{"id":25426,"date":"2018-06-04T00:10:45","date_gmt":"2018-06-04T03:10:45","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=25426"},"modified":"2018-06-03T09:28:04","modified_gmt":"2018-06-03T12:28:04","slug":"junho-de-2013-e-um-mes-que-nao-terminou","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2018\/06\/04\/junho-de-2013-e-um-mes-que-nao-terminou\/","title":{"rendered":"Junho de 2013 \u00e9 um m\u00eas que n\u00e3o terminou"},"content":{"rendered":"<p class=\"story-body__introduction\">Dezessete dias separaram os an\u00fancios dos aumentos das tarifas de \u00f4nibus, metr\u00f4 e trens em S\u00e3o Paulo e no Rio de Janeiro, em 2 de junho de 2013, e a revoga\u00e7\u00e3o da decis\u00e3o, no dia 19 daquele mesmo m\u00eas.<\/p>\n<p>Entre as duas datas, aconteceu uma das maiores mobiliza\u00e7\u00f5es coletivas da hist\u00f3ria recente brasileira que, mesmo sem ter sido completamente entendida, produz consequ\u00eancias at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>Para o sistema pol\u00edtico, a consequ\u00eancia mais imediata dos protestos foi a dr\u00e1stica e imediata redu\u00e7\u00e3o na aprova\u00e7\u00e3o do governo da ent\u00e3o presidente Dilma Rousseff (PT). Segundo o Datafolha: a presidente passou de 65% de aprova\u00e7\u00e3o em mar\u00e7o para 30% no final de junho.<\/p>\n<p>Processo semelhante aconteceu com os \u00edndices do ex-governador de S\u00e3o Paulo e hoje candidato \u00e0 presid\u00eancia, Geraldo Alckmin (48% de aprova\u00e7\u00e3o em mar\u00e7o para 38% em julho) e com o ex-prefeito da cidade, Fernando Haddad (de 31% para 18%).<\/p>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/320\/cpsprodpb\/10725\/production\/_90856376_abr200613mcsp-5.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/320\/cpsprodpb\/10725\/production\/_90856376_abr200613mcsp-5.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Protesto em S\u00e3o Paulo em 17\/06\/2013\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Protesto em S\u00e3o Paulo em 17\/06\/2013 &#8211; Protestos de junho de 2013 tiveram uma s\u00e9rie de confrontos entre PM e ativistas.\u00a0Direito de imagem\u00a0AG. BRASIL<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Mas n\u00e3o parou a\u00ed. &#8220;Junho de 2013 \u00e9 um m\u00eas que n\u00e3o terminou&#8221; avalia a soci\u00f3loga \u00c2ngela Alonso, professora da USP e atual presidente do Centro Brasileiro de Pesquisa e Planejamento (Cebrap). H\u00e1 cinco anos, Alonso se dedica a abastecer um banco de dados com entrevistas, medi\u00e7\u00f5es de protestos, recortes de jornais e demandas postas nas ruas referentes \u00e0quele m\u00eas.<\/p>\n<p>&#8220;O que estamos assistindo desde 2013 s\u00e3o tentativas de estabiliza\u00e7\u00e3o que logo se mostram equivocadas. At\u00e9 a elei\u00e7\u00e3o n\u00e3o teremos esse processo encerrado e \u00e9 dif\u00edcil saber se em algum momento ele ser\u00e1&#8221;, afirma ela em entrevista \u00e0 BBC Brasil.<\/p>\n<p>Confira os melhores trechos abaixo:<\/p>\n<p><strong>BBC Brasil &#8211; O Brasil saiu de junho de 2013?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00c2ngela Alonso &#8211;\u00a0<\/strong>A crise desencadeada ali n\u00e3o acabou. Ainda temos consequ\u00eancias de m\u00e9dio e longo prazo do que aconteceu. Normalmente usamos a ideia de crise para falar de fen\u00f4menos agudos que acontecem em um tempo curto, ent\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil dizer se temos uma grande crise ou uma sequ\u00eancia de crises desde 2013. O que costuma acontecer em crises \u00e9 uma desorganiza\u00e7\u00e3o dos arranjos pol\u00edticos, da maneira usual de tomar decis\u00e3o, os procedimentos comuns j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o mais claros para os atores, enfim, uma grande volatilidade. Isso faz com que a incerteza cres\u00e7a para todo mundo. O que estamos assistindo desde 2013 s\u00e3o tentativas de estabiliza\u00e7\u00e3o que logo se mostram equivocadas. At\u00e9 a elei\u00e7\u00e3o n\u00e3o teremos esse processo encerrado e \u00e9 dif\u00edcil saber se a elei\u00e7\u00e3o conseguir\u00e1 encerr\u00e1-lo. Depende de quem ganhar.