{"id":26053,"date":"2018-06-22T08:03:31","date_gmt":"2018-06-22T11:03:31","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=26053"},"modified":"2018-06-22T11:07:42","modified_gmt":"2018-06-22T14:07:42","slug":"stf-declara-inconstitucionais-dispositivos-da-lei-das-eleicoes-que-vedavam-satira-a-candidatos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2018\/06\/22\/stf-declara-inconstitucionais-dispositivos-da-lei-das-eleicoes-que-vedavam-satira-a-candidatos\/","title":{"rendered":"STF declara inconstitucionais dispositivos da Lei das Elei\u00e7\u00f5es que vedavam s\u00e1tira a candidatos"},"content":{"rendered":"<div>\n<p>Por unanimidade, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) declararam inconstitucionais dispositivos da Lei das Elei\u00e7\u00f5es (Lei 9.504\/1997) que impediam emissoras de r\u00e1dio e televis\u00e3o de veicular programas de humor envolvendo candidatos, partidos e coliga\u00e7\u00f5es nos tr\u00eas meses anteriores ao pleito, como forma de evitar que sejam ridicularizados ou satirizados.<\/p>\n<p>O julgamento da A\u00e7\u00e3o Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4451, em que a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Emissoras de R\u00e1dio e Televis\u00e3o (Abert) questionava os incisos II e III (em parte) do artigo 45 da Lei das Elei\u00e7\u00f5es, foi iniciado ontem (20) e conclu\u00eddo na sess\u00e3o plen\u00e1ria desta quinta-feira (21). Os dispositivos considerados inconstitucionais pelo STF j\u00e1 estavam suspensos desde 2010 por meio de liminar concedida pelo ent\u00e3o relator, ministro Ayres Britto (aposentado), e referendada pelo Plen\u00e1rio, de modo que a proibi\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi aplicada nas elei\u00e7\u00f5es de 2010 nem nas seguintes.<\/p>\n<p>Todos os ministros acompanharam o atual relator da a\u00e7\u00e3o, ministro Alexandre de Moraes, que em seu voto destacou que os dispositivos violam as liberdades de express\u00e3o e de imprensa e o direito \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, sob o pretexto de garantir a lisura e a igualdade nos pleitos eleitorais. Para o relator, a previs\u00e3o \u00e9 inconstitucional, pois consiste na restri\u00e7\u00e3o, na subordina\u00e7\u00e3o e na for\u00e7osa adequa\u00e7\u00e3o da liberdade de express\u00e3o a normas cerceadoras durante o per\u00edodo eleitoral, com a clara finalidade de diminuir a liberdade de opini\u00e3o, a cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica e a livre multiplicidade de ideias.<\/p>\n<p><b>Not\u00edcias enganosas<\/b><\/p>\n<p>O julgamento foi retomado com o voto do ministro Luiz Fux, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ele fez uma distin\u00e7\u00e3o did\u00e1tica entre a liberdade de express\u00e3o e as not\u00edcias sabidamente enganosas, que causam danos irrevers\u00edveis a candidatos. Fux reafirmou que a Justi\u00e7a Eleitoral est\u00e1 preparada para combater as fake news com os instrumentos de que disp\u00f5e, evitando que o pleito de outubro tenha sua lisura comprometida.<\/p>\n<p>O ministro Ricardo Lewandowski ressaltou em seu voto que somente a livre forma\u00e7\u00e3o de opini\u00e3o e o pluralismo de ideias e de vis\u00f5es de mundo podem combater a instala\u00e7\u00e3o de um pensamento \u00fanico hegem\u00f4nico. Para o ministro Gilmar Mendes, os ju\u00edzes eleitorais devem ter discernimento para analisar os casos, nem proibindo nem dizendo que tudo \u00e9 permitido. \u201cN\u00e3o estamos autorizando um vale-tudo, nem podemos\u201d, assinalou.<\/p>\n<p>Os ministros Marco Aur\u00e9lio e Celso de Mello destacaram a incompatibilidade dos dispositivos questionados com princ\u00edpios constitucionais e universais, assim como a presidente do STF, ministra C\u00e1rmen L\u00facia. Para ela, \u00e9 surpreendente que, mesmo 30 anos ap\u00f3s a promulga\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, o STF ainda tenha que reafirmar a preval\u00eancia das liberdades de imprensa e de express\u00e3o. \u201cA censura \u00e9 a morda\u00e7a da liberdade\u201d, afirmou.<\/p>\n<p><b>ADI<\/b><\/p>\n<p>A a\u00e7\u00e3o foi ajuizada pela Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Emissoras de R\u00e1dio e Televis\u00e3o (Abert) contra os incisos II e III (em parte) do artigo 45 da Lei das Elei\u00e7\u00f5es (Lei 9.504\/1997). A entidade sustentou que a proibi\u00e7\u00e3o ofendia as liberdades de express\u00e3o e de imprensa e do direito \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, garantias institucionais verdadeiramente constitutivas da democracia brasileira, gerando \u201cum grave efeito silenciador sobre as emissoras de r\u00e1dio e televis\u00e3o, obrigadas a evitar a divulga\u00e7\u00e3o de temas pol\u00edticos pol\u00eamicos para n\u00e3o serem acusadas de \u2018difundir opini\u00e3o favor\u00e1vel ou contr\u00e1ria\u2019 a determinado candidato, partido, coliga\u00e7\u00e3o, a seus \u00f3rg\u00e3os ou representantes\u201d.<\/p>\n<p><strong>Processos relacionados<\/strong><br \/>\n<a class=\"noticia\" href=\"http:\/\/www.stf.jus.br\/portal\/processo\/verProcessoAndamento.asp?numero=4451&amp;classe=ADI&amp;origem=AP&amp;recurso=0&amp;tipoJulgamento=M\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ADI 4451<\/a><\/p>\n<p><strong>STF 22\/06\/2018<\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por unanimidade, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) declararam inconstitucionais dispositivos da Lei das Elei\u00e7\u00f5es (Lei 9.504\/1997) que impediam emissoras de r\u00e1dio e televis\u00e3o de veicular programas de humor envolvendo candidatos, partidos e coliga\u00e7\u00f5es nos tr\u00eas meses anteriores ao pleito, como forma de evitar que sejam ridicularizados ou satirizados. 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