{"id":26283,"date":"2018-06-30T00:08:32","date_gmt":"2018-06-30T03:08:32","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=26283"},"modified":"2018-06-29T21:48:49","modified_gmt":"2018-06-30T00:48:49","slug":"espiao-do-exercito-fala-pela-primeira-vez-e-admite-que-esteve-infiltrado-em-grupo-anti-temer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2018\/06\/30\/espiao-do-exercito-fala-pela-primeira-vez-e-admite-que-esteve-infiltrado-em-grupo-anti-temer\/","title":{"rendered":"Espi\u00e3o do Ex\u00e9rcito fala pela primeira vez e admite que esteve infiltrado em grupo anti-Temer"},"content":{"rendered":"<div class=\"articulo__apertura\">\n<div class=\"articulo-apertura \">\n<figure class=\"foto centro foto_w980\">Estopim de um caso emblem\u00e1tico na hist\u00f3ria recente envolvendo a espionagem da intelig\u00eancia do Ex\u00e9rcito em grupos de ativistas e manifestantes brasileiros,\u00a0o major Willian Pina Botelho &#8211; ou Balta Nunes, o codinome pelo qual se apresentava -, falou diante de uma corte pela primeira vez nesta sexta-feira. Ele prestou depoimento no caso dos 18 jovens detidos na regi\u00e3o da avenida Paulista antes de um protesto anti-Temer em S\u00e3o Paulo, em 4 de setembro de 2016, acusados na Justi\u00e7a de formar uma &#8220;organiza\u00e7\u00e3o criminosa&#8221;. O major admitiu que estava infiltrado em grupos de WhatsApp e do Facebook formados pelos manifestantes detidos. Em seu depoimento de cerca de 40 minutos, por videoconfer\u00eancia, Botelho afirmou tamb\u00e9m que o grupo era &#8220;pac\u00edfico&#8221; e disse ter atuado sob cobertura legal de um decreto de Garantia de Lei e da Ordem (GLO), usado para regular a atua\u00e7\u00e3o dos militares em algumas situa\u00e7\u00f5es, tanto para participar no grupo de manifestantes como para estar presente no local da deten\u00e7\u00e3o. A justificativa do militar \u00e9 alinhada com a do Ex\u00e9rcito, que, na \u00e9poca do ocorrido, questionado pelo EL PA\u00cdS,\u00a0j\u00e1 havia justificado uma poss\u00edvel a\u00e7\u00e3o na cidade naquele dia baseada na GLO editada para monitorar a passagem de tocha paraol\u00edmpica pela capital paulista.<\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p>Segundo advogados que acompanharam o depoimento transmitido no F\u00f3rum da Barra Funda, o militar levou leis anotadas para fundamentar seus argumentos, consultando-as em um papel de vez em quando. Alegou que havia sido colocado nos grupos virtuais, mas afirmou que n\u00e3o podia dizer por quem, porque estava protegido pelo departamento de intelig\u00eancia do Ex\u00e9rcito. &#8220;Ele n\u00e3o quis polemizar, foi sucinto&#8221;, disse o advogado Thiago Rocchetti. Botelho tamb\u00e9m afirmou que a maioria dos integrantes do grupo n\u00e3o se conhecia pessoalmente, algo dito\u00a0por alguns dos jovens na \u00e9poca \u00e0 reportagem.<\/p>\n<p>Naquele 4 de setembro, 18 jovens e tr\u00eas adolescentes foram detidos antes do protesto contra o presidente Michel Temer come\u00e7ar, na regi\u00e3o da avenida Paulista, local por onde a tocha paraol\u00edmpica havia passado mais cedo. Eles foram levados ap\u00f3s uma forte batida policial e passaram a noite na delegacia.\u00a0A suspeita de que Balta era um infiltrado\u00a0foi levantada pelos pr\u00f3prios jovens, quando perceberam que, apesar de ele estar no momento da batida policial,\u00a0era o \u00fanico que n\u00e3o havia sido levado\u00a0ao Departamento de Investiga\u00e7\u00f5es Criminosas (DEIC) com os demais.<\/p>\n<p>O grupo foi liberado na audi\u00eancia de cust\u00f3dia no dia seguinte, quando um\u00a0juiz considerou as deten\u00e7\u00f5es ilegais.