{"id":24253,"date":"2018-04-30T00:07:52","date_gmt":"2018-04-30T03:07:52","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=24253"},"modified":"2018-04-30T04:31:52","modified_gmt":"2018-04-30T07:31:52","slug":"o-que-a-lava-jato-mudou-na-justica-brasileira-e-o-que-stf-pode-reverter-quando-prender-como-interrogar-e-a-forma-de-investigar-se-moldam-ao-padrao-lava-jato-brasil-afora-mas-a-maneira-como-as-al","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2018\/04\/30\/o-que-a-lava-jato-mudou-na-justica-brasileira-e-o-que-stf-pode-reverter-quando-prender-como-interrogar-e-a-forma-de-investigar-se-moldam-ao-padrao-lava-jato-brasil-afora-mas-a-maneira-como-as-al\/","title":{"rendered":"O que a Lava Jato mudou na Justi\u00e7a brasileira, e o que STF pode reverter."},"content":{"rendered":"<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h5 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \">Quando prender, como interrogar e a forma de investigar se moldam ao &#8220;padr\u00e3o Lava Jato&#8221; Brasil afora. Mas a maneira como as altera\u00e7\u00f5es ocorreram s\u00e3o criticadas por quem enxerga punitivismo excessivo<\/h5>\n<\/div>\n<\/header>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p>Esse caso que fica em 3 a 2&#8230; Sinceramente, o Minist\u00e9rio P\u00fablico fica at\u00e9 constrangido. Como que eu vou come\u00e7ar o in\u00edcio da execu\u00e7\u00e3o em segundo grau com um julgamento t\u00e3o apertado desde o in\u00edcio do recebimento da den\u00fancia?&#8221;, disse o procurador do Minist\u00e9rio P\u00fablico de Minas Gerais Ant\u00f4nio P\u00e1dova Marchi J\u00fanior ap\u00f3s o\u00a0julgamento dos embargos infringentes do ex-governador Eduardo Azeredo, na ter\u00e7a-feira. P\u00e1dova pediu a pris\u00e3o do grande s\u00edmbolo do mensal\u00e3o tucano, mas est\u00e1 tendo de explicar at\u00e9 agora o constrangimento que manifestou ao faz\u00ea-lo. O desfecho desse e de outros casos espalhados pelos tribunais federais e estaduais do pa\u00eds provavelmente seria outro sem a exist\u00eancia da\u00a0Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato.<\/p>\n<div id=\"elpais_gpt-INTEXT\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/politica\/intext_0__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Outro caso: depois que o processo da Lava Jato contra o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) foi encaminhado para a Justi\u00e7a Eleitoral em abril, contrariando pedido do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, o Minist\u00e9rio P\u00fablico Estadual de S\u00e3o Paulo chamou o caso para si, e\u00a0abriu um inqu\u00e9rito civil por conta pr\u00f3pria para investigar o caso. O mesmo voluntarismo em n\u00edvel estadual pode ser visto no Rio de Janeiro, onde o Minist\u00e9rio P\u00fablico local acabou provocado pelos processos do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal que diziam respeito a servi\u00e7os estaduais. Bem ao estilo agressivo e obstinado da for\u00e7a-tarefa da Lava Jato, uma s\u00e9rie de processos decorrentes da opera\u00e7\u00e3o desmontou o MDB fluminense.<\/p>\n<p>Para a procuradora federal Silvana Batini, que atua na opera\u00e7\u00e3o no Rio, essas podem ser consideradas reverbera\u00e7\u00f5es do &#8220;padr\u00e3o Lava Jato&#8221;, que se consolidou para al\u00e9m do caso no Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal. A Lava Jato estaria for\u00e7ando uma integra\u00e7\u00e3o entre os minist\u00e9rios p\u00fablicos federal e estadual, al\u00e9m de ampliar as estruturas de coopera\u00e7\u00e3o internacional. Al\u00e9m disso, a opera\u00e7\u00e3o motivou mudan\u00e7a de par\u00e2metros no sistema jur\u00eddico nacional. &#8220;A pris\u00e3o preventiva, que antes estava muito ligada \u00e0 quest\u00e3o de periculosidade e a crimes praticados com viol\u00eancia, agora passou a ser trabalhada no crime de colarinho branco nas primeira e segunda inst\u00e2ncias e at\u00e9 no STJ [Superior Tribunal de Justi\u00e7a]&#8221;, comenta.