{"id":25751,"date":"2018-06-13T00:02:50","date_gmt":"2018-06-13T03:02:50","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=25751"},"modified":"2018-06-13T07:12:04","modified_gmt":"2018-06-13T10:12:04","slug":"de-bem-com-a-vida-desmaiei-em-aborto-clandestino-aos-17-anos-e-meu-namorado-sumiu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2018\/06\/13\/de-bem-com-a-vida-desmaiei-em-aborto-clandestino-aos-17-anos-e-meu-namorado-sumiu\/","title":{"rendered":"De Bem Com a Vida: &#8216;Desmaiei em aborto clandestino aos 17 anos e meu namorado sumiu&#8217;"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;A dor maior \u00e9 a sentimental. \u00c9 voc\u00ea se sentir sozinha.&#8221; \u00c9 assim que Maria*, de 24 anos, descreve como se sentiu ao fazer um\u00a0<a class=\"story-body__link\" href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/topics\/f16883ee-804f-43cd-8bc3-80d0fed59682\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aborto<\/a>, sozinha, num quarto barato de hotel em S\u00e3o Paulo, aos 17 anos.<\/p>\n<p>&#8220;Eu estava num relacionamento muito abusivo. Eu n\u00e3o percebia isso na \u00e9poca. Quando ele terminou, eu descobri que estava gr\u00e1vida. Ent\u00e3o eu fui atr\u00e1s de conseguir o medicamento e tomar minhas decis\u00f5es&#8221;, contou em entrevista \u00e0 BBC Brasil.<\/p>\n<p>Com medo da rea\u00e7\u00e3o da m\u00e3e e das amigas, ela decidiu fazer o procedimento em segredo. Pegou instru\u00e7\u00f5es sobre como tomar o rem\u00e9dio com uma enfermeira que conhecia.<\/p>\n<p>&#8220;Quando eu fiz, eu fiz num hotel de p\u00e9ssima qualidade. Porque \u00e9 tudo escondido, ningu\u00e9m podia saber.&#8221;<\/p>\n<p>O ex-namorado de Maria era o \u00fanico presente no quarto de hotel, quando ela tomou os medicamentos. Mas, a jovem come\u00e7ou se sentir muito mal e desmaiou. Em vez de lev\u00e1-la ao hospital, o rapaz desapareceu por medo de ser incriminado.<\/p>\n<p>&#8220;Foi dito que, se eu desmaiasse, tinha que chamar o socorro. Eu desmaiei por alguns segundos e ele n\u00e3o fez nada&#8221;, relatou.<\/p>\n<p>&#8220;Quando acordei, eu fiquei muito chateada com isso porque era minha vida em jogo. Mas ele era maior de idade e eu era menor e ia pesar para ele isso, ent\u00e3o ele foi embora e eu fiquei sozinha.&#8221;<\/p>\n<p>Maria passou a noite toda sangrando e sentindo fortes contra\u00e7\u00f5es. A \u00fanica pessoa da fam\u00edlia dela que sabia do aborto era a irm\u00e3, que tamb\u00e9m estava gr\u00e1vida.<\/p>\n<p>&#8220;Quando a minha irm\u00e3 me ligava eu n\u00e3o podia falar: &#8216;Olha, est\u00e1 doendo demais e eu estou com muito medo&#8217;. Porque ela estava gr\u00e1vida de sete meses. Era minha escolha, n\u00e3o era a dela. Eu n\u00e3o podia preocupar uma pessoa que n\u00e3o tinha nada a ver com isso.&#8221;<\/p>\n<p>Sem saber bem o que fazer, a jovem voltou para casa ap\u00f3s a madrugada de aborto e demorou a procurar um hospital. Hoje ela tem consci\u00eancia de que poderia ter morrido e de que perdeu muito sangue durante o procedimento.<\/p>\n<p>Mas, para ela, a lembran\u00e7a mais dolorosa \u00e9 a da solid\u00e3o que sentiu. &#8220;O pior sentimento acho que \u00e9 o de abandono. Porque eu queria contar para a minha m\u00e3e. \u00c9 a pessoa que eu mais amo no mundo e mais confio, mas n\u00e3o para isso. Por causa do julgamento, da religi\u00e3o, da cren\u00e7a.&#8221;<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">&#8216;N\u00e3o quero deixar outras mulheres sozinhas&#8217;<\/h2>\n<p>Da experi\u00eancia &#8220;de abandono&#8221;, como ela descreve, veio a decis\u00e3o de integrar um grupo de WhatsApp secreto que comercializa p\u00edlulas abortivas e d\u00e1 instru\u00e7\u00f5es sobre o procedimento de interrup\u00e7\u00e3o da gravidez, por v\u00eddeo, texto e \u00e1udio. Cerca de 300 abortos foram realizados pelo grupo desde que ele foi criado, h\u00e1 tr\u00eas anos.<\/p>\n<p>&#8220;Eu fa\u00e7o por amor, porque eu sei que vou ajudar uma pessoa a se sentir segura. Eu me vejo em cada uma daquelas meninas de uma forma diferente. Com uma sa\u00edda mais f\u00e1cil.&#8221;<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/DC5B\/production\/_101911465_gettyimages-887651992.