{"id":24876,"date":"2018-05-19T06:38:09","date_gmt":"2018-05-19T09:38:09","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=24876"},"modified":"2018-05-19T06:47:33","modified_gmt":"2018-05-19T09:47:33","slug":"por-que-a-personalidade-das-pessoas-muda-muitas-vezes-para-pior-nas-redes-sociais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2018\/05\/19\/por-que-a-personalidade-das-pessoas-muda-muitas-vezes-para-pior-nas-redes-sociais\/","title":{"rendered":"Por que a personalidade das pessoas muda (muitas vezes para pior) nas redes sociais?"},"content":{"rendered":"<p class=\"story-body__introduction\">Em uma tarde de fevereiro deste ano, a professora Mary Beard postou uma foto no Twitter chorando. A c\u00e9lebre historiadora da Universidade de Cambridge, que tem quase 200 mil seguidores na rede social, estava desolada: ap\u00f3s fazer um coment\u00e1rio sobre o Haiti, ela foi v\u00edtima de uma avalanche de insultos.<\/p>\n<p>&#8220;Eu falo com o cora\u00e7\u00e3o (e, \u00e9 claro, posso estar errada). Mas o lixo que eu recebo como resposta, n\u00e3o \u00e9 justo, realmente n\u00e3o \u00e9&#8221;, tuitou.<\/p>\n<p>Nos dias que se seguiram, Beard recebeu o apoio de diversas personalidades &#8211; independentemente de concordarem ou n\u00e3o com sua postagem inicial. E v\u00e1rias dessas pessoas tamb\u00e9m viraram alvo de agress\u00f5es. Quando uma das cr\u00edticas de Beard, a acad\u00eamica Priyamvada Gopal, de ascend\u00eancia asi\u00e1tica, publicou um artigo online em resposta ao tu\u00edte original da historiadora, tamb\u00e9m recebeu uma enxurrada de ataques.<\/p>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/3AA3\/production\/_101211051_foto_01.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/3AA3\/production\/_101211051_foto_01.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Mulher posta conte\u00fado ofensivo em rede social\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Mulher posta conte\u00fado ofensivo em rede social. Direito de imagem GETTY IMAGES &#8211; Pesquisas recentes revelam que existe um troll dentro de cada um de n\u00f3s<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Mulheres e representantes de minorias \u00e9tnicas s\u00e3o desproporcionalmente as maiores v\u00edtimas de abusos no Twitter, incluindo amea\u00e7as de morte e de viol\u00eancia sexual. No caso em que h\u00e1 o cruzamento de ambos os indicadores de identidade, o ass\u00e9dio moral pode se tornar ainda mais acentuado &#8211; como mostrou a parlamentar brit\u00e2nica negra Diane Abbott, que recebeu quase metade de todos os tu\u00edtes hostis enviados a deputadas mulheres durante a campanha para as elei\u00e7\u00f5es gerais de 2017 no Reino Unido. Em m\u00e9dia, as parlamentares negras e asi\u00e1ticas receberam 35% mais mensagens impr\u00f3prias do que suas colegas brancas, mesmo excluindo Abbott do total.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/16513\/production\/_101211419_foto_02.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/16513\/production\/_101211419_foto_02.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Diane Abbott\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">A parlamentar Diane Abbott recebeu sozinha quase metade dos tu\u00edtes hostis enviados a deputadas antes das elei\u00e7\u00f5es de 2017 no Reino Unido. Direito de imagem ALAMY<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>O bombardeio constante de ofensas est\u00e1 silenciando as pessoas, expulsando-as das plataformas digitais e reduzindo ainda mais a diversidade de vozes e opini\u00f5es online. E n\u00e3o h\u00e1 sinais de melhora. Uma pesquisa realizada no ano passado descobriu que 40% dos adultos americanos j\u00e1 sofreram abusos nas redes, sendo que quase metade foi v\u00edtima de formas graves de ass\u00e9dio, incluindo amea\u00e7as f\u00edsicas e persegui\u00e7\u00e3o. Setenta por cento das mulheres descreveram o ass\u00e9dio online como um &#8220;problema s\u00e9rio&#8221;.