{"id":26075,"date":"2018-06-25T00:20:36","date_gmt":"2018-06-25T03:20:36","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=26075"},"modified":"2018-06-24T09:21:47","modified_gmt":"2018-06-24T12:21:47","slug":"inmetro-derrapa-feio-na-etiquetagem-de-pneus-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2018\/06\/25\/inmetro-derrapa-feio-na-etiquetagem-de-pneus-2\/","title":{"rendered":"Inmetro derrapa feio na etiquetagem de pneus"},"content":{"rendered":"<p>\u00d3rg\u00e3o n\u00e3o exigiu exatamente o que mais interessa ao motorista: a durabilidade do pneu.<\/p>\n<p>Depois dos refrigeradores, o Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia), vinculado ao Minist\u00e9rio\u00a0 do Desenvolvimento, Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio Exterior, criou o\u00a0 Programa de Etiquetagem Veicular de Consumo. Antes facultativo, todas as marcas presentes no mercado brasileiro foram obrigadas a aderir ao programa para fazer jus aos benef\u00edcios do Inovar-Auto, regime da ind\u00fastria automobil\u00edstica iniciado em 2013 que vigorou at\u00e9 o final de dezembro de 2017 e que contemplou \u2014 com redu\u00e7\u00e3o do imposto federal sobre produtos industrializados (IPI) \u2014 o aumento da efici\u00eancia energ\u00e9tica de seus modelos.<\/p>\n<p>Todos os carros novos comercializados no pa\u00eds passaram obrigatoriamente a exibir,\u00a0 enquanto nos sal\u00f5es de vendas das concession\u00e1rias, a etiqueta de consumo registrando quanto bebe aquele modelo e o classificando-o em rela\u00e7\u00e3o aos concorrentes do mesmo segmento.<\/p>\n<p>Agora \u00e9 a vez dos pneus:\u00a0 desde abril, todos os comercializados no Brasil devem ostentar uma etiqueta que os classificam de acordo com tr\u00eas caracter\u00edsticas.<\/p>\n<p>A primeira \u00e9 o atrito com o piso, que resulta num maior ou menor consumo de combust\u00edvel. A segunda indica seu comportamento no asfalto molhado: confere maior ou menor ader\u00eancia que os concorrentes? A terceira caracter\u00edstica \u00e9 o ru\u00eddo que emite, medido em decib\u00e9is. Entretanto, o Inmetro n\u00e3o exigiu exatamente o que mais interessa ao motorista: qual pneu tem maior durabilidade? Qual marca roda mais antes de exigir substitui\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Em outros pa\u00edses, este \u00edndice \u00e9 obrigat\u00f3rio e chamado em ingl\u00eas de Treadwear, desgaste da banda de rodagem. Talvez voc\u00ea j\u00e1 o tenha visto na banda lateral de um pneu fabricado no Brasil para exporta\u00e7\u00e3o, ou num carro importado. Ele varia de 60 a 700 e n\u00e3o reflete objetivamente a durabilidade, pois se trata apenas de um referencial.<\/p>\n<p>A dura\u00e7\u00e3o de um pneu varia em fun\u00e7\u00e3o do piso, calibragem, cuidados do motorista, peso do carro, qualidade do asfalto, alinhamento das rodas e outros fatores. O \u00edndice Treadwear \u00e9 determinado (nos EUA) numa prova a que s\u00e3o submetidos os pneus instalados em carros semelhantes que rodam a mesma dist\u00e2ncia (9.600 milhas\/15.360 quil\u00f4metros) \u00e0 mesma velocidade, no mesmo tipo de asfalto e se avalia ent\u00e3o seu desgaste.<\/p>\n<div id=\"attachment_123336\" class=\"wp-caption aligncenter fbx-instance\" style=\"width: 443px\">\n<figure id=\"attachment_123336\" aria-describedby=\"caption-attachment-123336\" style=\"width: 443px\" class=\"wp-caption alignright fbx-instance\"><a class=\"fbx-link cb-lightbox\" href=\"https:\/\/i2.wp.com\/www.autoentusiastas.com.br\/ae\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/inmetro-pneus-vert.jpg?resize=367%2C663\" rel=\"foobox\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-123336\" src=\"https:\/\/i2.wp.com\/www.autoentusiastas.com.br\/ae\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/inmetro-pneus-vert.jpg?resize=367%2C663\" alt=\"\" width=\"443\" height=\"800\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-123336\" class=\"wp-caption-text\">Cad\u00ea o treadwear? N\u00e3o tem (Foto:\u00a0produto.mercadolivre.com.br)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>O pneu que se desgasta de acordo com um padr\u00e3o estabelecido pelo governo tem \u00edndice 100. Mas se ele atinge apenas 60% da quilometragem padr\u00e3o, seu Treadwear \u00e9 60. O pneu capaz de rodar o dobro do padr\u00e3o faz jus ao \u00edndice 200, e assim por diante.