{"id":25803,"date":"2018-06-15T07:47:44","date_gmt":"2018-06-15T10:47:44","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=25803"},"modified":"2018-06-15T07:47:44","modified_gmt":"2018-06-15T10:47:44","slug":"alta-de-17-no-botijao-de-gas-faz-familias-recorrerem-a-emprestimo-e-lenha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2018\/06\/15\/alta-de-17-no-botijao-de-gas-faz-familias-recorrerem-a-emprestimo-e-lenha\/","title":{"rendered":"Alta de 17% no botij\u00e3o de g\u00e1s faz fam\u00edlias recorrerem a empr\u00e9stimo e lenha."},"content":{"rendered":"<div class=\"column--primary\">\n<div class=\"story-body\">\n<div class=\"story-body__inner\">\n<p class=\"story-body__introduction\">Pegar empr\u00e9stimo com a fam\u00edlia ou amigos, substituir o fog\u00e3o por fogareiro el\u00e9trico, usar lenha ou \u00e1lcool para cozinhar, deixar de fazer refei\u00e7\u00f5es em casa e passar a comer em restaurantes populares do Estado. Esses s\u00e3o alguns dos malabarismos que as fam\u00edlias mais pobres do Brasil est\u00e3o fazendo para lidar com a alta do botij\u00e3o.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos 12 meses, o pre\u00e7o m\u00e9dio do botij\u00e3o de g\u00e1s residencial subiu 17% &#8211; de R$ 57 para R$ 67 &#8211; segundo o levantamento de pre\u00e7os da Ag\u00eancia Nacional do Petr\u00f3leo (ANP). \u00c9 um aumento parecido com o do \u00f3leo diesel, de 20% no mesmo per\u00edodo, que motivou a greve dos caminhoneiros. Al\u00e9m disso, \u00e9 uma alta muito acima da infla\u00e7\u00e3o, de 2,86% nos \u00faltimos 12 meses, na medi\u00e7\u00e3o do IPCA.<\/p>\n<p>No Jardim Pantanal, extremo da Zona Leste de S\u00e3o Paulo, Marli Souza Santos ficou sem botij\u00e3o de g\u00e1s no m\u00eas passado e n\u00e3o tinha dinheiro para comprar outro. Desempregada, com 43 anos, ela sustenta os tr\u00eas filhos com os R$ 190 que recebe do Bolsa Fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Chegou a ficar alguns dias sem g\u00e1s, at\u00e9 que a situa\u00e7\u00e3o ficou insustent\u00e1vel &#8211; afinal, precisava voltar a cozinhar para alimentar a fam\u00edlia. Ent\u00e3o, pegou um empr\u00e9stimo com um parente para comprar um novo botij\u00e3o e vai pagar em duas vezes. Os distribuidores s\u00f3 vendem \u00e0 vista, o que dificulta ainda mais a aquisi\u00e7\u00e3o pelos mais pobres.<\/p>\n<p>O aumento acima da infla\u00e7\u00e3o significa que as fam\u00edlias &#8220;est\u00e3o abrindo m\u00e3o de comprar outras coisas para comprar o botij\u00e3o de g\u00e1s, que \u00e9 essencial&#8221;, explica Andr\u00e9 Braz, coordenador do \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor, da FGV Ibre.<\/p>\n<p>Isso ocorre especialmente entre os mais pobres, que n\u00e3o tem muito onde cortar. &#8220;Em geral, quanto menos se ganha, maior a fatia da renda que vai para comida &#8211; e tamb\u00e9m para o botij\u00e3o&#8221;, afirma Braz. Por exemplo, para quem vive do benef\u00edcio m\u00e9dio do Bolsa Fam\u00edlia, um botij\u00e3o de g\u00e1s representa 37% do or\u00e7amento dom\u00e9stico. Para quem ganha um sal\u00e1rio m\u00ednimo, 7%. J\u00e1 para quem recebe 10 sal\u00e1rios m\u00ednimos, apenas 0,7%.<\/p>\n<p>&#8220;Pago uma coisa e deixo de comprar outra&#8221;, relata Marli.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/13F76\/production\/_102028718_2e2cd41f-4b32-4650-a2f9-786b5101dbc8.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/13F76\/production\/_102028718_2e2cd41f-4b32-4650-a2f9-786b5101dbc8.