<\/p>\n<p><strong>BBC Brasil &#8211; As ci\u00eancias sociais j\u00e1 conseguiram entender o que aconteceu naquele m\u00eas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Alonso &#8211;\u00a0<\/strong>Existem tr\u00eas leituras que apareceram j\u00e1 em 2013 e que continuam se recolocando. Uma frisou muito as causas, tentando explicar o que teria produzido junho. Apareceu muita coisa sobre a crise de representa\u00e7\u00e3o, a ascens\u00e3o de novos grupos sociais, como uma nova classe m\u00e9dia, ou seja, explica\u00e7\u00f5es que lidaram com a raiz de junho. Outra perspectiva se fixou nos atores. Muita gente falou no Movimento Passe Livre (MPL), por exemplo, como se a crise pudesse ser circunscrita a um \u00fanico ator. \u00c9 at\u00e9 paradoxal que se tenha escrito tanto sobre um movimento t\u00e3o pequeno que fez uma campanha tamb\u00e9m relativamente pequena. Essas an\u00e1lises se prolongaram em estudos sobre as novas m\u00eddias, como a M\u00eddia Ninja, e para o aparecimento de bandeiras mais \u00e0 direita nos protestos subsequentes. A terceira linha de explica\u00e7\u00e3o, a qual eu me filio, tenta entender o processo. Ela tenta mostrar como v\u00e3o aparecendo novos atores e novos temas, na medida em que o ciclo do protesto vai se desdobrando, sem que seja poss\u00edvel circunscrev\u00ea-lo a uma s\u00f3 bandeira.<\/p>\n<p><strong>BBC Brasil &#8211; O professor Breno Bringel, da UERJ, criticou a an\u00e1lise das mobiliza\u00e7\u00f5es sociais por focar apenas nos seus &#8220;resultados mensur\u00e1veis&#8221;, como poss\u00edveis mudan\u00e7as eleitorais. A compreens\u00e3o de junho de 2013 enfrenta esse desafio?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Alonso &#8211;\u00a0<\/strong>\u00c9 muito dif\u00edcil dizer que um movimento social espec\u00edfico causou um resultado espec\u00edfico, porque a gente tem, sobretudo nas grandes mobiliza\u00e7\u00f5es, muitos fatores contribuindo para o resultado ao mesmo tempo. \u00c9 muito dif\u00edcil isolar um fator decisivo e poder dizer que ele causou uma mudan\u00e7a. No caso de junho, os efeitos imediatos at\u00e9 s\u00e3o mais tang\u00edveis (as tarifas de \u00f4nibus baixaram durante os protestos), mas s\u00e3o menos mensur\u00e1veis no longo prazo (as tarifas subiram depois). Houve o represamento dos pre\u00e7os na crise, mas n\u00e3o uma coisa que possa ser chamada de &#8220;vit\u00f3ria&#8221; da mobiliza\u00e7\u00e3o. Uma consequ\u00eancia pol\u00edtica mais vis\u00edvel \u00e9 que ele trouxe para rua uma parte dos cidad\u00e3os que n\u00e3o vinha se manifestando antes.<\/p>\n<p><strong>BBC Brasil &#8211; H\u00e1 rela\u00e7\u00e3o entre junho de 2013 e mobiliza\u00e7\u00f5es ocorridas no Oriente M\u00e9dio, na Europa e nos EUA nos anos anteriores?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Alonso &#8211;\u00a0<\/strong>Desde a chamada &#8220;Batalha de Seattle&#8221;, em 1999, temos as chamadas mobiliza\u00e7\u00f5es globais. Ali se estabeleceu um novo estilo de protesto que vem sendo usado em v\u00e1rios pa\u00edses desde ent\u00e3o. Ele \u00e9 mais midi\u00e1tico, recorre a recursos art\u00edsticos, tem pautas gen\u00e9ricas sem uma demanda \u00fanica mais clara, usa diferentes estrat\u00e9gias de a\u00e7\u00e3o e \u00e9 formado por diferentes grupos. O que aconteceu em Seattle se tornou famoso por causa dos confrontos entre parte dos manifestantes que usou a t\u00e1tica black bloc e as autoridades. Mas o importante \u00e9 que ali estavam em uso v\u00e1rias t\u00e1ticas