{"id":25621,"date":"2018-06-09T00:04:23","date_gmt":"2018-06-09T03:04:23","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=25621"},"modified":"2018-06-08T20:16:11","modified_gmt":"2018-06-08T23:16:11","slug":"faltam-caminhoneiros-nos-estados-unidos-e-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2018\/06\/09\/faltam-caminhoneiros-nos-estados-unidos-e-no-brasil\/","title":{"rendered":"Faltam caminhoneiros nos Estados Unidos. E no Brasil?"},"content":{"rendered":"<p class=\"story-body__introduction\">In\u00e1cio Freitas, de 49 anos, diz ter decidido abrir uma empresa de transporte de carga nos Estados Unidos h\u00e1 pouco mais de dois anos ao ver uma oportunidade: havia demanda de sobra para esse tipo de servi\u00e7o, mas faltavam empresas para faz\u00ea-lo.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o hoje \u00e9 outra, diz o empres\u00e1rio brasileiro. Com a economia americana cada vez mais aquecida, a demanda segue em alta, mas agora s\u00e3o os caminhoneiros que est\u00e3o em falta no mercado, um problema que \u00e9 realidade tamb\u00e9m na Europa e s\u00f3 n\u00e3o come\u00e7ou a dar sinais no Brasil devido \u00e0 recess\u00e3o econ\u00f4mica, dizem especialistas.<\/p>\n<p>Havia, no ano passado, um d\u00e9ficit de 51 mil caminhoneiros nos Estados Unidos, o equivalente a 10% dos 500 mil que trabalham hoje no pa\u00eds, segundo a American Trucking Associations (ATA), entidade de classe que representa as maiores companhias do setor no pa\u00eds e que alerta h\u00e1 alguns anos para essa quest\u00e3o.<\/p>\n<p>Seu estudo mais recente, divulgado em outubro, mostra que a situa\u00e7\u00e3o vem se agravando. Em 2013, faltavam 20 mil motoristas, e o n\u00famero subiu para 36,5 mil em 2016 &#8211; o d\u00e9ficit pode chegar a 174 mil em 2026, caso a tend\u00eancia n\u00e3o seja revertida.<\/p>\n<p>Um dos principais reflexos atuais da escassez \u00e9 o encarecimento do servi\u00e7o. Freitas, por exemplo, afirma que a disputa por m\u00e3o de obra foi um dos principais motivos do aumento de 20% do valor que paga aos caminhoneiros que contrata para guiar sua frota de seis ve\u00edculos, conforme chegam os pedidos.<\/p>\n<p>&#8220;Um centavo a mais por hora, o que d\u00e1 uma diferen\u00e7a de US$ 200 (R$ 761) no fim do m\u00eas, \u00e9 suficiente para um motorista te trocar pelo concorrente&#8221;, diz Freitas \u00e0 BBC News Brasil. &#8220;Preciso pagar mais para reter os bons profissionais e atrair os que preciso. Mesmo assim, tenho uma alta rotatividade.&#8221;<\/p>\n<p>Em um pa\u00eds onde caminh\u00f5es fazem 70,6% do transporte de carga, grandes empresas de outras ind\u00fastrias americanas dizem estar preocupadas com o aumento de custos.<\/p>\n<p>&#8220;Como outras empresas de bens de consumo, enfrentamos um contratempo significativo com o frete na Am\u00e9rica do Norte neste ano&#8221;, disse a investidores a vice-presidente de finan\u00e7as da Coca-Cola, Kathy Waller, segundo o jornal americano\u00a0<i>The Wall Street Journal<\/i>. &#8220;O setor de caminh\u00f5es est\u00e1 passando por uma grave crise. Faltam motoristas na era da Amazon&#8221;, afirmou Robert Csongor, vice-presidente da fabricante de processadores e chips Nvidia, fazendo refer\u00eancia ao aumento da demanda por entregas trazido pela escalada do com\u00e9rcio online.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Economia aquecida<\/h2>\n<p>Um dos principais motivos por tr\u00e1s do deficit de caminhoneiros \u00e9 o bom momento vivido pela economia americana, apontam economistas.<\/p>\n<p>O PIB dos EUA sofreu um baque com a crise financeira de 2008, mas voltou a crescer em 2010, enquanto a taxa de desemprego, ap\u00f3s chegar quase a 10% h\u00e1 oito anos, vem caindo desde ent\u00e3o &#8211; hoje em 3,8%, \u00e9 a mais baixa dos \u00faltimos 18 anos.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, a expans\u00e3o do com\u00e9rcio eletr\u00f4nico fez aumentar o n\u00famero de entregas e, consequentemente, o transporte de carga.<\/p>\n<p>&#8220;Conforme a demanda aumenta, as empresas tentam conquistar os motoristas de outras transportadoras oferecendo b\u00f4nus, pagamentos, caminh\u00f5es e rotas melhores&#8221;, explica Bob Costello, economista-chefe da ATA.