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Fogareiro el\u00e9trico de uma boca, ligado na tomada, com uma chaleira para ferver \u00e1gua para caf\u00e9\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Fogareiro el\u00e9trico \u00e9 uma das solu\u00e7\u00f5es para economizar no uso de g\u00e1s de botij\u00e3o<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>J\u00e1 Luciana Oz\u00f3rio da Silva, que mora com o marido em Parais\u00f3polis, favela paulistana, n\u00e3o teve ningu\u00e9m para ajud\u00e1-la. Ela est\u00e1 desempregada e ele trabalha em um pequeno com\u00e9rcio do bairro. Recentemente, o dinheiro acabou e o botij\u00e3o tamb\u00e9m. Resultado: ficaram sem g\u00e1s. &#8220;Por um m\u00eas, tivemos que almo\u00e7ar no Bom Prato todo dia&#8221;, conta ela. O Bom Prato \u00e9 um restaurante popular, do governo estadual, que cobra R$ 1 pela refei\u00e7\u00e3o. &#8220;\u00c0 noite, era suco e p\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>No Centro-Oeste, que tem o g\u00e1s mais caro do Brasil, 15% acima do pre\u00e7o m\u00e9dio nacional (R$ 77,4), muitas pessoas est\u00e3o voltando a usar fog\u00e3o a lenha. &#8220;O pobre mesmo est\u00e1 utilizando muito pouco g\u00e1s. As pessoas est\u00e3o improvisando um fog\u00e3ozinho a lenha&#8221;, relata Salete da Silva, que coordena a distribui\u00e7\u00e3o de cesta-b\u00e1sica da C\u00e1ritas em Sinop (MT). A C\u00e1ritas \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o ligada \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica, que atua na \u00e1rea da seguran\u00e7a alimentar.<\/p>\n<p>Segundo o IBGE, o n\u00famero de fam\u00edlias que cozinham com lenha ou carv\u00e3o aumentou em 2017, o que pode ser decorr\u00eancia da alta do g\u00e1s.<\/p>\n<p>&#8220;Pessoas em situa\u00e7\u00e3o de pobreza precisam se alimentar. Para isso, precisam de pol\u00edticas p\u00fablicas. N\u00e3o s\u00f3 para o alimento, para o g\u00e1s tamb\u00e9m&#8221;, afirma Avanildo Duque, gestor de Pol\u00edticas e Programas da organiza\u00e7\u00e3o ActionAid no Brasil, que tamb\u00e9m trabalha com seguran\u00e7a alimentar.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">13 anos sem reajuste<\/h2>\n<p>O aumento do g\u00e1s de cozinha resultou de uma mudan\u00e7a repentina de pre\u00e7os da Petrobras &#8211; algo semelhante ao que ocorreu com o diesel e a gasolina, todos derivados do petr\u00f3leo. Ao longo de 13 anos, entre 2002 e 2015, o pre\u00e7o do botij\u00e3o vendido pela estatal ficou praticamente congelado no Brasil. Enquanto isso, os pre\u00e7os internacionais aumentaram continuamente.<\/p>\n<p>Como grande parte do g\u00e1s de cozinha consumido no Brasil \u00e9 importada, a Petrobras assumiu a diferen\u00e7a entre o pre\u00e7o mais alto de importa\u00e7\u00e3o e o pre\u00e7o mais baixo praticado no pa\u00eds. Era um tipo de subs\u00eddio ao g\u00e1s de cozinha, que vigorou durante quase todo o governo petista de Luiz In\u00e1cio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Mas, em vez de ser bancado pelo governo, era assimilado pela pr\u00f3pria Petrobras.<\/p>\n<p>Essa pol\u00edtica beneficiou os consumidores, mas penalizou o caixa da estatal. &#8220;A pol\u00edtica de pre\u00e7os defasados gerou muito preju\u00edzo para a Petrobras&#8221;, diz Larissa Resende, pesquisadora da FGV Energia.<\/p>\n<p>A partir de 2015, na tentativa de equiparar os pre\u00e7os da Petrobras com os praticados pelo mercado internacional, a estatal elevou o pre\u00e7o do g\u00e1s em 15%. Foi o primeiro aumento em 13 anos. A seguir, a partir de junho de 2017, houve praticamente uma alta por m\u00eas.<\/p>\n<p>Em resposta \u00e0s cr\u00edticas pelos aumentos mensais, a Petrobras passou a reajustar os pre\u00e7os a cada tr\u00eas meses. Esse ano, em vez de subir, o pre\u00e7o j\u00e1 caiu duas vezes. O pr\u00f3ximo reajuste est\u00e1 programado para junho.<\/p>\n<p>Hoje, o pre\u00e7o do g\u00e1s de cozinha vendido pela Petrobras continua cerca de 11% mais barato que o internacional, segundo Larissa, que \u00e9 mestre em economia e doutoranda em engenharia.