{"id":26194,"date":"2018-06-28T00:39:02","date_gmt":"2018-06-28T03:39:02","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=26194"},"modified":"2018-06-28T03:45:45","modified_gmt":"2018-06-28T06:45:45","slug":"na-contramao-de-europa-e-eua-brasil-caminha-para-liberar-mais-agrotoxicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2018\/06\/28\/na-contramao-de-europa-e-eua-brasil-caminha-para-liberar-mais-agrotoxicos\/","title":{"rendered":"Na contram\u00e3o de Europa e EUA, Brasil caminha para liberar mais agrot\u00f3xicos."},"content":{"rendered":"<div class=\"story-body__inner\">\n<p class=\"story-body__introduction\">Se o novo\u00a0PL 6.299\/2002, aprovado na noite de segunda-feira por uma comiss\u00e3o especial da C\u00e2mara dos Deputados, virar a nova lei de\u00a0agrot\u00f3xicos, o\u00a0Brasil\u00a0estar\u00e1 na contram\u00e3o das decis\u00f5es recentes de pa\u00edses da\u00a0Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>\u00c9 o que diz a pesquisadora Larissa Mies Bombardi, do Laborat\u00f3rio de Geografia Agr\u00e1ria da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), autora do atlas\u00a0<i>Geografia do Uso de Agrot\u00f3xicos no Brasil e Conex\u00f5es com a Uni\u00e3o Europeia<\/i>, de 2017, que mapeia o uso dessas subst\u00e2ncias em todo o pa\u00eds e o compara com o uso nos pa\u00edses da UE.<\/p>\n<p>&#8220;Para se ter uma ideia, eles (os europeus) acabaram de proibir o uso de inseticidas chamados de neonicotinoides, que s\u00e3o dos mais vendidos no mundo, por que pesquisas mostravam uma rela\u00e7\u00e3o entre eles e a mortandade de abelhas&#8221;, disse \u00e0 BBC News Brasil.<\/p>\n<p>&#8220;Aqui, essas subst\u00e2ncias ainda s\u00e3o usadas. E agora, com o novo projeto de lei, ainda vamos ampliar o leque de agrot\u00f3xicos dispon\u00edveis no mercado.&#8221;<\/p>\n<p>O projeto, proposto originalmente pelo ex-senador e atual ministro da Agricultura Blairo Maggi (PP-MT) e cujo relator \u00e9 o deputado Luiz Nishimori (PR-PR), tamb\u00e9m d\u00e1 mais poderes ao Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento (MAPA) para realizar a avalia\u00e7\u00e3o toxicol\u00f3gica das subst\u00e2ncias e aprova\u00e7\u00e3o do seu uso, dimuindo as compet\u00eancias de controle e fiscaliza\u00e7\u00e3o da Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis (Ibama) no processo.<\/p>\n<p>O debate vem causando pol\u00eamica entre ruralistas, a favor do PL, e \u00f3rg\u00e3os como Anvisa, Ibama, Fiocruz, Instituto Nacional do C\u00e2ncer (Inca) e Conselho Nacional de Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional (Consea), que se posicionam contra, afirmando que a mudan\u00e7a reduz os n\u00edveis de seguran\u00e7a para o consumidor.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/01D7\/production\/_102217400_gettyimages-833284558.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/01D7\/production\/_102217400_gettyimages-833284558.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"M\u00e1quina agr\u00edcola em campo\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Segundo pesquisador da escola de Agronomia da USP, mudan\u00e7a na legisla\u00e7\u00e3o sobre agrot\u00f3xicos \u00e9 necess\u00e1ria para modernizar a produ\u00e7\u00e3o brasileira.\u00a0Direito de imagem\u00a0GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Os produtores reclamam da demora na libera\u00e7\u00e3o dos agrot\u00f3xicos e dizem que, quando o governo autoriza a aplica\u00e7\u00e3o, os produtos j\u00e1 est\u00e3o obsoletos. Pessoas favor\u00e1veis ao novo projeto de lei afirmam que ele \u00e9 mais eficiente e condizente com as normas internacionais de uso das subst\u00e2ncias.