{"id":23758,"date":"2018-04-17T00:04:59","date_gmt":"2018-04-17T03:04:59","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=23758"},"modified":"2018-04-16T21:58:50","modified_gmt":"2018-04-17T00:58:50","slug":"como-planos-de-celular-com-facebook-e-whatsapp-ilimitados-podem-potencializar-propagacao-de-noticias-falsas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2018\/04\/17\/como-planos-de-celular-com-facebook-e-whatsapp-ilimitados-podem-potencializar-propagacao-de-noticias-falsas\/","title":{"rendered":"Como planos de celular com Facebook e WhatsApp ilimitados podem potencializar propaga\u00e7\u00e3o de not\u00edcias falsas"},"content":{"rendered":"<p class=\"story-body__introduction\">Uma not\u00edcia chega por mensagem de WhatsApp, mas \u00e9 imposs\u00edvel clicar no link que a acompanha. Sem acesso \u00e0 internet, o usu\u00e1rio acaba lendo apenas o t\u00edtulo.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o acontece com parte dos brasileiros, usu\u00e1rios de planos de celular que d\u00e3o a possibilidade de usar aplicativos como o Facebook e o WhatsApp, entre outros, sem que seu uso seja descontado do pacote de dados do consumidor e mesmo quando os dados de internet do celular acabam.<\/p>\n<p>Isso significa que, terminado o pacote de dados, o usu\u00e1rio s\u00f3 pode acessar esses aplicativos, mas n\u00e3o pode abrir links, fazer uma simples pesquisa na internet ou ler not\u00edcias em portais de jornalismo ou de outras fontes.<\/p>\n<p>A pr\u00e1tica de prover dados ilimitados e sem custo para determinados aplicativos &#8211; que podem ser redes sociais, aplicativos de streaming de m\u00fasica ou v\u00eddeo, programas de navega\u00e7\u00e3o, entre outros &#8211; \u00e9 chamada de &#8220;zero rating&#8221;. Muitos pa\u00edses, como o Brasil, permitem o zero rating, pr\u00e1tica que divide opini\u00f5es.<\/p>\n<p>De um lado, h\u00e1 quem acredite que zero rating beneficia os consumidores, principalmente os de baixa renda, j\u00e1 que lhes d\u00e1 acesso gratuito \u00e0 internet por meio de alguns aplicativos e, portanto, aumenta como um todo o seu acesso \u00e0 internet. E, se os consumidores s\u00e3o grandes usu\u00e1rios de redes como o WhatsApp, por que n\u00e3o lhes dar acesso ilimitado ao aplicativo?<\/p>\n<p>De outro lado, est\u00e1 quem pensa justamente o oposto: que acessar a rede s\u00f3 por meio de determinados aplicativos acaba restringindo o acesso do usu\u00e1rio a todo o conte\u00fado dispon\u00edvel na internet.<\/p>\n<p>Agora, alguns especialistas tamb\u00e9m est\u00e3o associando essa pr\u00e1tica \u00e0 potencializa\u00e7\u00e3o de not\u00edcias falsas, tema que vem sendo amplamente debatido desde as elei\u00e7\u00f5es americanas em 2016 &#8211; no Brasil, visto com preocupa\u00e7\u00e3o na escalada para as elei\u00e7\u00f5es de 2018. No pa\u00eds, Facebook e WhatsApp s\u00e3o apontados como os principais meios por onde as not\u00edcias falsas s\u00e3o espalhadas.<\/p>\n<p>&#8220;A gente fala muito de &#8216;fake news&#8217;, mas n\u00e3o fala de acesso \u00e0 internet. A web \u00e9 uma coisa, aplicativos s\u00e3o outra&#8221;, diz Yasodara C\u00f3rdova, pesquisadora da Digital Kennedy School, da Universidade de Harvard, nos EUA, e uma das primeiras vozes no Brasil a chamar aten\u00e7\u00e3o para a liga\u00e7\u00e3o entre a difus\u00e3o de not\u00edcias falsas e o zero rating.