{"id":24229,"date":"2018-04-30T00:03:06","date_gmt":"2018-04-30T03:03:06","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=24229"},"modified":"2018-04-30T04:22:10","modified_gmt":"2018-04-30T07:22:10","slug":"a-historia-brutal-e-quase-esquecida-da-era-de-linchamentos-de-negros-nos-eua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2018\/04\/30\/a-historia-brutal-e-quase-esquecida-da-era-de-linchamentos-de-negros-nos-eua\/","title":{"rendered":"A hist\u00f3ria brutal e quase esquecida da era de linchamentos de negros nos EUA"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"story-body__h1\"><i style=\"font-family: Verdana, Geneva, sans-serif;font-size: 15px;color: #222222\">* Aten\u00e7\u00e3o: esta reportagem cont\u00e9m conte\u00fados perturbadores.<\/i><\/h1>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<p class=\"story-body__introduction\">Em 1904, o afro-americano Luther Holbert foi amarrado a uma \u00e1rvore em Doddsville, no Estado americano do Mississippi, por uma multid\u00e3o que o acusava de matar um fazendeiro branco. Naquela \u00e9poca, os Estados Unidos viviam um per\u00edodo de viol\u00eancia e segrega\u00e7\u00e3o raciais.<\/p>\n<p>Junto de Holbert, tamb\u00e9m presa a uma \u00e1rvore, estava uma mulher &#8211; acredita-se que era sua esposa. Ambos foram obrigados a erguerem as m\u00e3os. Em seguida, seus dedos foram cortados um a um, e depois jogados para a multid\u00e3o, como uma esp\u00e9cie de\u00a0<i>souvenir\u00a0<\/i>macabro. Suas orelhas tamb\u00e9m foram cortadas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os dois foram espancados. Uma esp\u00e9cie de saca-rolhas foi usada para fazer buracos em seus corpos e retirar peda\u00e7os de suas carnes. Finalmente, Holbert e a mulher foram jogados em uma fogueira e morreram queimados.<\/p>\n<p>A tortura e o assassinato de Holbert e da mulher desconhecida foram assistidos por uma multid\u00e3o de homens, mulheres e at\u00e9 crian\u00e7as, todos brancos. Enquanto presenciava o linchamento, o p\u00fablico comia ovos recheados e bebia limonada ou u\u00edsque, com a mesma atitude tranquila de quem est\u00e1 fazendo um piquenique.<\/p>\n<p>Este epis\u00f3dio de linchamento brutal est\u00e1 longe de ter sido o \u00fanico nos Estados Unidos. Entre 1877 e 1950, 4,4 mil pessoas foram linchadas no pa\u00eds, segundo registros da Iniciativa por uma Justi\u00e7a Igualit\u00e1ria (EJI, na sigla em ingl\u00eas), uma organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental. A grande maioria delas eram pessoas negras.<\/p>\n<p>\u00c9 o que os historiadores chamam de &#8220;era dos linchamentos&#8221;. N\u00e3o era uma forma de fazer justi\u00e7a pelas pr\u00f3prias m\u00e3os. Tratava-se, na verdade, de crimes raciais.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/15F39\/production\/_100831998_gettyimages-465426221.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/15F39\/production\/_100831998_gettyimages-465426221.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Forca antiga em \u00e1rvore\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Forca antiga em \u00e1rvore &#8211; Direito de imagem\u00a0GETTY IMAGES &#8211;\u00a0Image caption\u00a0Mais de 4,4 mil afro-americanos morreram durante a &#8216;era dos linchamentos&#8217;<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Linchamentos foram anunciados nos jornais da \u00e9poca<\/h2>\n<p>A &#8220;era dos linchamentos&#8221; se estendeu at\u00e9 meados do s\u00e9culo 20. Seu \u00e1pice foi entre 1890 e 1930, explica Stewart Tolnay, professor de Sociologia da Universidade de Washington.