<\/p>\n<p>Opositores, por sua vez, afirmam que a nova medida favoreceria apenas os fabricantes dos qu\u00edmicos, facilitando a entrada de produtos possivelmente danosos \u00e0 sa\u00fade e ao ambiente no mercado.<\/p>\n<p>O PL foi aprovado na comiss\u00e3o ap\u00f3s pelo menos oito tentativas de vot\u00e1-lo, que foram palco de debates acalorados, xingamentos entre deputados e manobras para atrasar a decis\u00e3o sobre o tema. O texto ainda n\u00e3o tem data para ser levado ao plen\u00e1rio da C\u00e2mara.<\/p>\n<p>A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria, ligada ao MAPA), al\u00e9m de organiza\u00e7\u00f5es e sindicatos que representam produtores das subst\u00e2ncias usadas nas lavouras, se posicionaram a favor da medida.<\/p>\n<p>Do outro lado, reuniram-se, al\u00e9m de Anvisa, Ibama e Consea, organiza\u00e7\u00f5es ambientalistas e at\u00e9 celebridades, como Caetano Veloso, Bela Gil e atores de televis\u00e3o, que chamam o projeto de &#8220;PL do Veneno&#8221;.<\/p>\n<p>Saiba quais os principais pontos pol\u00eamicos da medida:<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">&#8216;Risco inaceit\u00e1vel&#8217;<\/h2>\n<p>Uma das principais controv\u00e9rsias do projeto \u00e9 a ideia de que agrot\u00f3xicos s\u00f3 ser\u00e3o proibidos no pa\u00eds caso apresentem &#8220;risco inaceit\u00e1vel&#8221;, que \u00e9 definido como &#8220;n\u00edvel de risco considerado insatisfat\u00f3rio por permanecer inseguro ao ser humano ou ao meio ambiente, mesmo com a implementa\u00e7\u00e3o das medidas de gerenciamento dos riscos&#8221;.<\/p>\n<p>Atualmente, a lei 7.802\/1989, que rege o uso de agrot\u00f3xicos, \u00e9 mais r\u00edgida, e pro\u00edbe especificamente subst\u00e2ncias que revelem caracter\u00edsticas teratog\u00eanicas, carcinog\u00eanicas ou mutag\u00eanicas (que provoquem c\u00e2ncer ou altera\u00e7\u00f5es em embri\u00f5es ou no DNA), de acordo com resultados de experi\u00eancias da comunidade cient\u00edfica; que provoquem dist\u00farbios hormonais e danos ao aparelho reprodutor, que se revelem mais perigosos para o homem do que os testes de laborat\u00f3rio, com animais, tenham podido demonstrar e que causem danos ao meio ambiente.<\/p>\n<p>&#8220;Na pr\u00e1tica, essa proposta \u00e9 um grande retrocesso porque p\u00f5e a perder o nosso par\u00e2metro de precau\u00e7\u00e3o. Como vamos saber o que \u00e9 risco inaceit\u00e1vel? Como exatamente se define isso?&#8221;, diz Bombardi.<\/p>\n<p>&#8220;J\u00e1 somos muito mais permissivos no limite de subst\u00e2ncias que permitimos que sejam usadas nas planta\u00e7\u00f5es e que estejam nos alimentos e na \u00e1gua. Por exemplo, permitimos um n\u00edvel de glifosato na \u00e1gua (considerado cancer\u00edgeno para animais e provavelmente para o homem pelo Centro Internacional de Pesquisa sobre o C\u00e2ncer) at\u00e9 5 mil vezes maior do que a UE permite&#8221;.<\/p>\n<p>De acordo com o atlas, o limite m\u00e1ximo de res\u00edduos permitido em alguns alimentos no Brasil chega a ser 400 vezes superior ao da Uni\u00e3o Europeia. No caso da \u00e1gua, essa diferen\u00e7a pode ser de 5 mil vezes mais.<\/p>\n<p>A defini\u00e7\u00e3o de risco inaceit\u00e1vel, de acordo com a PL, seria feita por t\u00e9cnicos respons\u00e1veis por fazer uma avalia\u00e7\u00e3o de risco, outra novidade introduzida no projeto.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">An\u00e1lise de risco, n\u00e3o s\u00f3 de perigo<\/h2>\n<p>Atualmente, os \u00f3rg\u00e3os respons\u00e1veis no Brasil fazem uma avalia\u00e7\u00e3o do perigo dos agrot\u00f3xicos, ou seja, de qual perigo eles podem oferecer \u00e0 sa\u00fade e ao ambiente, segundo a ci\u00eancia, como determina a lei. Em outros pa\u00edses, como na Uni\u00e3o Europeia e nos Estados Unidos, tamb\u00e9m \u00e9 feita, juntamente com a avalia\u00e7\u00e3o do perigo, uma an\u00e1lise de risco.