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o h\u00e1 o acesso aberto e livre da not\u00edcia. O acesso \u00e9 clipado. Se o consumidor quiser checar e n\u00e3o tiver volume de dados, n\u00e3o vai conseguir nem mesmo entrar no site da empresa de m\u00eddia que publicou a not\u00edcia, quem dir\u00e1 em outros sites de outras empresas de m\u00eddia&#8221;, opina Fl\u00e1via Lef\u00e8vre, advogada da Proteste (ONG engajada na defesa dos direitos do consumidor) representante da sociedade civil no comit\u00ea gestor da internet no Brasil.<\/p>\n<p>Segundo C\u00f3rdova, ter acesso \u00e0 internet s\u00f3 por meio de aplicativos &#8220;influencia como as pessoas recebem e entendem as not\u00edcias&#8221;. &#8220;Quando voc\u00ea v\u00ea uma not\u00edcia no Facebook e n\u00e3o entra nela, l\u00ea s\u00f3 um link com o t\u00edtulo. No jornal ou no site, tem a contextualiza\u00e7\u00e3o toda, que \u00e9 muito importante.&#8221;<\/p>\n<p>H\u00e1 pesquisadores que destacam, no entanto, que mesmo com acesso \u00e0 toda a internet, as pessoas n\u00e3o costumam clicar em links, de qualquer forma.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/9449\/production\/_100716973_zucko-dilma.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/9449\/production\/_100716973_zucko-dilma.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Foto reproduzida no perfil de Mark Zuckerbeg mostra Dilma e fundador do Facebook juntos\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Foto reproduzida no perfil de Mark Zuckerbeg mostra Dilma e fundador do Facebook juntos &#8211; Image caption\u00a0Projeto do Facebook que d\u00e1 acesso gr\u00e1tis a rede social e outros aplicativos \u00e9 criticado por violar neutralidade da rede | Foto Facebook\/Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Acesso<\/h2>\n<p>Mas quantos consumidores utilizam a internet dessa forma em seus celulares? As operadoras telef\u00f4nicas no Brasil n\u00e3o divulgam quantas pessoas s\u00e3o adeptas a esse tipo de plano de celular.<\/p>\n<p>H\u00e1 alguns dados, contudo, que ajudam a tra\u00e7ar um panorama para entender h\u00e1bitos do uso de internet e celular no Brasil.<\/p>\n<p>As classes mais baixas, por exemplo, s\u00f3 t\u00eam acesso \u00e0 internet pelo celular. Dados de 2016 do Cetic.br (Centro Regional para o Desenvolvimento da Sociedade da Informa\u00e7\u00e3o) mostram que, enquanto nas classes A e B a maioria das pessoas acessam a internet tanto pelo computador quanto pelo celular (85% e 74%, respectivamente), nas classes C, D e E \u00e9 mais comum ter acesso \u00e0 internet somente pelo celular (46% das pessoas da classe C e 76% das pessoas das classes D e E).<\/p>\n<p>Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios (Pnad) Cont\u00ednua de 2016, do IBGE, mostram que a atividade mais popular entre os brasileiros, ao usar a internet, \u00e9 trocar mensagens por meio de aplicativos &#8211; 94,5% dos brasileiros responderam que usam a internet para fazer isso. Provavelmente, a maior parte deles utiliza o WhatsApp, aplicativo de mensagens mais difundido no Brasil.<\/p>\n<p>J\u00e1 a pr\u00e1tica de zero rating \u00e9 comum entre as operadoras no Brasil. Segundo a Anatel, em dezembro de 2017 existiam 58 ofertas da telefonia m\u00f3vel sendo comercializadas, entre promo\u00e7\u00f5es e pacotes, com previs\u00e3o de zero rating na navega\u00e7\u00e3o de pelo menos um tipo de aplicativo no Brasil.<\/p>\n<p>A Vivo, por exemplo, oferece um plano pr\u00e9-pago de 1GB para internet v\u00e1lido por uma semana com acesso gratuito ao Facebook, Messenger (aplicativo de mensagens do Facebook) e Twitter. Em outros pacotes, aplicativos como YouTube, Netflix e EasyTaxi s\u00e3o oferecidos da mesma forma.<\/p>\n<p>J\u00e1 a Claro e a TIM oferecem WhatsApp &#8220;\u00e0 vontade sem descontar da internet&#8221; em grande parte dos planos, alguns com 100MB de internet por dia.