<\/p>\n<figure id=\"attachment_25806\" aria-describedby=\"caption-attachment-25806\" style=\"width: 592px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/gas2.png\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-25806 size-full\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/gas2.png?resize=592%2C296\" alt=\"\" width=\"592\" height=\"296\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/gas2.png?w=592&amp;ssl=1 592w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/gas2.png?resize=300%2C150&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 592px) 100vw, 592px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-25806\" class=\"wp-caption-text\">G\u00e1s de cozinha voltou a aumentar em 2015 e 2017<br \/>Pre\u00e7o m\u00e9dio de distribui\u00e7\u00e3o do botij\u00e3o (da Petrobr\u00e1s at\u00e9 chegar nas lojas) ficou praticamente congelado por 13 anos, de 2002 a 2015.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Para as fam\u00edlias mais pobres, a mudan\u00e7a de pol\u00edtica de pre\u00e7os da Petrobras foi um baque. Veio justo em um momento de crise, que reduziu a renda, encolheu o poder de compra e aumentou o desemprego.<\/p>\n<p>&#8220;No caso do Brasil, existe uma grande necessidade de dar um incentivo financeiro para a aquisi\u00e7\u00e3o de g\u00e1s de cozinha para a popula\u00e7\u00e3o D e E. Mas que isso seja feito por parte do governo, n\u00e3o pela Petrobras. Talvez um bolsa botij\u00e3o para a popula\u00e7\u00e3o menos favorecida&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p>Duque, da Action Aid, concorda: &#8220;Uma op\u00e7\u00e3o seria uma pol\u00edtica no \u00e2mbito do Bolsa Fam\u00edlia, que contemplasse um valor para as pessoas terem acesso ao g\u00e1s&#8221;.<\/p>\n<p>Algo parecido j\u00e1 existiu no Brasil. No final do governo Fernando Henrique, antes da pol\u00edtica de subs\u00eddio de pre\u00e7os pela Petrobras, o Brasil teve uma programa de distribui\u00e7\u00e3o de renda para facilitar o acesso ao g\u00e1s pelas fam\u00edlias mais carentes. Era o chamado Vale G\u00e1s. No governo Lula, foi incorporado ao Bolsa Fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Quem poderia se beneficiar de uma pol\u00edtica como essa \u00e9 Maria dos Santos, tamb\u00e9m do Jardim Pantanal, periferia de S\u00e3o Paulo. Sua fam\u00edlia recebe R$ 206 do Bolsa Fam\u00edlia, valor complementado por bicos feitos por ela e pelo marido.<\/p>\n<p>Recentemente, quando o g\u00e1s da fam\u00edlia acabou, n\u00e3o deu para comprar outro de um distribuidor oficial. &#8220;O dinheiro que eu tinha n\u00e3o dava para inteirar o g\u00e1s de R$ 70. Compramos um de R$ 56. \u00c9 um g\u00e1s pior. Mas a gente faz o que pode&#8221;. A ANP recomenda que os consumidores s\u00f3 comprem botij\u00e3o de revendedores autorizados, at\u00e9 por quest\u00f5es de seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a fam\u00edlia est\u00e1 controlando o uso do fog\u00e3o para fazer o g\u00e1s durar mais. Para isso, usam um fogareiro el\u00e9trico, de uma boca s\u00f3, para fazer caf\u00e9, arroz e feij\u00e3o. \u00c9 preciso paci\u00eancia: s\u00e3o 30 minutos at\u00e9 a \u00e1gua ferver. E a conta de luz? &#8220;Aqui, a gente n\u00e3o paga luz, ent\u00e3o temos essa possibilidade&#8221;.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/0ADE\/production\/_102028720_whatsappimage2018-06-08at13.04.57.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/0ADE\/production\/_102028720_whatsappimage2018-06-08at13.04.57.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Fila de consumidores com botij\u00f5es de g\u00e1s, para trocar botij\u00e3o vazio por outro cheio, em V\u00e1rzea Grande (MT), regi\u00e3o metropolitana de Cuiab\u00e1. Foto: Alan Rener Tavares\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Fila de consumidores para comprar g\u00e1s em V\u00e1rzea Grande (MT), regi\u00e3o metropolitana de Cuiab\u00e1, durante a greve dos caminhoneiros. Foto: Alan Rener Tavares<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">G\u00e1s para os mais pobres?