{"id":24246,"date":"2018-04-30T00:04:22","date_gmt":"2018-04-30T03:04:22","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=24246"},"modified":"2018-04-30T04:23:14","modified_gmt":"2018-04-30T07:23:14","slug":"cinco-elementos-do-passado-da-china-que-explicam-seu-presente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2018\/04\/30\/cinco-elementos-do-passado-da-china-que-explicam-seu-presente\/","title":{"rendered":"Cinco elementos do passado da China que explicam seu presente"},"content":{"rendered":"<div class=\"story-body__inner\">\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\"><figcaption class=\"media-caption\"><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"story-body__introduction\">Para entender as not\u00edcias sobre a abordagem chinesa a quest\u00f5es como com\u00e9rcio, rela\u00e7\u00f5es exteriores e censura na internet, \u00e9 preciso voltar ao passado.<\/p>\n<p>A China talvez seja mais consciente de sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria do que qualquer outra grande sociedade no mundo. Essas recorda\u00e7\u00f5es v\u00e3o at\u00e9 certo ponto &#8211; eventos como a Revolu\u00e7\u00e3o Cultural (1966-76) de Mao Ts\u00e9-Tung s\u00e3o ainda muito dif\u00edceis de serem discutidos dentro do pa\u00eds. Mas \u00e9 impressionante como ecos do passado podem ser vistos no presente.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">1 &#8211; Com\u00e9rcio<\/h2>\n<p>Os chineses costumam lembrar um tempo em que seu pa\u00eds era for\u00e7ado a fazer trocas comerciais contra sua vontade. Tanto que, hoje, o pa\u00eds considera os esfor\u00e7os do Ocidente para abrir os mercados chineses como uma recorda\u00e7\u00e3o desse per\u00edodo infeliz.<\/p>\n<p>Atualmente, os EUA acusam Pequim de inundar os mercados americanos de produtos baratos enquanto fecha seu mercado \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es americanas. No entanto, a balan\u00e7a comercial externa nem sempre favoreceu os chineses.<\/p>\n<figure class=\"media-portrait has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/12A43\/production\/_100955367_robert_hart.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/12A43\/production\/_100955367_robert_hart.jpg?resize=696%2C927&#038;ssl=1\" alt=\"Sir Robert Hart, em ilustra\u00e7\u00e3o feita para a revista Vanity Fair\" width=\"696\" height=\"927\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Direito de imagem\u00a0GETTY IMAGES &#8211;\u00a0Image caption\u00a0Um brit\u00e2nico (Robert Hart, acima) era quem comandava a Alf\u00e2ndega chinesa entre 1863 e 1911<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>H\u00e1 cerca de 150 anos, o pa\u00eds asi\u00e1tico tinha pouco controle sobre seu pr\u00f3prio com\u00e9rcio internacional. Foi a \u00e9poca em que o Reino Unido atacou a China nas chamadas &#8220;guerras do \u00f3pio&#8221;, a partir de 1839. Nas d\u00e9cadas seguintes, os brit\u00e2nicos fundaram uma institui\u00e7\u00e3o chamada Servi\u00e7o Imperial Alfandeg\u00e1rio Mar\u00edtimo, para determinar tarifas a serem impostas nos produtos importados da China. O \u00f3rg\u00e3o era parte do governo chin\u00eas, por\u00e9m ficou s\u00e9culos sob comando brit\u00e2nico.<\/p>\n<p>As mem\u00f3rias desse tempo ainda reverberam.<\/p>\n<p>Tudo era diferente na \u00e9poca da dinastia Ming, no s\u00e9culo 15, quando o almirante Zheng levou sete grandes frotas ao Sudeste Asi\u00e1tico, ao Ceil\u00e3o (hoje Sri Lanka) e at\u00e9 \u00e0 costa da \u00c1frica Oriental para promover seu com\u00e9rcio e exibir o poderio chin\u00eas.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/C6CD\/production\/_100939805_976700d4mw3n.jpg?resize=696%2C499&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"696\" height=\"499\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Pintura de explora\u00e7\u00f5es mat\u00edritimas chinesas no s\u00e9culo 15 = Direito de imagem\u00a0ALAMY &#8211;\u00a0Image caption\u00a0intura de explora\u00e7\u00f5es mat\u00edritimas chinesas no s\u00e9culo 15; viagens foram um raro exemplo de projeto estatal do tipo<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Um dos objetivos das viagens de Zheng era impressionar os parceiros comerciais chineses e trazer incr\u00edveis e ex\u00f3ticos itens &#8220;importados&#8221; &#8211; por exemplo, a primeira girafa a chegar \u00e0 China veio dessas expedi\u00e7\u00f5es. Poucos outros imp\u00e9rios eram capazes, \u00e0 \u00e9poca, de enviar enormes frotas pelos oceanos.