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/4FF7\/production\/_102217402_gettyimages-145091254.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/4FF7\/production\/_102217402_gettyimages-145091254.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Manuseio de produtos qu\u00edmicos agr\u00edcolas\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Nova lei, se aprovada, institui avalia\u00e7\u00e3o de risco de subst\u00e2ncias qu\u00edmicas, que identifica os riscos que elas trazem mesmo quando utilizadas de maneira correta.\u00a0Direito de imagem\u00a0GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Esta an\u00e1lise leva em conta a exposi\u00e7\u00e3o que as pessoas realmente t\u00eam ao produto no dia a dia, caso ele seja aplicado da maneira correta definida pela empresa que o fabricou.<\/p>\n<p>&#8220;Este \u00e9 o grande avan\u00e7o do PL. Possibilitar uma analise dos produtos n\u00e3o apenas pelo perigo, mas pelo risco, que \u00e9 o conceito moderno de avaliar qualquer subst\u00e2ncia e processo. \u00c9 um procedimento mais complexo, mas muito mais seguro em termos de ambiente e de sa\u00fade&#8221;, disse \u00e0 BBC News Brasil Jos\u00e9 Ot\u00e1vio Menten, professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de S\u00e3o Paulo (Esalq\/USP) e presidente do Conselho Cient\u00edfico Agro Sustent\u00e1vel (CCAS).<\/p>\n<p>A quest\u00e3o \u00e9 que cada agrot\u00f3xico deve ter uma dosagem e uma maneira correta de aplicar em produtos diferentes, o que torna a an\u00e1lise de risco complexa e, 0tamb\u00e9m, &#8220;n\u00e3o t\u00e3o objetiva&#8221;, segundo Menten.<\/p>\n<p>&#8220;Esse procedimento requer t\u00e9cnicos mais experientes, porque ele n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o objetivo. \u00c9 um dos procedimentos que mais exigem qualifica\u00e7\u00e3o e preparo de t\u00e9cnicos que possam entender at\u00e9 que ponto a gente pode e n\u00e3o pode ir&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Anvisa e Ibama reclamam da falta de recursos para o preparo de profissionais para avaliar com mais rapidez, de acordo com a lei atual, os pedidos de registro de agrot\u00f3xicos. Em\u00a0<a class=\"story-body__link-external\" href=\"http:\/\/portal.anvisa.gov.br\/noticias\/-\/asset_publisher\/FXrpx9qY7FbU\/content\/agrotoxicos-anvisa-e-contraria-ao-pl-6299-02-\/219201?p_p_auth=zSo03dZR&amp;inheritRedirect=false&amp;redirect=http%3A%2F%2Fportal.anvisa.gov.br%2Fnoticias%3Fp_p_auth%3DzSo03dZR%26p_p_id%3D101_INSTANCE_FXrpx9qY7FbU%26p_p_lifecycle%3D0%26p_p_state%3Dnormal%26p_p_mode%3Dview%26p_p_col_id%3D_118_INSTANCE_dKu0997DQuKh__column-2%26p_p_col_count%3D1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">nota t\u00e9cnica<\/a>\u00a0sobre o PL 6922\/2002, a Anvisa diz que, o pa\u00eds n\u00e3o tem estrutura, atualmente, para fazer a an\u00e1lise de risco dos agrot\u00f3xicos.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 estrat\u00e9gias de possibilidade de avalia\u00e7\u00e3o do risco que n\u00e3o est\u00e3o ainda internacionalmente pacificadas, o que demanda maturidade regulat\u00f3ria, necessidade de condu\u00e7\u00e3o de estudos para quanfica\u00e7\u00e3o da exposi\u00e7\u00e3o no Brasil e t\u00e9cnicos especializados em n\u00famero suficiente para o atendimento da demanda, o que n\u00e3o corresponde \u00e0 realidade brasileira no momento&#8221;, afirma o \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n<p>Para Menten, no entanto, isso s\u00e3o &#8220;limita\u00e7\u00f5es&#8221; que o pa\u00eds pode ultrapassar. &#8220;Os nossos t\u00e9cnicos talvez tenham que ser reciclados, atualizados. N\u00e3o \u00e9 uma coisa que vai acontecer de um dia para o outro, mas n\u00e3o podemos ficar parados por falta de t\u00e9cnicos suficientes. Vamos qualificando nossos t\u00e9cnicos com o tempo.