\u00a0Apesar da liberdade, todos foram processados depois que o Tribunal de Justi\u00e7a aceitou a den\u00fancia do Minist\u00e9rio P\u00fablico de S\u00e3o Paulo (MPSP), que\u00a0acusou o grupo de formar uma organiza\u00e7\u00e3o criminosa. A promotoria argumentou que os envolvidos\u00a0carregavam objetos no intuito de vir a perturbar a ordem p\u00fablica\u00a0e depredar o patrim\u00f4nio. Dentre os utens\u00edlios, estariam vinagre, m\u00e1scaras e capuzes, material de primeiros socorros e uma barra de ferro.<\/p>\n<h3>Frentes do caso<\/h3>\n<p>Poucos meses ap\u00f3s a descoberta de sua identidade, Botelho\u00a0foi promovido a major e\u00a0enviado pelo Ex\u00e9rcito para Manaus. Por essa raz\u00e3o, o depoimento do militar, que ocorreu a pedido de parte das defesas, foi feito por videoconfer\u00eancia. As declara\u00e7\u00f5es do major, que usava o aplicativo de relacionamentos Tinder para procurar &#8220;meninas de esquerda&#8221; para se relacionar, s\u00e3o cruciais para o caso, pois muitas pontas dessa hist\u00f3ria ainda seguem soltas. Em primeiro lugar, est\u00e1 o debate sobre o uso adequado da GLO, que tem como finalidade estabelecer orienta\u00e7\u00f5es para o uso das For\u00e7as Armadas para \u201cgarantir ou restaurar a lei ou e ordem\u201d. Para ser usada, no entanto, ela precisa ser decretada pelo presidente e ter uma data estabelecida para come\u00e7ar a valer e para ser encerrada. De fato, naquele 4 de setembro, havia um decreto de GLO na cidade de S\u00e3o Paulo. Mas ele vigorava somente at\u00e9 o final daquele dia em virtude da passagem da tocha. Como o major justifica sua participa\u00e7\u00e3o no grupo antes daquela data \u00e9 uma das perguntas que seguem sem resposta. A presen\u00e7a dele no Tinder, usando a identidade de Balta Nunes, aponta que sua atua\u00e7\u00e3o n\u00e3o ocorreu somente no dia em que a tocha paraol\u00edmpica passava por S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Outro questionamento que n\u00e3o foi respondido \u00e9 de quem partiu a ordem para que o major estivesse naquele local naquele momento. Essa pergunta foi feita na audi\u00eancia, mas Botelho afirmou que n\u00e3o poderia responder, pois estava protegido por seu cargo no setor de intelig\u00eancia. Antes dessa resposta evasiva se tornar p\u00fablica, o procurador Marcos Angelo Grimone\u00a0j\u00e1 havia aberto uma investiga\u00e7\u00e3o, detalhada pela Ponte Jornalismo, para apurar se houve ordem para a a\u00e7\u00e3o e de quem teria sido. Grimone investiga se Botelho praticou os crimes de identidade ideol\u00f3gica e usurpa\u00e7\u00e3o da fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n<p>Saber de quem partiu a ordem tamb\u00e9m desvendaria a quest\u00e3o sobre se a a\u00e7\u00e3o do militar ocorreu em conjunto com a secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica de S\u00e3o Paulo,\u00a0algo admitido pelo pr\u00f3prio Ex\u00e9rcito,\u00a0 mas negado veementemente pela Secretaria, e desmentido pelos militares na sequ\u00eancia.<\/p>\n<p>Apesar de o major ter dito que o grupo era pac\u00edfico, o caso envolvendo os jovens detidos e Balta Nunes ainda n\u00e3o terminou tamb\u00e9m. O depoimento do militar foi o \u00faltimo\u00a0de uma s\u00e9rie de oitivas, tanto por parte da acusa\u00e7\u00e3o, quanto das defesas, incluindo policiais militares e testemunhas. O pr\u00f3ximo passo ser\u00e1 a apresenta\u00e7\u00e3o das alega\u00e7\u00f5es finais do juiz, com prazo para que a defesa recorra, algo que n\u00e3o tem data para ocorrer, mas deve acontecer nos pr\u00f3ximos dois meses. Depois disso, vir\u00e1 a senten\u00e7a e para ela ainda caber\u00e1 recurso. Apesar das etapas que ainda faltam, uma das acusadas no processo se diz &#8220;aliviada&#8221;. &#8220;\u00c9 mais uma prova contundente de que somos inocentes&#8221;, disse ela, que preferiu n\u00e3o se identificar.