{"id":25662,"date":"2018-06-11T00:08:29","date_gmt":"2018-06-11T03:08:29","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=25662"},"modified":"2018-06-10T09:25:23","modified_gmt":"2018-06-10T12:25:23","slug":"familias-brasileiras-apostam-em-esporte-desde-cedo-para-emplacar-filhos-em-universidades-dos-eua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2018\/06\/11\/familias-brasileiras-apostam-em-esporte-desde-cedo-para-emplacar-filhos-em-universidades-dos-eua\/","title":{"rendered":"Fam\u00edlias brasileiras apostam em esporte desde cedo para emplacar filhos em universidades dos EUA"},"content":{"rendered":"<p class=\"story-body__introduction\">Rani Jord\u00e3o Ganime, 10 anos, acorda antes do amanhecer. Toma o caf\u00e9 da manh\u00e3, \u00e0s vezes mesmo sem fome, e parte de carro com o pai, na Ilha do Governador, para a sede do Flamengo, na G\u00e1vea, Rio de Janeiro, onde integra a equipe de nata\u00e7\u00e3o do clube. De segunda a s\u00e1bado, inclusive feriados, salta \u00e0s 7h na piscina a c\u00e9u aberto para um treino de uma hora e meia \u2013 mesmo quando a temperatura cai no inverno e a \u00e1gua n\u00e3o est\u00e1 nada quentinha.<\/p>\n<p>A disposi\u00e7\u00e3o para a rotina puxada vem do sonho de um dia participar de uma Olimp\u00edada e de que o esporte lhe proporcione a oportunidade de estudar em uma universidade americana.<\/p>\n<p>&#8220;Meus pais falam muito comigo. Dizem que, se eu me esfor\u00e7ar muito, vou conseguir uma bolsa de estudos l\u00e1 nos Estados Unidos. \u00c9 um sonho deles e meu&#8221;, diz a atleta mirim, que trocou o jiu-jitsu pela nata\u00e7\u00e3o porque o primeiro n\u00e3o lhe garantiria chances de estudar fora por ainda n\u00e3o ser uma modalidade ol\u00edmpica e disputada na liga universit\u00e1ria americana.<\/p>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\">\n<p><figure style=\"width: 640px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/17C47\/production\/_101915379_rani9.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/17C47\/production\/_101915379_rani9.jpg?resize=640%2C360&#038;ssl=1\" alt=\"Rani Jord\u00e3o Ganime\" width=\"640\" height=\"360\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">A menina Rani, de dez anos, sonha que a nata\u00e7\u00e3o a leve n\u00e3o s\u00f3 \u00e0 Olimp\u00edada, mas a estudar em uma universidade americana.\u00a0Direito de imagem\u00a0ADRIANA STOCK\/BBC BRASIL<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Assim como Rani, muitas crian\u00e7as est\u00e3o se dedicando ao esporte desde cedo com o objetivo de cursar o ensino superior fora do Brasil.<\/p>\n<p>Escolinhas de futebol, t\u00eanis ou nata\u00e7\u00e3o que antes recebiam apenas meninos e meninas interessados em aprender os fundamentos da modalidade e se divertir, agora s\u00e3o procuradas por fam\u00edlias que planejam investir no esporte como uma forma de seus filhos estudarem no exterior no futuro.<\/p>\n<p>Esses pequenos atletas querem, acima de tudo, ter a chance de continuar praticando esporte, mas sem descuidar da educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Eu queria estudar numa universidade boa, mas tamb\u00e9m queria continuar nadando. O \u00fanico lugar para fazer isso era nos Estados Unidos. Infelizmente aqui no Brasil n\u00e3o tem como: ou voc\u00ea nada ou voc\u00ea estuda. \u00c9 imposs\u00edvel fazer os dois bem feitos ao mesmo tempo&#8221;, diz a paulista Sofia Sigrist, nadadora do Pinheiros, de S\u00e3o Paulo, que neste ano ingressa na Universidade de Nova York.