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/DC5B\/production\/_101911465_gettyimages-887651992.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Silhueta de mulher em corredor\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Segundo pesquisa, metade dos abortos clandestinos que acontecem anualmente no Brasil termina em interna\u00e7\u00f5es.\u00a0Direito de imagem\u00a0GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>A BBC Brasil teve acesso \u00e0s conversas do grupo por 5 meses. Quatro mulheres de diferentes Estados do pa\u00eds administram o servi\u00e7o e atuam como &#8220;guias&#8221;- acompanham as gr\u00e1vidas do come\u00e7o ao fim do procedimento, pelo smartphone. O app tamb\u00e9m funciona como uma esp\u00e9cie de grupo de apoio, as mulheres trocam experi\u00eancias e confortam umas \u00e0s outras.<\/p>\n<p>Maria diz que participou de 50 abortos.<\/p>\n<p>&#8220;Eu instruo a quantidade de medicamento referente ao tempo gestacional, explico como usar. Dou apoio, falo do quanto \u00e9 normal ela sangrar, quantas horas vai levar, mais ou menos, como agir referente a cada situa\u00e7\u00e3o. \u00c9 meio que um passo a passo at\u00e9 a finaliza\u00e7\u00e3o&#8221;, relata.<\/p>\n<p>Nem Maria nem as outras quatro jovens que administram o grupo de WhatsApp t\u00eam forma\u00e7\u00e3o m\u00e9dica. As instru\u00e7\u00f5es se baseiam na experi\u00eancia e em dicas de m\u00e9dicos e enfermeiros que conheceram ao longo da vida.<\/p>\n<p>A m\u00e9dica Alessandra Giavanini, diretora do N\u00facleo de Aborto Legal do Hospital P\u00e9rola Byington, alerta que o rem\u00e9dio abortivo pode provocar hemorragias (a mulher pode precisar de transfus\u00e3o) e restos do feto podem permanecer no \u00fatero, levando infec\u00e7\u00f5es e at\u00e9 \u00e0 morte, se a gr\u00e1vida n\u00e3o procurar ajuda em um hospital.<\/p>\n<p>As administradoras do grupo de WhatsApp recomendam que todas as mulheres que interrompem a gravidez procurem atendimento m\u00e9dico at\u00e9 uma semana depois de tomar as p\u00edlulas, para verificar se h\u00e1 necessidade de curetagem.<\/p>\n<p>Maria diz que, na realidade, queria que o aborto fosse legalizado, para que as mulheres tivessem acesso a um procedimento totalmente seguro.<\/p>\n<p>Muitas mulheres no Brasil temem buscar atendimento nos hospitais, ap\u00f3s interromper a gravidez, por medo de serem denunciadas \u00e0 pol\u00edcia. Segundo a Defensoria P\u00fablica de S\u00e3o Paulo, em cerca de 70% dos processos por autoaborto, a den\u00fancia foi feita pelos profissionais de sa\u00fade.<\/p>\n<p>Maria justifica a manuten\u00e7\u00e3o da &#8220;cl\u00ednica virtual de aborto&#8221; dizendo que os riscos poderiam ser ainda maiores se as gr\u00e1vidas fizessem o aborto sozinhas, como ela aos 17 anos, sem o apoio de quem j\u00e1 passou por essa experi\u00eancia.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o tem como garantir para elas que vai ser 100% seguro. A gente fala isso, n\u00e3o posso te garantir que vai acontecer nem que voc\u00ea est\u00e1 em plena seguran\u00e7a. Mas a gente faz o poss\u00edvel para isso: analisa o fluxo do sangramento, quanto absorvente est\u00e1 usando em tal per\u00edodo, fraqueza, tontura&#8221;, detalhou em entrevista \u00e0 BBC Brasil.<\/p>\n<p>&#8220;Talvez, se eu n\u00e3o ajudar, essas mulheres v\u00e3o tentar de outra forma. Tem mo\u00e7a que chega a mim dizendo que viu na internet um v\u00eddeo que se voc\u00ea enfiar uma agulha, voc\u00ea fura a bolsa, e pode furar outra coisa. Prefiro n\u00e3o deixar essas mulheres sozinhas.&#8221;<\/p>\n<p>De acordo com a Pesquisa Nacional do Aborto, de pesquisadores da Universidade de Bras\u00edlia, 500 mil abortos clandestinos acontecem a cada ano no Brasil &#8211; metade termina em interna\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>E dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade apontam que quatro mulheres morrem por dia por complica\u00e7\u00f5es de um aborto.