{"id":25436,"date":"2018-06-04T00:06:47","date_gmt":"2018-06-04T03:06:47","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=25436"},"modified":"2018-06-03T09:44:52","modified_gmt":"2018-06-03T12:44:52","slug":"numero-de-crimes-contra-oficiais-de-justica-cresce-desde-os-anos-2000","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2018\/06\/04\/numero-de-crimes-contra-oficiais-de-justica-cresce-desde-os-anos-2000\/","title":{"rendered":"N\u00famero de crimes contra oficiais de justi\u00e7a cresce desde os anos 2000"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>\n<h4 class=\"txt-gray mb-0\"><em>Respons\u00e1veis pelo andamento de processos judiciais, profissionais trabalham sozinhos, sem equipamentos de prote\u00e7\u00e3o individual e em lugares a que nem a pol\u00edcia chega.<\/em><\/h4>\n<\/div>\n<div>Maio de 2006. Uma oficial de justi\u00e7a de 51 anos entregava intima\u00e7\u00f5es quando foi abordada por quatro assaltantes em Samambaia, a 26km do Plano Piloto. Ela reagiu. Acabou baleada na cabe\u00e7a e morreu na hora. Doze anos se passaram e as ocorr\u00eancias de viol\u00eancia contra oficiais de justi\u00e7a aumentaram. N\u00e3o h\u00e1 um monitoramento dos casos, mas as entidades que representam esses profissionais falam em alta de 25% em dois anos. Situa\u00e7\u00f5es de agress\u00f5es e assassinatos s\u00e3o os tipos de ataque mais recorrentes, segundo levantamento da Associa\u00e7\u00e3o dos Oficiais de Justi\u00e7a Avaliadores Federais de Goi\u00e1s.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O mesmo documento conta 145 casos de viol\u00eancia entre 2000 e o ano passado. Em todo o Brasil, h\u00e1 75 mil oficiais de Justi\u00e7a. Eles trabalham sozinhos, v\u00e3o a lugares a que nem a pol\u00edcia chega, usam o pr\u00f3prio carro e raramente contam com algum tipo de equipamento de prote\u00e7\u00e3o individual, como coletes \u00e0 prova de balas. A vulnerabilidade no exerc\u00edcio da profiss\u00e3o se degringolou a tal ponto que entidades da classe de todo o pa\u00eds t\u00eam organizado semin\u00e1rios e debates sobre o tema.<\/div>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\n<div>Nos pr\u00f3ximos dias, Alagoas, Par\u00e1 e Minas Gerais ter\u00e3o eventos do tipo. S\u00e3o Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro s\u00e3o as unidades da Federa\u00e7\u00e3o com mais casos de ataques (veja outros detalhes na arte). Pe\u00e7as-chave para o andamento das a\u00e7\u00f5es judiciais e servidores com f\u00e9 p\u00fablica, eles s\u00e3o os executores das ordens do juiz, mas, quando \u2018fracassam\u2019 na miss\u00e3o, pais n\u00e3o pagam pens\u00e3o aliment\u00edcia, criminosos podem ser absolvidos, acusados escapam de responder pelos crimes e muitos processos param.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O panorama dos casos de viol\u00eancia dos \u00faltimos 17 anos mostra que, no Centro-Oeste, o Distrito Federal \u00e9 o segundo colocado no ranking, com seis v\u00edtimas. Goi\u00e1s lidera com sete. Em Padre Bernardo, munic\u00edpio goiano a 110km de Bras\u00edlia, uma oficial de justi\u00e7a de 43 anos foi assassinada com um tiro na cabe\u00e7a e teve o corpo queimado em um matagal em agosto de 2013. Cinco anos ap\u00f3s o crime, a fam\u00edlia ainda n\u00e3o digeriu a trag\u00e9dia e preferiu n\u00e3o comentar o caso.<\/div>\n<div><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/violencia.jpg\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-25438 size-full\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/violencia.jpg?resize=696%2C312\" alt=\"\" width=\"696\" height=\"312\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/violencia.jpg?w=820&amp;ssl=1 820w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/violencia.jpg?resize=300%2C134&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/violencia.jpg?resize=768%2C344&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/violencia.jpg?resize=696%2C312&amp;ssl=1 696w\" sizes=\"auto, (max-width: 696px) 100vw, 696px\" \/><\/a><\/div>\n<\/div>\n<div>\n<h3>Porte de arma<\/h3>\n<div>No Senado, uma proposta de 2007 que altera o Estatuto do Desarmamento para conceder porte de arma aos oficiais de justi\u00e7a est\u00e1 na Comiss\u00e3o de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores e Defesa Nacional. O armamento divide autoridades p\u00fablicas e os pr\u00f3prios profissionais. \u201cHoje n\u00e3o escolheria essa profiss\u00e3o. A gente sai e n\u00e3o sabe se vai voltar para casa ou em que condi\u00e7\u00f5es vai voltar. Trabalhamos com todo tipo de processo. Isso faz com que lidemos com todo tipo de pessoa\u201d, desabafa o diretor da Associa\u00e7\u00e3o dos Oficiais de Justi\u00e7a Avaliadores Federais, Severino Nascimento de Abreu.