{"id":25318,"date":"2018-05-31T00:11:58","date_gmt":"2018-05-31T03:11:58","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=25318"},"modified":"2018-05-30T23:43:24","modified_gmt":"2018-05-31T02:43:24","slug":"por-que-o-crescimento-do-pib-brasileiro-nao-decola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2018\/05\/31\/por-que-o-crescimento-do-pib-brasileiro-nao-decola\/","title":{"rendered":"Por que o crescimento do PIB brasileiro n\u00e3o decola?"},"content":{"rendered":"<div class=\"story-body__inner\">\n<p class=\"story-body__introduction\">O ano de 2018 n\u00e3o come\u00e7ou como os economistas esperavam. A retomada que se desenhou no ano passado, que j\u00e1 era fraca, perdeu f\u00f4lego e provocou uma onda de revis\u00f5es para o desempenho no primeiro trimestre, piora confirmada pelo dado divulgado nesta quarta-feira pelo IBGE.<\/p>\n<p>Entre janeiro e mar\u00e7o, o PIB variou positivamente 0,4% em rela\u00e7\u00e3o ao quarto trimestre do ano passado, descontada a sazonalidade. No fim do ano passado, algumas das estimativas para este in\u00edcio de 2018 passavam de 1%. Em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 2017, o crescimento foi de 1,2%, bem mais modesto do que os 2,1% registrados no intervalo entre outubro e dezembro, tamb\u00e9m na compara\u00e7\u00e3o com igual per\u00edodo do ano anterior.<\/p>\n<p>Entre os principais fatores de frustra\u00e7\u00e3o, pelo lado da demanda, est\u00e1 o consumo das fam\u00edlias, que representa 60% do PIB e cresceu apenas 0,5% em rela\u00e7ao ao trimestre anterior, afetado negativamente pelo desemprego mais elevado do que se esperava.<\/p>\n<p>Esse freio no consumo se manifesta especialmente nos servi\u00e7os, que, nos tr\u00eas primeiros meses do ano, tiveram desempenho muito aqu\u00e9m do que se previa &#8211; cen\u00e1rio antecipado pelas divulga\u00e7\u00f5es mensais da Pesquisa Mensal de Servi\u00e7os (PMS) e reiterada pelo PIB divulgado nesta quarta &#8211; varia\u00e7\u00e3o de apenas 0,1%.<\/p>\n<div id=\"ns_chart_PIBresultados\">\n<div id=\"5b0f5f01ea091\"><\/div>\n<\/div>\n<p>A alta do d\u00f3lar, que encarece as importa\u00e7\u00f5es de m\u00e1quinas e equipamentos, e a constru\u00e7\u00e3o civil, que j\u00e1 vinha enfrentando dificuldade para se recuperar, afetaram negativamente os investimentos, que desaceleraram de 2,1% no fim de 2017 para 0,6% entre janeiro e mar\u00e7o, na compara\u00e7\u00e3o contra o trimestre imediatamente anterior.<\/p>\n<p>As estimativas preliminares para o restante do ano eram melhores, j\u00e1 que as previs\u00f5es para o PIB de 2018 estava na casa de 2,5%. A paralisa\u00e7\u00e3o de caminhoneiros, entretanto, deve ter impacto negativo importante neste segundo trimestre e pode afetar o crescimento do ano.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Informalidade e desemprego<\/h2>\n<p>Uma das raz\u00f5es para a desacelera\u00e7\u00e3o do consumo vem do mercado de trabalho.<\/p>\n<p>O pa\u00eds tem dificuldade para criar novas vagas, especialmente com carteira assinada. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios (Pnad) Cont\u00ednua mostra alguma recupera\u00e7\u00e3o na ocupa\u00e7\u00e3o desde junho do ano passado, quando, depois de 22 meses consecutivos de retra\u00e7\u00e3o &#8211; ou seja, de redu\u00e7\u00e3o no volume de pessoas empregadas &#8211; ela voltou a cresceu.<\/p>\n<p>Essa retomada, contudo, se d\u00e1 por meio do trabalho informal e do trabalho aut\u00f4nomo, categorias mais prec\u00e1rias. Desde fevereiro de 2015, o trabalho com carteira na Pnad Cont\u00ednua est\u00e1 em terreno negativo.<\/p>\n<div id=\"ns_chart_EmpregoPIB\">\n<div id=\"5b0f5f02470dd\"><\/div>\n<\/div>\n<p>&#8220;O aumento da informalidade, ainda que represente alguma gera\u00e7\u00e3o de emprego, tamb\u00e9m segura o consumo, j\u00e1 que o risco de ser demitido \u00e9 maior&#8221;, pondera o economista Marco Caruso, do banco Pine. Ele chegou a estimar alta de 0,9% para o PIB no primeiro trimestre.