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Retrocesso<\/h2>\n<p>A internet oferece uma promessa sem precedentes de coopera\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o entre toda a humanidade. Mas em vez de abra\u00e7armos a possibilidade de expandir nossos c\u00edrculos sociais na web, a impress\u00e3o \u00e9 de que estamos regredindo ao tribalismo e ao conflito.<\/p>\n<p>Enquanto na &#8220;vida real&#8221; costumamos interagir com estranhos de forma educada e respeitosa, no mundo virtual conseguimos ser detest\u00e1veis. Como podemos reaprender as t\u00e9cnicas de coopera\u00e7\u00e3o que nos permitiram chegar a consensos e evoluir enquanto esp\u00e9cie?<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">&#8216;N\u00e3o pense demais&#8217;<\/h2>\n<p>Eu clico e rapidamente passo para a pr\u00f3xima pergunta. Estamos todos correndo contra o tempo. Meus colegas de equipe est\u00e3o longe e n\u00e3o os conhe\u00e7o. Ent\u00e3o, n\u00e3o tenho ideia se estamos todos realmente no mesmo barco ou se estou sendo passada para tr\u00e1s. Mas eu sei que eles dependem de mim.<\/p>\n<p>Estou participando de um dos chamados &#8220;jogos do bem p\u00fablico&#8221; no Laborat\u00f3rio de Coopera\u00e7\u00e3o Humana da Universidade de Yale, nos Estados Unidos. Os pesquisadores usam esse tipo de jogo como ferramenta para ajudar a entender como e por que cooperamos.<\/p>\n<p>Ao longo dos anos, os cientistas propuseram diversas teorias sobre a raz\u00e3o pela qual os humanos colaboram a ponto de formar sociedades fortes. Atualmente, muitos acreditam que as ra\u00edzes evolutivas da nossa boa vontade podem estar nas vantagens competitivas para a sobreviv\u00eancia individual encontradas pelo ser humano quando trabalha em grupo.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/307B\/production\/_101211421_foto_03.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/307B\/production\/_101211421_foto_03.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Trabalho em equipe\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Direito de imagem\u00a0GETTY IMAGES &#8212;\u00a0Trabalho em equipe oferece aos seres humanos uma vantagem competitiva<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>No jogo, fa\u00e7o parte de uma equipe de quatro pessoas (que est\u00e3o em locais diferentes). E cada um de n\u00f3s recebeu a mesma quantia de dinheiro para a partida. Temos de decidir como vamos contribuir para o fundo do grupo, sabendo que o valor total depositado ser\u00e1 dobrado e redistribu\u00eddo igualmente entre n\u00f3s.<\/p>\n<p>Como toda coopera\u00e7\u00e3o, esse dilema social baseia-se, de certa forma, em confiar que os outros membros do grupo ser\u00e3o leais. Se todos os integrantes depositarem toda a quantia que receberam, o montante do fundo ser\u00e1 duplicado e dividido por quatro &#8211; ou seja, o dinheiro de todo mundo vai dobrar. Todo mundo sai ganhando.<\/p>\n<p>&#8220;Mas se voc\u00ea pensar sob uma perspectiva individualista, cada d\u00f3lar que voc\u00ea depositou ser\u00e1 multiplicado por dois e depois dividido por quatro &#8211; o que significa que cada pessoa recebe apenas 50 centavos de volta pelo d\u00f3lar que contribuiu&#8221;, diz David Rand, diretor do laborat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Em outras palavras, embora todos fiquem em uma situa\u00e7\u00e3o melhor em termos coletivos, ao contribuir para um projeto comum que ningu\u00e9m poderia administrar sozinho (na vida real, poderia ser um hospital, por exemplo), h\u00e1 um custo associado do ponto de vista individual. Financeiramente, voc\u00ea ganha mais dinheiro sendo mais ego\u00edsta.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Ra\u00edzes da generosidade<\/h2>\n<p>Sob a supervis\u00e3o da equipe de Rand, milhares de pessoas j\u00e1 participaram do jogo. Metade \u00e9 instru\u00edda a definir o valor da contribui\u00e7\u00e3o em 10 segundos, enquanto a outra \u00e9 encorajada a n\u00e3o ter pressa e a ponderar cuidadosamente a decis\u00e3o. Acontece que, quando a rea\u00e7\u00e3o \u00e9 instintiva, as pessoas s\u00e3o muito mais generosas.