<\/p>\n<p><strong>O impacto da criminaliza\u00e7\u00e3o sobre o n\u00famero de abortos<\/strong><\/p>\n<p>Um estudo publicado na revista m\u00e9dica Lancet, conduzido pela pesquisadora Gilda Sedgh, do Instituto Guttmacher, de Nova York, aponta uma taxa de 37 abortos a cada mil mulheres em pa\u00edses que vetam o aborto em qualquer circunst\u00e2ncia ou que s\u00f3 o permitem em caso de risco de vida para a m\u00e3e.<\/p>\n<p>Em na\u00e7\u00f5es onde a interrup\u00e7\u00e3o da gravidez \u00e9 permitida e oferecida mediante pedido da gestante, o n\u00famero de abortos \u00e9 de 34 para cada mil mulheres.<\/p>\n<p>Para esse estudo, foram requisitados dados oficiais de 184 pa\u00edses e analisadas informa\u00e7\u00f5es de fontes internacionais (organismos e ONGs, por exemplo) e de pesquisas acad\u00eamicas locais.<\/p>\n<p>J\u00e1 a pesquisadora Diana Greene Foster, da Universidade da Calif\u00f3rnia, que coordena um estudo sobre os efeitos psicol\u00f3gicos de abortos e gesta\u00e7\u00f5es indesejadas, diz que proibir a pr\u00e1tica n\u00e3o impede que mulheres com recursos financeiros recorram a ela, mas pode obrigar as mais pobres a ter o beb\u00ea.<\/p>\n<p>&#8220;Tornar o aborto ilegal encoraja as mulheres a buscarem meios ilegais de abortar. Ent\u00e3o, a seguran\u00e7a do aborto cai. E pessoas com menos recursos financeiros acabam tendo os beb\u00eas&#8221;, diz.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 640px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/B2D0\/production\/_101967754_mapa.png?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/B2D0\/production\/_101967754_mapa.png?resize=640%2C458&#038;ssl=1\" alt=\"Mapa mostra quas pa\u00edses t\u00eam leis mais restritivas ao aborto.\" width=\"640\" height=\"458\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Mapa mostra quais pa\u00edses t\u00eam leis mais restritivas ao aborto. O Brasil est\u00e1 entre os que mais criminalizam a interrup\u00e7\u00e3o da gravidez, juntamente com outras na\u00e7\u00f5es da Am\u00e9rica Latina, \u00c1frica e Oriente M\u00e9dio<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>O Brasil \u00e9 um dos pa\u00edses com regras mais restritivas ao aborto &#8211; se junta \u00e0 maioria da Am\u00e9rica Latina e pa\u00edses da \u00c1frica e do Oriente M\u00e9dio. A maioria dos pa\u00edses desenvolvidos permite a interrup\u00e7\u00e3o da gravidez pelo menos at\u00e9 o terceiro m\u00eas de gesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 o caso de Estados Unidos, Canad\u00e1 e dos integrantes da Uni\u00e3o Europeia. No Reino Unido, o aborto \u00a0\u00e9 oferecido no servi\u00e7o p\u00fablico de sa\u00fade, caso seja esse o desejo da mulher.<\/p>\n<p>Leia a reportagem completa aqui:\u00a0<a class=\"story-body__link\" href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-43155634\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Exclusivo: Por dentro de uma &#8216;cl\u00ednica secreta&#8217; de aborto no WhatsApp<\/a><\/p>\n<ul class=\"story-body__unordered-list\">\n<li class=\"story-body__list-item\"><a class=\"story-body__link\" href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-44243988\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">&#8216;Abortar \u00e9 matar&#8217;, diz m\u00e3e de gr\u00e1vida morta em cl\u00ednica clandestina de aborto<\/a><\/li>\n<li class=\"story-body__list-item\"><a class=\"story-body__link\" href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-44293621\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">A mulher denunciada por m\u00e9dica de plant\u00e3o e processada por aborto: &#8216;Fui interrogada enquanto sangrava&#8217;<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<div class=\"byline\"><strong><span class=\"byline__name\">Cr\u00e9dito: Nathalia Passarinho d<\/span><span class=\"byline__title\">a BBC News Brasil em Londres &#8211; dispon\u00edvel na internet 13\/06\/2018<\/span><\/strong><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;A dor maior \u00e9 a sentimental. \u00c9 voc\u00ea se sentir sozinha.&#8221; \u00c9 assim que Maria*, de 24 anos, descreve como se sentiu ao fazer um\u00a0aborto, sozinha, num quarto barato de hotel em S\u00e3o Paulo, aos 17 anos. &#8220;Eu estava num relacionamento muito abusivo. 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