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 960px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/E007\/production\/_101915375_foto1.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/E007\/production\/_101915375_foto1.jpg?resize=696%2C550&#038;ssl=1\" alt=\"Pedro e Vicente, de 12 e 11 anos, com trof\u00e9us de torneio\" width=\"696\" height=\"550\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Depois de Pedro e Vicente, de 12 e 11 anos, come\u00e7arem a competir no t\u00eanis, pais ficaram mais atentos \u00e0 possibilidade de eles estudarem no exterior.\u00a0Direito de imagem\u00a0ARQUIVO PESSOAL<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Portf\u00f3lio atl\u00e9tico<\/h2>\n<p>Humberto Badolato, empres\u00e1rio e professor da escolinha de futebol da academia Bodytech, no Rio de Janeiro, conta que muitos pais o procuram para saber qual o melhor caminho para estudar l\u00e1 fora por meio do futebol.<\/p>\n<p>&#8220;Alguns me pedem treino personalizado com o objetivo de j\u00e1 ir aperfei\u00e7oando a t\u00e9cnica das crian\u00e7as. Eles sabem que meu pr\u00f3prio filho est\u00e1 se preparando para entrar em uma universidade americana. S\u00f3 que ele quer a Ivy League (grupo formado por oito das universidades mais prestigiadas dos Estados Unidos e que n\u00e3o concede bolsas para atletas)&#8221;, conta.<\/p>\n<p>Para Rita Moriconi, coordenadora do Education USA no Cone Sul, os pais est\u00e3o certos em despertar esse interesse na inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>&#8220;O esporte sempre ajuda no processo de admiss\u00e3o. Tanto para o aluno atleta, que vai aplicar para uma bolsa atl\u00e9tica, como tamb\u00e9m para aquele aluno que n\u00e3o compete, mas que se sentiria bem indo para uma universidade em que ele tenha possibilidade de jogar ou nadar, por exemplo&#8221;, afirma a educadora.<\/p>\n<p>Filiado ao Departamento de Estado dos EUA, o Education USA tem 35 escrit\u00f3rios no Brasil e auxilia gratuitamente os candidatos na escolha entre as 4,7 mil universidades americanas, al\u00e9m de prestar assist\u00eancia no processo de sele\u00e7\u00e3o (que inclui a apresenta\u00e7\u00e3o de uma esp\u00e9cie de dossi\u00ea com documenta\u00e7\u00e3o, hist\u00f3rico escolar, notas de exames SAT\/TOEFL e reda\u00e7\u00f5es).<\/p>\n<p>Uma das dicas de Moriconi \u00e9 come\u00e7ar a fazer um portf\u00f3lio atl\u00e9tico desde o in\u00edcio com fotos e v\u00eddeos. &#8220;Eles tamb\u00e9m devem procurar o Education USA quando chegar ao nono ano do ensino fundamental, uns tr\u00eas ou quatro anos antes de fazer o application (se inscrever)&#8221;, recomenda.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 preciso ficar atento \u00e0s notas da escola desde o ensino fundamental. &#8220;Se voc\u00ea tiver um hist\u00f3rico escolar ruim, vai pesar muito na decis\u00e3o de admiss\u00e3o. Eles querem ver uma consist\u00eancia nas notas e, de prefer\u00eancia, em todas as mat\u00e9rias&#8221;, ressalta Mateus Rabello Benarr\u00f3s, da empresa de assessoria Apply, com sede em Manaus.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/12E27\/production\/_101915377_gettyimages-97647860.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/12E27\/production\/_101915377_gettyimages-97647860.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Jogo de futebol em universidade americana\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Campeonatos universit\u00e1rios s\u00e3o tradi\u00e7\u00e3o e revelam muitos talentos nos EUA, pot\u00eancia do esporte.