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Est\u00e1 mais perigoso, pondera Nemias Freire, presidente da Federa\u00e7\u00e3o Nacional das Associa\u00e7\u00f5es de Oficiais de Justi\u00e7a Avaliadores Federais (Fenassojaf). \u201cDo ponto de vista da seguran\u00e7a \u00e9 o pior momento da profiss\u00e3o. Somos v\u00edtimas do tr\u00e1fico, do assalto, da viol\u00eancia. Evitamos andar com carteira com bras\u00e3o para n\u00e3o sermos confundidos. Antes, ele ia pendurado no pesco\u00e7o\u201d, conta o profissional com 35 anos de atua\u00e7\u00e3o. \u201cEstamos discutindo o direito de porte de arma. Arma n\u00e3o traz seguran\u00e7a. \u00c9 um paliativo\u201d, pondera.\u201cA viol\u00eancia \u00e9 crescente e generalizada. Dos pal\u00e1cios de governo at\u00e9 as favelas ,o risco \u00e9 o mesmo\u201d, critica o diretor da Federa\u00e7\u00e3o Nacional dos Oficiais de Justi\u00e7a (Fenojus), Jo\u00e3o Batista.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u201cO que queremos \u00e9 pelo menos condi\u00e7\u00f5es de defesa, apoio institucional. A arma n\u00e3o resolve o problema, mas o que pode ser feito? Cumprir os mandados com dois colegas, uso de coletes \u00e0 prova de bala?\u201d, questiona. \u201cExercemos uma atividade de risco. Alguns colegas n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de chamar a pol\u00edcia em determinadas situa\u00e7\u00f5es\u201d, conclui. Na capital federal, o presidente do Sindicato dos Oficiais de Justi\u00e7a do Distrito Federal (Sindojus-DF), Gerardo Alves Lima Filho, estima um aumento de 10% nos casos.<\/div>\n<\/div>\n<div>No ano passado, foram 11 ocorr\u00eancias contra oficiais de justi\u00e7a. Este ano, j\u00e1 s\u00e3o oito. \u201cEst\u00e1 mais perigoso e n\u00e3o temos ferramentas para exercer a profiss\u00e3o. Muitas vezes somos v\u00edtimas do destinat\u00e1rio da dilig\u00eancia, em outras, da situa\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia de determinadas regi\u00f5es. Eu trabalho com medo\u201d, destaca.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><strong>PALAVRA DE ESPECIALISTA<\/strong><\/div>\n<div>Walter Ude (<em>professor da Universidade Federal de Minas Gerais, especialista em viol\u00eancia e seguran\u00e7a p\u00fablica)<\/em><\/div>\n<div><em>\u00a0<\/em><\/div>\n<div><em>\u201cNa fronteira da viol\u00eancia\u201d<\/em><\/div>\n<div><em>H\u00e1 um adoecimento entre esses profissionais. Esse \u00e9 um ponto que deve ser avaliado, sobretudo refletindo as condi\u00e7\u00f5es de trabalho. O armamento \u00e9 amb\u00edguo. Ao mesmo tempo que traz seguran\u00e7a, ele gera viol\u00eancia. Eles s\u00e3o profissionais vulner\u00e1veis, mas n\u00e3o sei se isso acaba com o problema. Cria-se uma movimenta\u00e7\u00e3o de maior tens\u00e3o. O contexto de trabalho \u00e9 delicado. Eles trabalham na fronteira da viol\u00eancia. Os oficiais de justi\u00e7a v\u00e3o sozinhos, sem equipamentos e sem apoio. Uma reestrutura\u00e7\u00e3o em condi\u00e7\u00f5es de trabalho e uma metodologia de controle de risco seria mais eficaz que o armamento.<\/em><\/div>\n<div><\/div>\n<div><strong>Cr\u00e9dito:\u00a0<span class=\"ml-10\">Ot\u00e1vio Augusto\/Correio Braziliense &#8211; dispon\u00edvel na internet 04\/06\/2018<\/span><\/strong><\/div>\n<div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Respons\u00e1veis pelo andamento de processos judiciais, profissionais trabalham sozinhos, sem equipamentos de prote\u00e7\u00e3o individual e em lugares a que nem a pol\u00edcia chega. Maio de 2006. Uma oficial de justi\u00e7a de 51 anos entregava intima\u00e7\u00f5es quando foi abordada por quatro assaltantes em Samambaia, a 26km do Plano Piloto. Ela reagiu. 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