<\/p>\n<p>E Zheng podia entrar em combates se assim o desejasse &#8211; derrotou, por exemplo, um governante do Ceil\u00e3o. No entanto, suas viagens s\u00e3o um raro exemplo de um projeto mar\u00edtimo estatal. Nos s\u00e9culos seguintes, a maioria do com\u00e9rcio exterior chin\u00eas ocorreria por vias n\u00e3o oficiais.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">2 &#8211; Problemas com os vizinhos<\/h2>\n<p>A China sempre demonstrou preocupa\u00e7\u00e3o em manter a paz nos pa\u00edses com os quais faz fronteira. Isso ajuda a explicar por que o pa\u00eds at\u00e9 hoje aceita lidar com o imprevis\u00edvel regime norte-coreano.<\/p>\n<p>Mas, historicamente, essa n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica fronteira delicada do gigante asi\u00e1tico.<\/p>\n<p>Pequim j\u00e1 enfrentou vizinhos mais dif\u00edceis do que Kim Jong-un (que, por sinal, fez recentemente uma visita surpresa aos l\u00edderes chineses, em sua primeira viagem internacional oficial).<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 946px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/107E0\/production\/_100925576_gettyimages-939137316.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/107E0\/production\/_100925576_gettyimages-939137316.jpg?resize=696%2C478&#038;ssl=1\" alt=\"Jornais retratando visita de Kim Jong-un \u00e0 China em mar\u00e7o\" width=\"696\" height=\"478\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Direito de imagem\u00a0GETTY IMAGES &#8211;\u00a0Image caption\u00a0Jornais retratando visita de Kim Jong-un \u00e0 China em mar\u00e7o; pa\u00eds tem la\u00e7os geralmente d\u00fabios com seus vizinhos<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Em 1127, \u00e9poca da dinastia Song, uma mulher chamada Li Qingzhao fugiu de sua casa, na cidade de Kaifeng. Conhecemos sua hist\u00f3ria porque ela se tornou uma das melhores poetas chinesas, sendo amplamente lida at\u00e9 os dias de hoje. Ela saiu em fuga porque sua comunidade estava sob ataque.<\/p>\n<p>Um povo do norte, os Jurchen, havia invadido a China ap\u00f3s um longo per\u00edodo de fr\u00e1gil alian\u00e7a com o imperador da dinastia Song. Enquanto as cidades eram incendiadas pelos invasores, a elite da China se via for\u00e7ada a se espalhar pelo pa\u00eds.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria de Li Qingzhao e de toda a dinastia serviu na China como li\u00e7\u00e3o de que apaziguar vizinhos \u00e9 uma estrat\u00e9gia com efeito limitado. Por muito tempo, a dinastia Jin comandou o norte da China, e os Song fundaram um novo reino ao sul. Mas, no fim, ambos foram dominados por um novo grupo de conquistadores: os mong\u00f3is.<\/p>\n<figure class=\"media-portrait has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/CDC9\/production\/_97618625_gettyimages-51242359.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/CDC9\/production\/_97618625_gettyimages-51242359.jpg?resize=696%2C856&#038;ssl=1\" alt=\"Genghis Khan, l\u00edder do imp\u00e9rio mongol\" width=\"696\" height=\"856\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Direito de imagem\u00a0GETTY IMAGES &#8211;\u00a0Image caption\u00a0Genghis Khan, l\u00edder do imp\u00e9rio mongol, que invadiu a China e a dominou em diversos momentos<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<figure class=\"media-landscape no-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/604B\/production\/_97415642_007_in_numbers_624.png?resize=624%2C1&#038;ssl=1\" alt=\"Presentational white space\" width=\"624\" height=\"1\" \/><\/span><\/figure>\n<p>A mudan\u00e7a de tra\u00e7ado nos mapas ao longo do tempo mostra como foi mudando a defini\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria China. A cultura do pa\u00eds \u00e9 comumente associada a algumas ideias, como idioma, hist\u00f3ria e sistemas \u00e9ticos, como o confucionismo.