{"id":23145,"date":"2018-03-26T00:06:15","date_gmt":"2018-03-26T03:06:15","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=23145"},"modified":"2018-03-25T16:21:14","modified_gmt":"2018-03-25T19:21:14","slug":"sem-data-para-ser-julgado-processo-mais-antigo-do-stf-se-arrasta-ha-49-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2018\/03\/26\/sem-data-para-ser-julgado-processo-mais-antigo-do-stf-se-arrasta-ha-49-anos\/","title":{"rendered":"Sem data para ser julgado, processo mais antigo do STF se arrasta h\u00e1 49 anos"},"content":{"rendered":"<p class=\"story-body__introduction\">H\u00e1 quase cinco d\u00e9cadas, a Uni\u00e3o tenta recuperar terras no interior de S\u00e3o Paulo que foram cedidas pelo governo paulista a mais de 20 fazendeiros. Essa, contudo, n\u00e3o \u00e9 apenas mais uma disputa de posse que se arrasta h\u00e1 anos e foi parar na Justi\u00e7a. \u00c9 tamb\u00e9m o caso mais antigo em tramita\u00e7\u00e3o no Supremo Tribunal Federal (STF).<\/p>\n<p>Ajuizada em 1969, a A\u00e7\u00e3o C\u00edvel Origin\u00e1ria (ACO) 158 ostenta o t\u00edtulo de a\u00e7\u00e3o mais antiga da corte desde mar\u00e7o de 2012, quando o tribunal julgou um processo que teve in\u00edcio em 1959 e questionava concess\u00f5es de terras por Mato Grosso. No m\u00eas passado, o caso chegou a ser pautado para julgamento, mas n\u00e3o foi analisado. E, como acabou retirado da pauta, ainda n\u00e3o h\u00e1 data prevista para chegar ao fim.<\/p>\n<p>Essa a\u00e7\u00e3o, que t\u00eam 16 volumes, 1,5 mil folhas e quatro apensos, tamb\u00e9m levanta a discuss\u00e3o n\u00e3o apenas sobre o tempo de tramita\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m sobre a atua\u00e7\u00e3o do STF. A corte tem 11 ministros e, at\u00e9 o in\u00edcio de mar\u00e7o, contabilizava mais de 43 mil processos em curso, que n\u00e3o se limitam a quest\u00f5es constitucionais &#8211; teoricamente aqueles nos quais o tribunal deveria se debru\u00e7ar.<\/p>\n<p>H\u00e1 pelo 215 processos que tramitam no Supremo h\u00e1 pelo menos 20 anos.<\/p>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/162CE\/production\/_100303809_supremo1.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/162CE\/production\/_100303809_supremo1.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Fachada do Supremo em 2014\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Fachada do Supremo em 2014 &#8211; Image caption\u00a0Caso mais antigo em tramita\u00e7\u00e3o na Corte atualmente trata de uma disputa de terra entre Uni\u00e3o e S\u00e3o Paulo e envolve mais de 20 fazendeiros numa \u00e1rea onde funcionou uma f\u00e1brica de ferro na \u00e9poca do Imp\u00e9rio | Foto: Dorivan Marinho\/SCO\/STF<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Complexidade<\/h2>\n<p>Segundo a Advocacia-Geral da Uni\u00e3o (AGU), o objeto da disputa \u00e9 uma \u00e1rea chamada Campos Realengos, pr\u00f3ximo \u00e0 Fazenda Ipanema, em Iper\u00f3 (SP), que afirma ser de propriedade da Uni\u00e3o. &#8220;\u00c9 uma \u00e1rea onde funcionou uma f\u00e1brica de ferro na \u00e9poca do Imp\u00e9rio, mas com a Constitui\u00e7\u00e3o de 1891 o Estado de S\u00e3o Paulo entendeu tratar-se de terras devolutas e fez a aliena\u00e7\u00e3o a v\u00e1rios particulares&#8221;, explicou a AGU, por meio da assessoria de imprensa.<\/p>\n<p>O lento tramitar da a\u00e7\u00e3o mais antiga do STF, na avalia\u00e7\u00e3o da AGU, deve-se \u00e0 grande quantidade de r\u00e9us e \u00e0 discuss\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 compet\u00eancia. Antes de ir para o STF, o caso foi apresentado inicialmente \u00e0 Justi\u00e7a Federal em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>&#8220;S\u00f3 a cita\u00e7\u00e3o de todos os r\u00e9us levou mais de uma d\u00e9cada. Tamb\u00e9m foi necess\u00e1rio remeter o processo para S\u00e3o Paulo para a instru\u00e7\u00e3o, em seguida o STF ficou mais alguns anos instando as partes \u00e0 concilia\u00e7\u00e3o&#8221;, esclareceu.