{"id":25291,"date":"2018-05-30T00:06:00","date_gmt":"2018-05-30T03:06:00","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=25291"},"modified":"2018-05-29T21:03:02","modified_gmt":"2018-05-30T00:03:02","slug":"ha-algo-em-comum-entre-maio-de-2018-e-junho-de-2013","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2018\/05\/30\/ha-algo-em-comum-entre-maio-de-2018-e-junho-de-2013\/","title":{"rendered":"H\u00e1 algo em comum entre maio de 2018 e junho de 2013?"},"content":{"rendered":"<div id=\"viewlet-below-content-title\">\n<div id=\"parent-fieldname-description\" class=\"documentDescription\">Pauta reacion\u00e1ria ganhou for\u00e7a quando entidades pediram para caminhoneiros deixarem bloqueios. Em 2013, MPL deixou atos por causa de &#8220;ares fascistas&#8221;<\/div>\n<\/div>\n<p>S\u00e3o pessoas que querem derrubar o governo. Eu n\u00e3o tenho nada a ver com essas pessoas&#8221;, diz uma entidade sobre a continuidade das manifesta\u00e7\u00f5es. &#8220;Muita gente da direita, com pautas que a gente discorda totalmente, est\u00e3o se aproveitando dos atos&#8221;, argumenta outra.<\/p>\n<p>Embora semelhantes, as declara\u00e7\u00f5es surgem de vozes e contextos muito distintos. A primeira \u00e9 do\u00a0presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Caminhoneiros (Abcam), Jos\u00e9 da Fonseca Lopes, sobre os atos e as press\u00f5es de caminhoneiros aut\u00f4nomos<a class=\"internal-link\" title=\"\" href=\"https:\/\/www.cartacapital.com.br\/sociedade\/grupo-de-caminhoneiros-ignora-acordo-e-pede-intervencao-militar-na-paulista\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00a0em defesa de uma interven\u00e7\u00e3o militar\u00a0<\/a>no Pa\u00eds, manifesta\u00e7\u00e3o frequente ao longo da greve da categoria e que ganhou f\u00f4lego na segunda-feira 28, ap\u00f3s entidades anunciarem um acordo com o governo para reduzir o pre\u00e7o do diesel em 46 centavos pelos pr\u00f3ximos dois meses.<\/p>\n<p>A segunda, de cinco anos atr\u00e1s, \u00e9 de um integrante do Movimento Passe Livre, principal organiza\u00e7\u00e3o por tr\u00e1s das manifesta\u00e7\u00f5es de\u00a0junho de 2013. O MPL decidiu sair das ruas ap\u00f3s impedir o aumento de 20 centavos da tarifa do transporte p\u00fablico. Um dos motivos alegados era de que as manifesta\u00e7\u00f5es passavam a ganhar &#8220;ares fascistas&#8221; com a presen\u00e7a de grupos conservadores.<\/p>\n<p>As semelhan\u00e7as entre os dois per\u00edodos t\u00eam sido debatidas com frequ\u00eancia por intelectuais e cidad\u00e3os, mas h\u00e1 muitos elementos que distinguem os dois momentos. H\u00e1 uma grande diferen\u00e7a entre uma categoria sindical engajada na defesa de demandas corporativas e um movimento horizontal que elege a pauta da amplia\u00e7\u00e3o e do acesso ao transporte p\u00fablico.<\/p>\n<p>O maior estofo t\u00e9orico do MPL sobre a pauta que defendem tamb\u00e9m impede compara\u00e7\u00f5es com entidades de caminhoneiros, que revelam conhecimento limitado sobre as origens e as causas do aumento dos combust\u00edveis, especialmente a respeito dos efeitos da pol\u00edtica de pre\u00e7os da Petrobras sobre o alto valor do diesel nas bombas.<\/p>\n<p>Embora o MPL e as entidades de caminhoneiros pouco se pare\u00e7am, os resultados de suas vit\u00f3rias foram sucedidos pela ida de grupos conservadores radicais \u00e0s ruas. O Passe Livre deixou os atos ap\u00f3s barrar o aumento dos pre\u00e7os do transporte, mas as energias pol\u00edticas liberadas pelas jornadas de junho abriram espa\u00e7o para manifestantes reacion\u00e1rios se engajarem.<\/p>\n<p>Da mesma forma, a redu\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o do diesel n\u00e3o foi suficiente para acalmar parte dos caminhoneiros, que viram no caos instaurado uma janela de oportunidade para afirmar suas prefer\u00eancias pol\u00edticas mais radicais.<\/p>\n<p>Segundo o cientista pol\u00edtico William Nozaki, professor da Funda\u00e7\u00e3o Escola de Sociologia e Pol\u00edtica de S\u00e3o Paulo (FESP-SP), ambos os per\u00edodos foram marcados por atos de manifestantes com perfil heterog\u00eano e que contestam a representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica tradicional, al\u00e9m de se beneficiarem de novas tecnologias digitais para convocar protestos. Se h\u00e1 cinco anos, as redes sociais serviam de principal plataforma de mobiliza\u00e7\u00e3o, agora o WhatsApp domina a cena.