<\/h2>\n<p>Este ano, o governo de Michel Temer chegou a anunciar que tomaria alguma medida para reduzir o impacto do aumento do g\u00e1s entre os mais pobres.<\/p>\n<p>Em fevereiro, o ent\u00e3o ministro da Fazenda Henrique Meirelles confirmou que a pasta estudava uma medida para reduzir o pre\u00e7o do g\u00e1s de cozinha, com foco nas fam\u00edlias de baixa renda. Al\u00e9m disso, o ent\u00e3o ministro de Desenvolvimento Social, Osmar Terra, afirmou que o Bolsa Fam\u00edlia poderia ser reajustado para incorporar parte do aumento do pre\u00e7o do g\u00e1s de cozinha.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, as ideias foram abandonadas. &#8220;Atualmente, conforme o ministro Guardia tem afirmado em suas manifesta\u00e7\u00f5es, n\u00e3o h\u00e1 estudos no Minist\u00e9rio da Fazenda sobre redu\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o do g\u00e1s de cozinha j\u00e1 que n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o fiscal&#8221;, informou a pasta, por nota. J\u00e1 Bolsa fam\u00edlia ter\u00e1 um reajuste de 5,67% a partir de julho, insuficiente para compensar a alta do g\u00e1s.<\/p>\n<p>O presidente da C\u00e2mara Rodrigo Maia (DEM) tamb\u00e9m teria prometido a l\u00edderes partid\u00e1rios que votaria medida para baixar o pre\u00e7o do g\u00e1s de cozinha. Por meio de sua assessoria, o deputado federal declarou estar &#8220;tentando construir uma solu\u00e7\u00e3o dentro do teto de gastos&#8221;.<\/p>\n<figure id=\"attachment_25805\" aria-describedby=\"caption-attachment-25805\" style=\"width: 592px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/gas1.png\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-25805 size-full\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/gas1.png?resize=592%2C296\" alt=\"\" width=\"592\" height=\"296\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/gas1.png?w=592&amp;ssl=1 592w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/gas1.png?resize=300%2C150&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 592px) 100vw, 592px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-25805\" class=\"wp-caption-text\">Botij\u00e3o de g\u00e1s subiu 17% nos \u00faltimos 12 meses<br \/>Pre\u00e7o \u00e9 maior nas regi\u00f5es Centro-Oeste e Norte<\/figcaption><\/figure>\n<p>&#8220;Enquanto o governo est\u00e1 pensando como pode subsidiar o consumidor da classe D e E, a Petrobras acaba internalizando esse subs\u00eddio (j\u00e1 que o pre\u00e7o continua abaixo do mercado internacional) e acumulando preju\u00edzos&#8221;, afirma a pesquisadora Larissa Resende.<\/p>\n<p>Segundo ela, uma das formas de baratear o botij\u00e3o de g\u00e1s no longo prazo seria aumentar os investimentos no segmento refino de GLP (o g\u00e1s de cozinha), para que o Brasil desenvolvesse um mercado interno mais competitivo e menos dependente de importa\u00e7\u00f5es &#8211; e, dessa forma, do pre\u00e7o do mercado externo e da cota\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar.<\/p>\n<p>Para que esses investimentos ocorram, afirma Larissa, \u00e9 importante que a Petrobr\u00e1s tenha caixa para investir e tamb\u00e9m que n\u00e3o haja interven\u00e7\u00e3o governamental nos pre\u00e7os da estatal, para estimular a entrada de capital externo.<\/p>\n<p>J\u00e1 Avanildo Duque, da ActionAid, sugere que o pa\u00eds passe a considerar outras alternativas de combust\u00edveis para cozinhar. &#8220;\u00c9 muito importante que a gente tenha mais autonomia e mais diversidade no uso de energia (para cozinhar). N\u00e3o podemos ficar dependendo dessa matriz energ\u00e9tica. Em momentos de crise, como o que estamos vivenciando, quem sofre mais s\u00e3o as pessoas mais vulner\u00e1veis&#8221;.