{"id":24500,"date":"2018-05-08T00:04:51","date_gmt":"2018-05-08T03:04:51","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=24500"},"modified":"2018-05-07T21:15:17","modified_gmt":"2018-05-08T00:15:17","slug":"rotulo-falsificado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2018\/05\/08\/rotulo-falsificado\/","title":{"rendered":"R\u00f3tulo falsificado."},"content":{"rendered":"<h5>Em ano de elei\u00e7\u00f5es majorit\u00e1rias e proporcionais, representantes do setor privado pretendem que o SUS se torne mais privado, mediante a aquisi\u00e7\u00e3o de novos produtos de suas prateleiras. Essa intensifica\u00e7\u00e3o da aproxima\u00e7\u00e3o de vendedores e potenciais compradores governamentais seria natural e previs\u00edvel, n\u00e3o fosse a qualidade duvidosa e os elevados os pre\u00e7os dessas mercadorias. Querem empurrar artigos defeituosos para cima da sa\u00fade p\u00fablica. Sistemas de sa\u00fade s\u00e3o importantes compradores de equipamentos, medicamentos e outros insumos.<\/h5>\n<div class=\"corpo margin-default\">\n<p>Uma das caracter\u00edsticas da modernidade capitalista \u00e9 a articula\u00e7\u00e3o entre a garantia de direitos \u00e0 sa\u00fade e o estimulo ao progresso t\u00e9cnico. \u00c9 a efetiva\u00e7\u00e3o do direito que mobiliza e direciona o setor privado, na maioria dos pa\u00edses do denominado Primeiro Mundo. A invers\u00e3o desse ordenamento pelos vendedores abre as portas para a expans\u00e3o dos mercados de planos de sa\u00fade, com restri\u00e7\u00e3o ao atendimento e reajustes de pre\u00e7os de planos de sa\u00fade sempre muito acima da infla\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, cursos privados de gradua\u00e7\u00e3o presenciais e \u00e0 dist\u00e2ncia, com qualidade por vezes duvidosa, e tecnologias de informa\u00e7\u00e3o \u2014 como prontu\u00e1rios eletr\u00f4nicos, telemedicina e telessa\u00fade \u2014, algumas obsoletas.<\/p>\n<p>Pol\u00edticas comprometidas com a amplia\u00e7\u00e3o de acesso, especialmente em pa\u00edses com sistemas universais, emitem sinais positivos \u00e0s industrias, \u00e0 pesquisa e \u00e0 inova\u00e7\u00e3o. Sistemas p\u00fablicos n\u00e3o s\u00e3o inimigos do setor privado. O Obamacare exp\u00f4s diverg\u00eancias entre empresas. Os produtores de insumos apoiaram a proposta do governo anterior de ampliar as coberturas, e a maior parte das seguradoras de sa\u00fade se posicionou contra.<\/p>\n<p>Portanto, a exc\u00eantrica tese da privatiza\u00e7\u00e3o radical da sa\u00fade \u00e9 quase uma inven\u00e7\u00e3o de empres\u00e1rios brasileiros, que est\u00e3o \u00e0 frente de grandes grupos econ\u00f4micos e financeiros bem-sucedidos. Nenhum economista ortodoxo ou heterodoxo, soci\u00f3logo, historiador ou qualquer cidad\u00e3o dotado de bom senso a validou. E quem precisa de voto, dificilmente, prometer\u00e1 acabar com o SUS. Nas elei\u00e7\u00f5es passadas, candidatos das distintas coaliz\u00f5es afirmaram apoio incondicional \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica gratuita para todos.<\/p>\n<p>Empresas e empres\u00e1rios que comercializam atividades diretas e indiretas assistenciais \u2014 juntos e misturados com organiza\u00e7\u00f5es especializadas em informa\u00e7\u00e3o e escolas privadas na \u00e1rea da sa\u00fade \u2014 contam com uma base estreita de apoio, mas extensa e crescente for\u00e7a econ\u00f4mica e intimidade com n\u00facleos governamentais. Suas prerrogativas para definir pol\u00edticas p\u00fablicas, falsear evid\u00eancias, desprezar o conhecimento e a experi\u00eancia de especialistas internacionais e nacionais \u2014 bem como nomear cargos estrat\u00e9gicos de institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas \u2014 s\u00e3o desproporcionais \u00e0 confian\u00e7a da sociedade no desenlace privatizante.