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 tudo. Em 2013, quando as manifesta\u00e7\u00f5es ganharam ades\u00e3o de setores conservadores, a esquerda resolveu abandonar os atos, abrindo m\u00e3o da disputa pelas ruas, diz Nozaki. Desta vez, segundo o pesquisador, n\u00e3o foi muito diferente. &#8220;O pr\u00e9-julgamento de setores da esquerda sobre o movimento grevista permitiu \u00e0 direita abrir canais de di\u00e1logo e tirar melhor proveito pol\u00edtico.&#8221;<\/p>\n<p>Por outro lado,\u00a0Pablo Ortellado, professor de gest\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas da USP e co-autor do livro\u00a0<em>Vinte Centavos: A Luta Contra o Aumento<\/em>, sobre as manifesta\u00e7\u00f5es de junho de 2013, n\u00e3o v\u00ea semelhan\u00e7as entre os dois momentos. Segundo ele, a direita levou um ano e meio depois para se mobilizar, ao contr\u00e1rio dos grevistas atuais. &#8220;A primeira mobiliza\u00e7\u00e3o significativa da direita foi em dezembro de 2014. Nesse momento o movimento anticorrup\u00e7\u00e3o n\u00e3o era de direita. Ele ficou um ano e meio \u00f3rf\u00e3o&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do perfil heterog\u00eaneo, os grevistas de 2018 e os manifestantes de junho de 2013 n\u00e3o respondiam a uma hierarquia clara, mas por motivos distintos. Enquanto o MPL se esfor\u00e7ava para afirmar sua horizontalidade e negar a exist\u00eancia de lideran\u00e7as no movimento, entidades como a Abcam n\u00e3o s\u00e3o reconhecidas como representantes de muitos dos aut\u00f4nomos que participam dos bloqueios.<\/p>\n<p>A falta de lideran\u00e7as no movimento grevista \u00e9 confirmada por\u00a0Norival de Almeida Silva, presidente da Federa\u00e7\u00e3o dos Caminhoneiros Aut\u00f4nomos de Cargas em Geral do Estado de S\u00e3o Paulo (Fetrabens).\u00a0&#8220;Se hoje temos 500 pontos de bloqueio, temos 500 lideran\u00e7as diferentes, que podem se falar por WhatsApp. Talvez nem se conhe\u00e7am&#8221;.<\/p>\n<p>De acordo com ele, as entidades nunca tiveram o movimento &#8220;nas m\u00e3os&#8221;. &#8220;Mesmo que eu tivesse a capacidade de visitar todos os pontos parados, eu n\u00e3o conseguiria desbloquear tudo&#8221;, diz Almeida Silva. &#8220;Mas eu n\u00e3o posso lavar as m\u00e3os, porque a minha entidade tem a obriga\u00e7\u00e3o de continuar ouvindo a categoria e buscar uma solu\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p><em><strong>Leia tamb\u00e9m:<br \/>\n<a class=\"internal-link\" title=\"\" href=\"https:\/\/www.cartacapital.com.br\/politica\/pedro-parente-entre-o-apoio-do-mercado-e-a-pressao-dos-petroleiros.2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Quem apoia Pedro Parente e quem quer sua demiss\u00e3o?<\/a><br \/>\n<a class=\"internal-link\" title=\"\" href=\"https:\/\/www.cartacapital.com.br\/politica\/201cministro-da-fazenda201d-de-bolsonaro-defende-privatizar-petrobras\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u201cMinistro da Fazenda\u201d de Bolsonaro defende privatizar Petrobras<\/a><\/strong><\/em><\/p>\n<p><em><strong><span class=\"documentAuthor\">Cr\u00e9dito:\u00a0 Miguel Martins e Rodrigo Martins com colabora\u00e7\u00e3o\u00a0 de Marina Gama Cubas\/ Revista Carta Capital &#8211; dispon\u00edvel na internet 30\/05\/2018<\/span><\/strong>*<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pauta reacion\u00e1ria ganhou for\u00e7a quando entidades pediram para caminhoneiros deixarem bloqueios. Em 2013, MPL deixou atos por causa de &#8220;ares fascistas&#8221; S\u00e3o pessoas que querem derrubar o governo. Eu n\u00e3o tenho nada a ver com essas pessoas&#8221;, diz uma entidade sobre a continuidade das manifesta\u00e7\u00f5es. &#8220;Muita gente da direita, com pautas que a gente discorda [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":25292,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[135],"tags":[],"class_list":{"0":"post-25291","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-clipping"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/prf-greve.jpeg?fit=768%2C512&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25291","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25291"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25291\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media\/25292"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25291"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25291"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25291"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}