<\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o diz n\u00e3o ser um problema apenas de quantidade, mas de qualidade. Um levantamento apontou que 88% das empresas recebem candidatos suficientes para novas vagas, mas a maioria n\u00e3o tem a qualifica\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria.<\/p>\n<p>&#8220;A m\u00e3o de obra at\u00e9 existe, mas as seguradoras exigem que contratemos motoristas com no m\u00ednimo dois anos de habilita\u00e7\u00e3o, sem nenhuma multa em seu nome. Isso j\u00e1 elimina a grande maioria&#8221;, diz o empres\u00e1rio Freitas.<\/p>\n<p>&#8220;Al\u00e9m disso, a economia est\u00e1 aquecida, e o cara n\u00e3o quer ficar um m\u00eas fora de casa. Prefere arranjar outro trabalho para ganhar a mesma coisa e ficar perto da fam\u00edlia.&#8221;<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Vida na estrada<\/h2>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 549px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/17F65\/production\/_101894189_img-20180605-wa0003.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/17F65\/production\/_101894189_img-20180605-wa0003.jpg?resize=549%2C549&#038;ssl=1\" alt=\"Troy Blomdal em frente a seu caminh\u00e3o\" width=\"549\" height=\"549\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">O americano Troy virou caminhoneiro ap\u00f3s a crise de 2008.\u00a0Direito de imagem\u00a0ARQUIVO PESSOAL<\/figcaption><\/figure><figcaption class=\"media-caption\"><\/figcaption><\/figure>\n<p>As horas na boleia de um caminh\u00e3o cobram mesmo seu pre\u00e7o, diz Troy Blomdal. O americano de 42 anos \u00e9 caminhoneiro h\u00e1 seis. Trabalhava com a venda de im\u00f3veis at\u00e9 a crise da economia americana o fazer perder &#8220;quase tudo&#8221;. Ele viu no transporte de autom\u00f3veis uma sa\u00edda.<\/p>\n<p>Blomdal diz que os primeiros tr\u00eas anos foram mais dif\u00edceis, com remunera\u00e7\u00e3o baixa. Ele diz ganhar hoje, com mais experi\u00eancia e um bom hist\u00f3rico, cerca de US$ 95 mil (R$ 360,6 mil) por ano, mais do que o dobro da m\u00e9dia do setor, de US$ 42 mil, segundo dados do governo.<\/p>\n<p>Mas o motorista afirma que, para isso, tem de ficar muito tempo longe da mulher e do filho de 11 anos. &#8220;Passo de duas a tr\u00eas semanas fora, volto e fico s\u00f3 de tr\u00eas a cinco dias em casa com eles&#8221;, diz.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 duro, mas tenho de sustentar minha fam\u00edlia e economizar para a aposentadoria. \u00c9 um sacrif\u00edcio que preciso fazer&#8221;, diz o caminhoneiro, que conta que n\u00e3o encontra muitos motoristas jovens na estrada. &#8220;Alguns est\u00e3o na casa dos 20 anos, mas a maioria dos motoristas tem entre 30 e 40 anos.&#8221;<\/p>\n<p>A idade m\u00e9dia dos caminhoneiros americanos hoje est\u00e1 em 49 anos, acima da m\u00e9dia dos trabalhadores do pa\u00eds, de 42 anos. \u00c9 um sinal de que a m\u00e3o de obra do setor n\u00e3o est\u00e1 se renovando como deveria.<\/p>\n<p>&#8220;Ser caminhoneiro sempre foi algo que passou de pai para filho. Nos \u00faltimos 30 anos, houve uma quebra dessa hereditariedade&#8221;, diz Paulo Resende, coordenador do N\u00facleo de Infraestrutura, Supply Chain e Log\u00edstica da Funda\u00e7\u00e3o Dom Cabral (FDC).<\/p>\n<p>O pr\u00f3pria fam\u00edlia de Blomdal \u00e9 um exemplo disso. Ex-militar, seu av\u00f4 trabalhou como motorista de caminh\u00e3o por 40 anos, mas seu pai, ao deixar o Ex\u00e9rcito, foi trabalhar com varejo. Se depender do caminhoneiro americano, seu filho n\u00e3o seguir\u00e1 a profiss\u00e3o. &#8220;N\u00e3o paga muito bem e causa muito estresse. Prefiro que ele fa\u00e7a outra coisa que n\u00e3o o leve para a estrada.&#8221;<\/p>\n<p>Resende diz ser pouco prov\u00e1vel que os jovens queiram trabalhar com isso. &#8220;Em um mundo mais tecnol\u00f3gico, com mais possibilidades de emprego e com melhor remunera\u00e7\u00e3o, os jovens n\u00e3o t\u00eam muito interesse em trabalhar como caminhoneiros.