<\/p>\n<p>PIB menor, por sua vez, significa taxa de desemprego maior. Em paralelo \u00e0 revis\u00e3o do crescimento de 3% para 2% para o ano, o banco Ita\u00fa elevou tamb\u00e9m a expectativa para o desemprego, de 11,7% para 12,1% no fim de 2018 e de 12% para 12,3% na m\u00e9dia do ano.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c0 medida que a demanda cresce menos, as empresas precisam de menos contrata\u00e7\u00f5es&#8221;, explica o economista Artur Passos.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Renda cresce menos<\/h2>\n<p>Quem est\u00e1 empregado v\u00ea a renda crescendo menos. Em 2017, os reajustes salariais que levavam em conta a infla\u00e7\u00e3o mais alta de 2016 ganharam incremento que n\u00e3o se repete neste ano.<\/p>\n<p>&#8220;No ano passado, os sal\u00e1rios se beneficiaram pelo &#8216;b\u00f4nus desinflacion\u00e1rio&#8217; e o consumo foi incentivado pela libera\u00e7\u00e3o dos saldos das contas inativas do FGTS, dois fatores at\u00edpicos que a gente n\u00e3o v\u00ea neste ano&#8221;, ressalta Silvia Matos, pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (Ibre-FGV).<\/p>\n<div id=\"ns_chart_renda\">\n<div id=\"5b0f5f1933c15\"><\/div>\n<\/div>\n<p>No ano passado, a massa de renda real (descontada a infla\u00e7\u00e3o) calculada pelo Ibre-FGV avan\u00e7ou 5,5%. A proje\u00e7\u00e3o para este ano \u00e9 de apenas 0,5%. &#8220;S\u00f3 isso j\u00e1 faria 2018 crescer menos&#8221;.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Cr\u00e9dito n\u00e3o deslancha<\/h2>\n<p>Se a renda sobe menos, o cr\u00e9dito tamb\u00e9m n\u00e3o alavanca o consumo &#8211; mesmo com taxas de juros mais baixas.<\/p>\n<p>O ciclo de corte da taxa b\u00e1sica de juros, a Selic, vinha se refletindo em redu\u00e7\u00e3o do custo de cr\u00e9dito para fam\u00edlias e empresas desde outubro de 2016, diz a professora da Coppead\/UFRJ Margarida Gutierrez, ainda que em uma velocidade menor.<\/p>\n<p>Esse ciclo, no entanto, pode arrefecer ainda mais nos pr\u00f3ximos meses. Os indicadores de confian\u00e7a financeiros t\u00eam dado sinal de alerta, diz a economista, com alta nos juros futuros de longo prazo.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/99CF\/production\/_101757393_cartaocreditopib.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/99CF\/production\/_101757393_cartaocreditopib.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Cart\u00e3o de cr\u00e9dito\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Consumo teve ajuda do saque das contas inativas do FGTS e do &#8216;b\u00f4nus desinflacion\u00e1rio&#8217;, fatores at\u00edpicos que n\u00e3o se repetem em 2018.Direito de imagem\u00a0GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Isso significa que o mercado aposta em um aumento das taxas mais \u00e0 frente &#8211; diante, por exemplo, de um cen\u00e1rio eleitoral ainda bastante incerto, que aumenta as d\u00favidas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s reformas que, para os investidores, garantiriam o reequil\u00edbrio das contas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>&#8220;O custo do cr\u00e9dito tamb\u00e9m toma esses indicadores como base&#8221;, ressalta a economista.<\/p>\n<p>Para Caruso, do banco Pine, por\u00e9m, ainda h\u00e1 espa\u00e7o para que os efeitos positivos da queda da Selic &#8211; um ciclo que se encerrou possivelmente neste m\u00eas, quando o Banco Central decidiu mant\u00ea-la em 6,5% &#8211; se manifestem sobre a atividade econ\u00f4mica, j\u00e1 que seu impacto \u00e9 defasado.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Mudan\u00e7a no cen\u00e1rio externo<\/h2>\n<p>O crescimento de 1% do PIB em 2017 &#8211; um resultado magro, diante da retra\u00e7\u00e3o de 3,5% da atividade tanto em 2015 quanto em 2016 &#8211; teve ajuda do cen\u00e1rio internacional, que manteve as cota\u00e7\u00f5es do d\u00f3lar e do petr\u00f3leo mais comportados.