{"id":25457,"date":"2018-06-04T00:14:38","date_gmt":"2018-06-04T03:14:38","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=25457"},"modified":"2018-06-04T00:14:38","modified_gmt":"2018-06-04T03:14:38","slug":"chegou-a-hora-de-cobrar-a-conta-do-locaute","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2018\/06\/04\/chegou-a-hora-de-cobrar-a-conta-do-locaute\/","title":{"rendered":"Chegou a hora de cobrar a conta do locaute"},"content":{"rendered":"<h6>Desde o primeiro momento, sabia-se que por tr\u00e1s do movimento dos caminhoneiros havia um locaute<\/h6>\n<div class=\"corpo margin-default\">\n<p>Demorou uma semana, mas saiu a primeira pris\u00e3o. A Pol\u00edcia Federal trancou Vinicius Pellenz, da empresa Irapuru, de Caxias do Sul (RS). Ele \u00e9 acusado de intimidar motoristas de outras empresas: \u201c\u00d4 nego, para teu caminh\u00e3o. (&#8230;) N\u00e3o leva milho, n\u00e3o faz nada para a Agrosul\u201d.<\/p>\n<p>Desde o primeiro momento, sabia-se que por tr\u00e1s do movimento dos caminhoneiros havia um locaute de empresas transportadoras. O que n\u00e3o se sabia era que havia mais que isso. Havia intimida\u00e7\u00f5es, como a de Pellenz, agromil\u00edcias, golpistas e jagun\u00e7os infiltrados nas obstru\u00e7\u00f5es de rodovias. Em apenas 12 horas, o aplicativo \u201cSOS Caminhoneiros\u201d, do governo federal, recebeu dois mil pedidos de ajuda de motoristas. A PF abriu 54 investiga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O pitoresco empres\u00e1rio Em\u00edlio Dal\u00e7oquio Neto, de Itaja\u00ed (SC), subiu num carro de som e pediu que se incendiassem os caminh\u00f5es de sua transportadora que tentassem trafegar. Como a transportadora \u00e9 dele, v\u00e1 l\u00e1. Como a Dal\u00e7oquio j\u00e1 teve as finan\u00e7as incendiadas e entrou em recupera\u00e7\u00e3o judicial, entende-se.<\/p>\n<p>A Federa\u00e7\u00e3o das Empresas de Transporte de Carga de S\u00e3o Paulo divulgou no seu site um v\u00eddeo mostrando a progress\u00e3o do colapso que ocorreria se \u201cos caminh\u00f5es sumissem por cinco dias\u201d. Acertou, mas poder\u00e1 explicar a ess\u00eancia da profecia.<\/p>\n<p>O general S\u00e9rgio Etchegoyen disse, com toda raz\u00e3o, que \u201cquem apoiava a greve e apoiava as solu\u00e7\u00f5es teria a sua cota de responsabilidade com participa\u00e7\u00e3o no financiamento disso\u201d. Noves fora que quem n\u00e3o apoiava a greve ter\u00e1 que financiar a solu\u00e7\u00e3o, o chefe do Gabinete de Seguran\u00e7a Institucional tem um problema sobre a mesa: cobrar nos tribunais a cota de responsabilidade de quem fez locaute e formou piquetes de jagun\u00e7os.<\/p>\n<p><strong>Uma boa not\u00edcia num mar de ru\u00ednas<\/strong><\/p>\n<p>Come\u00e7a a circular nesta semana o livro \u201cQuatro d\u00e9cadas de gest\u00e3o educacional no Brasil\u201d, do jornalista Antonio Gois. Ele entrevistou treze ex-ministros da Educa\u00e7\u00e3o, de Eduardo Portella (1979-1980) a Renato Janine Ribeiro (2015). Todas as entrevistas est\u00e3o na rede, no site Observat\u00f3rio da Educa\u00e7\u00e3o, do Instituto Unibanco.<\/p>\n<p>No espa\u00e7o de uma gera\u00e7\u00e3o, a percentagem do PIB investido na educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica aumentou de 2,9% para algo em torno de 5,6%, e o n\u00famero de crian\u00e7as de quatro a 14 anos fora da escola caiu de 35% para 7%. O analfabetismo adulto foi de 25% para 8%.