<\/p>\n<p>Para se ter uma ideia, 100MB permitem cerca de quatro horas de navega\u00e7\u00e3o pela internet ou o carregamento de por volta de seis v\u00eddeos de quatro minutos.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/436C\/production\/_100706271_mediaitem100706270.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/436C\/production\/_100706271_mediaitem100706270.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"An\u00fancio na sede do Facebook\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Direito de imagem\u00a0AFP\/GETTY &#8211;\u00a0Image caption\u00a0Especialistas dizem que acesso com internet ilimitada a determinados aplicativos pode ajudar a difus\u00e3o de &#8220;fake news&#8221;<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>&#8220;As t\u00e9cnicas de zero rating que patrocinam somente os aplicativos dominantes, como as redes sociais, contribuem enormemente para a redu\u00e7\u00e3o da variedade de informa\u00e7\u00f5es acess\u00edveis para o usu\u00e1rio&#8221;, diz Luca Belli, pesquisador do Centro de Tecnologia de Sociedade da FGV Direito Rio e especialista de neutralidade da rede pelo Conselho da Europa. &#8220;O usu\u00e1rio precisa de uma dieta informacional de variedade para se informar de maneira independente.&#8221;<\/p>\n<p>Para ele, &#8220;n\u00e3o significa que proibindo zero rating voc\u00ea acabe com o problema das &#8216;fake news&#8217;, mas com zero rating voc\u00ea maximiza o impacto das &#8216;fake news'&#8221;. Em outras palavras, as not\u00edcias falsas n\u00e3o nascem porque as pessoas t\u00eam acesso gratuito a esses aplicativos, mas pode ser que n\u00e3o sejam desbancadas ou, ainda, que sejam replicadas, porque as pessoas ficam sem outras fontes de informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A BBC Brasil questionou as operadoras de telefonia m\u00f3vel no Brasil sobre a associa\u00e7\u00e3o entre zero rating e not\u00edcias falsas. O SindiTelebrasil, sindicato que representa as empresas, respondeu por elas. &#8220;\u00c9 preciso esclarecer que a pr\u00e1tica de zero rating n\u00e3o limita o acesso dos usu\u00e1rios. Uma vez conectado \u00e0 internet, o usu\u00e1rio pode acessar qualquer aplicativo ou fonte de informa\u00e7\u00e3o. Portanto, a insinua\u00e7\u00e3o de que zero rating fomenta a pr\u00e1tica de not\u00edcias falsas \u00e9 equivocada&#8221;, afirmou, em nota.<\/p>\n<p>Questionado sobre os casos em que a franquia do usu\u00e1rio acaba, o sindicato respondeu: &#8220;Dependendo do tipo de zero rating praticado pelo provedor de acesso que o usu\u00e1rio contratou, ele poder\u00e1 ter a possibilidade de (mesmo sem pacote de internet v\u00e1lido) navegar pelos sites que s\u00e3o objeto de programa de zero rating. Assim, nesse caso, o zero rating ainda possibilita alguma navega\u00e7\u00e3o na Internet, como acessar servi\u00e7os p\u00fablicos, comprar produtos em sites conveniados, usar as redes sociais, mandar mensagens, fotos etc. Assim, o zero rating amplia e n\u00e3o limita&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;A pr\u00e1tica est\u00e1 cada vez mais comum, n\u00e3o se aplicando somente \u00e0s redes sociais ou servi\u00e7os de mensageria. Ela j\u00e1 vem sendo praticada em acordos com diferentes tipos de provedores de aplica\u00e7\u00e3o de Internet, como bancos (Bradesco), com\u00e9rcio eletr\u00f4nico (Netshoes, Natura), educa\u00e7\u00e3o (Wikipedia), servi\u00e7os governamentais (e-gov), entre muitos outros. Tais inciativas beneficiam os usu\u00e1rios de forma geral, uma vez que todos podem adquirir planos de servi\u00e7os mais baratos junto aos provedores de acesso.