<\/p>\n<p>Quando o Inmetro divulgou a etiqueta pneum\u00e1tica, eu imediatamente o questionei a respeito do Treadwear e obtive a mais tosca das respostas: que a durabilidade depende das condi\u00e7\u00f5es de utiliza\u00e7\u00e3o e n\u00e3o d\u00e1 para determinar a quilometragem que ele vai atingir. O \u00f3rg\u00e3o imagina estar lidando com ignorantes que desconhecem como se determina o \u00edndice em outros pa\u00edses. E a obviedade de ser imposs\u00edvel estabelecer objetivamente, mas apenas referencialmente a durabilidade.<\/p>\n<p><strong>Ali\u00e1s, o Inmetro j\u00e1 deu in\u00fameras demonstra\u00e7\u00f5es de incompet\u00eancia ao estabelecer padr\u00f5es de certifica\u00e7\u00e3o do setor. Derrapou feio ao cuidar de pneus: pressionado por empresas do setor, chegou a emitir documento afirmando que pneu remoldado se enquadrava como novo (e n\u00e3o como remanufaturado). Percebeu o tamanho da encrenca e voltou atr\u00e1s. A pr\u00f3pria certifica\u00e7\u00e3o de pneus remoldados \u201cesqueceu\u201d de exigir o registro das caracter\u00edsticas originais da carca\u00e7a.<\/strong><\/p>\n<p>Decidiu recentemente estabelecer a certifica\u00e7\u00e3o de pe\u00e7as de reposi\u00e7\u00e3o, mas se restringiu a vinte delas entre as milhares utilizadas num ve\u00edculo. Algumas do motor, que n\u00e3o interferem com a seguran\u00e7a veicular, como pist\u00f5es, an\u00e9is, bielas e bronzinas, foram agraciadas. Mas v\u00e1lvulas ou \u00e1rvores de comando n\u00e3o foram. Apenas algumas ligadas \u00e0 seguran\u00e7a foram inclu\u00eddas, como rodas e fluido de freio. Mas limpador de para-brisa ficou de fora. A absoluta falta de crit\u00e9rio do Inmetro neste processo faz levantar suspeitas de que o \u00f3rg\u00e3o apenas contemplou empresas que se \u201cinteressaram\u201d em ter seus produtos submetidos ao processo de certifica\u00e7\u00e3o. A in\u00e9pcia do Inmetro coloca em d\u00favida a seriedade de seus prop\u00f3sitos e em risco a seguran\u00e7a veicular.<\/p>\n<h6><\/h6>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Boris Feldman*\/Autoentusiastas &#8211; dispon\u00edvel na internet 25\/06\/2018<\/strong><\/p>\n<h6>*A coluna \u201cOpini\u00e3o de Boris Feldman\u201d \u00e9 de total responsabilidade do seu autor e n\u00e3o reflete necessariamente a opini\u00e3o do AUTOentusiastas.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00d3rg\u00e3o n\u00e3o exigiu exatamente o que mais interessa ao motorista: a durabilidade do pneu. Depois dos refrigeradores, o Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia), vinculado ao Minist\u00e9rio\u00a0 do Desenvolvimento, Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio Exterior, criou o\u00a0 Programa de Etiquetagem Veicular de Consumo. Antes facultativo, todas as marcas presentes no mercado brasileiro foram obrigadas a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":26076,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[135],"tags":[],"class_list":{"0":"post-26075","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-clipping"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/inmetro-pneus.jpg?fit=750%2C400&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26075","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26075"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26075\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media\/26076"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26075"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26075"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26075"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}