{"id":22593,"date":"2018-03-10T00:02:25","date_gmt":"2018-03-10T03:02:25","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=22593"},"modified":"2018-03-10T05:46:30","modified_gmt":"2018-03-10T08:46:30","slug":"existe-o-dia-do-homem-daisy-lucas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2018\/03\/10\/existe-o-dia-do-homem-daisy-lucas\/","title":{"rendered":"Existe o Dia do Homem?"},"content":{"rendered":"<p>Organizando velhos pap\u00e9is (\u00d4 coisa chata), encontro um envelope a mim postado muito tempo atr\u00e1s\u2026, no outro s\u00e9culo. O tal envelope continha v\u00e1rios cart\u00f5ezinhos ilustrados, da s\u00e9rie \u201cAmar \u00c9\u201d.<\/p>\n<p>Esta s\u00e9rie teve grande repercuss\u00e3o l\u00e1 pelos anos 80, e se repetia em todas as m\u00eddias (quando ainda nem se usava a palavra m\u00eddia com o sentido mais amplo que tem atualmente).<\/p>\n<p>Pois bem, a frase \u201cAmar \u00e9.\u2026\u201d, tinha todo tipo de prosseguimento para definir o que seria amar.<\/p>\n<p>Vou dar um exemplo de como era: Amar \u00e9\u2026 \u201cOlhar com os olhos e ver com o cora\u00e7\u00e3o\u201d, e se completava de mil outras formas, quase sempre seguindo o g\u00eanero, sempre muito \u201crom\u00e2nticas\u201d, posso mesmo dizer melos\u00edssimas.<\/p>\n<p>E eu, pensativa que estava ontem, no Dia Internacional da Mulher, me vi com esta lembran\u00e7a do passado em m\u00e3os.<\/p>\n<p>Os cart\u00f5ezinhos eram ilustrados com duas lindas figurinhas, tipo assim um minicasal de Ad\u00e3o e Eva. Uma gra\u00e7a a ilustra\u00e7\u00e3o, mas o conte\u00fado\u2026 Nossa, machista at\u00e9 a alma. E eu fiquei me perguntando que gra\u00e7a eu possivelmente teria encontrado naquilo, a ponto de guard\u00e1-lo.<\/p>\n<p>A resposta me veio aos poucos. Acho que todos ach\u00e1vamos \u201cnormal\u201d a ideia da for\u00e7a dos homens e da fraqueza das mulheres. N\u00f3s, mulheres, talvez at\u00e9 mesmo a refor\u00e7\u00e1ssemos, demonstrando uma pseudofragilidade.<\/p>\n<p>Era muito comum ouvirmos \u201cMeu marido \u00e9 muito participativo, me ajuda muito com a casa e com as crian\u00e7as\u201d.<\/p>\n<p>Ajuda, cara p\u00e1lida? Por qu\u00ea? Voc\u00ea acha que a \u201cparticipa\u00e7\u00e3o\u201d masculina obrigat\u00f3ria se d\u00e1 apenas na hora da \u201cprodu\u00e7\u00e3o\u201d? Foi isto o que eu argumentei com a amiga da fam\u00edlia que disse a frase.<\/p>\n<p>Passam-se os anos, as figurinhas do \u201cAmar \u00e9\u201d somem do mercado, ou, pelo menos, eu nunca mais as vi, e, francamente, n\u00e3o registro grandes mudan\u00e7as.<\/p>\n<figure id=\"attachment_22597\" aria-describedby=\"caption-attachment-22597\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/daisy.jpg\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-22597 size-medium\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/daisy.jpg?resize=300%2C205\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"205\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/daisy.jpg?resize=300%2C205&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/daisy.jpg?resize=218%2C150&amp;ssl=1 218w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/daisy.jpg?resize=436%2C300&amp;ssl=1 436w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/daisy.jpg?resize=696%2C475&amp;ssl=1 696w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/daisy.jpg?resize=616%2C420&amp;ssl=1 616w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/daisy.jpg?w=768&amp;ssl=1 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-22597\" class=\"wp-caption-text\">Amar \u00e9\u2026 \u201cestar a dois e sentir-se livre como um passarinho\u201d.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Acho que n\u00e3o, porque o que vejo \u00e9: crian\u00e7a com febre, mam\u00e3e na \u00e1rea; papai n\u00e3o falta trabalho porque crian\u00e7a est\u00e1 doente, mas mam\u00e3e pode faltar.Observo que os casais compartilham as tarefas, mas a responsabilidade????<\/p>\n<p>Acho que n\u00f3s, mulheres, fizemos e fazemos muita press\u00e3o, mas na real o que existe \u00e9 muita hipocrisia, porque a responsa ainda \u00e9 das mulheres. Quer uma prova disto? D\u00ea uma chegadinha em reuni\u00e3o da escola dos seus filhos ou netos e conte quantos pais foram e quantas s\u00e3o as m\u00e3es\u2026<\/p>\n<p>O pior \u00e9 que essa coisa de jogar nos ombros das mulheres todas as tarefas do lar s\u00f3 vai mudar de verdade quando n\u00f3s, as m\u00e3es que criam os homens do futuro, acostumarmos os meninos desde a tenra idade \u00e0 ideia da igualdade.<\/p>\n<p>Igualdade na cria\u00e7\u00e3o, no compartilhamento das tarefas em casa, e no respeito \u2013 n\u00e3o porque a menina n\u00e3o sabe dar soco ou chutar, mas porque ela merece respeito do mesmo jeito que o coleguinha fort\u00e3o que chuta e d\u00e1 socos. Afinal, respeita-se porque o outro merece respeito ou porque inspira medo?<\/p>\n<p>At\u00e9 mesmo essa hist\u00f3ria de Dia da Mulher j\u00e1 cheira a falcatrua\u2026 existe Dia do Homem?<\/p>\n<p>Vamos pensar ent\u00e3o, e, no pr\u00f3ximo ano, antes de sairmos dando Parab\u00e9ns umas \u00e0s outras, vamos lembrar do que efetivamente fizemos para mudar essa hist\u00f3ria. Que este dia seja um dia de reflex\u00e3o, e n\u00e3o de uma homenagem que n\u00e3o passa de discurso pronto.<\/p>\n<p>Esque\u00e7a-se a melosidade porque os tempos mudaram e hoje, amar \u00e9 respeitar que o outro veja a vida com o seu pr\u00f3prio olhar, compartilhando planos, facilidade e tamb\u00e9m as dificuldades.<\/p>\n<p>\u00c9\u2026 acho que hoje deveria ser: Amar \u00e9\u2026 \u201cestar a dois e sentir-se livre como um passarinho\u201d.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00f4nica\u00a0 publicada na p\u00e1gina da escritora &#8211;<a href=\"http:\/\/www.daisylucas.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.daisylucas.com.br\/<\/a> \u2013 dispon\u00edvel na internet 10\/03\/2018<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #000080\"><strong>Nota: O presente artigo n\u00e3o traduz a opini\u00e3o do ASMETRO-SN. Sua publica\u00e7\u00e3o tem o prop\u00f3sito de estimular o debate dos problemas brasileiros e de refletir as diversas tend\u00eancias do pensamento contempor\u00e2neo.<\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Organizando velhos pap\u00e9is (\u00d4 coisa chata), encontro um envelope a mim postado muito tempo atr\u00e1s\u2026, no outro s\u00e9culo. O tal envelope continha v\u00e1rios cart\u00f5ezinhos ilustrados, da s\u00e9rie \u201cAmar \u00c9\u201d. 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