diferentes, v\u00e1rias causas diferentes e que adquiriram visibilidade por causa de um grande evento internacional (reuni\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio) em curso paralelamente. Ao longo de uma d\u00e9cada e meia, muitas manifesta\u00e7\u00f5es seguiram essa linha pelo mundo e foram umas impulsionando as outras. Elas foram sendo agendadas por ativistas que combinavam estrat\u00e9gias, localiza\u00e7\u00f5es e t\u00e1ticas, como a de ocupar um espa\u00e7o f\u00edsico, por exemplo. Foram os casos do 15-M, em Madri, ocupando a Plaza Puerta del Sol, e o Ocuppy, em Nova York, no Zuccotti Park. Algumas estrat\u00e9gias v\u00e3o sendo testadas e repetidas em outros lugares. Claro que cada um desses lugares tem suas raz\u00f5es de fundo para as emerg\u00eancias do fen\u00f4meno, mas existe um efeito domin\u00f3 em que o racioc\u00ednio \u00e9: &#8220;deu certo l\u00e1, de repente d\u00e1 certo aqui&#8230;&#8221;.<\/p>\n<p><strong>BBC Brasil &#8211; A estrat\u00e9gia black bloc surgiu no Brasil apenas em junho de 2013?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Alonso &#8211;\u00a0<\/strong>A t\u00e1tica surgiu com o nome &#8220;black bloc&#8221; nos anos 1980, na Alemanha, j\u00e1 com as caracter\u00edsticas que reapareceram em v\u00e1rios protestos posteriores e que ganharam visibilidade internacional em Seattle, em 1999. No Brasil, j\u00e1 tinha sido usada em alguns pequenos protestos anteriores, mas ficou conhecida nacionalmente em junho de 2013. As caracter\u00edsticas da t\u00e1tica black bloc s\u00e3o ataques a s\u00edmbolos do capitalismo internacional, como bancos e redes fast-food, e a s\u00edmbolos do Estado, porque ela carrega uma origem anarquista, uma nega\u00e7\u00e3o de que s\u00f3 o Estado tem o monop\u00f3lio leg\u00edtimo da viol\u00eancia. O que surpreendeu as autoridades em Seattle \u00e9 o uso dessa t\u00e1tica no interior de protestos que eram, em princ\u00edpio, ordeiros. Aqui, as autoridades n\u00e3o estavam preparadas para lidar com ela. O que aconteceu em junho no Brasil foi uma grande perplexidade das autoridades pol\u00edticas &#8211; prefeito, governador e presidente n\u00e3o sabiam o que fazer diante de uma t\u00e9cnica de protesto incomum &#8211; e das autoridades policiais tamb\u00e9m.<\/p>\n<p><strong>BBC Brasil &#8211; Essa surpresa foi respons\u00e1vel por uma repress\u00e3o excessiva da Pol\u00edcia Militar?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Alonso &#8211;\u00a0<\/strong>Um dos epis\u00f3dios interessantes de junho foi quando as for\u00e7as policiais tentaram negociar um percurso do protesto com os manifestantes. Como n\u00e3o havia um \u00fanico movimento na rua, mas um conjunto deles, a negocia\u00e7\u00e3o foi feita com uma fra\u00e7\u00e3o que talvez at\u00e9 tenha cumprido o acordo, mas n\u00e3o com todos. Em junho, as pessoas se referiam ao &#8220;grupo black bloc&#8221; ou &#8220;aos black blocs&#8221; como se fossem uma comunidade com identidade pr\u00f3pria e que, assim, seria poss\u00edvel rastrear e isolar essas pessoas. O que se viu, sobretudo no final das manifesta\u00e7\u00f5es de junho, foi um monte de gente colocando um len\u00e7o no rosto e &#8220;virando&#8221; black bloc. Quer dizer: elas passaram a usar a t\u00e1tica black bloc porque \u00e9 o que ela \u00e9: uma t\u00e1tica, n\u00e3o um grupo. Como \u00e9 uma t\u00e1tica, qualquer um que est\u00e1 na rua pode falar: &#8220;Hoje eu vou fazer isso tamb\u00e9m&#8221;. Assim, voc\u00ea n\u00e3o tem possibilidade de controle como se fosse um grupo, em que basta prender uma lideran\u00e7a ou os membros de um \u00fanico movimento. A repress\u00e3o pode realmente acabar com o protesto e desencorajar as pessoas a voltarem \u00e0s ruas, como pode ter o efeito contr\u00e1rio e atra\u00eddo mais manifestantes. Pensando do ponto