&#8221;<\/p>\n<p>O especialista explica ainda que o avan\u00e7o da tecnologia traz incerteza sobre o futuro da profiss\u00e3o. &#8220;J\u00e1 se fala hoje em caminh\u00f5es sem motorista. Por que um jovem vai entrar nesse mercado se n\u00e3o vai ter um emprego garantido amanh\u00e3?&#8221;<\/p>\n<p>Por outro lado, a exig\u00eancia de mais conhecimentos para lidar com as novas tecnologias dos ve\u00edculos, avalia o professor da FDC, &#8220;contribui para a falta de m\u00e3o obra qualificada&#8221;, principalmente entre as gera\u00e7\u00f5es mais antigas.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m no Brasil, Resende diz que j\u00e1 s\u00e3o realidade a quebra da hereditariedade na profiss\u00e3o e a pouca familiaridade dos profissionais mais velhos com a tecnologia &#8211; o caminhoneiro brasileiro tem uma idade m\u00e9dia de 44 anos e est\u00e1 h\u00e1 18 na estrada, de acordo com uma pesquisa de 2016 da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Transporte (CNT).<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Sem seguran\u00e7a<\/h2>\n<p>No Brasil, outro obst\u00e1culo ao avan\u00e7o na profiss\u00e3o \u00e9 a falta de seguran\u00e7a nas estradas, o ponto negativo da profiss\u00e3o mais citado por caminhoneiros &#8211; 60,6% mencionaram esse problema na pesquisa da CNT. &#8220;H\u00e1 muitos assaltos e acidentes. Essa caracter\u00edstica brasileira reduz a atratividade da profiss\u00e3o&#8221;, diz Resende.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/71DD\/production\/_101894192_gettyimages-867136844.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/71DD\/production\/_101894192_gettyimages-867136844.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Caminh\u00e3o em estrada americana\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Caminh\u00f5es respondem por 70,6% do transporte de carga nos EUA.\u00a0Direito de imagem\u00a0GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Hoje, a falta de estat\u00edsticas oficiais impede dimensionar exatamente o n\u00famero de motoristas de caminh\u00f5es de carga no Brasil. A informalidade do mercado e a grande extens\u00e3o territorial s\u00e3o alguns dos obst\u00e1culos para mapear essa m\u00e3o de obra. A CNT afirma que h\u00e1 477 mil caminhoneiros aut\u00f4nomos, mas n\u00e3o h\u00e1 dados sobre os que trabalham guiando os 1.108.122 ve\u00edculos de empresas e cooperativas desta ind\u00fastria registrados na Ag\u00eancia Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).<\/p>\n<p>Associa\u00e7\u00f5es brasileiras trabalham com uma estimativa de que haja de 1,5 milh\u00e3o de caminhoneiros. Eles realizam 61% do transporte de carga no Brasil.<\/p>\n<p>A quantidade de motoristas brasileiros cresceu na d\u00e9cada passada, explica o professor da FDC. Com economia aquecida, encontrava-se trabalho rapidamente. Ele tamb\u00e9m lembra que o governo deu subs\u00eddios e facilitou o financiamento da compra de caminh\u00f5es, o que aumentou o tamanho da frota.<\/p>\n<p>Mas a instabilidade pol\u00edtica e a crise da economia recentes levaram muita gente a vender seus caminh\u00f5es para trabalhar com outra coisa ou se aposentar, explica Resende. &#8220;Chegamos a ter um excesso de caminhoneiros. Hoje, neste momento p\u00f3s-crise, o que temos s\u00f3 d\u00e1 para o gasto.&#8221;<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Controle eletr\u00f4nico<\/h2>\n<p>Nos Estados Unidos, a falta de caminhoneiros pode ter se intensificado com uma novidade introduzida no mercado neste ano: o registro digital das viagens. Desde o in\u00edcio de 2018, \u00e9 obrigat\u00f3rio um controle eletr\u00f4nico da jornada, em vez do antigo m\u00e9todo com papel e caneta.<\/p>\n<p>O novo sistema impede que o motorista burle as regras e trabalhe al\u00e9m do limite &#8211; o motorista pode ser penalizado com uma parada obrigat\u00f3ria de 10 horas caso n\u00e3o siga as regras, o que ajuda a prevenir acidentes, defende o governo.<\/p>\n<p>A lei americana determina que um caminhoneiro deve trabalhar no m\u00e1ximo por 14 horas seguidas, sendo 11 delas efetivamente dirigindo. Depois, deve descansar por 10 horas.<\/p>\n<p>No Brasil, uma lei de 2015 prev\u00ea, entre outras regras, um per\u00edodo m\u00e1ximo 12 horas de trabalho, incluindo horas extras, com uma parada de 30 minutos a cada 6 horas, e 11 horas de descanso entre cada jornada, al\u00e9m do controle em papel ou eletronicamente.