco&#8221;, explica\u00a0 Regiane de Paula diretora do Centro de Vigil\u00e2ncia Epidemiol\u00f3gica da SES.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A diretora explica ainda que em fevereiro de 2017, quando apareceu o primeiro macaco morto por febre amarela em uma \u00e1rea\u00a0 onde n\u00e3o havia recomenda\u00e7\u00e3o para vacinar, no munic\u00edpio de S\u00e3o Roque,\u00a0\u00a0 foi iniciada uma camapnha de vacina\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o, e a vigil\u00e2ncia come\u00e7ou a trabalhar com os corredores ecol\u00f3gico olhando a dire\u00e7\u00e3o que o v\u00edrus poderia seguir.\u00a0 No fim do ano, a grande S\u00e3o Paulo come\u00e7ou a ter parques estaduais e municipais fechados para prevenir a febre amarela. Tamb\u00e9m foram criadas campanhas de vacina\u00e7\u00e3o na Zona Norte, Guarulhos e na regi\u00e3o de Itapecerica da Serra, onde tamb\u00e9m houve registro de mortes de macacos.<\/p>\n<section id=\"sumario_3|foto\" class=\"sumario_foto izquierda\"><a name=\"sumario_3\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w360\">\n<p><figure style=\"width: 360px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/01\/26\/politica\/1516966136_238551_1516988989_sumario_normal.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/01\/26\/politica\/1516966136_238551_1516988989_sumario_normal.jpg?resize=360%2C206&#038;ssl=1\" alt=\"Mairipor\u00e3, localizada a 40km de S\u00e3o Paulo, registra grande parte dos casos de febre amarela no Estado.\" width=\"360\" height=\"206\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Mairipor\u00e3, localizada a 40km de S\u00e3o Paulo, registra grande parte dos casos de febre amarela no Estado.\u00a0FERNANDO BIZERRA\u00a0EFE<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\">Para o infectologista Kallas, o atual quadro serve de alerta para a necessidade e a import\u00e2ncia do investimento na \u00e1rea de preven\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a. Segundo Kallas, os projetos de vigil\u00e2ncia s\u00f3 ser\u00e3o super rigorosos se houver recurso financeiro. &#8220;Faltou ainda investimento nas f\u00e1bricas da Fiocruz para produzir uma quantidade maior de de doses da vacina. Poder\u00edamos tamb\u00e9m ter investido em outras tecnologias de combate \u00e0 doen\u00e7a, mas a \u00e1rea \u00e9 uma das primeiras a sofrer cortes. O sistema de sa\u00fade no Brasil n\u00e3o est\u00e1 preparado para receber epidemias de grande magnitude&#8221;, ressalta.<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p dir=\"ltr\">N\u00e3o se sabe exatamente o que pode ter causado o atual aumento de casos da doen\u00e7a em S\u00e3o Paulo e em outras regi\u00f5es do pa\u00eds nos \u00faltimos anos.\u00a0Ao longo das d\u00e9cadas, o mapa desses locais onde s\u00e3o recomendados a vacina\u00e7\u00e3o contra a febre amarela foi se ampliando. O infectologista\u00a0Juv\u00eancio Furtado, professor de Infectologia da Faculdade de Medicina do ABC- SP, afirma que existe um ciclo natural do v\u00edrus entre os macacos a cada 5 a 10 anos, que varia conforme o clima e esta\u00e7\u00f5es. A maior frequ\u00eancia da febre amarela ocorre entre os meses de dezembro e maio, per\u00edodo com maior \u00edndice de chuvas, quando aumenta a prolifera\u00e7\u00e3o do vetor. Mudan\u00e7as dr\u00e1sticas no meio ambiente tamb\u00e9m poderiam contribuir para o deslocamento do v\u00edrus. &#8220;A morte de macacos por febre amarela sempre existiu, mas agora o n\u00famero \u00e9 maior. E o que preocupa \u00e9 que a circula\u00e7\u00e3o do v\u00edrus, diferentemente de antes, esta em \u00e1reas pr\u00f3ximas de regi\u00f5es muito populosas como a capital paulista, onde n\u00e3o havia recomenda\u00e7\u00e3o de vacina\u00e7\u00e3o, com muitas pessoas que n\u00e3o est\u00e3o imunes&#8221;.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O grande n\u00famero de pessoas n\u00e3o vacinadas em \u00e1reas com ecossistema favor\u00e1vel ao v\u00edrus representa um &#8220;alto risco&#8221; de mudan\u00e7a no patamar de transmiss\u00e3o, segundo comunicado\u00a0Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS)divulgado nesta semana. A organiza\u00e7\u00e3o, que acompanha de perto os desdobramentos da doen\u00e7a no pa\u00eds, passou a classificar o estado de S\u00e3o Paulo como \u00e1rea de risco de cont\u00e1gio. Antes, s\u00f3 algumas \u00e1reas do interior tinham essa classifica\u00e7\u00e3o. A partir de agora, qualquer estrangeiro que vier para qualquer regi\u00e3o do estado de S\u00e3o Paulo, ter\u00e1 que antes se vacinar. O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade considerou que a medida indica um &#8220;excesso de zelo&#8221; e &#8220;amplia\u00e7\u00e3o da cautela&#8221;.