de vista das autoridades, houve dois erros estrat\u00e9gicos dos repressores. O primeiro foi ter dosado mal a viol\u00eancia utilizada e os seus alvos. Ela n\u00e3o afetou apenas manifestantes, mas tamb\u00e9m a imprensa. Ao fazer isso, gerou uma virada na cobertura midi\u00e1tica do protesto vis\u00edvel j\u00e1 nos jornais do dia seguinte. O segundo erro foi a estrat\u00e9gia de repress\u00e3o utilizada: a de &#8220;confinamento&#8221;, isto \u00e9, o fechamento das sa\u00eddas pelas ruas laterais da Avenida Paulista e das esta\u00e7\u00f5es de metr\u00f4. Isso gerou um &#8220;beco sem sa\u00edda&#8221; televisionado, transmitido ao vivo nas redes sociais, em que as pessoas estavam em situa\u00e7\u00f5es de p\u00e2nico porque n\u00e3o podiam fugir das bombas de g\u00e1s. Essas duas coisas produziram um efeito de propaganda pr\u00f3-protesto, porque o cidad\u00e3o comum ficou indignado.<\/p>\n<p><strong>BBC Brasil &#8211; Por que tinham tantas demandas diferentes nas ruas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Alonso &#8211;\u00a0<\/strong>O que minha pesquisa tem apontado \u00e9 que havia tr\u00eas grandes campos nas ruas. Tinham os grupos mais novos, que comp\u00f5em o campo que chamo de &#8220;autonomistas&#8221;, como o MPL, que chegaram com formas mais contempor\u00e2neas de protestar inspiradas na sequ\u00eancia de protestos globais p\u00f3s-Seattle. Eles chegaram primeiro \u00e0s ruas, causaram perplexidade com o uso da t\u00e1tica black bloc e ficaram mobilizados porque as autoridades n\u00e3o souberam reagir. Por\u00e9m, eram poucos. Nos dias seguintes, j\u00e1 houve a ades\u00e3o de outro campo, que sempre fez protesto no Brasil e que se viu perdendo visibilidade naquele momento: os grupos de orienta\u00e7\u00e3o &#8220;socialista&#8221;. J\u00e1 existia ali uma heterogeneidade nas ruas, porque n\u00e3o era a mesma gente e, inclusive, os dois campos tinham entrado em conflito. Os grupos socialistas trouxeram pautas em torno das quais eles se mobilizam desde a redemocratiza\u00e7\u00e3o: as pol\u00edticas p\u00fablicas e a agenda redistributiva, enquanto os grupos autonomistas n\u00e3o estavam mais vinculados \u00e0 pauta do transporte, mas em quest\u00f5es como a de g\u00eanero, por exemplo. A virada mais importante, penso eu, aconteceu depois da repress\u00e3o, com o reposicionamento dos grandes ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o, sobretudo o da Globo.<\/p>\n<p><strong>BBC Brasil &#8211; Junho tamb\u00e9m solidificou a simbologia das manifesta\u00e7\u00f5es posteriores: o vermelho, o verde e amarelo, o preto. Como isso se construiu nas ruas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Alonso &#8211;\u00a0<\/strong>Se havia em um primeiro momento os grupos autonomistas de preto, com uma est\u00e9tica meio punk, depois os grupos socialistas com suas bandeiras vermelhas, essas pessoas que chegaram por \u00faltimo n\u00e3o se identificaram com nenhuma cor, e como muitos desses grupos n\u00e3o tinham seus pr\u00f3prios s\u00edmbolos, recorreram \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o. A\u00ed os dois grandes movimentos que falamos, o da Diretas J\u00e1! e o do impeachment do Collor, foram muito importantes na constru\u00e7\u00e3o da \u00faltima fase do protesto. Das Diretas J\u00e1! veio toda a simbologia nacional, o &#8220;verde-amarelismo&#8221; &#8216;que j\u00e1 tinha sido recuperado em parte durante os protestos contra o Collor com as pinturas faciais, e dos protestos do &#8220;Fora Collor&#8221; se recuperou a agenda da \u00e9tica na pol\u00edtica. Mas em junho, diante de um monte de bandeiras nas ruas, o que agregou aqueles que queriam menos Estado, menos burocracia, menos pol\u00edtico e menos PT foi a agenda da corrup\u00e7\u00e3o. \u00c9 por isso que podemos ver como junho estruturou o que est\u00e1 acontecendo at\u00e9 agora no Brasil: a agenda da corrup\u00e7\u00e3o e a pr\u00f3pria solu\u00e7\u00e3o do impeachment fazem parte do conjunto de elementos recuperados dos movimentos do passado.