{"id":24836,"date":"2018-05-17T04:10:25","date_gmt":"2018-05-17T07:10:25","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=24836"},"modified":"2018-05-17T06:13:53","modified_gmt":"2018-05-17T09:13:53","slug":"crise-na-ciencia-falta-de-verbas-e-de-comando-na-faperj-coloca-pesquisadores-em-embate-contra-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2018\/05\/17\/crise-na-ciencia-falta-de-verbas-e-de-comando-na-faperj-coloca-pesquisadores-em-embate-contra-o-estado\/","title":{"rendered":"Crise na Ci\u00eancia: falta de verbas e de comando na Faperj coloca pesquisadores em embate contra o estado."},"content":{"rendered":"<p>Uma s\u00e9rie de investidas que desagradam a comunidade cient\u00edfica est\u00e1 provocando um embate entre pesquisadores e o Pal\u00e1cio Guanabara. Os motivos da disputa s\u00e3o o corte de recursos e as mudan\u00e7as na c\u00fapula da Funda\u00e7\u00e3o Carlos Chagas Filho de Amparo \u00e0 Pesquisa do Rio (Faperj). A d\u00edvida do estado com a institui\u00e7\u00e3o j\u00e1 alcan\u00e7a R$ 450 milh\u00f5es desde 2015. Hoje, membros do Conselho Superior do \u00f3rg\u00e3o v\u00e3o se encontrar com o seu presidente interino, Gabriell Neves, secret\u00e1rio estadual de Ci\u00eancia, Tecnologia, Inova\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Social.<\/p>\n<p>O tema principal da reuni\u00e3o ser\u00e1 a indica\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3ximos diretores de Ci\u00eancia e de Tecnologia da Faperj. Os nomes s\u00e3o escolhidos pelo governador Luiz Fernando Pez\u00e3o a partir de uma lista tr\u00edplice elaborada pelos conselheiros do \u00f3rg\u00e3o. No entanto, uma instru\u00e7\u00e3o estabelecida recentemente atrasou o processo de sele\u00e7\u00e3o. Com isso, o mandato dos ocupantes desses cargos, Jerson Lima Silva e Eliete Bouskela, acabou em abril, antes da indica\u00e7\u00e3o de seus sucessores. Para evitar que a funda\u00e7\u00e3o fique \u201cac\u00e9fala\u201d, a comunidade cient\u00edfica reivindica que Silva e Eliete permane\u00e7am em seus postos at\u00e9 mar\u00e7o do ano que vem. O governo, por\u00e9m, resiste \u00e0 proposta.<\/p>\n<p><strong>PROCESSO BUROCR\u00c1TICO<\/strong><\/p>\n<p>Integrantes da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia (SBPC) e da Academia Brasileira de Ci\u00eancias (ABC) escreveram ontem uma carta ao Conselho Superior da Faperj reiterando que, para manter uma busca de \u201cmembros de alto n\u00edvel\u201d, \u00e9 necess\u00e1rio manter as atuais diretorias de ci\u00eancia e de tecnologia. A sugest\u00e3o foi dada no in\u00edcio da semana por reitores das principais universidades e dirigentes de institui\u00e7\u00f5es de pesquisa fluminenses.<\/p>\n<p>\u2014 A escolha da lista tr\u00edplice tornou-se mais burocr\u00e1tica \u2014 explica Jo\u00e3o Viola, pesquisador do Instituto Nacional de C\u00e2ncer (Inca) e membro do Conselho Superior da Faperj. \u2014 Precisamos de alguns meses para nos comunicar com eventuais candidatos \u00e0s diretorias, analisar seus curr\u00edculos e se t\u00eam interesse em concorrer \u00e0s vagas. As novas regras deveriam ser anunciadas mais cedo.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a no processo de sele\u00e7\u00e3o \u00e9 mais um sinal da instabilidade do comando da Faperj, que teve cinco presidentes desde julho de 2017 \u2014 o economista Augusto Raupp, a odontologista Maria Isabel de Castro de Souza, o secret\u00e1rio de Ci\u00eancia e Tecnologia Gabriell Neves, o psic\u00f3logo Ricardo Vieiralves de Castro e, desde o in\u00edcio do m\u00eas, novamente Gabriell Neves.<\/p>\n<p>A ciranda na presid\u00eancia da funda\u00e7\u00e3o preocupa Viola:<\/p>\n<p>\u2014 Esse \u00e9 um problema administrativo enorme para um \u00f3rg\u00e3o que precisa estabelecer pol\u00edticas a longo prazo, garantir continuidade de a\u00e7\u00f5es e, principalmente, negociar repasse de verbas com o governo \u2014 ressalta. \u2014 N\u00e3o adianta trabalhar pensando apenas no que pode ser conseguido at\u00e9 o final de um m\u00eas.