<\/p>\n<p>No entanto, outros povos, como os manchus e os mong\u00f3is, ocuparam o trono chin\u00eas em v\u00e1rios momentos, dominando o pa\u00eds com as mesmas ideias e princ\u00edpios que os chineses \u00e9tnicos.<\/p>\n<p>Esses vizinhos nem sempre ficavam &#8220;quietos&#8221;, mas muitas vezes encamparam e exercitaram valores chineses de modo t\u00e3o eficiente quanto os pr\u00f3prios.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">3 &#8211; Fluxo de informa\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>A China moderna censura informa\u00e7\u00f5es politicamente sens\u00edveis na internet, e os que ousam dizer nas redes verdades pol\u00edticas consideradas problem\u00e1ticas pelas autoridades podem ser detidos ou sofrer puni\u00e7\u00f5es ainda piores.<\/p>\n<p>A dificuldade em falar a verdade aos poderosos \u00e9 uma quest\u00e3o sens\u00edvel h\u00e1 tempos. Historiadores chineses muitas vezes se viram for\u00e7ados a escrever n\u00e3o o que achavam realmente importante, mas, sim, o que os l\u00edderes queriam que fosse escrito.<\/p>\n<p>Mas Sima Qian &#8211; comumente descrito como o &#8220;grande historiador&#8221; da China &#8211; escolheu um caminho diferente.<\/p>\n<figure class=\"media-portrait has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/E99C\/production\/_100940895_bdf68271-8f1f-49bb-9446-db20e75980e0.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/E99C\/production\/_100940895_bdf68271-8f1f-49bb-9446-db20e75980e0.jpg?resize=696%2C749&#038;ssl=1\" alt=\"Sima Qian\" width=\"696\" height=\"749\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Direito de imagem\u00a0ALAMY &#8211;\u00a0Image caption\u00a0Sima Qian foi um conhecido historiador que, apesar de alvo de puni\u00e7\u00e3o, moldou o relato hist\u00f3rico no pa\u00eds<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<figure class=\"media-landscape no-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/604B\/production\/_97415642_007_in_numbers_624.png?resize=624%2C1&#038;ssl=1\" alt=\"Presentational white space\" width=\"624\" height=\"1\" \/><\/span><\/figure>\n<p>Autor de uma das mais importantes obras de recria\u00e7\u00e3o do passado chin\u00eas, no s\u00e9culo 1 a.C., Sima ousou defender um general que havia perdido uma batalha. Isso foi considerado uma afronta ao imperador, e Sima foi condenado \u00e0 castra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ainda assim, ele deixou um legado que at\u00e9 hoje molda a forma como se escreve a hist\u00f3ria na China.<\/p>\n<p>Seus registros mesclavam diferentes tipos de fontes, criticavam figuras do passado hist\u00f3rico e usavam t\u00e9cnicas da hist\u00f3ria oral para ser mais preciso nos relatos. Tudo isso configurava, \u00e0 \u00e9poca, uma forma totalmente nova de fazer hist\u00f3ria e abriu precedente para futuros escritores: se voc\u00ea estivesse disposto a sacrificar sua seguran\u00e7a, conseguiria escrever os fatos em vez de se autocensurar.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">4- Liberdade de religi\u00e3o<\/h2>\n<p>A China moderna \u00e9 muito mais tolerante a pr\u00e1ticas religiosas do que na \u00e9poca da Revolu\u00e7\u00e3o Cultural de Mao, mas movimentos de cunho religioso que possam desafiar o governo ainda s\u00e3o vistos com desconfian\u00e7a.<\/p>\n<p>Em geral, a abertura religiosa foi durante muito tempo parte da hist\u00f3ria chinesa.<\/p>\n<figure class=\"media-portrait has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/12B12\/production\/_100926567_9761150g1ct9n.