<\/p>\n<p>A atual relatora do caso, a ministra Rosa Weber, destacou em um despacho com data de maio de 2016 o fato de se tratar da a\u00e7\u00e3o mais antiga em tr\u00e2mite no STF.<\/p>\n<p>&#8220;O processo em exame \u00e9 de fato peculiar, dada sua complexidade, multiplicidade do polo passivo e, especialmente, tempo de tramita\u00e7\u00e3o, ao que tudo indica a lide, da compet\u00eancia origin\u00e1ria desta Casa, mais antiga ainda em tr\u00e2mite&#8221;, destacou a ministra no despacho.<\/p>\n<p>Weber assumiu a relatoria dessa a\u00e7\u00e3o em dezembro de 2011. No entanto, segundo observa a advogada Ana Paula Peresi de Souza, o primeiro despacho proferido pela ministra que, de fato, retomou o andamento do processo ocorreu somente em mar\u00e7o de 2014.<\/p>\n<p>Procurada pela BBC Brasil, Rosa Weber n\u00e3o quis falar sobre o caso &#8220;devido ao exerc\u00edcio da atividade jurisdicional&#8221;.<\/p>\n<p>Para Fl\u00e1via Santiago, doutora em Direito P\u00fablico, o excesso de processos no STF \u00e9 uma vari\u00e1vel que pode explicar tr\u00e2mites t\u00e3o longos.<\/p>\n<p>&#8220;Devo lembrar, por\u00e9m, que a razo\u00e1vel dura\u00e7\u00e3o do processo \u00e9 uma garantia fundamental constitucional, que demanda a organiza\u00e7\u00e3o da estrutura do Poder Judici\u00e1rio para sua concretiza\u00e7\u00e3o&#8221;, diz a jurista, que tem se dedicado a estudar o STF.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/941E\/production\/_100281973_rosaweber.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/941E\/production\/_100281973_rosaweber.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Rosa Weber\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Image caption\u00a0A ministra do STF Rosa Weber \u00e9 a relatora da a\u00e7\u00e3o mais antiga que tramita no tribunal e j\u00e1 salientou a complexidade do caso num despacho | Foto: Carlos Moura\/SCO\/STF<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Caso at\u00edpico<\/h2>\n<p>Mesmo cientes da morosidade do Judici\u00e1rio, juristas ouvidos pela BBC Brasil n\u00e3o esconderam a surpresa em saber que uma a\u00e7\u00e3o tramita h\u00e1 quase 50 anos no STF sem ter o m\u00e9rito julgado.<\/p>\n<p>A advogada Ana Paula Peresi de Souza, especialista em Direito Administrativo e Constitucional, analisou o caso a pedido da BBC.<\/p>\n<p>Ela tamb\u00e9m ressalta que a celeridade processual \u00e9 um direito fundamental garantido pela Constitui\u00e7\u00e3o de 1988. Mas pondera que fatores distintos levam \u00e0 recorrente morosidade.<\/p>\n<p>Peresi de Souza observa que &#8220;os aspectos procedimentais que s\u00e3o inerentes a toda e qualquer a\u00e7\u00e3o judicial e as falhas na gest\u00e3o da m\u00e1quina p\u00fablica que resultam em um Poder Judici\u00e1rio pouco eficiente&#8221; parecem ser capazes de explicar a demora na tramita\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/1305E\/production\/_100281977_casa-da-guarda.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/1305E\/production\/_100281977_casa-da-guarda.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Floresta Nacional de Ipanema\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Floresta Nacional de Ipanema &#8211; Image caption\u00a0O objeto da disputa da a\u00e7\u00e3o mais antiga do STF \u00e9 uma \u00e1rea chamada Campos Realengos, pr\u00f3ximo \u00e0 Fazenda Ipanema (foto) | Foto: Osvaldo Cristo\/Acervo Floresta Nacional de Ipanema\/Prefeitura de Iper\u00f3<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Segundo a advogada, h\u00e1 v\u00e1rios percal\u00e7os processuais no caso da atual a\u00e7\u00e3o mais antiga do STF. Al\u00e9m da multiplicidade de r\u00e9us e concess\u00e3o de prazos suplementares, ela cita como exemplo a necessidade de substituir advogados que morreram e o falecimento de r\u00e9us, que exige procedimentos morosos para trocar defensores e incluir os herdeiros no processo. Houve ainda reiteradas tentativas frustradas de acordo.