<\/p>\n<p>Os resultados objetivos dessas press\u00f5es t\u00eam sido desastrosos. Envolvem reajustes abusivos de planos de sa\u00fade, pris\u00f5es, corrup\u00e7\u00e3o comprovada e acusa\u00e7\u00f5es pela opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato, inclusive de pessoas indicadas para cargos ministeriais e diretorias de ag\u00eancias reguladoras.<\/p>\n<p>Enquanto a rede p\u00fablica se v\u00ea \u00e0s voltas com atendimento de v\u00edtimas da viol\u00eancia, desabamentos de pr\u00e9dios, epidemias e agravamento de doen\u00e7as cr\u00f4nicas, crescem as tramas para reduzir o SUS. A presid\u00eancia da ANS est\u00e1 ocupada provisoriamente h\u00e1 um ano. Passado esse longo interregno, no contexto pr\u00e9-eleitoral foram anunciados dois novos diretores. Um trabalha como advogado de empresas privadas do setor, e outro foi acusado de participa\u00e7\u00e3o no recolhimento e armazenamento de recursos il\u00edcitos por integrantes do Partido Progressista, o mesmo que foi contemplado com o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade durante a gest\u00e3o Temer. O total desinteresse pelo bom e regular funcionamento de \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos e esquemas explicitamente mobilizados por grupos econ\u00f4micos e seus representantes n\u00e3o s\u00e3o mencionados nas manifesta\u00e7\u00f5es empresariais por mais privatiza\u00e7\u00e3o. D\u00e3o-se ao direito de enunciar a privatiza\u00e7\u00e3o como uma ideia pura, omitindo seus suportes ideol\u00f3gicos e pol\u00edticos. Pior ainda, se anunciam como agentes desinteressados, autoridades neutras que querem e sabem como conduzir a\u00e7\u00f5es para modernizar a sa\u00fade. Mas os processos financeiros inovadores adotados por suas empresas n\u00e3o se expressam na modernidade da melhoria nas condi\u00e7\u00f5es de vida e sa\u00fade.<\/p>\n<p>Artigo publicado, este ano, na \u201cThe Economist\u201d elucida o fluxo em duas dire\u00e7\u00f5es do dinheiro arrecadado por essas empresas, apontadas como as mais lucrativas nos EUA. O mesmo grupo que vende planos de sa\u00fade direciona recursos para empresas de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os, e o pre\u00e7o real das atividades fica obscurecido. \u00c9 o que j\u00e1 acontece aqui, mas \u00e0 moda local. No m\u00eas passado, mais duas empresas de planos, que t\u00eam altas margens de lucro, abriram a\u00e7\u00f5es na Bolsa de Valores. Matricularam-se nos circuitos financeiros globais, mas seguem extraindo dividendos de pr\u00e1ticas medievais, como nega\u00e7\u00e3o de assist\u00eancia e negocia\u00e7\u00f5es por baixo dos panos.<\/p>\n<p>A novidade n\u00e3o se encarna principalmente nos produtos a serem vendidos, e sim nos direitos \u00e0 sa\u00fade. Falsifica\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o um bom fio condutor para o debate eleitoral. Seremos avan\u00e7ados e modernos se \u2014 e somente se \u2014 estivermos referenciados pelos compromissos de responder \u00e0s necessidades de sa\u00fade de toda a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Artigo publicado no Jornal O Globo &#8211; dispon\u00edvel na internet 08\/05\/2018<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #000080\"><strong>Nota: O presente artigo n\u00e3o traduz a opini\u00e3o do ASMETRO-SN. Sua publica\u00e7\u00e3o tem o prop\u00f3sito de estimular o debate dos problemas brasileiros e de refletir as diversas tend\u00eancias do pensamento contempor\u00e2neo.<\/strong><\/span><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em ano de elei\u00e7\u00f5es majorit\u00e1rias e proporcionais, representantes do setor privado pretendem que o SUS se torne mais privado, mediante a aquisi\u00e7\u00e3o de novos produtos de suas prateleiras. 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