{"id":24346,"date":"2018-05-03T05:02:30","date_gmt":"2018-05-03T08:02:30","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=24346"},"modified":"2018-05-04T06:47:57","modified_gmt":"2018-05-04T09:47:57","slug":"cancellier-nao-precisa-morrer-de-novo-elio-gaspari","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2018\/05\/03\/cancellier-nao-precisa-morrer-de-novo-elio-gaspari\/","title":{"rendered":"Cancellier n\u00e3o precisa morrer de novo."},"content":{"rendered":"<h5>A Pol\u00edcia Federal, a Justi\u00e7a e a imprensa meteram-se num equ\u00edvoco, o melhor seria que assumissem o erro<\/h5>\n<div class=\"corpo margin-default\">\n<p>Hoje completam-se sete meses da manh\u00e3 em que Luiz Carlos Cancellier, reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, matou-se. Os rep\u00f3rteres Monica Weinberg, Luisa Bustamante e Fernando Molica tiveram acesso ao relat\u00f3rio de 800 p\u00e1ginas da Pol\u00edcia Federal com o resultado da investiga\u00e7\u00e3o que o levou \u00e0 pris\u00e3o em setembro do ano passado. Eles informam: \u201c\u00c9 uma leitura perturbadora pelo excesso de insinua\u00e7\u00f5es e escassez de provas\u201d.<\/p>\n<p>Cancellier foi algemado pelas m\u00e3os e pelos p\u00e9s e vestiram-no com uniforme de presidi\u00e1rio. Dias depois, ele foi libertado, proibido de p\u00f4r os p\u00e9s na UFSC, e s\u00f3 voltou a ela morto, para o vel\u00f3rio.<\/p>\n<p>A chamada \u201cOpera\u00e7\u00e3o Ouvidos Moucos\u201d come\u00e7ou com um erro retumbante. A Pol\u00edcia Federal anunciou espetaculosamente que investigava o desvio de R$ 80 milh\u00f5es de verbas destinadas ao ensino \u00e0 dist\u00e2ncia. Errado. Esse era o valor das verbas, n\u00e3o do eventual desvio. Tudo bem, mas qual era o valor da maracutaia? O relat\u00f3rio da investiga\u00e7\u00e3o n\u00e3o diz. Talvez tenham chegado a R$ 500 mil, mas isso \u00e9 conversa de corredor.<\/p>\n<p>N\u00e3o havendo sequer suspeita de que Cancellier tenha desviado dinheiro, sustentou-se que ele tentou obstruir uma investiga\u00e7\u00e3o interna avocando-a para seu gabinete. O reitor fez isso em ato de of\u00edcio. Se ele tivesse dito que era preciso \u201cestancar a sangria\u201d (Romero Juc\u00e1), v\u00e1 l\u00e1.<\/p>\n<p>Aqui e ali pipocam breves not\u00edcias de que Cancellier fez isso ou aquilo. Recentemente, soube-se que o filho de Cancellier estava indiciado por ter recebido R$ 7.102 de um professor da UFSC. Para uma opera\u00e7\u00e3o que come\u00e7ou falando em R$ 80 milh\u00f5es, era pesca de lambaris. Em seu relat\u00f3rio, a PF documentou a transfer\u00eancia desse valor para a conta do filho de Cancellier, que tamb\u00e9m leciona na UFSC. Um professor depositou dinheiro de sua conta para outro cidad\u00e3o, e da\u00ed? Diz o relat\u00f3rio da PF: \u201cComenta-se que os recursos transferidos (&#8230;) foram oriundos do projeto coordenado por Luiz Carlos Cancellier\u201d. Comenta-se tamb\u00e9m que Elvis est\u00e1 vivo, mas n\u00e3o \u00e9 para isso que existe uma Pol\u00edcia Federal.<\/p>\n<p>A opera\u00e7\u00e3o \u201cOuvidos Moucos\u201d pode ter nascido de uma mobiliza\u00e7\u00e3o exagerada da Pol\u00edcia Federal, amparada pela Justi\u00e7a. Algo semelhante aconteceu em alguns aspectos da \u201cCarne Fraca\u201d. O suic\u00eddio de Cancellier deu-lhe uma dimens\u00e3o tr\u00e1gica. A imprensa acompanhou as exposi\u00e7\u00f5es espetaculares e acreditou no erro do desvio de R$ 80 milh\u00f5es. \u00c9 poss\u00edvel que a pr\u00f3pria Pol\u00edcia Federal e a ju\u00edza que mandou prender o reitor acreditassem que havia uma organiza\u00e7\u00e3o criminosa e milion\u00e1ria na UFSC. Isso n\u00e3o elimina o fato de que o desvio porventura ocorrido n\u00e3o tinha essa dimens\u00e3o. A investiga\u00e7\u00e3o durou sete meses, e outros sete se passaram at\u00e9 o relat\u00f3rio agora revelado pelos rep\u00f3rteres.<\/p>\n<p>O aparato do Estado na defesa da lei e da ordem \u00e0s vezes comete erros ou mesmo exageros. \u00c9 o jogo jogado, mas a intransig\u00eancia transforma os equ\u00edvocos em desastres. A promiscuidade da imprensa americana com o FBI durante o s\u00e9culo passado at\u00e9 hoje custa-lhe arrependimentos. Por c\u00e1, em 1974, 44 rep\u00f3rteres, radialistas e fot\u00f3grafos que cobriam a Secretaria de Seguran\u00e7a de S\u00e3o Paulo escolheram os melhores policiais do ano. O delegado Sergio Fleury tirou o quarto lugar.<\/p>\n<p><strong>Artigo publicado no Jornal O Globo &#8211; dispon\u00edvel na internet 03\/05\/2018<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #333399\"><strong>Nota: O presente artigo n\u00e3o traduz a opini\u00e3o do ASMETRO-SN. Sua publica\u00e7\u00e3o tem o prop\u00f3sito de estimular o debate dos problemas brasileiros e de refletir as diversas tend\u00eancias do pensamento contempor\u00e2neo.<\/strong><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Pol\u00edcia Federal, a Justi\u00e7a e a imprensa meteram-se num equ\u00edvoco, o melhor seria que assumissem o erro Hoje completam-se sete meses da manh\u00e3 em que Luiz Carlos Cancellier, reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, matou-se. 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