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 muitas evid\u00eancias de que a coopera\u00e7\u00e3o \u00e9 uma caracter\u00edstica central da evolu\u00e7\u00e3o humana&#8221;, afirma Rand.<\/p>\n<p>&#8220;Nas sociedades menores, em que nossos ancestrais viviam, todas as intera\u00e7\u00f5es eram com pessoas que tornar\u00edamos a ver e com quem voltar\u00edamos a interagir num futuro pr\u00f3ximo.&#8221;<\/p>\n<p>Esse fator reprimia qualquer tenta\u00e7\u00e3o de agir de forma agressiva ou de tentar tirar vantagem das contribui\u00e7\u00f5es dos outros.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, em vez de ponderar sempre at\u00e9 que ponto ser gentil favorece nossos interesses no longo prazo, \u00e9 mais eficaz e requer menos esfor\u00e7o adotar a regra b\u00e1sica: tratar bem os outros. \u00c9 por isso que nossa resposta intuitiva no experimento tende a ser generosa.<\/p>\n<p>Mas os comportamentos que aprendemos tamb\u00e9m podem mudar rapidamente.<\/p>\n<p>Em geral, quem participa da vers\u00e3o contra o rel\u00f3gio dos jogos de Rand \u00e9 generoso e recebe dividendos elevados, refor\u00e7ando sua perspectiva altru\u00edsta. J\u00e1 aqueles que ganham mais tempo para ponderar suas decis\u00f5es s\u00e3o mais ego\u00edstas, o que resulta em um fundo comunit\u00e1rio mirrado e corrobora a ideia de que n\u00e3o compensa confiar no grupo.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Reprodu\u00e7\u00e3o do comportamento<\/h2>\n<p>Em outro experimento, com pessoas que j\u00e1 tinham participado de uma rodada do jogo, Rand entregou aos jogadores uma quantia de dinheiro e perguntou quanto cada um doaria a um desconhecido an\u00f4nimo. Desta vez, n\u00e3o havia incentivo. Eles estariam agindo de forma inteiramente caridosa.<\/p>\n<p>Os participantes que tinham se acostumado a cooperar na primeira fase doaram duas vezes mais do que aqueles que tinham se comportado de maneira ego\u00edsta.<\/p>\n<p>&#8220;Estamos influenciando a vida e o comportamento interno das pessoas&#8221;, diz Rand. &#8220;O modo como eles se comportam, mesmo quando ningu\u00e9m est\u00e1 olhando, e quando n\u00e3o h\u00e1 institui\u00e7\u00f5es para puni-los ou recompens\u00e1-los.&#8221;<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/7E9B\/production\/_101211423_foto_04.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/7E9B\/production\/_101211423_foto_04.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Caixa de sugest\u00f5es contra a corrup\u00e7\u00e3o . Direito de imagem\u00a0GETTY IMAGES &#8211;\u00a0No Qu\u00eania, onde h\u00e1 altos n\u00edveis de corrup\u00e7\u00e3o, os jogadores foram inicialmente menos generosos com um desconhecido<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Amostra global<\/h2>\n<p>A equipe de Rand tamb\u00e9m tem analisado como pessoas de diferentes pa\u00edses jogam, a fim de identificar como a for\u00e7a das institui\u00e7\u00f5es sociais &#8211; como governo, fam\u00edlia, educa\u00e7\u00e3o e sistemas jur\u00eddicos &#8211; influencia a atitude delas.<\/p>\n<p>No Qu\u00eania, onde a corrup\u00e7\u00e3o no setor p\u00fablico \u00e9 alta, os jogadores foram inicialmente menos generosos com o desconhecido do que os participantes dos EUA, onde h\u00e1 menos corrup\u00e7\u00e3o. Isso sugere que quem conta com institui\u00e7\u00f5es sociais relativamente justas, age com mais senso de coletividade do que aqueles cujas institui\u00e7\u00f5es s\u00e3o menos confi\u00e1veis.<\/p>\n<p>No entanto, ap\u00f3s uma partida da vers\u00e3o do jogo que promove a coopera\u00e7\u00e3o, a generosidade dos quenianos se igualou \u00e0 dos americanos. E o inverso tamb\u00e9m aconteceu: americanos condicionados a serem ego\u00edstas doaram muito menos.