<\/p>\n<p>Entre as alternativas citadas por Duque est\u00e3o o barateamento de fog\u00f5es baseados em energia solar, a uso de biodigestores nas cidades, que podem gerar g\u00e1s a partir do processamento de lixo e at\u00e9 do esgoto, at\u00e9 fog\u00f5es agroecol\u00f3gicos, \u00e0 base de lenha, mas em quantidades racionalizadas.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/58FE\/production\/_102028722_conteudo336.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/58FE\/production\/_102028722_conteudo336.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Esferas de GLP (o g\u00e1s de cozinha) da Refinaria Duque de Caxias (Reduc)\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Esferas de GLP (o g\u00e1s de cozinha) da Refinaria Duque de Caxias (Reduc) \/ Foto: Petrobras<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Greve dos caminhoneiros<\/h2>\n<p>Em abril deste ano, o valor cobrado pela Petrobras correspondia a apenas um ter\u00e7o do pre\u00e7o do botij\u00e3o (33%). Outros 24% eram referentes \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o do produto &#8211; das refinarias da Petrobras at\u00e9 os Estados. Mais 25% foi a margem de revenda. Al\u00e9m disso, 17,5% eram impostos &#8211; principalmente estaduais.<\/p>\n<p>No come\u00e7o do ano, a situa\u00e7\u00e3o era bastante diferente: o peso da distribui\u00e7\u00e3o era bem mais baixo, de 16%. Uma das explica\u00e7\u00f5es para o encarecimento do transporte \u00e9 o aumento do diesel &#8211; o g\u00e1s de cozinha \u00e9 transportado por caminh\u00f5es. Agora, resta saber se o retorno do subs\u00eddio ao diesel, negociado com os caminhoneiros, vai refletir na redu\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o do g\u00e1s de cozinha.<\/p>\n<p>Por enquanto, as consequ\u00eancias da greve dos caminhoneiros foram negativas para o pre\u00e7o do botij\u00e3o. Os 10 dias de mobiliza\u00e7\u00e3o nacional desabasteceram as distribuidoras e fizeram o valor subir ainda mais. Em S\u00e3o Paulo, o pre\u00e7o m\u00e9dio do botij\u00e3o de g\u00e1s registrado pelas empresas cadastradas no aplicativo Chama subiu de R$ 65 para R$ 75 &#8211; um aumento de 15%. Depois da greve, n\u00e3o retornou para os valores anteriores, ficando em R$ 70.<\/p>\n<p>Mais grave ainda foi o aumento registrado no Centro-Oeste. Durante a greve, houve quem vendesse o botij\u00e3o por impressionantes R$ 150.<\/p>\n<p>&#8220;Ficamos uma semana sem o produto. N\u00e3o tinha como chegar (botij\u00e3o de g\u00e1s no Mato Grosso) por causa da paralisa\u00e7\u00e3o dos caminhoneiros&#8221;, conta Alan Rener Tavares, presidente do Sindicato das Empresas Revendedoras de G\u00e1s do estado de Mato Grosso. &#8220;Al\u00e9m disso, a demanda aumentou muito. O consumidor ficou com medo de uma nova paralisa\u00e7\u00e3o e queria comprar dois, tr\u00eas botij\u00f5es&#8221;.<\/p>\n<p>Com o produto em falta e a demanda alta, a lei da oferta e procura fez o pre\u00e7o disparar. &#8220;O nosso produto virou ouro, teve at\u00e9 roubo de dois caminh\u00f5es de botij\u00e3o de g\u00e1s&#8221;, relata Tavares. &#8220;Aqui, todo o g\u00e1s vem por rodovia. Isso aumenta muito o pre\u00e7o&#8221;, explica o presidente do sindicato.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito:\u00a0<span class=\"byline__name\">Amanda Rossi d<\/span><span class=\"byline__title\">a BBC News Brasil em S\u00e3o Paulo &#8211; dispon\u00edvel na internet 15\/06\/2018<\/span><\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pegar empr\u00e9stimo com a fam\u00edlia ou amigos, substituir o fog\u00e3o por fogareiro el\u00e9trico, usar lenha ou \u00e1lcool para cozinhar, deixar de fazer refei\u00e7\u00f5es em casa e passar a comer em restaurantes populares do Estado. Esses s\u00e3o alguns dos malabarismos que as fam\u00edlias mais pobres do Brasil est\u00e3o fazendo para lidar com a alta do botij\u00e3o. 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