<\/p>\n<p><strong>BBC Brasil &#8211; O grupo de &#8220;patriotas&#8221; das ruas se sobrepuseram aos demais?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Alonso &#8211;\u00a0<\/strong>Dentro do campo patriota h\u00e1 v\u00e1rios grupos com agendas aut\u00f4nomas entre si, mas como &#8220;campo&#8221;, ele ganhou, porque o que aconteceu na sequ\u00eancia foi o predom\u00ednio deles. Em 2014 e em 2015, os patriotas passaram a fazer manifesta\u00e7\u00f5es sozinhos, quando os autonomistas e os socialistas n\u00e3o estavam mais nas ruas. Depois, quando a campanha anti-PT e anti-Dilma j\u00e1 estava avan\u00e7ada, o campo socialista voltou em defesa ao governo. Uma defesa t\u00edbia, em que pesava mais a defesa de uma agenda que da pessoa da presidente. A esquerda demorou muito para se articular na defesa do governo e, quando o fez, reuniu menos gente do que o campo oposto. Isso vai em um crescente at\u00e9 o impeachment da Dilma, depois disso, todas as manifesta\u00e7\u00f5es esvaziaram.<\/p>\n<p><strong>BBC Brasil &#8211; O volume de pessoas nas ruas durante aquele m\u00eas indica o fracasso dos mecanismos de participa\u00e7\u00e3o popular institucionais da constitui\u00e7\u00e3o de 1988?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Alonso &#8211;\u00a0<\/strong>Talvez o Brasil seja o pa\u00eds no mundo que mais tenha essas inst\u00e2ncias de participa\u00e7\u00e3o, mas esse modelo exige duas coisas que o cidad\u00e3o comum hoje n\u00e3o tem: tempo e conhecimento especializado.<\/p>\n<p><strong>BBC Brasil &#8211; A paralisa\u00e7\u00e3o de caminhoneiros poderia gerar um novo ciclo de protesto como foi junho de 2013?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Alonso &#8211;\u00a0<\/strong>H\u00e1 semelhan\u00e7as: come\u00e7ou com os transportes e passou a abranger outros temas, n\u00e3o h\u00e1 organiza\u00e7\u00e3o central, mas uma pluralidade de grupos, a comunica\u00e7\u00e3o pela internet tem sido usada para chamar manifestantes e o governo est\u00e1 perplexo e batendo cabe\u00e7a. O processo ainda est\u00e1 correndo, ent\u00e3o n\u00e3o d\u00e1 para saber no que vai dar.<\/p>\n<figure id=\"attachment_25431\" aria-describedby=\"caption-attachment-25431\" style=\"width: 280px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/junho-2013-1.jpg\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-25431 size-full\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/junho-2013-1.jpg?resize=280%2C191\" alt=\"\" width=\"280\" height=\"191\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/junho-2013-1.jpg?w=280&amp;ssl=1 280w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/junho-2013-1.jpg?resize=218%2C150&amp;ssl=1 218w\" sizes=\"auto, (max-width: 280px) 100vw, 280px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-25431\" class=\"wp-caption-text\">Manifestantes no teto do\u00a0Congresso Nacional, protestando contra gastos na\u00a0Copa, corrup\u00e7\u00e3o e por melhorias no transporte, na sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o, em 17 de junho.. imagem da web<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong><span class=\"byline__name\">Cr\u00e9dito: Vinicius Mendes e<\/span><span class=\"byline__title\">special para a BBC Brasil- dispon\u00edvel na internet 04\/06\/2018<\/span><\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dezessete dias separaram os an\u00fancios dos aumentos das tarifas de \u00f4nibus, metr\u00f4 e trens em S\u00e3o Paulo e no Rio de Janeiro, em 2 de junho de 2013, e a revoga\u00e7\u00e3o da decis\u00e3o, no dia 19 daquele mesmo m\u00eas. 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