<\/p>\n<p>Portanto, pode haver algo na cultura das redes sociais que possa encorajar um comportamento mesquinho. Ao contr\u00e1rio das sociedades de ca\u00e7adores-agricultores, que dependiam da coopera\u00e7\u00e3o para sobreviver e tinham regras para compartilhar alimentos, por exemplo, as m\u00eddias digitais s\u00e3o institui\u00e7\u00f5es fracas. Oferecem dist\u00e2ncia f\u00edsica, um grau de relativo anonimato e pouco risco para a reputa\u00e7\u00e3o, assim como de puni\u00e7\u00e3o para quem apresenta comportamentos impr\u00f3prios. Se voc\u00ea for cruel, ningu\u00e9m que voc\u00ea conhece vai ficar sabendo.<\/p>\n<p>Por outro lado, voc\u00ea pode escolher dar uma opini\u00e3o que beneficie seu posicionamento perante seu c\u00edrculo social. No Crockett Lab de Yale, por exemplo, os pesquisadores estudam como as emo\u00e7\u00f5es sociais s\u00e3o transformadas na internet &#8211; em particular, a indigna\u00e7\u00e3o moral.<\/p>\n<p>Estudos com base em imagens do c\u00e9rebro mostram que quando as pessoas agem a partir do sentimento de indigna\u00e7\u00e3o moral (reprimindo o dono de um cachorro que fez necessidades em um parque infantil, por exemplo), o centro de recompensa do c\u00e9rebro \u00e9 ativado: elas se sentem bem com isso. Esse mecanismo acaba refor\u00e7ando o comportamento e aumentando a probabilidade de o indiv\u00edduo voltar a intervir de maneira semelhante no futuro. Embora enfrentar um infrator das normas sociais dentro da sua comunidade traga riscos (voc\u00ea pode ser atacado), tamb\u00e9m aumenta sua reputa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quem tem a sorte de viver pacatamente, raramente depara com condutas realmente ultrajantes &#8211; e dificilmente se v\u00ea diante de manifesta\u00e7\u00f5es de indigna\u00e7\u00e3o moral. Mas basta abrir o Twitter ou o Facebook para vislumbrar um cen\u00e1rio bem diferente. V\u00e1rias pesquisas recentes mostram que as mensagens com conte\u00fado moral ou emocional s\u00e3o mais propensas a se propagar nas redes sociais. Cada palavra com esse tipo de apelo inserida em um tu\u00edte aumenta em 20% a probabilidade de que ele seja retuitado.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/CCBB\/production\/_101211425_foto_05.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/CCBB\/production\/_101211425_foto_05.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Pessoas usando smartphones\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">DirePessoas usando smartphones &#8211; ito de imagem\u00a0GETTY IMAGES &#8211;\u00a0Postagens com palavras de cunho moral e emocional t\u00eam mais chance de viralizar nas redes sociais<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>&#8220;O conte\u00fado que desperta e expressa indigna\u00e7\u00e3o \u00e9 muito mais prov\u00e1vel de ser compartilhado&#8221;, afirma Molly Crockett, diretora do laborat\u00f3rio.<\/p>\n<p>O que criamos online \u00e9 &#8220;um ecossistema que seleciona o conte\u00fado mais revoltante, combinado a uma plataforma onde \u00e9 mais f\u00e1cil do que nunca expressar indigna\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do mundo offline, existe pouco ou nenhum risco pessoal em confrontar e expor algu\u00e9m. E isso se retroalimenta.<\/p>\n<p>&#8220;Se voc\u00ea punir algu\u00e9m por violar uma norma, isso faz com que voc\u00ea pare\u00e7a mais confi\u00e1vel ao olhar dos outros, ent\u00e3o, voc\u00ea pode revelar seu car\u00e1ter moral expressando indigna\u00e7\u00e3o e punindo as viola\u00e7\u00f5es das normas sociais&#8221;, diz Crockett.<\/p>\n<p>&#8220;Ao passar do modo offline (onde voc\u00ea pode trabalhar sua reputa\u00e7\u00e3o junto a quem estiver por perto no momento) para online (onde voc\u00ea pode difundir para toda sua rede social), as recompensas pessoais de expressar indigna\u00e7\u00e3o s\u00e3o ampliadas dramaticamente&#8221;, completa.