<\/p>\n<p>O Brasil n\u00e3o vai poder contar com esse aux\u00edlio em 2018. O d\u00f3lar mais caro, diz Silvia Matos, do Ibre-FGV, em um primeiro momento tem impacto negativo sobre a ind\u00fastria, j\u00e1 que aumenta o pre\u00e7o das importa\u00e7\u00f5es e dificulta, por exemplo, a compra de m\u00e1quinas e equipamentos l\u00e1 fora.<\/p>\n<p>As exporta\u00e7\u00f5es poderiam ser beneficiadas no m\u00e9dio prazo, j\u00e1 que a desvaloriza\u00e7\u00e3o do real deixa os produtos brasileiros mais baratos em d\u00f3lar &#8211; o problema \u00e9 que as moedas da maioria dos emergentes tamb\u00e9m perdeu valor, reduzindo o ganho de competitividade do Brasil.<\/p>\n<p>&#8220;E exporta\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 tanto c\u00e2mbio, \u00e9 cada vez mais acordos (entre pa\u00edses e blocos comerciais)&#8221;, acrescenta a economista.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/4BAF\/production\/_101757391_industriapib.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/4BAF\/production\/_101757391_industriapib.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Ind\u00fastria\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">D\u00f3lar mais caro prejudica importa\u00e7\u00f5es de m\u00e1quinas e equipamentos pela ind\u00fastria e tem efeito negativo sobre investimentos.\u00a0Direito de imagem\u00a0GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Diante dessa conjuntura, o Ibre-FGV havia revisado para baixo a expectativa para o resultado da ind\u00fastria no primeiro trimestre, de um n\u00famero ligeiramente positivo para queda de 0,5%.<\/p>\n<p>A crise na Argentina, mercado importante para os ve\u00edculos fabricados no Brasil, n\u00e3o chegou a afetar negativamente as exporta\u00e7\u00f5es nos primeiros tr\u00eas meses do ano, destaca Artur Passos, do Ita\u00fa, mas \u00e9 outra frente que deve ser monitorada.<\/p>\n<p>Entre o quarto trimestre de 2017 e o primeiro deste ano, as exporta\u00e7\u00f5es cresceram 1,3% na compara\u00e7\u00e3o com o per\u00edodo imediatamente anterior.<\/p>\n<p>Todo esse cen\u00e1rio oferece pouco incentivo para a retomada dos investimentos. Dentro do PIB, destaca Matos, 55% da Forma\u00e7\u00e3o Bruta de Capital Fixo (os investimentos) v\u00eam do setor de constru\u00e7\u00e3o civil, &#8220;que j\u00e1 estava ruim e continuou assim&#8221;, ela destaca.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Greve e risco eleitoral<\/h2>\n<p>Os economistas t\u00eam previs\u00f5es melhores para os pr\u00f3ximos trimestres, mas os riscos para o cen\u00e1rio at\u00e9 o fim do ano podem crescer.<\/p>\n<p>O segundo trimestre pode ser em parte prejudicado pela greve de caminhoneiros, pondera a economista do Ibre-FGV, que em uma semana provocou preju\u00edzos para o setor industrial e do agroneg\u00f3cio.<\/p>\n<p>Para o segundo semestre, as elei\u00e7\u00f5es podem jogar contra a atividade. Caso a incerteza que se desenha neste in\u00edcio de ano se exacerbe &#8211; e n\u00e3o fique claro qual vai ser o caminho que a economia do pa\u00eds vai tomar nos pr\u00f3ximos quatro anos -, ela pode elevar o risco-pa\u00eds e deteriorar as condi\u00e7\u00f5es financeiras.<\/p>\n<p><strong><span class=\"byline__name\">Cr\u00e9dito: Camilla Veras Mota d<\/span><span class=\"byline__title\">a BBC Brasil em S\u00e3o Paulo &#8211; dispon\u00edvel na internet 31\/05\/2018<\/span><\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ano de 2018 n\u00e3o come\u00e7ou como os economistas esperavam. A retomada que se desenhou no ano passado, que j\u00e1 era fraca, perdeu f\u00f4lego e provocou uma onda de revis\u00f5es para o desempenho no primeiro trimestre, piora confirmada pelo dado divulgado nesta quarta-feira pelo IBGE. 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