<\/p>\n<p>Heloisa C\u00e2mara, professora de Direito Constitucional no Centro Universit\u00e1rio Curitiba e doutora pela Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR), tamb\u00e9m destaca a complexidade desse caso e afirma que o fato de a a\u00e7\u00e3o ter muitas partes aumenta o prazo de cita\u00e7\u00e3o e apresenta\u00e7\u00e3o de contesta\u00e7\u00e3o do processo. Como o caso envolve conflito entre Uni\u00e3o e o Estado de S\u00e3o Paulo, diz C\u00e2mara, os prazos s\u00e3o ainda maiores.<\/p>\n<p>&#8220;Mas ainda com todas as quest\u00f5es acima, \u00e9 bastante at\u00edpico que um caso envolvendo propriedade leve tanto tempo&#8221;, observa a professora, ponderando que faz parte das hist\u00f3rias do direito que processos complexos demorem d\u00e9cadas para serem resolvidos.<\/p>\n<p>A especialista Fl\u00e1via Santiago, por sua vez, diz haver a\u00e7\u00f5es mais antigas no STJ (Superior Tribunal de Justi\u00e7a). &#8220;Recentemente, noticiou-se uma a\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia real brasileira, de 1895, que aguarda julgamento de recursos&#8221;, observa a especialista, referindo-se ao que se acredita ser o processo mais antigo do pa\u00eds, com pouco mais de 120 anos. Trata-se de uma disputa sobre a posse e a propriedade do Pal\u00e1cio Guanabara, sede do governo do Rio de Janeiro.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/4B25\/production\/_100373291_17156256581_71b47e9fc5_z.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/4B25\/production\/_100373291_17156256581_71b47e9fc5_z.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Fachada do Pal\u00e1cio da Guanabara\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">IFachada do Pal\u00e1cio da Guanabara &#8211; Image caption\u00a0A fam\u00edlia real e a Uni\u00e3o come\u00e7aram a brigar em 1895 pela propriedade do Pal\u00e1cio da Guanabara, atual sede do governo fluminense | Foto: Carlos Magno\/Governo RJ<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Brasil \u00e9 exce\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>Tanto a professora Heloisa C\u00e2mara quanto a advogada Ana Paula Peresi de Souza salientam que o Brasil \u00e9 exce\u00e7\u00e3o quando analisados o tempo e a quantidade de processos da mais alta Corte brasileira.<\/p>\n<p>Para C\u00e2mara, parte da explica\u00e7\u00e3o se deve ao fato de o Supremo ter uma compet\u00eancia abrangente. Ela explica que o STF acumula compet\u00eancia origin\u00e1ria (o caso \u00e9 proposto direto no STF, como a\u00e7\u00f5es penais de pessoas com foro privilegiado), recursal (conhece casos atrav\u00e9s de recursos depois de decis\u00e3o do juiz e tribunais) e constitucional (julgar a\u00e7\u00f5es de controle de constitucionalidade nas quais se discute se uma lei ou ato normativo \u00e9 compat\u00edvel com a Constitui\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>Segundo a professora, a tradi\u00e7\u00e3o \u00e9 que haja separa\u00e7\u00e3o das compet\u00eancias. Ela cita como exemplo a Suprema Corte americana, que &#8220;escolhe&#8221; os casos que julgar\u00e1 a partir da relev\u00e2ncia.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/17E7E\/production\/_100281979_processos1.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/17E7E\/production\/_100281979_processos1.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Processos julgados na sess\u00e3o plen\u00e1ria em 12\/05\/2011\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Processos julgados na sess\u00e3o plen\u00e1ria em 12\/05\/2011 &#8211; Image caption\u00a0A mais alta corte brasileira \u00e9 considerada excess\u00e3o por causa do tempo de an\u00e1lise e da quantidade de processos que tramitam no tribunal | Foto: Gerv\u00e1sio Baptista\/SCO\/STF<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Assim, colocadas lado a lado, as estat\u00edsticas do Supremo brasileiro e da Suprema Corte americana impressionam.