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Refor\u00e7o<\/h2>\n<p>Tudo isso \u00e9 somado ao feedback positivo que as pessoas recebem, como &#8220;coment\u00e1rios&#8221;, &#8220;curtidas&#8221; e &#8220;compartilhamentos&#8221;. Desta forma, as plataformas ajudam a transformar a express\u00e3o da indigna\u00e7\u00e3o em um h\u00e1bito.<\/p>\n<p>&#8220;E um h\u00e1bito \u00e9 algo que se pratica sem levar em conta as consequ\u00eancias&#8221;, destaca Crockett.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/11ADB\/production\/_101211427_foto_06.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/11ADB\/production\/_101211427_foto_06.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Adolescentes da Fl\u00f3rida protestam nas ruas\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Direito de imagem\u00a0ALAMY &#8211;\u00a0A indigna\u00e7\u00e3o moral online tamb\u00e9m leva \u00e0 mudan\u00e7a social: adolescentes da Fl\u00f3rida usaram as redes sociais para mobilizar protestos<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Pelo lado positivo, a indigna\u00e7\u00e3o moral na internet permite que grupos marginalizados e minorit\u00e1rios promovam causas que tradicionalmente t\u00eam menos espa\u00e7o. As redes sociais conseguiram chamar a aten\u00e7\u00e3o, por exemplo, para as campanhas promovidas por mulheres v\u00edtimas de abuso sexual. E, em fevereiro de 2018, adolescentes da Fl\u00f3rida ajudaram a mudar a opini\u00e3o p\u00fablica, protestando virtualmente contra o tiroteio na escola.<\/p>\n<p>&#8220;Eu acho que deve haver maneiras de manter os benef\u00edcios do mundo digital&#8221;, diz Crockett, &#8220;ao pensar com mais cuidado em como redesenhar essas intera\u00e7\u00f5es a fim de acabar com alguns dos aspectos mais prejudiciais&#8221;.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Efeito domin\u00f3<\/h2>\n<p>A boa not\u00edcia \u00e9 que podem ser necess\u00e1rias apenas algumas pessoas para alterar a cultura de toda a rede.<\/p>\n<p>No Human Nature Lab de Yale, Nicholas Christakis e sua equipe estudam maneiras de identificar esses indiv\u00edduos e inscrev\u00ea-los em programas de sa\u00fade p\u00fablica que podem beneficiar a comunidade. Em Honduras, essa abordagem est\u00e1 sendo usada para influenciar campanhas de vacina\u00e7\u00e3o e cuidado materno, por exemplo. Na internet, essas pessoas t\u00eam o potencial de transformar a cultura do bullying em uma postura solid\u00e1ria.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/ADAE\/production\/_101226444_f20a9795-720e-4c88-a988-0b00400854d9.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/ADAE\/production\/_101226444_f20a9795-720e-4c88-a988-0b00400854d9.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Mulher digita no computador &#8211; \u00c9 poss\u00edvel transformar a cultura do bullying em uma postura solid\u00e1ria nas redes sociais | Foto: WOCinTech\/Creative Commons<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>As grandes empresas j\u00e1 utilizam um sistema rudimentar de identifica\u00e7\u00e3o dos chamados &#8220;influenciadores digitais&#8221; para fazer publicidade de suas marcas. Christakis est\u00e1 analisando, no entanto, n\u00e3o apenas o qu\u00e3o popular \u00e9 um indiv\u00edduo, mas como ele se encaixa em uma determinada rede.<\/p>\n<p>Em uma pequena aldeia isolada, por exemplo, todos os moradores est\u00e3o intimamente conectados e \u00e9 prov\u00e1vel que voc\u00ea conhe\u00e7a todo mundo em uma festa. J\u00e1 em uma cidade, as pessoas podem estar vivendo bem perto umas das outras, mas \u00e9 menos prov\u00e1vel que voc\u00ea conhe\u00e7a todo mundo em uma festa. O qu\u00e3o profundamente uma rede \u00e9 interconectada afeta a forma como os comportamentos e as informa\u00e7\u00f5es se propagam por ela.<\/p>\n<p>Para investigar este fen\u00f4meno, Christakis desenvolveu um software que cria sociedades artificiais tempor\u00e1rias na internet.<\/p>\n<p>&#8220;Apresentamos pessoas a elas, deixamos que interajam e observamos como se comportam em um jogo de bem p\u00fablico, por exemplo, para avaliar como s\u00e3o gentis umas com as outras.