{"id":25649,"date":"2018-06-09T00:14:16","date_gmt":"2018-06-09T03:14:16","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=25649"},"modified":"2018-06-09T00:30:58","modified_gmt":"2018-06-09T03:30:58","slug":"vitoria-do-cartel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2018\/06\/09\/vitoria-do-cartel\/","title":{"rendered":"Vit\u00f3ria do cartel"},"content":{"rendered":"<h6>A ANP poderia ter aproveitado a oportunidade para acabar com o conluio das distribuidoras de combust\u00edvel. Preferiu manter a farra das empresas que ditam as regras do mercado<\/h6>\n<p>Vencida a greve dos caminhoneiros, tudo voltou ao normal. O abastecimento de combust\u00edveis foi restabelecido, mas h\u00e1 algo, por\u00e9m, que n\u00e3o dever\u00e1 retornar ao est\u00e1gio anterior ao movimento: o pre\u00e7o nas bombas dos postos. Isso porque tudo retornou ao estado de antes: a lentid\u00e3o da Ag\u00eancia Nacional do Petr\u00f3leo (ANP) em combater o cartel das distribuidoras que dominam o mercado. T\u00e3o logo a greve se encerrou, a ag\u00eancia recuou e revogou a medida excepcional que suspendia a vincula\u00e7\u00e3o de marca para vendas de distribuidoras do produto l\u00edquido.<\/p>\n<p>Ou seja, tudo ficou como antes. O posto que tiver as cores da Ra\u00edzen\/Shell, Ipiranga ou BR Distribuidora fica impedido de comprar combust\u00edvel em uma bandeira branca. Mesmo que o pre\u00e7o do litro seja mais baixo que o fixado pelas tr\u00eas gigantes do setor. Agindo assim, a ANP perde a oportunidade de livrar os empres\u00e1rios de postos das amarras impostas por essas empresas, que j\u00e1 duram uma d\u00e9cada. Em 2008, a ANP sucumbiu ao lobby pesado do Sindicato Nacional das Empresas de Combust\u00edveis e Lubrificantes (Sindicom). Na ocasi\u00e3o, o presidente da ag\u00eancia era Haroldo Borges Rodrigues Lima, nomeado pelo ent\u00e3o presidente Lula.<\/p>\n<p><strong>Consumidor paga mais<\/strong><\/p>\n<p>Naquele ano, a ANP modificou uma resolu\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio de Minas e Energia que garantia aos postos escolher de qual distribuidora comprar combust\u00edvel. Bastava apenas informar a origem na bomba. O resultado era imediato: ao comprar mais barato, a economia era repassada ao consumidor. Com a edi\u00e7\u00e3o da nova regra, ficou vedada essa pr\u00e1tica. Ou seja, o posto tinha de comprar combust\u00edvel somente com a marca da distribuidora que estampava na fachada. Detentoras de 70% dos postos no Pa\u00eds, a Ra\u00edzen\/Shell, Ipiranga ou BR Distribuidora passaram a ditar as regras \u2013 e os pre\u00e7os do litro dos combust\u00edveis. O resultado foi imediato. Em dez anos, o faturamento dessas empresas saltou de R$ 78 bilh\u00f5es (2007) para R$ 219 bilh\u00f5es (2017).<\/p>\n<p>Com a deflagra\u00e7\u00e3o da greve, a ANP suspendeu a modifica\u00e7\u00e3o na resolu\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio de Minas e Energia. Numa iniciativa de bom senso, a ag\u00eancia suspendeu essa vincula\u00e7\u00e3o entre postos e distribuidoras. A medida tempor\u00e1ria suavizou as conseq\u00fc\u00eancias do movimento grevista. Mas, como diz o ditado popular, o que \u00e9 bom dura pouco: na ter\u00e7a-feira 5, a ANP cassou seu pr\u00f3prio ato, perdendo, assim, a oportunidade de fazer hist\u00f3ria.<\/p>\n<p><strong>Tudo como antes<\/strong><br \/>\n<strong>A ag\u00eancia controladora da pol\u00edtica de pre\u00e7os dos combust\u00edveis retrocedeu\u00a0<\/strong><strong>\u00e0 norma anterior:<\/strong><\/p>\n<p>O mercado dos combust\u00edveis distribu\u00eddos nos 40 mil postos brasileiros \u00e9 dominado por tr\u00eas grandes empresas: Raizen\/Shell, Ipiranga e BR Distribuidora, que det\u00eam 70% do com\u00e9rcio de derivados de petr\u00f3leo<\/p>\n<p>Em 2008, diante de lobby das tr\u00eas companhias, a ANP, ent\u00e3o dirigida por Haroldo Borges, determinou que os postos estavam impedidos de comprar combust\u00edveis de uma distribuidor de bandeira branca, mesmo que os pre\u00e7os fossem mais baixos<\/p>\n<p>Em meio \u00e0 greve dos caminhoneiros, que provocou grande crise de desabastecimento, a ANP suspendeu temporariamente, e em car\u00e1ter excepcional, que os postos pudessem comprar das distribuidoras que melhor lhes atendessem, inclusive de bandeira branca, o que provocaria redu\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os<\/p>\n<p>Mas foi apenas o abastecimento se regularizar, que a ANP voltou atr\u00e1s e tornou a manter os efeitos nocivos do cartel<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Ary Filgueiras\/Revista Isto\u00c9 &#8211; dispon\u00edvel na internet 09\/06\/2018<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A ANP poderia ter aproveitado a oportunidade para acabar com o conluio das distribuidoras de combust\u00edvel. 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