<\/p>\n<p>A advogada Peresi de Souza diz que em 2017, o STF recebeu 42,5 mil recursos e 15,4 mil processos. Na corte americana, por sua vez, entre 1\u00ba de abril de 2016 e 31 de mar\u00e7o de 2017, 91 recursos foram admitidos para julgamento e 76 recursos foram, de fato, julgados.<\/p>\n<p>&#8220;No Brasil, foram criados na Reforma do Judici\u00e1rio mecanismos para diminuir o n\u00famero de casos a serem decididos no STF, especialmente por via de recurso. Mas o mecanismo s\u00f3 foi parcialmente bem-sucedido, visto que em 2017 foram decididos 126.524 casos (entre decis\u00f5es monocr\u00e1ticas e colegiadas). Nos Estados Unidos a Suprema Corte teve em torno de 100 casos decididos no mesmo per\u00edodo&#8221;, avalia a professora.<\/p>\n<div class=\"responsive-table-container\">\n<table class=\"story-table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><strong>Ano do protocolo dos processos tramitando no STF<\/strong><\/td>\n<td><strong>N\u00famero de processos<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr class=\"story-table__row__even\">\n<td>1969<\/td>\n<td>1<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>1978<\/td>\n<td>1<\/td>\n<\/tr>\n<tr class=\"story-table__row__even\">\n<td>1981<\/td>\n<td>2<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>1982<\/td>\n<td>1<\/td>\n<\/tr>\n<tr class=\"story-table__row__even\">\n<td>1986<\/td>\n<td>3<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>1987<\/td>\n<td>4<\/td>\n<\/tr>\n<tr class=\"story-table__row__even\">\n<td>1988<\/td>\n<td>2<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>1989<\/td>\n<td>9<\/td>\n<\/tr>\n<tr class=\"story-table__row__even\">\n<td>1990<\/td>\n<td>12<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>1991<\/td>\n<td>13<\/td>\n<\/tr>\n<tr class=\"story-table__row__even\">\n<td>1992<\/td>\n<td>11<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>1993<\/td>\n<td>14<\/td>\n<\/tr>\n<tr class=\"story-table__row__even\">\n<td>1994<\/td>\n<td>22<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>1995<\/td>\n<td>28<\/td>\n<\/tr>\n<tr class=\"story-table__row__even\">\n<td>1996<\/td>\n<td>19<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>1997<\/td>\n<td>26<\/td>\n<\/tr>\n<tr class=\"story-table__row__even\">\n<td>1998<\/td>\n<td>47<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>1999<\/td>\n<td>52<\/td>\n<\/tr>\n<tr class=\"story-table__row__even\">\n<td>2000<\/td>\n<td>101<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>2001<\/td>\n<td>69<\/td>\n<\/tr>\n<tr class=\"story-table__row__even\">\n<td>2002<\/td>\n<td>117<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>2003<\/td>\n<td>203<\/td>\n<\/tr>\n<tr class=\"story-table__row__even\">\n<td>2004<\/td>\n<td>239<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>2005<\/td>\n<td>308<\/td>\n<\/tr>\n<tr class=\"story-table__row__even\">\n<td>2006<\/td>\n<td>643<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>2007<\/td>\n<td>890<\/td>\n<\/tr>\n<tr class=\"story-table__row__even\">\n<td>2008<\/td>\n<td>641<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>2009<\/td>\n<td>800<\/td>\n<\/tr>\n<tr class=\"story-table__row__even\">\n<td>2010<\/td>\n<td>998<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>2011<\/td>\n<td>862<\/td>\n<\/tr>\n<tr class=\"story-table__row__even\">\n<td>2012<\/td>\n<td>986<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>2013<\/td>\n<td>1.272<\/td>\n<\/tr>\n<tr class=\"story-table__row__even\">\n<td>2014<\/td>\n<td>1.432<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>2015<\/td>\n<td>2.684<\/td>\n<\/tr>\n<tr class=\"story-table__row__even\">\n<td>2016<\/td>\n<td>4.301<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>2017<\/td>\n<td>16.202<\/td>\n<\/tr>\n<tr class=\"story-table__row__even\">\n<td>2018<\/td>\n<td>10.708<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Total<\/td>\n<td>43.723<\/td>\n<\/tr>\n<tr class=\"story-table__row__even\">\n<td>Fonte: STF (7 de mar\u00e7o de 2018)<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Solu\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>Ainda que o STF esteja sobrecarregado de processos e com dificuldades de avali\u00e1-los em tempo considerado razo\u00e1vel, nem todo mundo, na pr\u00e1tica, tem acesso \u00e0 mais alta corte ao pa\u00eds.