<\/p>\n<p>Outra grande vit\u00f3ria da agenda Lava Jato \u00e9 a possibilidade de prender ap\u00f3s condena\u00e7\u00e3o em segunda inst\u00e2ncia, uma luta de anos do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, com estudos publicados desde 2009. &#8220;Quando muda, muda estimulado pelo evento Lava Jato, mas ela [a opera\u00e7\u00e3o] n\u00e3o caiu do c\u00e9u. Ela \u00e9 fruto de uma evolu\u00e7\u00e3o institucional&#8221;, diz Batini, que tamb\u00e9m defende a condu\u00e7\u00e3o coercitiva, outra grande pol\u00eamica da opera\u00e7\u00e3o. &#8220;\u00c9 uma medida mais branda que a pris\u00e3o tempor\u00e1ria, e a gente viu isso acontecer na Opera\u00e7\u00e3o Skala&#8221;. A procuradora se refere ao caso em que pessoas pr\u00f3ximas ao presidente Michel Temer, como o ex-assessor da Presid\u00eancia Jos\u00e9 Yunes,\u00a0foram presas para dar depoimento. &#8220;Eles ficaram presos por 48 horas, quando poderiam ter ficado cinco ou seis&#8221;, argumenta Batini.<\/p>\n<p>Na Opera\u00e7\u00e3o Skala, a procuradora-geral da Rep\u00fablica, Raquel Dodge, pediu a pris\u00e3o tempor\u00e1ria de Jos\u00e9 Yunes e do ex-coronel da Pol\u00edcia Militar de S\u00e3o Paulo\u00a0Jo\u00e3o Batista Lima\u00a0porque n\u00e3o podia pedir a condu\u00e7\u00e3o coercitiva. Em dezembro passado, o ministro do\u00a0Supremo Tribunal Federal (STF)\u00a0Gilmar Mendes vetou liminarmente esse tipo de procedimento. O plen\u00e1rio do STF deve julgar em definitivo no dia 30 de maio esse dispositivo, que foi usado livremente pela for\u00e7a-tarefa da Lava Jato at\u00e9 que\u00a0o ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva se tornasse alvo dela. Esse ser\u00e1 apenas mais um dos embates que v\u00eam sendo travados apaixonadamente na Corte Suprema em decorr\u00eancia da expans\u00e3o do &#8220;padr\u00e3o Lava Jato&#8221;.<\/p>\n<h3>Inseguran\u00e7a jur\u00eddica<\/h3>\n<p>O STF decidiu em 2016 que a pena de um condenado pode come\u00e7ar a ser cumprida a partir da condena\u00e7\u00e3o em segunda inst\u00e2ncia. Em 2009, a decis\u00e3o de um STF composto por outros ministros tinha sido em sentido contr\u00e1rio, de cumprimento da pena apenas ap\u00f3s o tr\u00e2nsito em julgado \u2014 ou o \u00faltimo recurso poss\u00edvel, no pr\u00f3prio Supremo. Apesar do pouco tempo ap\u00f3s a \u00faltima decis\u00e3o sobre o assunto, alguns ministros foram substitu\u00eddos desde ent\u00e3o e a quest\u00e3o permanece rondando o tribunal\u00a0em duas a\u00e7\u00f5es diretas de constitucionalidade.<\/p>\n<p>O Supremo tamb\u00e9m tem se debatido com os par\u00e2metros para a concess\u00e3o de\u00a0<em>habeas corpus<\/em>\u00a0e mesmo sobre a possibilidade de um ministro alterar a decis\u00e3o de um colega. As trocas de cr\u00edticas p\u00fablicas durante as sess\u00f5es e por meio da imprensa op\u00f5em dois grupos mais amplos: aqueles que acham importante &#8220;ouvir a voz das ruas&#8221; e os legalistas, mais interessados em respeitar garantias de direitos dos condenados e investigados.<\/p>\n<p>No plen\u00e1rio do tribunal, t\u00eam favorecido decis\u00f5es que contemplam o primeiro grupo, ao contr\u00e1rio do que ocorre na Segunda Turma, onde a maioria dos processos da Lava Jato s\u00e3o julgados. Isso levou ao desenvolvimento de uma estrat\u00e9gia pelo relator dos processos, Edson Fachin. Em vez de encaminhar os casos mais relevantes para a Segunda Turma, ele tem optado por mand\u00e1-los direto para o plen\u00e1rio, onde a apertada maioria de seis a cinco tende a combinar com seus pareceres. A l\u00f3gica deve mudar a partir de setembro, quando o ministro Ant\u00f4nio Dias Toffoli, entre os garantistas, assume a presid\u00eancia da Corte, e a atual presidenta, C\u00e1rmen L\u00facia, vai para o lugar dele na Segunda Turma: Toffoli controlar\u00e1 a pauta do tribunal, mas a pequena maioria da turma, de tr\u00eas a dois, passar\u00e1 para o lado de Fachin.