\u00a0Direito de imagem\u00a0GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Na \u00faltima d\u00e9cada, o n\u00famero de brasileiros inscritos em universidades dos Estados Unidos aumentou 79,3%, segundo dados do Instituto de Educa\u00e7\u00e3o Internacional (IIE, na sigla em ingl\u00eas). O Brasil escalou seis posi\u00e7\u00f5es e ocupa o d\u00e9cimo lugar no ranking dos pa\u00edses com o maior n\u00famero de alunos estrangeiros cursando ensino superior no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Em 2017, eram 6.310 alunos brasileiros de gradua\u00e7\u00e3o concentrados nos Estados da Calif\u00f3rnia, Florida, Nova York, Massachusetts e Texas. Desse total, 584, ou 8,35%, tinham bolsa-atleta nas Divis\u00f5es 1 e 2 da National Collegiate Athletic Association (NCAA, na sigla em ingl\u00eas), a associa\u00e7\u00e3o da liga universit\u00e1ria americana. Anualmente, s\u00e3o concedidos US$ 3 bilh\u00f5es em bolsas-atl\u00e9ticas. As bolsas por m\u00e9rito acad\u00eamico somam US$ 11 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>A ajuda geralmente inclui a mensalidade da faculdade, moradia, alimenta\u00e7\u00e3o, material e seguro sa\u00fade. O valor a ser recebido varia e depende da performance do atleta, do quanto necessitam sua posi\u00e7\u00e3o na equipe e da modalidade.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Modalidades<\/h2>\n<p>Entre os brasileiros, as modalidades com maior n\u00famero de atletas com bolsas s\u00e3o futebol, nata\u00e7\u00e3o e t\u00eanis.<\/p>\n<p>Os pais de Raquel, de 9 anos, e Luiza, de 7, investem no t\u00eanis, um esporte j\u00e1 praticado pelo casal. Desde os cinco anos de idade as meninas fazem aulas particulares e, atualmente, frequentam uma academia especializada tr\u00eas vezes por semana para aperfei\u00e7oar a t\u00e9cnica nas quadras. O custo mensal da aula \u00e9 de R$ 550 por crian\u00e7a.<\/p>\n<p>&#8220;Os planos s\u00e3o de que elas ingressem numa universidade dos Estados Unidos com bolsa de estudos para quem tem bom desempenho no esporte. Os custos de uma universidade americana s\u00e3o altos e n\u00f3s temos duas filhas, o que faz com que o valor dobre anualmente. Eles oferecem bolsas com descontos gradativos, conforme o desempenho&#8221;, conta a carioca D\u00e9bora Almeida, m\u00e3e das meninas.<\/p>\n<p>No Rio Grande do Sul, Vicente, de 11 anos, e Pedro, de 12, competem pelo Clube Leopoldina Juvenil e colecionam medalhas em torneios estaduais.<\/p>\n<p>&#8220;Durante umas f\u00e9rias, fomos assistir ao Rio Open e l\u00e1 os meninos realmente se apaixonaram pelo esporte. Pediram para treinar mais e para competir&#8221;, conta a m\u00e3e Rosane Menezes Freda. &#8220;N\u00f3s n\u00e3o temos planos concretos para eles. Mas, ap\u00f3s participar do meio competitivo, ficamos mais atentos a esta possibilidade de estudar fora. Eles falam que querem&#8221;, diz.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 608px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/91E7\/production\/_101915373_tuite.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/91E7\/production\/_101915373_tuite.jpg?resize=608%2C543&#038;ssl=1\" alt=\"Tu\u00edte com foto de Beatriz Olivieri nadando\" width=\"608\" height=\"543\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Rollings College, da Fl\u00f3rida, celebrou no Twitter chegada da brasileira Beatriz Olivieri, que \u00e9 nadadora.