<\/p>\n<p>&#8220;Na verdade, em um processo que tenha se originado na primeira inst\u00e2ncia, o acesso ao STF \u00e9 de grande dificuldade, pois, cada vez mais, s\u00e3o criadas verdadeiras barreiras de car\u00e1ter processual \u2013 transvestidas como &#8220;requisitos de admissibilidade&#8221; \u2013 que impedem que os recursos sejam apreciados. Essas barreiras s\u00e3o historicamente baseadas em jurisprud\u00eancia daquele tribunal e n\u00e3o na legisla\u00e7\u00e3o&#8221;, afirma Ana Paula Peresi de Souza.<\/p>\n<p>Tanto ela quanto a professora Heloisa C\u00e2mara defendem rediscutir a compet\u00eancia do STF para tentar assegurar uma agilidade maior da mais alta corte.<\/p>\n<p>Para Peresi de Souza, o extenso rol de atribui\u00e7\u00f5es, que v\u00e3o muito al\u00e9m de avaliar se leis e atos est\u00e3o de acordo com a Constitui\u00e7\u00e3o, somado ao n\u00famero limitado de julgadores \u2013 11 ministros \u2013 fazem do STF uma corte morosa.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/7C56\/production\/_100303813_supremoplen.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/7C56\/production\/_100303813_supremoplen.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Plen\u00e1rio do STF em 01\/03\/2018\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Plen\u00e1rio do STF em 01\/03\/2018 &#8211; Image caption\u00a0Juristas defendem rediscutir a compet\u00eancia do STF, que atualmente n\u00e3o se limita a analisar apenas a constitucionalidade das a\u00e7\u00f5es | Foto: Rosinei Coutinho\/SCO\/STF<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>&#8220;Enquanto o STF tiver compet\u00eancias t\u00e3o diversas e amplas n\u00e3o creio que haver\u00e1 melhora substancial do tempo do processo. Isso porque al\u00e9m de ter muitos casos para julgamento, a forma de decidir \u00e9 muito diferente. Conhecer quest\u00f5es de constitucionalidade \u00e9 muito diverso de analisar provas em processo penal, por exemplo.&#8221;<\/p>\n<p>Helo\u00edsa C\u00e2mara diz ainda ser necess\u00e1rio ter mais transpar\u00eancia para justificar quais casos s\u00e3o julgados, enquanto outros est\u00e3o h\u00e1 anos sem serem analisados ou sem entrar na pauta de vota\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o fica claro o crit\u00e9rio utilizado, o que faz com que alguns casos tramitem relativamente r\u00e1pido e outros tenham que aguardar um tempo muito maior&#8221;, afirma C\u00e2mara.<\/p>\n<p>Um exemplo s\u00e3o as investiga\u00e7\u00f5es e a\u00e7\u00f5es penais que tramitam contra suspeitos de terem se beneficiado dos esquemas investigados pela Lava Jato.<\/p>\n<p>O STF ainda n\u00e3o condenou ou absolveu nenhum dos deputados, senadores e ministros citados por delatores e alvos de investiga\u00e7\u00e3o, cujos casos s\u00f3 est\u00e3o sendo analisados no tribunal porque eles desfrutam de foro privilegiado.<\/p>\n<p><strong><span class=\"byline__name\">Cr\u00e9dito: Fernanda Odilla d<\/span><span class=\"byline__title\">a BBC Brasil em Londres &#8211; dispon\u00edvel na internet 26\/03\/2018<\/span><\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 quase cinco d\u00e9cadas, a Uni\u00e3o tenta recuperar terras no interior de S\u00e3o Paulo que foram cedidas pelo governo paulista a mais de 20 fazendeiros. 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