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Ainda segundo a OMS, a campanha de vacina\u00e7\u00e3o que come\u00e7ou nesta semana deve limitar o avan\u00e7o da doen\u00e7a, mas \u00e9 poss\u00edvel prever percal\u00e7os. \u201c\u00c9 importante notar que, devido \u00e0 sua escala e alcance, esta campanha de vacina\u00e7\u00e3o em massa provavelmente ser\u00e1 caracterizada por desafios log\u00edsticos significativos\u201d, diz comunicado da organiza\u00e7\u00e3o. O ministro da Sa\u00fade, Ricardo Barros, garantiu, no entanto, que o pa\u00eds tem estoque suficiente para toda a popula\u00e7\u00e3o brasileira que ainda n\u00e3o tomou a vacina.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O infectologista Esper Kallas concorda que uma campanha de vacina\u00e7\u00e3o em uma cidade do tamanho de S\u00e3o Paulo, com 12 milh\u00f5es de habitantes, \u00e9 por si s\u00f3 desafiadora j\u00e1 que \u00e9 necess\u00e1rio planejamento antecipado, uma grande quantidade de dose da vacina, pessoal qualificado e log\u00edstica de armazenamento. N\u00e3o acontece da noite para o dia. O m\u00e9dico alerta que a vacina\u00e7\u00e3o tampouco \u00e9 algo trivial,\u00a0j\u00e1 que h\u00e1 grupos que n\u00e3o devem tomar a vacina, como crian\u00e7as de at\u00e9 9 meses, por exemplo. E h\u00e1 tamb\u00e9m uma porcentagem de pacientes que t\u00eam rea\u00e7\u00e3o \u00e0 imuniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">&#8220;A vacina mata uma pessoa em cada 400 mil. Se voc\u00ea est\u00e1 em uma regi\u00e3o onde n\u00e3o h\u00e1 nada de febre amarela talvez n\u00e3o compense vacinar um grande n\u00famero de pessoas. Mas, quando a febre amarela est\u00e1 batendo na porta, como em S\u00e3o Paulo, com uma mortalidade projetada de 10% de todos os infectados e de 50% para os que procuram os hospitais com sintomas graves, essa vacina\u00e7\u00e3o, mesmo com risco, compensa&#8221;, explica. Tr\u00eas casos de mortes relacionadas \u00e0 rea\u00e7\u00e3o \u00e0 vacina foram registrados no Estado. Em S\u00e3o Paulo v\u00e1rios munic\u00edpios est\u00e3o com recomenda\u00e7\u00e3o permanente de vacina\u00e7\u00e3o. Na capital, a vacina \u00e9 recomendada para pessoas residentes na regi\u00e3o norte e em algumas localidades da regi\u00e3o sul e oeste.\u00a0<a href=\"http:\/\/www.saude.sp.gov.br\/resources\/cve-centro-de-vigilancia-epidemiologica\/areas-de-vigilancia\/doencas-de-transmissao-por-vetores-e-zoonoses\/doc\/famarela\/famarela_lista_mun_com_recomendacao_vacinacao.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Veja aqui a lista completa da Secretaria de Saude do Estado.<\/a><\/p>\n<h3>Falta de informa\u00e7\u00e3o e desconfian\u00e7a<\/h3>\n<p dir=\"ltr\">Na avalia\u00e7\u00e3o de Furtado, da Faculdade de Medicina do ABC- SP, a apreens\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o sobre a doen\u00e7a \u00e9 compreens\u00edvel, j\u00e1 que a febre amarela possui um n\u00edvel alto de mortandade. O m\u00e9dico critica, entretanto, que faltou uma campanha publicit\u00e1ria maior para orientar a popula\u00e7\u00e3o sobre a doen\u00e7a. J\u00e1 foram relatados alguns casos, por exemplo, de pessoas que moram em \u00e1reas fora de risco e que, para evitar filas nos postos de sa\u00fade, foram procurar a vacina em regi\u00f5es de risco de contamina\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a. &#8220;Mas \u00e9 necess\u00e1rio credibilidade. J\u00e1 escutei gente falando, por exemplo, que como o Governo n\u00e3o tem vacina, ela ser\u00e1 fracionada para enganar a popula\u00e7\u00e3o&#8221;, conta o m\u00e9dico.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A desconfian\u00e7a da popula\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao que dizem as autoridades de sa\u00fade \u00e9 em certo grau justific\u00e1vel. Em setembro do ano passado, por exemplo, o ministro da Sa\u00fade anunciou o fim da epidemia da febre amarela que atingiu o Brasil em 2017 &#8211; a maior com n\u00famero de casos em humanos desde a d\u00e9cada de 80. No m\u00eas seguinte, entretanto, apareceram macacos mortos em S\u00e3o Paulo pela doen\u00e7a e o n\u00famero pessoas infectadas pela febre amarela continua crescendo.