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/12B12\/production\/_100926567_9761150g1ct9n.jpg?resize=696%2C820&#038;ssl=1\" alt=\"Imperadora Wu Zetian\" width=\"696\" height=\"820\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Direito de imagem\u00a0ALAMY &#8211;\u00a0Image caption\u00a0Imperadora Wu Zetian chegou a promover o budismo na China do s\u00e9culo 7, contra o que provavelmente via como tradi\u00e7\u00f5es sufocantes do confucionismo<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<figure class=\"media-landscape no-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/604B\/production\/_97415642_007_in_numbers_624.png?resize=624%2C1&#038;ssl=1\" alt=\"Presentational white space\" width=\"624\" height=\"1\" \/><\/span><\/figure>\n<p>No auge da dinastia Tang, no s\u00e9culo 7, a imperadora Wu Zetian abra\u00e7ou o budismo como uma forma de combater o que ela provavelmente via como as sufocantes normas das tradi\u00e7\u00f5es confucionistas.<\/p>\n<p>Na dinastia Ming, o jesu\u00edta Matteo Ricci foi tratado pela corte chinesa como um interlocutor de respeito, ainda que provavelmente houvesse mais interesse nos conhecimentos dele sobre a ci\u00eancia ocidental do que em suas tentativas de convers\u00f5es religiosas.<\/p>\n<p>Mas a f\u00e9 sempre foi um assunto perigoso.<\/p>\n<p>Ao fim do s\u00e9culo 19, a China foi convulsionada por uma rebeli\u00e3o iniciada por Hong Xiuquan, homem que clamava ser o irm\u00e3o mais jovem de Jesus; A rebeli\u00e3o Taiping prometia trazer um reino de paz celestial \u00e0 China, mas acabou levando a uma das mais sangrentas guerras civis da hist\u00f3ria, com a morte de at\u00e9 20 milh\u00f5es de pessoas, segundo algumas estimativas.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/519D\/production\/_100939802_976976j9975j.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/519D\/production\/_100939802_976976j9975j.jpg?resize=696%2C696&#038;ssl=1\" alt=\"Batalha da rebeli\u00e3o Taiping\" width=\"696\" height=\"696\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Direito de imagem\u00a0ALAMY &#8211;\u00a0Image caption\u00a0Batalha da rebeli\u00e3o Taiping, um dos levantes envolvendo a religi\u00e3o que ocorreram na China<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<figure class=\"media-landscape no-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/604B\/production\/_97415642_007_in_numbers_624.png?resize=624%2C1&#038;ssl=1\" alt=\"Presentational white space\" width=\"624\" height=\"1\" \/><\/span><\/figure>\n<p>Algumas d\u00e9cadas mais tarde, o cristianismo estaria ao centro de um novo levante. Em 1900, camponeses rebeldes passaram a perseguir mission\u00e1rios crist\u00e3os e seus convertidos, a quem chamavam de traidores da China.<\/p>\n<p>A princ\u00edpio, a corte imperial os apoiou, o que levou \u00e0 morte de muitos crist\u00e3os chineses, antes que a rebeli\u00e3o fosse eventualmente contida.<\/p>\n<p>Ao longo de boa parte do s\u00e9culo seguinte, e com efeitos at\u00e9 os dias de hoje, a Estado chin\u00eas oscila entre toler\u00e2ncia religiosa e o temor de que a religi\u00e3o abale o pa\u00eds.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">5 &#8211; Tecnologia<\/h2>\n<p>A China atual almeja se tornar um\u00a0<i>hub<\/i>\u00a0global de novas tecnologias e j\u00e1 \u00e9 l\u00edder em aspectos como intelig\u00eancia artificial, reconhecimento de voz e big data.<\/p>\n<p>Vale lembrar que, um s\u00e9culo atr\u00e1s, o pa\u00eds passou por uma primeira revolu\u00e7\u00e3o industrial &#8211; e as mulheres tiveram papel t\u00e3o central na \u00e9poca quanto t\u00eam hoje.<\/p>\n<p>Muitas das f\u00e1bricas que hoje produzem chips de celular para o mundo inteiro t\u00eam como m\u00e3o de obra jovens mulheres muitas vezes submetidas a terr\u00edveis condi\u00e7\u00f5es de trabalho, mas que pela primeira vez tamb\u00e9m est\u00e3o buscando seu lugar na economia industrial.<\/p>\n<p>Elas herdaram a experi\u00eancia das jovens de 100 anos atr\u00e1s que foram empregadas nas f\u00e1bricas de tecidos de Xangai e do delta do rio Yangtze. O tr\u00e1balho era \u00e1rduo, comumente levava a ferimentos f\u00edsicos e c\u00e2ncer de pulm\u00e3o, e as condi\u00e7\u00f5es dos dormit\u00f3rios dos empregados costumavam ser espartanas.<\/p>\n<p>Ainda assim, esas mulheres relatavam o prazer de ganhar seus pr\u00f3prios (baixos) sal\u00e1rios e de ocasionalmente sair para passear.