&#8221;<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Mais subst\u00e2ncias no mercado provisoriamente<\/h2>\n<p>A lei atual de agrot\u00f3xicos tamb\u00e9m n\u00e3o estabelece prazos-limite para que os registros de novos produtos sejam concedidos. Na pr\u00e1tica, o processo pode levar entre cinco e oito anos, e os produtores reclamam que essa lentid\u00e3o impede que o Brasil consiga usar produtos mais eficientes e menos t\u00f3xicos que est\u00e3o no mercado internacional.<\/p>\n<p>Com o novo PL, ficam estabelecidos os prazos de 30 dias &#8211; para o registro especial tempor\u00e1rio de um produto que precise ser usado para pesquisas acad\u00eamicas &#8211; at\u00e9 24 meses (dois anos), para produtos completamente novos no Brasil.<\/p>\n<p>No entanto, se esses prazos de an\u00e1lise n\u00e3o forem cumpridos pelos \u00f3rg\u00e3os federais, as empresas, segundo o projeto, podem pedir um registro tempor\u00e1rio para seus produtos, e j\u00e1 coloc\u00e1-los no mercado enquanto eles esperam a aprova\u00e7\u00e3o (ou reprova\u00e7\u00e3o) do Minist\u00e9rio da Agricultura.<\/p>\n<p>Para conseguir esse registro tempor\u00e1rio, basta que o produto tenha sido autorizado da mesma maneira por tr\u00eas pa\u00edses da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE), organiza\u00e7\u00e3o que re\u00fane alguns dos pa\u00edses mais desenvolvidos do mundo.<\/p>\n<p>&#8220;A OCDE tem 37 pa\u00edses. Nela est\u00e3o Jap\u00e3o e Uni\u00e3o Europeia, que podem ser exemplos no uso de agrot\u00f3xicos. Mas tamb\u00e9m est\u00e3o M\u00e9xico, Turquia e Chile, que nem sempre s\u00e3o bons exemplos. Quais tr\u00eas pa\u00edses ser\u00e3o escolhidos? Novamente, n\u00e3o fica claro&#8221;, questiona Larissa Bombardi.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/9E17\/production\/_102217404_gettyimages-922899416.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/9E17\/production\/_102217404_gettyimages-922899416.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Cientista colocando produto em planta\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Nova lei permitiria que novos produtos qu\u00edmicos chegassem ao mercado brasileiro antes que pareceres t\u00e9cnicos fossem finalizados.\u00a0Direito de imagem\u00a0GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>O projeto de lei diz que os tr\u00eas pa\u00edses que aprovaram previamente o agrot\u00f3xico devem obedecer ao C\u00f3digo Internacional de Conduta sobre a Distribui\u00e7\u00e3o e o Uso de Pesticidas da FAO, organiza\u00e7\u00e3o da ONU para a alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Um ter\u00e7o dos 504 agrot\u00f3xicos que s\u00e3o autorizados no Brasil s\u00e3o proibidos na UE. Dos dez mais vendidos no Brasil atualmente, dois s\u00e3o proibidos l\u00e1. O que pode acontecer agora \u00e9 que essa diferen\u00e7a pode aumentar. Outros agrot\u00f3xicos que o Brasil proibiu podem voltar a ser avaliados e permitidos&#8221;, diz a pesquisadora.<\/p>\n<p>A possibilidade de colocar agrot\u00f3xicos no mercado provisoriamente da forma como proposto no PL n\u00e3o existe na Uni\u00e3o Europeia, ressalta a pesquisadora.