&#8221;<\/p>\n<p>Em seguida, o cientista manipula a rede:<\/p>\n<p>&#8220;Ao intervir nas intera\u00e7\u00f5es de uma determinada maneira, consigo fazer com que os participantes sejam agrad\u00e1veis uns com os outros, trabalhem bem juntos, sejam saud\u00e1veis, felizes e cooperem. Ou posso pegar as mesmas pessoas, conect\u00e1-las de um jeito diferente, e fazer com que ajam de forma est\u00fapida e mesquinha entre si.&#8221;<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/3463\/production\/_101211431_foto_08.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/3463\/production\/_101211431_foto_08.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Comunidade de uma pequena vila isolada\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Direito de imagem\u00a0GETTY IMAGES &#8211;\u00a0A comunidade de uma pequena vila isolada funciona de maneira bem diferente de um grupo menos interconectado &#8211; e isso se reflete nas redes sociais<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Influ\u00eancia vol\u00favel<\/h2>\n<p>Em um experimento, Christakis selecionou desconhecidos aleatoriamente para participar do jogo. Segundo ele, inicialmente, cerca de dois ter\u00e7os deles eram cooperativos.<\/p>\n<p>&#8220;Mas algumas das pessoas com quem v\u00e3o interagindo acabam por se aproveitar deles e, como suas \u00fanicas op\u00e7\u00f5es eram ser gentis e cooperar ou desistir, optam pela \u00faltima porque se v\u00eaem presos a pessoas que querem se aproveitar deles. No fim do experimento, todos estavam se tratando mal&#8221;, explica.<\/p>\n<p>Christakis contornou a situa\u00e7\u00e3o permitindo simplesmente que cada participante tivesse um pouco de controle sobre quem estava conectado ap\u00f3s cada rodada. Eles precisavam decidir se seriam gentis ou n\u00e3o com seus vizinhos e se deveriam continuar com eles na fase seguinte. A \u00fanica informa\u00e7\u00e3o que cada um tinha era se o vizinho tinha cooperado ou desistido na rodada anterior.<\/p>\n<p>&#8220;Conseguimos mostrar que as pessoas cortam la\u00e7os com os desertores e formam la\u00e7os com os cooperadores, e que a rede se reconectou&#8221;. Em outras palavras, se transformou em uma estrutura cooperativa pr\u00f3-social, em vez de um sistema n\u00e3o-cooperativo.<\/p>\n<p>Na tentativa de gerar comunidades online mais solid\u00e1rias, a equipe de Christakis come\u00e7ou a introduzir bots (perfis controlados por intelig\u00eancia artificial) em suas sociedades virtuais. A equipe n\u00e3o est\u00e1 interessada em inventar uma intelig\u00eancia artificial super sofisticada para substituir a cogni\u00e7\u00e3o humana, mas em infiltrar rob\u00f4s &#8220;burros&#8221; em uma comunidade de seres humanos inteligentes para ajud\u00e1-los a cooperar uns com os outros.<\/p>\n<p>Na verdade, Christakis descobriu que, se os bots jogassem perfeitamente, n\u00e3o ajudariam os humanos. Mas se cometessem alguns erros, despertariam o potencial do grupo para encontrar uma solu\u00e7\u00e3o. Em outras palavras, adicionando um pouco de ru\u00eddo ao sistema, os bots ajudaram a comunidade a funcionar de forma mais eficiente.<\/p>\n<p>Uma vers\u00e3o deste modelo poderia infiltrar de vez em quando postagens com perspectivas diferentes ao feed de not\u00edcias de pessoas tendenciosas, ajudando a tir\u00e1-las de dentro da bolha das redes sociais e permitindo que a sociedade como um todo cooperasse mais.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/D4BE\/production\/_101226445_27cc2f5b-1e72-4777-b70e-478edeba6039.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/D4BE\/production\/_101226445_27cc2f5b-1e72-4777-b70e-478edeba6039.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Mulher usa o computador\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Mulheres e representantes de minorias \u00e9tnicas s\u00e3o desproporcionalmente as maiores v\u00edtimas de abusos no Twitter | Foto: WOCinTech\/Creative Commons<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Os bots podem oferecer ainda uma solu\u00e7\u00e3o para outro desafio virtual: muito do comportamento antissocial decorre do anonimato das intera\u00e7\u00f5es na internet.