\u00a0Direito de imagem\u00a0TWITTER\/@ROLLINSSWIM<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>No futebol, ocorre de muitas crian\u00e7as e adolescentes terem o talento para entrar em uma institui\u00e7\u00e3o de ensino nos Estados Unidos, mas barram na dificuldade financeira. As fam\u00edlias n\u00e3o conseguem arcar com todos os custos preparat\u00f3rios, como curso de ingl\u00eas e assessoria para o processo seletivo \u2013 muito menos apresentar um saldo banc\u00e1rio na hora do visto para provar que podem sustentar o filho ou a filha no pa\u00eds, necess\u00e1rio mesmo que eles tenham bolsa de estudo.<\/p>\n<p>&#8220;Eles n\u00e3o conseguem pagar nem a passagem. Normalmente, s\u00e3o os melhores jogadores. Uma vez por ano convido um treinador de uma universidade dos Estados Unidos para fazer um camping e chamou uns atletas de baixa renda. Os treinadores se apaixonam tecnicamente por eles, oferecem bolsa integral mas e a passagem, o visto de estudante e o extrato banc\u00e1rio?&#8221;, questiona Amaury Nunes, ex-jogador profissional que, em 2008, montou a A10, empresa de interc\u00e2mbio esportivo.<\/p>\n<p>&#8220;Se tiv\u00e9ssemos uma empresa financiando isso, patrocinando um atleta, certamente conseguir\u00edamos mandar alunos de um perfil mais humilde&#8221;, diz Nunes, que atualmente procura uma parceria p\u00fablica ou privada para levar pelo menos dez alunos de baixa renda entre os 100 que manda anualmente para o exterior.<\/p>\n<p>S\u00e3o, portanto, fam\u00edlias de classe m\u00e9dia e classe m\u00e9dia alta que procuram a A10 para encaminhar os filhos para fora do pa\u00eds. Os treinos e o curso de ingl\u00eas saem por R$ 500 mensais. A assessoria para o processo de sele\u00e7\u00e3o e o encaixe em uma universidade custam R$ 10 mil, com a garantia de conseguir uma vaga para o aluno.<\/p>\n<p>Nunes se formou nos Estados Unidos com bolsa-atleta e atuou profissionalmente no pa\u00eds. Enquanto jogava na liga universit\u00e1ria, os t\u00e9cnicos seguidamente lhe pediam indica\u00e7\u00f5es de atletas e assim come\u00e7ou a buscar candidatos no Brasil.<\/p>\n<p>&#8220;Existe muita demanda em ambos os lados. Aqui fazemos seletivas nas dez unidades que temos no Brasil&#8221;, diz ele. &#8220;Come\u00e7amos a crescer muito principalmente quando veio a crise no Brasil. Os pais queriam dar uma oportunidade para os filhos de estudar. Aqui as universidades estavam em greve o tempo inteiro e as particulares eram muito caras. Hoje em dia, o aluno com bolsa nos Estados Unidos paga o mesmo que aqui ou at\u00e9 menos e ainda joga e estuda.&#8221;<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/7986\/production\/_101901113_rani7.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/7986\/production\/_101901113_rani7.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Rani Jord\u00e3o Ganime, de 10 anos\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">De segunda a s\u00e1bado, Rani acorda antes do amanhecer para treinar.\u00a0Direito de imagem\u00a0ADRIANA STOCK\/BBC BRASIL<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Desempenho<\/h2>\n<p>A performance \u00e9 outro fator importante para conseguir uma bolsa-atleta. Isso n\u00e3o significa, no entanto, que apenas aqueles com \u00edndices ol\u00edmpicos podem ser contemplados.<\/p>\n<p>\u00c9 o que diz a nadadora carioca Beatriz Olivieri, de 18 anos, que ingressa neste ano no Rollins College, na Florida, com todos os custos cobertos por duas bolsas, uma atl\u00e9tica e outra acad\u00eamica.