<\/p>\n<p>Como seria natural, todos os ministros falam bem de si pr\u00f3prios, mas tr\u00eas personagens brilham. O primeiro \u00e9 o professor Murilo Hingel, o esquecido colaborador de Itamar Franco (1992-1995). Ele foi o respons\u00e1vel pela descentraliza\u00e7\u00e3o intelectual de um minist\u00e9rio \u201cinadministr\u00e1vel\u201d, nas palavras de Eduardo Portela, um paquiderme chamado \u201cMinist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, Cultura, Ci\u00eancia e Tecnologia\u201d, onde se pensava que Bras\u00edlia mandava nisso tudo. Para come\u00e7o de conversa, Hingel descentralizou a merenda escolar.<\/p>\n<p>Entre outras iniciativas felizes, a administra\u00e7\u00e3o de Paulo Renato Souza (1995-2002) criou os exames federais que permitem avaliar o desempenho das escolas. (Paulo Renato morreu em 2011.)<\/p>\n<p>Gra\u00e7as \u00e0 exist\u00eancia do Enem, na gest\u00e3o de Tarso Genro foi poss\u00edvel a cria\u00e7\u00e3o do ProUni. Na sua narrativa, est\u00e1 o melhor momento do livro. Ele teve a oposi\u00e7\u00e3o da esquerda, da UNE, da academia e dos plutocratas do ensino privado. Ao completar dez anos, o ProUni concedeu 1,5 milh\u00e3o de bolsas.<\/p>\n<p>Para se ter uma ideia do que \u00e9 o ProUni, a GI Bill de Franklin Roosevelt concedeu, numa d\u00e9cada, 2,2 milh\u00f5es de bolsas. Atribui-se a essa iniciativa o nascimento da classe m\u00e9dia americana da segunda metade do s\u00e9culo passado.<\/p>\n<p><strong>Golpe na pauta<\/strong><\/p>\n<p>A ministra C\u00e1rmen L\u00facia pautou para vota\u00e7\u00e3o no Supremo a a\u00e7\u00e3o do petista Jacques Wagner que indaga se o Congresso pode instituir um regime parlamentarista por meio de uma emenda constitucional.<\/p>\n<p>\u00c9 muito dif\u00edcil que o STF compre essa girafa. O parlamentarismo j\u00e1 foi rejeitado pelo povo brasileiro em dois plebiscitos, mas a turma que tenta virar o jogo no replay<\/p>\n<p>n\u00e3o se cansa. Em 1961, o parlamentarismo mutilou os poderes presidenciais de Jo\u00e3o Goulart. Agora querem mutilar o direito de todos os eleitores.<\/p>\n<p>Numa analogia maluca, dia desses poder\u00e3o tentar revogar a Lei \u00c1urea. Afinal, foi uma simples lei, sem qualquer amparo plebiscit\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>MCT x MST<\/strong><\/p>\n<p>O Movimento dos Sem Terra, com sua invas\u00f5es e pneus queimados, ganhou um rival virulento, o Movimento dos Com Terra.<\/p>\n<p>Em termos de viol\u00eancia, o MCT revelou-se muito mais perigoso que o MST.<\/p>\n<p><strong>Catraca e tomates<\/strong><\/p>\n<p>O ministro Gilmar Mendes pode liberar a catraca que solta presos da Lava-Jato, mas a decis\u00e3o da ju\u00edza Renata Andrade Lotufo rejeitando a den\u00fancia contra o cidad\u00e3o que ofereceu R$ 300 para quem lhe acertasse um tomate joga luz sobre a divis\u00e3o reinante no Judici\u00e1rio.<\/p>\n<p>Assim como Gilmar soltou \u201cPaulo Preto\u201d e Jacob Barata na defesa da liberdade individual, Lotufo sustentou que o arremesso do tomate foi um exerc\u00edcio da liberdade de express\u00e3o.<\/p>\n<p>Antes de assumir a 4\u00aa Vara Federal de S\u00e3o Paulo, a doutora foi ju\u00edza auxiliar do ministro Felix Fischer, do STJ. Ele \u00e9 um dos mais severos magistrados no julgamento de r\u00e9us da Lava-Jato.