&#8221;<\/p>\n<p>De fato, o consumidor tamb\u00e9m t\u00eam tido acesso subsidiado a aplicativos de empresas e outras organiza\u00e7\u00f5es, argumento usado mundo afora para defender a pr\u00e1tica &#8211; principalmente quando se trata de aplicativos do governo.<\/p>\n<p>E quem paga pelo acesso gratuito? Segundo o sindicato, &#8220;o acesso patrocinado \u00e9 objeto de um acordo comercial entre o provedor de acesso (prestadoras de telecomunica\u00e7\u00f5es) e os provedores de aplica\u00e7\u00f5es de internet&#8221; e &#8220;a forma e responsabilidade pelo pagamento desse tr\u00e1fego depende do acordo comercial firmado, sendo que, nas modalidades mais comuns de zero rating, o custo \u00e9 absorvido pelo provedor de aplica\u00e7\u00e3o&#8221;. Ou seja, na maioria das vezes, s\u00e3o as pr\u00f3prias empresas donas dos aplicativos que pagam pelo acesso ilimitado.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m questionada, a Anatel informou n\u00e3o possuir &#8220;estudos t\u00e9cnicos ou posicionamento oficial j\u00e1 exarado sobre a rela\u00e7\u00e3o entre &#8216;zero rating&#8217; e a prolifera\u00e7\u00e3o de not\u00edcias falsas&#8221; e disse n\u00e3o saber a quantidade de consumidores no Brasil vinculados a esses tipos de planos.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">No mundo<\/h2>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/E269\/production\/_100716975_freebasicsgana.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/E269\/production\/_100716975_freebasicsgana.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Imagem mostra funcionamento de &quot;Free Basics&quot; em Gana\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Image caption Estudo mostra como &#8220;Free Basics&#8221; funciona em Gana, com busca patrocinada no Bing e uso de dados para acessar a rede normal | Imagem: Estudo Global Voices\/Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Zero rating existe sob diferentes legisla\u00e7\u00f5es em diferentes regi\u00f5es do mundo. Nos Estados Unidos, tem sido objeto de debate nos \u00faltimos anos, e o governo Trump se mostrou mais aberto \u00e0 pr\u00e1tica do que o governo Obama.<\/p>\n<p>J\u00e1 pa\u00edses como a Eslov\u00eania, Noruega, Holanda t\u00eam legisla\u00e7\u00e3o mais restrita em rela\u00e7\u00e3o ao zero rating, abra\u00e7ando mais o conceito chamado &#8220;neutralidade da rede&#8221;, de que as informa\u00e7\u00f5es que trafegam na internet devem ser tratadas da mesma forma e, a navega\u00e7\u00e3o, com a mesma velocidade, dando livre acesso para conte\u00fado aos usu\u00e1rios. Na Europa, o pa\u00eds com legisla\u00e7\u00e3o mais permissiva ao zero rating \u00e9 Portugal.<\/p>\n<p>O maior projeto que difunde zero rating no mundo \u00e9 do pr\u00f3prio Facebook. O &#8220;Free Basics&#8221;, da rede social, oferece acesso gratuito ao Facebook e alguns aplicativos parceiros com o objetivo, segundo a empresa, de universalizar o acesso \u00e0 internet. Ou seja, quem adere ao Free Basics tem em seu celular um grupo de aplicativos, com Facebook e, por exemplo, Wikipedia, ESPN, o site de buscas Bing, que pode acessar de gra\u00e7a.<\/p>\n<p>O projeto est\u00e1 em 63 pa\u00edses e cidades &#8211; grande parte dos participantes, na \u00c1frica. Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, chegou a se encontrar com a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) para falar sobre o projeto.<\/p>\n<p>Mas em 2016 o programa sofreu um de seus maiores revezes, com o banimento do programa na \u00cdndia, um dos maiores mercados consumidores do Facebook, sob alega\u00e7\u00e3o de que o Free Basics violava a neutralidade da rede.