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c0s vezes a gente tem a ideia de que \u00e9 uma coisa muito dif\u00edcil. Que para conseguir voc\u00ea precisa um \u00edndice muito forte, tem que ser um recordista brasileiro, mas na verdade n\u00e3o. L\u00e1 existem v\u00e1rias faculdades e eles procuram perfis diferentes. Voc\u00ea vai achar uma universidade que seja compat\u00edvel como seu perfil&#8221;, diz a nadadora da equipe do Flamengo, federada desde os dez anos de idade.<\/p>\n<p>Alguns atletas que se destacam, no entanto, atraem o interesse dos t\u00e9cnicos americanos. H\u00e1 casos em que a universidade chega at\u00e9 o aluno.<\/p>\n<p>Foi o que aconteceu com Diego Uch\u00f4a, ex-nadador da sele\u00e7\u00e3o brasileira e atual treinador da equipe categoria Petiz do Flamengo.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/6EBF\/production\/_101915382_gettyimages-499551389.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/6EBF\/production\/_101915382_gettyimages-499551389.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Movimento de pessoas no campus da Universidade Harvard em Cambridge, Massachusetts\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Universidades da Ivy League, como Harvard, n\u00e3o concedem bolsas de estudos a atletas.\u00a0Direito de imagem\u00a0GETTY IMAGES06<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>&#8220;Em 2010, eu estava me formando na Unisanta (na cidade paulista de Santos) e uma universidade dos Estados Unidos me ofereceu uma bolsa integral. O treinador precisava de um nadador de peito, que era a minha especialidade. Mas, naquele momento, meus planos eram outros e fui treinar no Minas&#8221;, diz Uch\u00f4a.<\/p>\n<p>Victoria Chamorro, praticante de esporte desde os seis anos de idade, atraiu a aten\u00e7\u00e3o de um olheiro enquanto participava de um campeonato nos Estados Unidos pela sele\u00e7\u00e3o brasileira de polo aqu\u00e1tico, na qual entrou com apenas 16 anos na posi\u00e7\u00e3o de goleira.<\/p>\n<p>Em 2014, recebeu o telefonema do t\u00e9cnico da Universidade do Sul da Calif\u00f3rnia, de Los Angeles. Ele precisava de uma goleira na equipe. Ela aceitou o convite e, em 2018, se forma em economia \u2013 ao mesmo tempo em que foi campe\u00e3 nacional da liga universit\u00e1ria americana e participou das Olimp\u00edadas do Rio.<\/p>\n<p>&#8220;O esporte foi o que basicamente me trouxe aqui, me deu um diploma universit\u00e1rio numa das melhores universidades do mundo em termos acad\u00eamicos&#8221;, diz a atleta.<\/p>\n<p>&#8220;Pretendo ficar mais um ano nos Estados Unidos trabalhando, com o visto de OPT (que permite estudantes internacionais a ganhar experi\u00eancia de trabalho) ou ir jogar profissionalmente na Europa ou Austr\u00e1lia at\u00e9 os Jogos Ol\u00edmpicos de T\u00f3quio. Em 2020 estarei completando 24 anos, ent\u00e3o ainda estou bem jovem, o que me d\u00e1 mais tempo como atleta. Tenho um tempo para decidir, e, gra\u00e7as a Deus, tenho op\u00e7\u00f5es proporcionadas pelo meu diploma.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<p><strong>Cr\u00e9dito:\u00a0<span class=\"byline__name\">Adriana Stock do<\/span><span class=\"byline__title\">\u00a0Rio de Janeiro para a BBC News Brasil &#8211; dispon\u00edvel na internet 11\/06\/2018<\/span><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rani Jord\u00e3o Ganime, 10 anos, acorda antes do amanhecer. Toma o caf\u00e9 da manh\u00e3, \u00e0s vezes mesmo sem fome, e parte de carro com o pai, na Ilha do Governador, para a sede do Flamengo, na G\u00e1vea, Rio de Janeiro, onde integra a equipe de nata\u00e7\u00e3o do clube. 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