<\/p>\n<div class=\"articulo__apertura\">\n<div class=\"articulo-apertura \">\n<figure class=\"foto centro foto_w980\"><strong><span class=\"sin_enlace\">MAIS INFORMA\u00c7\u00d5ES<\/span><\/strong><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<section id=\"sumario_1|apoyos\" class=\"sumario_apoyos izquierda\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<div class=\"apoyos\">\n<ul class=\"apoyos-listado\">\n<li class=\"apoyo_ apoyo_foto\">\n<figure class=\"foto foto_w140\"><a class=\"enlace\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/10\/19\/politica\/1476909547_364512.html?rel=mas?rel=mas\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/06\/29\/politica\/1530293956_036191_1530295196_sumarioapoyo_normal.jpg?resize=140%2C100&#038;ssl=1\" alt=\"Espi\u00e3o do Ex\u00e9rcito fala pela primeira vez e admite que esteve infiltrado em grupo anti-Temer\" width=\"140\" height=\"100\" \/><\/a><\/figure>\n<p><span class=\"apoyo-titulo\"><a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/10\/19\/politica\/1476909547_364512.html?rel=mas?rel=mas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Os la\u00e7os de um ex-militar do DOI-CODI com o infiltrado entre manifestantes em S\u00e3o Paulo<\/a><\/span><\/li>\n<li class=\"apoyo_ apoyo_foto\">\n<figure class=\"foto foto_w140\"><a class=\"enlace\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/09\/06\/politica\/1473123429_715395.html\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/06\/29\/politica\/1530293956_036191_1530295366_sumarioapoyo_normal.jpg?resize=140%2C100&#038;ssl=1\" alt=\"Espi\u00e3o do Ex\u00e9rcito fala pela primeira vez e admite que esteve infiltrado em grupo anti-Temer\" width=\"140\" height=\"100\" \/><\/a><\/figure>\n<p><span class=\"apoyo-titulo\"><a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/09\/06\/politica\/1473123429_715395.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Juiz solta manifestantes: \u201cBrasil n\u00e3o pode legitimar \u2018pris\u00e3o para averigua\u00e7\u00e3o\u201d<\/a><\/span><\/li>\n<li class=\"apoyo_ apoyo_foto\">\n<figure class=\"foto foto_w140\"><a class=\"enlace\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/11\/10\/politica\/1510345232_375387.html\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/06\/29\/politica\/1530293956_036191_1530295494_sumarioapoyo_normal.jpg?resize=140%2C100&#038;ssl=1\" alt=\"Espi\u00e3o do Ex\u00e9rcito fala pela primeira vez e admite que esteve infiltrado em grupo anti-Temer\" width=\"140\" height=\"100\" \/><\/a><\/figure>\n<p><span class=\"apoyo-titulo\"><a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/11\/10\/politica\/1510345232_375387.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u201cCom esse julgamento querem que os jovens fiquem calados\u201d<\/a><\/span><\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Marina Rossi\/El Pa\u00eds Brasil &#8211; dispon\u00edvel na internet 30\/06\/2018<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estopim de um caso emblem\u00e1tico na hist\u00f3ria recente envolvendo a espionagem da intelig\u00eancia do Ex\u00e9rcito em grupos de ativistas e manifestantes brasileiros,\u00a0o major Willian Pina Botelho &#8211; ou Balta Nunes, o codinome pelo qual se apresentava -, falou diante de uma corte pela primeira vez nesta sexta-feira. 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