<\/p>\n<p>Diante de repetidas acusa\u00e7\u00f5es de que permite a circula\u00e7\u00e3o de not\u00edcias falsas, o Facebook tem anunciado uma s\u00e9rie de medidas para combat\u00ea-las na rede. A empresa anunciou medidas como a inser\u00e7\u00e3o de logotipos dos ve\u00edculos de m\u00eddia ao lado de artigos, o teste de um bot\u00e3o no feed de not\u00edcias que, ao ser clicado, oferece mais contexto aos usu\u00e1rios e a elimina\u00e7\u00e3o da possibilidade da customiza\u00e7\u00e3o de t\u00edtulos e descri\u00e7\u00f5es de links, entre outras mudan\u00e7as.<\/p>\n<p>A empresa diz que &#8220;boatos, not\u00edcias falsas s\u00e3o ruins para nossa comunidade e tornam o mundo menos informado&#8221;. &#8220;Trata-se de um tema complexo, e todos &#8211; empresas de tecnologia, m\u00eddia, academia, governos e organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais &#8211; temos a responsabilidade de buscar solu\u00e7\u00f5es para o tema.&#8221;<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Cidadania<\/h2>\n<p>Cr\u00edticos ao zero rating tamb\u00e9m dizem que a pr\u00e1tica viola o Marco Civil da Internet, lei que regula o uso da internet no Brasil, e fere a livre competi\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que privilegia alguns aplicativos.<\/p>\n<p>O Marco Civil da Internet estabelece que o acesso \u00e0 internet \u00e9 &#8220;essencial ao exerc\u00edcio da cidadania&#8221;. &#8220;Mas uma enorme porcentagem da popula\u00e7\u00e3o, por causa de suas condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, n\u00e3o t\u00eam possibilidades de ter acesso livre \u00e0 internet. T\u00eam, portanto, uma cidadania limitada. S\u00e3o cidad\u00e3os de segunda classe&#8221;, afirma Belli. Ele lembra que para fazer o imposto de renda \u00e9 preciso estar conectado \u00e0 rede. &#8220;Voc\u00ea pode falar o dia todo no WhatsApp, mas n\u00e3o pode pagar impostos. \u00c9 um servi\u00e7o p\u00fablico essencial e o acesso \u00e9 pago. Mas para o WhatsApp, \u00e9 patrocinado.&#8221;<\/p>\n<p>O texto da legisla\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m defende a &#8220;neutralidade de rede&#8221;, estabelecendo que &#8220;o respons\u00e1vel pela transmiss\u00e3o, comuta\u00e7\u00e3o ou roteamento tem o dever de tratar de forma ison\u00f4mica quaisquer pacotes de dados, sem distin\u00e7\u00e3o por conte\u00fado, origem e destino, servi\u00e7o, terminal ou aplica\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/16CF8\/production\/_100823439_whatsappavonts.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/16CF8\/production\/_100823439_whatsappavonts.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Captura de tela de oferta da operadora Claro mostra venda de plano com &quot;WhatsApp \u00e0 vontade&quot;\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Image caption Plano oferecido pela Claro, no Brasil, oferece &#8220;WhatsApp \u00e0 vontade, sem descontar da internet&#8221;; operadoras dizem que pr\u00e1tica s\u00f3 beneficia usu\u00e1rio | Imagem: Claro\/Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Segundo o SindiTelebrasil, zero rating n\u00e3o viola o Marco Civil da Internet, que definiu &#8220;um conceito de neutralidade de rede que n\u00e3o se confunde e n\u00e3o veda a pr\u00e1tica de zero rating&#8221;.<\/p>\n<p>O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econ\u00f4mica) arquivou em setembro de 2017 um inqu\u00e9rito administrativo aberto contra contra Vivo, Tim, Claro e Oi, que investigava pr\u00e1ticas comerciais discriminat\u00f3rias e a suposta viola\u00e7\u00e3o \u00e0 neutralidade da rede por meio de zero rating. A den\u00fancia havia sido feita pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal.<\/p>\n<p>No processo, a Vivo se manifestou dizendo que &#8220;n\u00e3o possui rela\u00e7\u00e3o de exclusividade com as empresas objeto de suas pol\u00edticas comerciais, e permanece aberta a negociar em termos ison\u00f4micos com qualquer outra empresa que tenha interesse em ser parte de pol\u00edticas similares&#8221;. A Anatel informou que &#8220;al\u00e9m de gerar ganhos de efici\u00eancia, a pr\u00e1tica de pre\u00e7os diferenciados denunciada pelo MPF n\u00e3o produz efeitos limitadores da capacidade de inova\u00e7\u00e3o e do car\u00e1ter disruptivo do mercado de provimento de conte\u00fado, e, por este motivo, n\u00e3o criaria barreiras \u00e0 entrada no mesmo&#8221;.<\/p>\n<p>Em sua decis\u00e3o, o Cade afirmou que o zero rating pode, ao contr\u00e1rio do que estimular not\u00edcias falsas, estimular a busca por outras fontes de informa\u00e7\u00e3o: &#8220;Por serem os aplicativos mais acessados mesmo antes das promo\u00e7\u00f5es [os aplicativos ofertados pelas operadoras], \u00e9 natural supor que, na aus\u00eancia de tais ofertas, os usu\u00e1rios continuariam a utilizar grande parte da franquia de dados contratada para navegar em tais conte\u00fados. Por essa perspectiva, pode-se inferir que a oferta de gratuidade no acesso a esses sites teria o efeito de poupar a franquia de dados contratada, que poderia ser utilizada, portanto, para experimenta\u00e7\u00e3o de novos aplicativos e conte\u00fados. Sob esse ponto e vista, as pr\u00e1ticas analisadas poderiam fomentar o acesso a outras fontes de informa\u00e7\u00e3o, gerando incentivos ao consumo de outros conte\u00fados e aplicativos&#8221;.<\/p>\n<p>Belli, da FGV, diz que n\u00e3o \u00e9 contr\u00e1rio a todas as t\u00e9cnicas de zero rating. &#8220;Poderiam patrocinar uma classe inteira de aplicativos. Todos os de mensagem, todas as redes sociais, e assim o consumidor poderia escolher&#8221;, sugere.<\/p>\n<p>Para C\u00f3rdova, pesquisadora de Harvard, &#8220;o certo seria baixarem o pre\u00e7o de acesso \u00e0 toda a internet&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito:\u00a0<span class=\"byline__name\">Juliana Gragnani da<\/span><span class=\"byline__title\">\u00a0BBC Brasil em Londres &#8211; dispon\u00edvel na internet 17\/04\/2018<\/span><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma not\u00edcia chega por mensagem de WhatsApp, mas \u00e9 imposs\u00edvel clicar no link que a acompanha. Sem acesso \u00e0 internet, o usu\u00e1rio acaba lendo apenas o t\u00edtulo. A situa\u00e7\u00e3o acontece com parte dos brasileiros, usu\u00e1rios de planos de celular que d\u00e3o a possibilidade de usar aplicativos como o Facebook e o WhatsApp, entre outros, sem [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":23761,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[135],"tags":[],"class_list":{"0":"post-23758","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-clipping"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/whatsapp.jpg?fit=660%2C371&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23758","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23758"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23758\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media\/23761"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23758"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23758"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23758"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}