<\/p>\n<p>Um experimento mostrou que o n\u00edvel de ofensas racistas a usu\u00e1rios negros no Twitter poderia ser reduzido drasticamente usando bots com fotos de perfil de brancos para responder \u00e0s postagens racistas.<\/p>\n<p>&#8220;Ei, cara, lembre que existem pessoas reais que se machucam quando voc\u00ea as insulta com esse tipo de linguagem&#8221;, seria uma poss\u00edvel r\u00e9plica.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Redu\u00e7\u00e3o de danos<\/h2>\n<p>O simples gesto de cultivar um pouco de empatia nos autores dos tuites reduziu os conte\u00fados racistas deles a quase a zero poucas semanas depois.<\/p>\n<p>Outra maneira de lidar com o baixo risco para reputa\u00e7\u00e3o do mau comportamento online \u00e9 criar uma forma de puni\u00e7\u00e3o social. A empresa de jogos League of Legends introduziu um &#8220;tribunal&#8221;, no qual jogadas negativas s\u00e3o punidas pelos outros participantes. A companhia informou que 280 mil jogadores foram &#8220;reabilitados&#8221; em um ano ap\u00f3s serem castigados, mudando de atitude e causando impress\u00e3o positiva na comunidade. Os desenvolvedores tamb\u00e9m poderiam criar recompensas sociais por bom comportamento, incentivando atitudes mais colaborativas que ajudam a construir boas rela\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/D0A3\/production\/_101211435_foto_10.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/D0A3\/production\/_101211435_foto_10.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Pessoas jogando videogame\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Direito de imagem\u00a0GETTY IMAGES &#8211;\u00a0Para ajudar a mudar o mau comportamento online, uma empresa de games introduziu um recurso no qual os participantes podem punir jogadas negativas<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Limiar<\/h2>\n<p>Os pesquisadores j\u00e1 est\u00e3o descobrindo como prever quando uma intera\u00e7\u00e3o est\u00e1 prestes a se tornar negativa &#8211; ou seja, o momento em que uma interven\u00e7\u00e3o preventiva poderia ser ben\u00e9fica.<\/p>\n<p>&#8220;Voc\u00ea pode pensar que h\u00e1 uma minoria de sociopatas online, que chamamos de trolls, que est\u00e3o provocando todo esse dano&#8221;, diz Cristian Danescu-Niculescu-Mizil, do Departamento de Ci\u00eancia da Informa\u00e7\u00e3o da Universidade de Cornell, nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>&#8220;Mas, na verdade, o que descobrimos com nosso trabalho \u00e9 que pessoas comuns, assim como voc\u00ea e eu, podem se engajar nesse comportamento antissocial. Por um per\u00edodo espec\u00edfico de tempo, voc\u00ea pode realmente se tornar um troll. E isso \u00e9 surpreendente.&#8221;<\/p>\n<p>Danescu-Niculescu-Mizil tem analisado as se\u00e7\u00f5es de coment\u00e1rios de leitores em artigos publicados na internet. Ele identifica dois gatilhos principais para a &#8220;trollagem&#8221; (g\u00edria de internet para piadas ou coment\u00e1rios maldosos): o contexto da conversa &#8211; como os outros usu\u00e1rios est\u00e3o se comportando &#8211; e o humor de quem posta.<\/p>\n<p>&#8220;Se voc\u00ea est\u00e1 tendo um dia ruim, ou se for segunda-feira, por exemplo, \u00e9 muito mais prov\u00e1vel que voc\u00ea tenha um comportamento negativo&#8221;, diz ele. &#8220;Voc\u00ea \u00e9 mais legal em um s\u00e1bado de manh\u00e3.&#8221;<\/p>\n<p>Mas, apesar do comportamento lament\u00e1vel que muitos de n\u00f3s j\u00e1 presenciamos online, a maioria das intera\u00e7\u00f5es expressam coopera\u00e7\u00e3o. E a indigna\u00e7\u00e3o moral justificada \u00e9 empregada com efici\u00eancia no combate a postagens de \u00f3dio. Um estudo brit\u00e2nico recente, que analisou o antissemitismo no Twitter, descobriu que os posts que contestam os conte\u00fados antissemitas s\u00e3o compartilhados muito mais do que os tu\u00edtes originais. A maioria das postagens de \u00f3dio foram ignoradas ou apenas compartilhados dentro das chamadas &#8220;c\u00e2maras de eco&#8221; de perfis semelhantes. Talvez j\u00e1 estejamos come\u00e7ando a fazer o trabalho dos bots.