<\/p>\n<p>Em alguns casos, inclusive, eram publicados an\u00fancios nos jornais, convocando as massas para participarem. &#8220;Tr\u00eas mil pessoas v\u00e3o queimar um negro&#8221;, dizia uma not\u00edcia do\u00a0<i>New Orleans State<\/i>, de 1919. &#8220;John Hartfield ser\u00e1 linchado por uma multid\u00e3o de Ellisville \u00e0s 5 da tarde de hoje&#8221;, falava o\u00a0<i>Daily News<\/i>\u00a0de Jackson, Mississipi, do mesmo per\u00edodo.<\/p>\n<p>&#8220;Os casos em que os linchamentos foram anunciados nos jornais s\u00e3o poucos, ainda que tenham resultado em algumas das maiores multid\u00f5es. Mais frequentes foram os casos em que massas pequenas detinham e linchavam algu\u00e9m, a quem acusavam de ter cometido um tipo de crime. Eram eventos rotineiros e silenciosos&#8221;, indica Tolnay, que publicou dois livros e diversos artigos sobre o tema.<\/p>\n<p>O fato de estas mortes poderem ser anunciadas na imprensa, com anteced\u00eancia, demonstra que n\u00e3o se tratava de a\u00e7\u00f5es impulsivas executadas por uma turba exaltada. Havia um planejamento. Some-se a isso que era muito raro que os linchadores fossem julgados.<\/p>\n<p>A EJI destaca que as mortes n\u00e3o eram resultado da a\u00e7\u00e3o de uns poucos extremistas, mas sim atos p\u00fablicos violentos que contavam com a participa\u00e7\u00e3o de toda uma comunidade. Al\u00e9m disso, eram toleradas pelas autoridades e os respons\u00e1veis n\u00e3o enfrentavam nenhum tipo de consequ\u00eancia legal.<\/p>\n<p>&#8220;Os linchamentos eram atos de viol\u00eancia racial que estavam no centro de uma campanha sistem\u00e1tica de terror que perpetuava e respaldava uma ordem social injusta. Estes linchamentos eram terrorismo&#8221;, aponta a organiza\u00e7\u00e3o em seu informe.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/8E8C\/production\/_100829463_gettyimages-2664728.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/8E8C\/production\/_100829463_gettyimages-2664728.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"P\u00fablico branco de um linchamento de afro-americanos em Indiana, em 1930\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">P\u00fablico branco de um linchamento de afro-americanos em Indiana, em 1930 &#8211; Direito de imagem\u00a0GETTY IMAGES &#8211;\u00a0Image caption\u00a0P\u00fablico de um linchamento de afro-americanos em Indiana, em 1930<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">De supostos crimes ao simples fato de esbarrar em brancos<\/h2>\n<p>A maior parte de v\u00edtimas de linchamentos era negra. Entre 1882 e 1889, a propor\u00e7\u00e3o era de 4 negros para cada branco. Posteriormente, entre 1890 e 1900, aumentou para 6 negros para cada branco. Depois disso, chegou a 17 para 1.<\/p>\n<p>Segundo o estudo da EJI, cerca de 30% dos afro-americanos linchados foram acusados de homic\u00eddio. Outros 25% foram acusados de agress\u00e3o sexual. &#8220;A defini\u00e7\u00e3o de viola\u00e7\u00e3o sexual de um negro a uma branca no Sul dos Estados Unidos era incrivelmente ampla. N\u00e3o era necess\u00e1rio o uso da for\u00e7a, porque a maior parte dos brancos recha\u00e7ava a ideia de que uma mulher branca poderia consentir uma rela\u00e7\u00e3o sexual com um negro&#8221;, considera a organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Outras centenas de negros perderam a vida acusados de provocar inc\u00eandio, praticar roubo ou simplesmente por &#8220;vadiagem&#8221;.