{"id":26221,"date":"2018-06-28T04:37:52","date_gmt":"2018-06-28T07:37:52","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=26221"},"modified":"2018-06-28T04:40:51","modified_gmt":"2018-06-28T07:40:51","slug":"drama-luis-fernando-verissimo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2018\/06\/28\/drama-luis-fernando-verissimo\/","title":{"rendered":"Drama.\u00a0Luis Fernando Verissimo\u00a0"},"content":{"rendered":"<h5>Muitos t\u00eam comparado o que fizeram com as crian\u00e7as nos EUA com t\u00e1ticas nazistas. N\u00e3o precisavam ir t\u00e3o longe. Em Guant\u00e1namo, est\u00e1 o \u00fanico campo de concentra\u00e7\u00e3o do Ocidente<\/h5>\n<div class=\"corpo margin-default\">\n<p>O drama dos refugiados no mundo todo chega a uma esp\u00e9cie de \u00e1pice de horror a cada imagem de uma crian\u00e7a morta. Pode-se fazer uma gradua\u00e7\u00e3o do horror, dividi-lo em categorias, do lament\u00e1vel ao lancinante, mas nada nos fere mais do que a foto do cad\u00e1ver de um beb\u00ea que deu na praia como um dejeto humano, ou de uma crian\u00e7a ferida com o olhar esmaecido de quem n\u00e3o sabe o que lhe aconteceu, ou por qu\u00ea. A quest\u00e3o do que fazer com refugiados que chegam \u00e0 Europa aos borbot\u00f5es \u2014 quando n\u00e3o morrem no caminho \u2014 \u00e9 dif\u00edcil, mas nenhuma pol\u00edtica de imigra\u00e7\u00e3o \u00e9 aceit\u00e1vel se n\u00e3o come\u00e7ar com o mart\u00edrio das crian\u00e7as e com o controle da explora\u00e7\u00e3o do desespero. O transporte de refugiados que fogem de guerras ou da mis\u00e9ria tornou-se um neg\u00f3cio para donos de barcos que chegam superlotados a portos europeus sem garantia de que seus ocupantes n\u00e3o ser\u00e3o recha\u00e7ados, ou jogados na \u00e1gua se os portos n\u00e3o os aceitarem.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o de separar os filhos de imigrantes ilegais dos seus pais presos na fronteira entre os Estados Unidos e o M\u00e9xico tamb\u00e9m transformou a insensibilidade num neg\u00f3cio lucrativo, com empresas pleiteando contratos milion\u00e1rios para abrigar as crian\u00e7as. O problema com a reuni\u00e3o das fam\u00edlias depois que o Trump se deu conta da bobagem que tinha feito \u2014 incrivelmente, ningu\u00e9m o avisou que a medida ia pegar mal \u2014 e voltou atr\u00e1s, \u00e9 como fazer agora para juntar m\u00e3es e pais com seus filhos, alguns de colo. Muita gente tem comparado o que fizeram com as crian\u00e7as nos Estados Unidos com t\u00e1ticas nazistas. N\u00e3o precisavam ir t\u00e3o longe. Em Guant\u00e1namo, em Cuba, a poucos quil\u00f4metros da Fl\u00f3rida, est\u00e1 em opera\u00e7\u00e3o o \u00fanico campo de concentra\u00e7\u00e3o do Ocidente, com gente presa l\u00e1 h\u00e1 anos pelos americanos sem julgamento ou ajuda legal.<\/p>\n<p>O que fazer com a invas\u00e3o cada vez maior de refugiados no mundo desenvolvido \u00e9 um desafio sem respostas f\u00e1ceis. No fundo o que est\u00e1 em jogo \u00e9 o direito de cada indiv\u00edduo de tentar melhorar a sua biografia, e corrigir o azar de ter nascido no lugar errado, na \u00e9poca errada. Vai acabar vendendo bolsa falsificada num bulevar europeu ou colhendo frutas na Calif\u00f3rnia por pouco dinheiro at\u00e9 arranjar coisa melhor. Mas pelo menos as crian\u00e7as ter\u00e3o sobrevivido.<\/p>\n<p><strong>Artigo publicado no jornal O globo &#8211; <\/strong><strong>dispon\u00edvel na internet 28\/06\/2018<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #000080\"><strong>Nota: O presente artigo n\u00e3o traduz a opini\u00e3o do ASMETRO-SN. Sua publica\u00e7\u00e3o tem o prop\u00f3sito de estimular o debate dos problemas brasileiros e de refletir as diversas tend\u00eancias do pensamento contempor\u00e2neo.<\/strong>\u00a0<\/span><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muitos t\u00eam comparado o que fizeram com as crian\u00e7as nos EUA com t\u00e1ticas nazistas. N\u00e3o precisavam ir t\u00e3o longe. Em Guant\u00e1namo, est\u00e1 o \u00fanico campo de concentra\u00e7\u00e3o do Ocidente O drama dos refugiados no mundo todo chega a uma esp\u00e9cie de \u00e1pice de horror a cada imagem de uma crian\u00e7a morta. 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