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/BDA8\/production\/_100925584_clean_gettyimages-3276729.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/BDA8\/production\/_100925584_clean_gettyimages-3276729.jpg?resize=696%2C535&#038;ssl=1\" alt=\"Trabalhadoras chinesas por volta de 1912\" width=\"696\" height=\"535\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Direito de imagem\u00a0GETTY IMAGES &#8211;\u00a0Image caption Trabalhadoras chinesas por volta de 1912; mulheres tiveram e ainda t\u00eam papel central nas revolu\u00e7\u00f5es industriais e tecnol\u00f3gicas do pa\u00eds<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Algumas gostavam de admirar as vitrines (provavelmente sem poder comprar nada) das lojas de departamento ent\u00e3o rec\u00e9m-inauguradas no centro de Xangai.<\/p>\n<p>At\u00e9 hoje, na mesma cidade, ainda \u00e9 poss\u00edvel ver a nova classe trabalhadora chinesa consumindo bens e servi\u00e7os como parte da nova economia chinesa, movida pela tecnologia.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">O que dir\u00e3o futuros historiadores?<\/h2>\n<p>Estamos vivendo uma nova significativa era de transforma\u00e7\u00e3o na China. Futuros historiadores notar\u00e3o um pa\u00eds que, se em 1978 era empobrecido e voltado a si mesmo, um quarto de s\u00e9culo depois come\u00e7aria a se tornar a segunda maior economia do mundo.<\/p>\n<p>Eles tamb\u00e9m observar\u00e3o que a China foi o mais importante pa\u00eds a rejeitar o que parecia ser uma onda inevit\u00e1vel de democratiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Talvez outros fatores, como a (j\u00e1 extinta) pol\u00edtica do filho \u00fanico e o uso de intelig\u00eancia artificial na vigil\u00e2ncia da popula\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m chamem a aten\u00e7\u00e3o de futuros escritores. Ou mesmo quest\u00f5es relacionadas ao meio ambiente, \u00e0 explora\u00e7\u00e3o espacial ou ao crescimento econ\u00f4mico que ainda n\u00e3o est\u00e3o t\u00e3o claramente definidas para n\u00f3s.<\/p>\n<p>Mas uma coisa \u00e9 quase certa: daqui a um s\u00e9culo, a China ainda ser\u00e1 um local fascinante para os que vivem ali e os que convivem com ela, e sua rica hist\u00f3ria continuar\u00e1 a informar seu presente e sua dire\u00e7\u00e3o futura.<\/p>\n<p><i><strong><span class=\"byline__name\">Cr\u00e9dito: Prof. Rana Mitter (<\/span><\/strong><span class=\"byline__name\">professor de Hist\u00f3ria e Pol\u00edtica da China Moderna na Universidade de Oxford e diretor do centro de estudos chineses da institui\u00e7\u00e3o)<\/span><strong><span class=\"byline__title\">Especial para a BBC\u00a0 &#8211; dispon\u00edvel na internet 30\/04\/2018<\/span><\/strong><\/i><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para entender as not\u00edcias sobre a abordagem chinesa a quest\u00f5es como com\u00e9rcio, rela\u00e7\u00f5es exteriores e censura na internet, \u00e9 preciso voltar ao passado. A China talvez seja mais consciente de sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria do que qualquer outra grande sociedade no mundo. Essas recorda\u00e7\u00f5es v\u00e3o at\u00e9 certo ponto &#8211; eventos como a Revolu\u00e7\u00e3o Cultural (1966-76) de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":24247,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[135],"tags":[],"class_list":{"0":"post-24246","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-clipping"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/chines.jpg?fit=320%2C180&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24246","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24246"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24246\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media\/24247"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24246"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24246"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24246"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}