<\/p>\n<p>Havia acusa\u00e7\u00f5es mais banais. Segundo o estudo da EIJ, o afro-americano Jesse Thornton foi linchado em Luverne, Alabama, em 1940 por ter se referido a um policial pelo nome, e n\u00e3o por &#8220;senhor&#8221;. J\u00e1 em 1916, Jeff Brown foi linchado em Cedarbluff, Mississipi, por trope\u00e7ar acidentalmente em uma jovem branca enquanto corria para pegar o trem. O soldado Charles Lewis foi linchado em 1918, em Hickman, Kentucky, por se negar a esvaziar os bolsos enquanto estava vestindo seu uniforme militar.<\/p>\n<p>O professor Stewart Tolnay aponta que os linchamentos n\u00e3o eram uma forma de justi\u00e7a popular frente a um sistema de justi\u00e7a oficial que n\u00e3o funcionava.<\/p>\n<p>&#8220;Havia um sistema penal perfeitamente adequado que podia lidar com os delinquentes, fossem eles brancos ou negros. O linchamento dos negros tinha um objetivo diferente: deixar uma mensagem muito clara para a comunidade negra de que havia limites para sua ascens\u00e3o social&#8221;, afirma Tolnay.<\/p>\n<p>J\u00e1 os brancos que eram linchados costumavam fazer parte de uma camada marginalizada da sociedade, explica Tolnay. Eles &#8220;nunca eram linchados pelos motivos banais pelos quais os negros eram mortos. Al\u00e9m disso, n\u00e3o costumavam sofrer torturas&#8221;, afirma Tolnay.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/DCAC\/production\/_100829465_gettyimages-3426881.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/DCAC\/production\/_100829465_gettyimages-3426881.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Inicia\u00e7\u00e3o de novo membro da Ku Klux Klan - 10 pessoas com vestes da Ku Klux Klan e um homem de terno sentado, rosto coberto, m\u00e3o para cima em juramento\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Inicia\u00e7\u00e3o de novo membro da Ku Klux Klan &#8211; 10 pessoas com vestes da Ku Klux Klan e um homem de terno sentado, rosto coberto, m\u00e3o para cima em juramento -Direito de imagem\u00a0GETTY IMAGES &#8211;\u00a0Image caption\u00a0Depois da Primeira Guerra Mundial, os linchamentos recome\u00e7aram pela a\u00e7\u00e3o de grupos supremacistas, como a Ku Klux Klan<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Negros foram privados de direitos<\/h2>\n<p>A &#8220;era dos linchamentos&#8221; teve seu epicentro no Sul dos Estados Unidos. Se iniciou depois do fim da Guerra Civil americana e da declara\u00e7\u00e3o formal de fim da escravid\u00e3o, em 1863. Para os pesquisadores, n\u00e3o se trata de coincid\u00eancia.<\/p>\n<p>&#8220;Depois da Guerra Civil, cerca de 4 milh\u00f5es de escravos negros se tornaram livres e passaram a competir com os brancos (por empregos) nas economias dos estados do Sul&#8221;, explica Tolnay.<\/p>\n<p>&#8220;Os negros foram amea\u00e7ados at\u00e9 que ficaram completamente privados de direitos de participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, por volta do ano 1900, e o Sul ficou governado pelo sistema de castas raciais, no qual havia uma clara linha de separa\u00e7\u00e3o entre a &#8216;ra\u00e7a branca superior&#8217; e a &#8216;ra\u00e7a negra subordinada'&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Os brancos ricos eram a elite e os brancos pobres usavam o linchamento para refor\u00e7ar esse sistema de castas raciais e reduzir as probabilidades de ascen\u00e7\u00e3o social dos negros do Sul&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Afro-americanos fugiram do Sul para o Norte<\/h2>\n<p>Os linchamentos foram uma das causas da migra\u00e7\u00e3o massiva de cerca de 6 milh\u00f5es de afro-americanos do Sul para o Norte dos Estados Unidos, entre 1915 e 1970. No Norte, se estabeleceram em guetos.