{"id":26050,"date":"2018-06-22T11:01:41","date_gmt":"2018-06-22T14:01:41","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=26050"},"modified":"2018-06-22T11:02:34","modified_gmt":"2018-06-22T14:02:34","slug":"gols-de-letras-nelson-motta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2018\/06\/22\/gols-de-letras-nelson-motta\/","title":{"rendered":"Gols de letras."},"content":{"rendered":"<h5>Para Nelson Rodrigues, o futebol era um pretexto para textos geniais sobre a vida como ela \u00e9, sobre as grandezas e mis\u00e9rias da condi\u00e7\u00e3o humana<\/h5>\n<div class=\"corpo margin-default\">\n<p>Caixa de surpresas e imprevistos, em que nem sempre o melhor vence, e o pior nem sempre perde, em que a l\u00f3gica e o bom senso s\u00e3o desafiados at\u00e9 o \u00faltimo minuto num jogo em que n\u00e3o h\u00e1 justi\u00e7a nem perd\u00e3o, o futebol desperta tanta paix\u00e3o que leva homens e mulheres educados e civilizados a se transformarem em torcedores selvagens enquanto a bola rola.<\/p>\n<p>Com esses ingredientes, o violento esporte bret\u00e3o inspirou cronistas e romancistas desde que come\u00e7ou a se popularizar no Rio de Janeiro. No in\u00edcio, era esporte de elite, de playboys cariocas e ingleses, o esporte do pov\u00e3o eram as regatas na Ba\u00eda de Guanabara.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 20, o futebol provocava pol\u00eamicas. Para Lima Barreto, o maior escritor negro do Brasil depois de Machado de Assis, era o \u201cesporte do pontap\u00e9\u201d, uma bo\u00e7alidade que tinha como \u00fanica fun\u00e7\u00e3o \u201ccausar dissens\u00f5es no seio da nossa vida nacional\u201d. Para ele, o esporte nacional era a capoeira, e o futebol aumentaria o fosso social entre brancos e negros.<\/p>\n<p>De fato, o racismo e a discrimina\u00e7\u00e3o aumentaram com o profissionalismo nos anos 30, se agravaram culpando o goleiro Barbosa e o zagueiro Bigode pela derrota em 1950, e foram derrotados por Pel\u00e9 e Garrincha em 1958. A saga sofrida e gloriosa de negros e mesti\u00e7os que mudaram nossa hist\u00f3ria nos campos de futebol e no imagin\u00e1rio nacional foi contada pelo pernambucano M\u00e1rio Filho no monumental \u201cO negro no futebol brasileiro\u201d, grande cl\u00e1ssico s\u00f3cio-antropo-esportivo.<\/p>\n<p>Irm\u00e3o de M\u00e1rio Filho, al\u00e9m de nosso maior dramaturgo, Nelson Rodrigues foi o Pel\u00e9 da cr\u00f4nica esportiva, porque sua imagina\u00e7\u00e3o prodigiosa e seu talento para o drama e a com\u00e9dia transformavam uma reles pelada em um \u00e9pico grandioso. O futebol era um pretexto para textos geniais sobre a vida como ela \u00e9, sobre as grandezas e mis\u00e9rias, e sobre o rid\u00edculo, da condi\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p>Um dos melhores romances que li nos \u00faltimos anos foi o premiado \u201cO drible\u201d, de S\u00e9rgio Rodrigues, uma emocionante hist\u00f3ria de encontros e desencontros de pai e filho com o drama de um craque imaginado e de um pa\u00eds real em movimento, narrada com a eleg\u00e2ncia de um Didi e a explos\u00e3o de um Ronaldo Fen\u00f4meno.<\/p>\n<p><strong>Artigo publicado no Jornal O Globo &#8211; <\/strong><strong>dispon\u00edvel na internet 22\/06\/2018<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #000080\"><strong>Nota: O presente artigo n\u00e3o traduz a opini\u00e3o do ASMETRO-SN. Sua publica\u00e7\u00e3o tem o prop\u00f3sito de estimular o debate dos problemas brasileiros e de refletir as diversas tend\u00eancias do pensamento contempor\u00e2neo.<\/strong>\u00a0<\/span><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para Nelson Rodrigues, o futebol era um pretexto para textos geniais sobre a vida como ela \u00e9, sobre as grandezas e mis\u00e9rias da condi\u00e7\u00e3o humana Caixa de surpresas e imprevistos, em que nem sempre o melhor vence, e o pior nem sempre perde, em que a l\u00f3gica e o bom senso s\u00e3o desafiados at\u00e9 o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":7456,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[134],"tags":[],"class_list":{"0":"post-26050","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-artigos"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/carinha_colunista_nelson_motta.jpg?fit=220%2C220&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26050","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26050"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26050\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7456"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26050"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26050"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26050"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}