<\/p>\n<p>Ao bater \u00e0 porta de Pez\u00e3o em busca de recursos, o quinteto que passou pelo comando da Faperj voltou para casa de m\u00e3os vazias. O governo estadual n\u00e3o repassa verbas para a funda\u00e7\u00e3o desde outubro de 2014. As bolsas de estudo s\u00e3o pagas, mas as pesquisas n\u00e3o recebem os financiamentos previstos em editais. O Pal\u00e1cio Guanabara acumulou uma d\u00edvida de R$ 450 milh\u00f5es com o \u00f3rg\u00e3o desde 2015.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos dois anos, o governo tem promovido investidas que podem aumentar ainda mais a pen\u00faria da Faperj. O estado \u00e9 obrigado pela Constitui\u00e7\u00e3o a destinar 2% de sua receita tribut\u00e1ria l\u00edquida para o \u00f3rg\u00e3o. No entanto, em dezembro de 2016, um decreto assinado por Pez\u00e3o estabeleu a redu\u00e7\u00e3o em 30% desse or\u00e7amento. \u00c0 \u00e9poca, um levantamento informal estimou que at\u00e9 2 mil laborat\u00f3rios poderiam ser fechados devido \u00e0 falta de verbas. No m\u00eas passado, o Tribunal de Justi\u00e7a (TJ-RJ) declarou que a medida \u00e9 inconstitucional.<\/p>\n<p>Em janeiro, deputados da bancada governista da Assembleia Legislativa aprovaram uma lei que reduz em 30% a receita que deve ser destinada \u00e0 Faperj. O texto est\u00e1 sendo questionado na Justi\u00e7a por parlamentares da oposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo o presidente da SBPC, Ildeu de Castro Moreira, \u00e9 comum ver pesquisadores tirando dinheiro do pr\u00f3prio bolso para manter os laborat\u00f3rios abertos, assumindo a manuten\u00e7\u00e3o de equipamentos e comprando insumos necess\u00e1rios para o trabalho.<\/p>\n<p>\u2014 Estamos com medo que a sa\u00edda dos diretores seja mais um processo do desmonte da Faperj, j\u00e1 que eram pessoas cientes da situa\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia no estado \u2014 explica. \u2014 O Rio conta com 19 importantes institui\u00e7\u00f5es federais, em que metade do or\u00e7amento \u00e9 pago pela Uni\u00e3o, e o governo fluminense \u00e9 respons\u00e1vel pela outra metade. Esse pagamento n\u00e3o est\u00e1 sendo realizado.<\/p>\n<p>Para Viola, os laborat\u00f3rios que economizaram em suas despesas podem ficar totalmente sem recursos at\u00e9 o meio do ano. Por isso, muitos pesquisadores preferem encerrar seus trabalhos no Rio, trocando o estado por algum local onde podem contar com apoio financeiro governamental.<\/p>\n<p>\u2014 Todos os dias conhe\u00e7o casos de pesquisadores que procuram estados vizinhos, principalmente S\u00e3o Paulo, ou v\u00e3o para o exterior. \u00c9 um verdadeiro \u00eaxodo \u2014 lamenta. \u2014 S\u00f3 n\u00e3o \u00e9 pior porque alguns projetos t\u00eam outra fonte de recursos, al\u00e9m daqueles que deveriam vir da Faperj. Infelizmente, mesmo que o estado resolva incentivar novamente as pesquisas, vai demorar anos para recuperarmos o ritmo antigo.<\/p>\n<p>Procurado, o secret\u00e1rio Gabriell Neves n\u00e3o quis dar entrevista. Em nota publicada anteontem no site da Faperj, afirmou: \u201cContinuarei empenhado em manter o pagamento de todas as bolsas, bem como continuarei trabalhando para retabelecer o pagamento de todos os aux\u00edlios devidos. A Faperj \u00e9 um patrim\u00f4nio do estado do Rio\u201d.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Renato Grandelle \/O Globo 17\/05\/2018<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma s\u00e9rie de investidas que desagradam a comunidade cient\u00edfica est\u00e1 provocando um embate entre pesquisadores e o Pal\u00e1cio Guanabara. Os motivos da disputa s\u00e3o o corte de recursos e as mudan\u00e7as na c\u00fapula da Funda\u00e7\u00e3o Carlos Chagas Filho de Amparo \u00e0 Pesquisa do Rio (Faperj). 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