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Velocidade<\/h2>\n<p>Vale lembrar que tivemos milhares de anos para lapidar nossas rela\u00e7\u00f5es sociais &#8211; e apenas 20 anos nos adaptar \u00e0s m\u00eddias sociais.<\/p>\n<p>&#8220;Offline, temos todas essas dicas, desde express\u00f5es faciais at\u00e9 a linguagem corporal e a entona\u00e7\u00e3o&#8221;, diz Danescu-Niculescu-Mizil.<\/p>\n<p>&#8220;Online, debatemos as quest\u00f5es apenas por meio do texto. Acho que n\u00e3o dever\u00edamos nos surpreender tanto com a dificuldade de se encontrar o caminho certo para discutir e cooperar.&#8221;<\/p>\n<p>\u00c0 medida que nosso comportamento virtual se desenvolve, podemos introduzir tamb\u00e9m sinais sutis, equivalentes digitais \u00e0s express\u00f5es faciais, para ajudar a suavizar as discuss\u00f5es que temos na rede.<\/p>\n<p>Enquanto isso, o conselho para lidar com o ass\u00e9dio online \u00e9 manter a calma. N\u00e3o revide. Bloqueie e ignore os agressores, ou se voc\u00ea se sentir confort\u00e1vel, diga a eles para parar. Converse com familiares ou amigos sobre o que est\u00e1 acontecendo e pe\u00e7a ajuda. Fa\u00e7a capturas de tela e denuncie as ofensas para a rede social em que est\u00e3o acontecendo. E, se incluir amea\u00e7as f\u00edsicas, avise a pol\u00edcia.<\/p>\n<p>Como usu\u00e1rios, tamb\u00e9m podemos aprender a nos adaptar a esse novo meio de comunica\u00e7\u00e3o, de modo que a intera\u00e7\u00e3o civilizada e produtiva que acontece offline seja reproduzida online.<\/p>\n<p>&#8220;Sou otimista&#8221;, diz Danescu-Niculescu-Mizil.<\/p>\n<p>&#8220;Este \u00e9 apenas um jogo diferente e temos que evoluir.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Artigo publicado dia 10\/05\/2018 \u00a0na p\u00e1gina da BBC Brasil*\u00a0 &#8211; dispon\u00edvel na internet 19\/05\/2018<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #000080\"><strong>Nota: O presente artigo n\u00e3o traduz a opini\u00e3o do ASMETRO-SN. Sua publica\u00e7\u00e3o tem o prop\u00f3sito de estimular o debate dos problemas brasileiros e de refletir as diversas tend\u00eancias do pensamento contempor\u00e2neo.<\/strong><\/span><\/p>\n<p><i>*Este artigo foi publicado pela primeira vez pela Mosaic, da editora Wellcome, e republicado aqui sob uma licen\u00e7a Creative Commons. A Wellcome tem a\u00e7\u00f5es no Facebook, Alphabet e outras empresas de m\u00eddia social como parte de sua carteira de investimentos.<\/i><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em uma tarde de fevereiro deste ano, a professora Mary Beard postou uma foto no Twitter chorando. A c\u00e9lebre historiadora da Universidade de Cambridge, que tem quase 200 mil seguidores na rede social, estava desolada: ap\u00f3s fazer um coment\u00e1rio sobre o Haiti, ela foi v\u00edtima de uma avalanche de insultos. &#8220;Eu falo com o cora\u00e7\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":24878,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[134],"tags":[],"class_list":{"0":"post-24876","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-artigos"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Gaia-Vince-c-Matt-Lincoln.jpg?fit=640%2C360&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24876","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24876"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24876\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media\/24878"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24876"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24876"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24876"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}