<\/p>\n<p>A ATA diz que o novo sistema digital contribui para o d\u00e9ficit de motoristas nos Estados Unidos, porque, com o ponto digital, as empresas passaram a ter de contratar mais caminhoneiros para transportar o mesmo volume de carga, o que eleva seus custos.<\/p>\n<p>&#8220;O caminhoneiro acabava sempre trabalhando a mais. Dirigia por 12, 15 horas, virava a noite, porque assim ganhava mais dinheiro, mas isso acabou com o novo sistema. Isso deixou muitos deles assustados, que acabaram desistindo.&#8221;<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Crise<\/h2>\n<p>Uma pesquisa com 3,1 mil companhias realizada em janeiro pela Associa\u00e7\u00e3o Nacional do Transporte de Cargas e Log\u00edstica (NTC&amp;Log\u00edstica), que representa empresas de transporte de cargas, apontou que havia 70 mil caminh\u00f5es parados por falta de carga ou de motoristas.<\/p>\n<p>&#8220;Caminh\u00e1vamos para essa mesma situa\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos, mas a recess\u00e3o deu amenizada no problema porque, se a ind\u00fastria n\u00e3o vende, n\u00e3o tem o que transportar&#8221;, diz Lauro Vald\u00edvia, assessor t\u00e9cnico da NTC&amp;Log\u00edstica.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/BFFD\/production\/_101894194_gettyimages-846931774.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/BFFD\/production\/_101894194_gettyimages-846931774.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Caminh\u00e3o descarrega gr\u00e3os\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Falta de caminhoneiros j\u00e1 afeta alguns setores, como o escoamento da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, diz professor da FDC.\u00a0Direito de imagem\u00a0GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Vald\u00edvia afirma ainda que, com a crise, muitos motoristas ficaram endividados &#8211; 44,8% t\u00eam obriga\u00e7\u00f5es vencidas ou a vencer, diz a CNT, e devem em m\u00e9dia R$ 28,1 mil.<\/p>\n<p>Muitos caminhoneiros acabaram tendo seus ve\u00edculos confiscados pelo banco ou foram demitidos e tiveram de arranjar outra forma de ganhar a vida. Isso fez a frota encolher.<\/p>\n<p>Um sinal disso, diz o assessor da NTC&amp;Log\u00edstica, \u00e9 que agora que com a leve melhora da economia, &#8220;as empresas j\u00e1 come\u00e7aram a reclamar&#8221; da falta de m\u00e3o de obra.<\/p>\n<p>&#8220;Elas dizem que n\u00e3o conseguem contratar um aut\u00f4nomo, porque muitos est\u00e3o com o nome sujo, e a agenciadora de risco n\u00e3o autoriza porque v\u00ea nisso uma chance maior de ele cometer um delito. Se a empresa contratar, perde o seguro&#8221;, explica.<\/p>\n<p>Para Resende, da FDC, ainda que o n\u00famero de caminhoneiros seja &#8220;suficiente&#8221; no mercado como um todo, h\u00e1 d\u00e9ficits pontuais que j\u00e1 afetam alguns setores, como o escoamento da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola.<\/p>\n<p>Ele acredita, no entanto, que esse problema da falta de caminhoneiros est\u00e1 no horizonte do Brasil. &#8220;Estamos uns 15 anos atr\u00e1s dos Estados Unidos em log\u00edstica de cadeias produtivas. Esse fen\u00f4meno vai chegar por aqui na pr\u00f3xima d\u00e9cada&#8221;, diz. &#8220;A sorte \u00e9 que isso d\u00e1 sinais de alerta, e podemos nos preparar, mas talvez seja exigir demais de um pa\u00eds que vive situa\u00e7\u00f5es complicadas como as do Brasil.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito:\u00a0<span class=\"byline__name\">Rafael Barifouse d<\/span><span class=\"byline__title\">a BBC News Brasil em S\u00e3o Paulo &#8211; dispon\u00edvel na internet 09\/06\/2018<\/span><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>In\u00e1cio Freitas, de 49 anos, diz ter decidido abrir uma empresa de transporte de carga nos Estados Unidos h\u00e1 pouco mais de dois anos ao ver uma oportunidade: havia demanda de sobra para esse tipo de servi\u00e7o, mas faltavam empresas para faz\u00ea-lo. A situa\u00e7\u00e3o hoje \u00e9 outra, diz o empres\u00e1rio brasileiro. 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