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Muitos dos sintomas de uma pessoa infectada pelo v\u00edrus da febre amarela s\u00e3o comuns aos de outras doen\u00e7as conhecidas, como dores de cabe\u00e7a, febre baixa, fraqueza e v\u00f4mitos. Cerca de 20% das pessoas contaminadas desenvolvem a forma grave da doen\u00e7a, acompanhada de insufici\u00eancia renal e hep\u00e1tica e hemorragias. O processo de evolu\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a \u00e9 r\u00e1pido e, por isso, \u00e9 importante o diagn\u00f3stico precoce. Ainda que a enfermidade n\u00e3o tenha um rem\u00e9dio para trat\u00e1-la, os m\u00e9dicos ressaltam que quanto antes a doen\u00e7a \u00e9 descoberta, mais chances o paciente tem de receber atendimento para tentar contornar as complica\u00e7\u00f5es geradas pelo v\u00edrus. Podem ser indicadas transfus\u00f5es de sangue e entuba\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">No final do ano passado, o Hospital das Cl\u00ednicas de S\u00e3o Paulo fez o primeiro transplante programado para um paciente em decorr\u00eancia da febre amarela. Uma engenheira de 27 anos recebeu um f\u00edgado de emerg\u00eancia ap\u00f3s a doen\u00e7a desencadear uma hepatite fulminante. Nos \u00faltimos dias o hospital j\u00e1 fez outros tr\u00eas transplantes semelhantes para tratar pacientes com complica\u00e7\u00f5es causadas pela febre amarela. &#8220;A not\u00edcia \u00e9 extraordin\u00e1ria, j\u00e1 que esse transplante provavelmente salvou a vida desses pacientes. Mas essa \u00e9 uma medida emergencial muito cara e complexa para uma epidemia em maior escala. Nosso sistema de sa\u00fade n\u00e3o est\u00e1 preparado para isso&#8221;, diz Kallas.<\/p>\n<section id=\"sumario_1|apoyos\" class=\"sumario_apoyos izquierda\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<header class=\"sumario-encabezado\">\n<h3 class=\"sumario-titulo\"><span class=\"sin_enlace\">MAIS INFORMA\u00c7\u00d5ES<\/span><\/h3>\n<\/header>\n<div class=\"sumario-texto\">\n<div class=\"apoyos\">\n<ul class=\"apoyos-listado\">\n<li class=\"apoyo_ apoyo_foto\">\n<figure class=\"foto foto_w140\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/01\/26\/politica\/1516966136_238551_1516985530_sumarioapoyo_normal.jpg?resize=140%2C100&#038;ssl=1\" alt=\"Febre amarela, um desafio de sa\u00fade p\u00fablica para grandes cidades\" width=\"140\" height=\"100\" \/><\/figure>\n<p><span class=\"apoyo-titulo\"><a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/01\/23\/politica\/1516710651_204317.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Febre amarela fecha Jardim Bot\u00e2nico, Safari e Zool\u00f3gico de S\u00e3o Paulo<\/a><\/span><\/li>\n<li class=\"apoyo_ apoyo_foto\">\n<figure class=\"foto foto_w140\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/01\/26\/politica\/1516966136_238551_1516986182_sumarioapoyo_normal.jpg?resize=140%2C100&#038;ssl=1\" alt=\"Febre amarela, um desafio de sa\u00fade p\u00fablica para grandes cidades\" width=\"140\" height=\"100\" \/><\/figure>\n<p><span class=\"apoyo-titulo\"><a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/01\/12\/politica\/1515776572_533502.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mortes por febre amarela causam corrida por vacina\u00e7\u00e3o em S\u00e3o Paulo<\/a><\/span><\/li>\n<li class=\"apoyo_ apoyo_foto\">\n<figure class=\"foto foto_w140\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/01\/26\/politica\/1516966136_238551_1516986721_sumarioapoyo_normal.jpg?resize=140%2C100&#038;ssl=1\" alt=\"Febre amarela, um desafio de sa\u00fade p\u00fablica para grandes cidades\" width=\"140\" height=\"100\" \/><\/figure>\n<p><span class=\"apoyo-titulo\"><a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/10\/27\/politica\/1509127125_265005.html?rel=mas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Cortes na Sa\u00fade e falta de vacinas complicam combate \u00e0 febre amarela em S\u00e3o Paulo<\/a><\/span><\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<div id=\"elpais_gpt-INTEXT\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/politica\/intext_0__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<p dir=\"ltr\"><strong>Cr\u00e9dito: Helo\u00edsa Mendon\u00e7a\/El Pa\u00eds Brasil 29\/01\/2018<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Falta de planejamento aliada a desinforma\u00e7\u00e3o que circula entre as pessoas explicam parte da corrida aos postos de sa\u00fade, segundo especialistas. O Estado de S\u00e3o Paulo tenta conter uma onda de p\u00e2nico instaurada na popula\u00e7\u00e3o diante do aumento do n\u00famero de casos de\u00a0febre amarela. O medo da doen\u00e7a levou a uma\u00a0corrida aos postos de sa\u00fade [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":20048,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[135],"tags":[],"class_list":{"0":"post-21212","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-clipping"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/febre-amarela.jpg?fit=700%2C456&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21212","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21212"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21212\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media\/20048"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21212"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21212"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21212"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}