<\/p>\n<p>Para Jos\u00e9 Ot\u00e1vio Menten, que \u00e9 favor\u00e1vel ao novo projeto de lei, o registro provis\u00f3rio \u00e9 o ponto mais &#8220;delicado&#8221; e &#8220;preocupante&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Se esse registro servir para que haja um est\u00edmulo para a an\u00e1lise mais r\u00e1pida, \u00e9 at\u00e9 v\u00e1lido. \u00c9 uma maneira de pressionarmos por maior efici\u00eancia. Mas temos de lutar pela melhoria do Ibama e da Anvisa para usarmos esse dispositivo da lei em casos raros, que n\u00e3o vire uma regra&#8221;, pondera.<\/p>\n<p>&#8220;Temos cerca de 30 produtos j\u00e1 registrados em outros pa\u00edses e n\u00e3o no Brasil. E, se est\u00e3o registrados em pa\u00edses onde passaram por an\u00e1lise bem feita, espera-se, acho que a chance de termos problemas com eles \u00e9 pequena. Mas o ideal seria que eles s\u00f3 entrassem no mercado depois da consulta aos nossos \u00f3rg\u00e3os, e que eles fossem \u00e1geis.&#8221;<\/p>\n<p>Atualmente, a Anvisa tem 32 agrot\u00f3xicos novos &#8211; ou seja, cujas mol\u00e9culas nunca foram registradas no Brasil &#8211; esperando pelo parecer que pode conceder o registro para serem vendidos no pa\u00eds.<\/p>\n<p>A ag\u00eancia, no entanto, \u00e9 apenas uma parte da equa\u00e7\u00e3o, que envolve os pareceres do Ibama e do Minist\u00e9rio da Agricultura. O Ibama tem cinco produtos ainda em an\u00e1lise na lista divulgada em seu site. At\u00e9 o fechamento desta reportagem, o Minist\u00e9rio da Agricultura n\u00e3o havia divulgado quantos agrot\u00f3xicos est\u00e3o pendentes do registro no Brasil.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Sem reavalia\u00e7\u00e3o determinada por lei<\/h2>\n<p>Segundo Larissa Bombardi, o PL tamb\u00e9m perdeu a oportunidade de implantar uma reavalia\u00e7\u00e3o c\u00edclica dos registros dos agrot\u00f3xicos, como em pa\u00edses desenvolvidos.<\/p>\n<p>Nos Estados Unidos, eles devem ser reavaliados a cada 15 anos. No Jap\u00e3o, a cada tr\u00eas. Na Europa, s\u00e3o 10 anos. Ap\u00f3s esse per\u00edodo, as autoriza\u00e7\u00f5es devem ser revistas de acordo com as novas pesquisas cient\u00edficas dispon\u00edveis sobre elas. Em todos os casos, a sociedade tamb\u00e9m pode pedir a reavalia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No Brasil, uma subst\u00e2ncia s\u00f3 \u00e9 reavaliada atualmente mediante pedido. O glifosato, por exemplo, est\u00e1 sendo reavaliado desde 2008. Na UE, sua licen\u00e7a foi renovada no ano passado, mas continua sendo questionada por institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade. A Fran\u00e7a determinou que o produto ser\u00e1 proibido a partir de 2022.<\/p>\n<p>Menten, no entanto, diz que o sistema brasileiro \u00e9 &#8220;mais inteligente&#8221;. &#8220;Ter\u00edamos que parar outros servi\u00e7os para fazer essa revis\u00e3o, se ela fosse implantada. Mas sempre que houver um fato novo, podemos revisar&#8221;, diz.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/F7EF\/production\/_102217436_gettyimages-517077044.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/F7EF\/production\/_102217436_gettyimages-517077044.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Cientista examinando morangos em laborat\u00f3rio\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Segundo pesquisadora da USP, Brasil permite quantidade muito alta de agrot\u00f3xicos em alimentos e na \u00e1gua em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Uni\u00e3o Europeia.\u00a0Direito de imagem\u00a0GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Agrot\u00f3xicos x Fitossanit\u00e1rios x Pesticidas<\/h2>\n<p>A controv\u00e9rsia em rela\u00e7\u00e3o ao projeto de lei chegou at\u00e9 mesmo ao nome utilizado para se referir aos produtos qu\u00edmicos usados na agricultura.