<\/p>\n<p>Essa redistribui\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o reduziu a disponibilidade de m\u00e3o-de-obra barata no Sul, algo que segundo Tolnay pode ter convencido as elites do Sul sobre a necessidade de mudan\u00e7as.<\/p>\n<p>&#8220;Os linchamentos se converteram em algo vergonhoso para o Sul, \u00e0 medida que a economia se desenvolvia. A elite branca tentava atrair capitais externos, ent\u00e3o precisava mudar a imagem do Sul. Essa era uma pr\u00e1tica brutal, espantosa e desumana, que n\u00e3o ajudava&#8221;, assinala o professor.<\/p>\n<p>Deste modo, o fen\u00f4meno foi se reduzindo at\u00e9 acabar. Mas sem que, segundo a ONG EJI, houvesse um processo de reconhecimento da brutalidade do passado e de reconcilia\u00e7\u00e3o, como ocorreu na Alemanha com rela\u00e7\u00e3o ao Holocausto ou na \u00c1frica do Sul sobre o apartheid.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/12ACC\/production\/_100829467_gettyimages-102171471.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/12ACC\/production\/_100829467_gettyimages-102171471.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Ilustra\u00e7\u00e3o em preto e branco do transporte de v\u00edtimas de um ataque racista em Luisiana em 1873.\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Ilustra\u00e7\u00e3o em preto e branco do transporte de v\u00edtimas de um ataque racista em Luisiana em 1873. &#8211; Direito de imagem\u00a0GETTY IMAGES &#8211;\u00a0Image caption\u00a0Depois da aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o, em 1865, aumentaram os ataques racistas contra os afro-americanos<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Monumento para lembrar as v\u00edtimas<\/h2>\n<p>Apesar de ser uma parte importante da hist\u00f3ria dos Estados Unidos, a &#8220;era dos linchamentos&#8221; \u00e9 pouco conhecida. Para mudar isso, em 26 de abril, foi inaugurado o Monumento Nacional pela Paz e Justi\u00e7a em Montgomery, no Estado americano do Alabama.<\/p>\n<p>&#8220;Diga o nome de um afro-americano linchado entre 1877 e 1950? A maior parte das pessoas n\u00e3o conhece nenhum. Milhares de pessoas morreram, mas n\u00e3o se pode nomear uma sequer? Por qu\u00ea? Porque n\u00e3o temos falado sobre isso&#8221;, comentou Bryan Stevenson, fundador da EJI, sobre o motivo por tr\u00e1s da cria\u00e7\u00e3o do Monumento.<\/p>\n<p>O Monumento espera apresentar para o p\u00fablico o contexto da hist\u00f3ria do terror racial nos Estados Unidos, com o uso de recursos art\u00edsticos. Al\u00e9m disso, foram criados mais de 800 memoriais de a\u00e7o de cerca de 2 metros de altura, um para cada condado dos Estados Unidos onde afro-americanos foram linchados. Neles, estar\u00e1 grafado o nome das v\u00edtimas.<\/p>\n<p>Cada um desses monumentos tem uma r\u00e9plica, que a EJI espera entregar para as regi\u00f5es correspondentes. A ideia \u00e9 que as esculturas sejam expostas nos pr\u00f3prios locais, recordando as hist\u00f3rias de linchamento.<\/p>\n<p>Para os respons\u00e1veis da EJI, o n\u00famero de regi\u00f5es que solicitarem o envio dessas r\u00e9plicas ser\u00e1 um indicador de quanto se avan\u00e7ou no caminho da verdade e da reconcilia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong><span class=\"byline__name\">Cr\u00e9dito: \u00c1ngel Berm\u00fadez <\/span><span class=\"byline__title\">BBC Mundo &#8211; dispon\u00edvel na internet 30\/04\/2018<\/span><\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>* Aten\u00e7\u00e3o: esta reportagem cont\u00e9m conte\u00fados perturbadores. 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