<\/p>\n<p><strong>Fachin sindical<\/strong><\/p>\n<p>O ministro Edson Fachin atribuiu-se poderes imperiais. O Congresso votou o fim do imposto que obriga os trabalhadores a entregar um dia de trabalho aos sindicatos e, de sua mesa no \u201cPret\u00f3rio Excelso\u201d, ele diz que a decis\u00e3o de acabar com o tributo \u201cpode ser desestabilizadora de todo o regime sindical\u201d.<\/p>\n<p>O que o Congresso decidiu foi o fim de uma cobran\u00e7a compuls\u00f3ria. Quem se considerar bem servido pelo seu sindicato decidir\u00e1 pagar, como paga por tudo que interessa.<\/p>\n<p>O \u201cregime sindical\u201d que o fim do imposto desestabiliza \u00e9 o das roubalheiras e da pelegagem. Fachin sabe bem disso porque \u00e9 o relator do processo que inclui figuras investigadas pela \u201cOpera\u00e7\u00e3o Registro Esp\u00fario\u201d. Nela, a Pol\u00edcia Federal cumpriu 23 mandados de pris\u00e3o e 64 de busca a apreens\u00e3o de uma quadrilha que vendia registros de sindicatos. Num caso, cobravam R$ 4 milh\u00f5es por um registro. Se a propina valia isso, a boca era boa.<\/p>\n<p>Vale lembrar que nas tetas do imposto sindical n\u00e3o est\u00e3o apenas guildas de trabalhadores, mas tamb\u00e9m as de cidad\u00e3os que se dizem representantes de empres\u00e1rios.<\/p>\n<p><strong>Alemanha 5&#215;0<\/strong><\/p>\n<p>Diante da ru\u00edna e com Pedro Parente pedindo o chap\u00e9u, Pindorama est\u00e1 como a Sele\u00e7\u00e3o Brasileira em 2014, quando foi para o vesti\u00e1rio depois do primeiro tempo contra a Alemanha, com um placar de 5&#215;0.<\/p>\n<p>Tratava-se de voltar ao gramado e torcer para que os 45 minutos adicionais acabassem logo com o pesadelo.<\/p>\n<p>Agora, trata-se de aguentar quatro meses, at\u00e9 a elei\u00e7\u00e3o de 7 de outubro.<\/p>\n<p><strong>Artigo publicado dia 03\/06\/2018 na p\u00e1gina do jornal O Globo &#8211; <\/strong><strong>dispon\u00edvel na internet 04\/06\/2018<\/strong><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000080\">Nota: O presente artigo n\u00e3o traduz a opini\u00e3o do ASMETRO-SN. Sua publica\u00e7\u00e3o tem o prop\u00f3sito de estimular o debate dos problemas brasileiros e de refletir as diversas tend\u00eancias do pensamento contempor\u00e2neo<\/span>.<\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde o primeiro momento, sabia-se que por tr\u00e1s do movimento dos caminhoneiros havia um locaute Demorou uma semana, mas saiu a primeira pris\u00e3o. A Pol\u00edcia Federal trancou Vinicius Pellenz, da empresa Irapuru, de Caxias do Sul (RS). Ele \u00e9 acusado de intimidar motoristas de outras empresas: \u201c\u00d4 nego, para teu caminh\u00e3o. (&#8230;) N\u00e3o leva milho, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":7217,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[134],"tags":[],"class_list":{"0":"post-25457","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-artigos"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/carinha_colunista_eliogaspari.jpg?fit=220%2C220&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25457","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25457"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25457\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7217"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25457"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25457"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25457"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}