<\/p>\n<p>Inicialmente, o PL sugeria que o nome agrot\u00f3xicos fosse substitu\u00eddo por &#8220;produtos fitossanit\u00e1rios&#8221;. Em resposta \u00e0 reclama\u00e7\u00e3o de opositores, o relator do projeto, Luiz Nishimori, decidiu pelo termo &#8220;pesticidas&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Al\u00e9m de depreciativo, o termo agrot\u00f3xico s\u00f3 \u00e9 utilizado no Brasil&#8221;, diz o relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>&#8220;Cabe lembrar que a escolha natural seria o termo adotado em Portugal, que denomina essas subst\u00e2ncias pesticidas. Nas principais l\u00ednguas do mundo, adotam-se varia\u00e7\u00f5es com a mesma etimologia: pesticidas (espanhol), pesticide (ingl\u00eas), Pestizide (alem\u00e3o), pesticides (franc\u00eas), pesticidi (italiano), pesticider (dinamarqu\u00eas e sueco), pesticiden (holand\u00eas), \u043f\u0435\u0441\u0442\u0438\u0446\u0438\u0434\u044b (pestitsidy &#8211; russo). Ademais, os tratados e acordos internacionais utilizam o termo pesticidas.&#8221;<\/p>\n<p>Para Menten, a denomina\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 relevante, mas a express\u00e3o &#8220;agrot\u00f3xicos&#8221;, de fato, inadequada.<\/p>\n<p>&#8220;Pesticida tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 adequado, \u00e9 qualquer produto para matar pragas. Se eu estou falando apenas de produtos para manejo de pragas agr\u00edcolas, o correto \u00e9 fitossanit\u00e1rios. Mas isso tem uma import\u00e2ncia menor&#8221;, diz.<\/p>\n<p>J\u00e1 Larissa Bombardi, que tamb\u00e9m se op\u00f5e a esta mudan\u00e7a, afirma que a quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 &#8220;apenas sem\u00e2ntica&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 uma estrat\u00e9gia para mascarar o risco para a sa\u00fade humana que esses produtos t\u00eam. Quando voc\u00ea fala em pesticida, diminui a gama de significados. Os dois mais vendidos no Brasil s\u00e3o herbicidas, por exemplo, n\u00e3o pesticidas. Pesquisadores europeus j\u00e1 me disseram que era um ganho termos a express\u00e3o &#8216;agrot\u00f3xico&#8217; na nossa lei, e que n\u00e3o dever\u00edamos perder&#8221;, diz.<\/p>\n<p><strong><span class=\"byline__name\">Cr\u00e9dito: Camilla Costa d<\/span><span class=\"byline__title\">a BBC News Brasil em S\u00e3o Paulo &#8211; dispon\u00edvel na internet 28\/06\/2018<\/span><\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se o novo\u00a0PL 6.299\/2002, aprovado na noite de segunda-feira por uma comiss\u00e3o especial da C\u00e2mara dos Deputados, virar a nova lei de\u00a0agrot\u00f3xicos, o\u00a0Brasil\u00a0estar\u00e1 na contram\u00e3o das decis\u00f5es recentes de pa\u00edses da\u00a0Uni\u00e3o Europeia. \u00c9 o que diz a pesquisadora Larissa Mies Bombardi, do Laborat\u00f3rio de Geografia Agr\u00e1ria da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), autora do atlas\u00a0Geografia [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":26195,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[135],"tags":[],"class_list":{"0":"post-26194","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-clipping"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/agro.jpg?fit=660%2C371&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26194","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26194"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26194\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media\/26195"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26194"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26194"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26194"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}