<\/p>\n<p>&#8220;Hoje, para entender o plen\u00e1rio do Supremo, s\u00f3 com bola de cristal&#8221;, resume o advogado Gustavo Badar\u00f3, professor de direito processual penal da USP. Ele atribui boa parte as mudan\u00e7as processuais provenientes da Lava Jato \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica pelos procuradores. &#8220;A Lava Jato soube usar essa press\u00e3o popular para gerar um constrangimento para que os tribunais n\u00e3o pudessem ir contra uma opini\u00e3o p\u00fablica ou publicada. O Supremo foi deixando at\u00e9 uma certa hora. Por que teve de fazer um freio de arruma\u00e7\u00e3o? Porque deixou o bonde desgovernar. Se os procuradores querem [alterar procedimentos], t\u00eam de bater na porta do Congresso, n\u00e3o na porta do Supremo&#8221;, critica.<\/p>\n<p>Segundo Badar\u00f3, alguns v\u00e3o dizer que os ministros come\u00e7am a tomar medidas como a que\u00a0retirou do juiz S\u00e9rgio Moro a dela\u00e7\u00e3o da Odebrecht que citava Lulaporque os casos chegaram em determinados pol\u00edticos, enquanto outros v\u00e3o dizer que o tribunal simplesmente percebeu que foi longe demais ao atender aos clamores populares. Mas o fato \u00e9 que o Supremo tem pretendido resolver o que est\u00e1 al\u00e9m de sua al\u00e7ada em alguns casos, e nem todas as decis\u00f5es podem ser avaliadas a partir da mesma perspectiva. Para o advogado, Gilmar Mendes apenas &#8220;restringiu algo que nem deveria existir&#8221; ao proibir as condu\u00e7\u00f5es coercitivas, porque a legisla\u00e7\u00e3o brasileira n\u00e3o admite condu\u00e7\u00e3o coercitiva com a finalidade para a qual vinha sendo utilizada.<\/p>\n<p>O professor da USP considera que a mudan\u00e7a mais relevante motivada pela Lava Jato \u00e9 a perda da possibilidade de um condenado em segunda inst\u00e2ncia de apelar sobre o motivo de sua pris\u00e3o. &#8220;Eu podia ir ao Supremo discutir se ele estava ou n\u00e3o amea\u00e7ando testemunha, se havia risco de fuga, se havia possibilidade concreta de reitera\u00e7\u00e3o delitiva. Quando a execu\u00e7\u00e3o come\u00e7a a partir do segundo grau, essa pessoa n\u00e3o est\u00e1 presa porque a pris\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria, mas porque est\u00e1 cumprindo a pena, ainda que possa ser absolvida depois&#8221;.<\/p>\n<p>Quando o\u00a0STJ negou\u00a0<em>habeas corpus<\/em>\u00a0preventivo a Lula em mar\u00e7o, seu advogado e ex-ministro do STF Sep\u00falveda da Pertence disse que o tribunal &#8220;preferiu manter-se na posi\u00e7\u00e3o punitivista em grande voga no pa\u00eds&#8221;. Nesta sexta-feira, quem reclamou foi o coordenador da for\u00e7a-tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol, ao saber pelo notici\u00e1rio da inten\u00e7\u00e3o de ministros do STF de investigar o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima por suas cr\u00edticas ao Supremo. &#8220;N\u00e3o s\u00e3o cr\u00edticas que mancham imagem do tribunal, mas posturas como a do M. G. Mendes [ministro Gilmar Mendes], q vive atacando injustamente a Lava Jato e seus agentes, como o procurador Janot, o juiz Moro e procuradores de Curitiba. Como querer impor a outros limita\u00e7\u00f5es q tal Ministro n\u00e3o imp\u00f5e a si?&#8221;, escreveu Dallagnol em seu perfil\u00a0Twitter. Quatro anos depois de come\u00e7ar, a Lava Jato n\u00e3o parece se intimidar com os limites que se avolumam no seu entorno \u00e0 medida em que avan\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Rodolfo Borges \/ El Pa\u00eds Brasil &#8211; dispon\u00edvel na internet 30\/04\/2018<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando prender, como interrogar e a forma de investigar se moldam ao &#8220;padr\u00e3o Lava Jato&#8221; Brasil afora. Mas a maneira como as altera\u00e7\u00f5es ocorreram s\u00e3o criticadas por quem enxerga punitivismo excessivo Esse caso que fica em 3 a 2&#8230; Sinceramente, o Minist\u00e9rio P\u00fablico fica at\u00e9 constrangido. 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