{"id":26311,"date":"2018-07-02T00:04:25","date_gmt":"2018-07-02T03:04:25","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=26311"},"modified":"2018-07-01T20:12:17","modified_gmt":"2018-07-01T23:12:17","slug":"a-historia-do-quilombo-que-ajudou-a-erguer-brasilia-e-teme-perder-terras-para-condominios-de-luxo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2018\/07\/02\/a-historia-do-quilombo-que-ajudou-a-erguer-brasilia-e-teme-perder-terras-para-condominios-de-luxo\/","title":{"rendered":"A hist\u00f3ria do quilombo que ajudou a erguer Bras\u00edlia &#8211; e teme perder terras para condom\u00ednios de luxo"},"content":{"rendered":"<p class=\"story-body__introduction\">Antes de sediar os pr\u00e9dios mais importantes de Bras\u00edlia, a Esplanada dos Minist\u00e9rios abrigava um campo aberto onde\u00a0descendentes de escravoslevavam bois para pastar.<\/p>\n<p>Eram moradores do Quilombo Mesquita, instalado na regi\u00e3o desde o s\u00e9culo 18 e que teve um papel importante \u2013 e pouco conhecido \u2013 na funda\u00e7\u00e3o da cidade.<\/p>\n<p>Passados 272 anos desde sua cria\u00e7\u00e3o, o mesmo quilombo agora se v\u00ea amea\u00e7ado pela expans\u00e3o da capital e pela acelerada valoriza\u00e7\u00e3o das terras na regi\u00e3o \u2013 alvo do interesse de uma imobili\u00e1ria que tem o ex-presidente Jos\u00e9 Sarney como s\u00f3cio. Procurado pela BBC News Brasil, o ex-presidente n\u00e3o quis se pronunciar.<\/p>\n<p>&#8220;Quilombolas tiveram uma participa\u00e7\u00e3o direta na constru\u00e7\u00e3o de\u00a0Bras\u00edlia, mas, infelizmente, raramente aparecem na hist\u00f3ria como personagens principais&#8221;, diz \u00e0 BBC News Brasil o pesquisador Manoel Barbosa Neres, autor do livro\u00a0<i>Quilombo Mesquita &#8211; Hist\u00f3ria, Cultura e Resist\u00eancia<\/i>\u00a0e morador da comunidade, na divisa do Distrito Federal com Goi\u00e1s.<\/p>\n<p>Ele conta que membros do quilombo ajudaram a erguer as cantinas, hospedagens e refeit\u00f3rios que receberam as primeiras levas de candangos, como ficaram conhecidos os oper\u00e1rios migrantes que tiraram Bras\u00edlia do papel.<\/p>\n<p>Todos os dias, enchiam carro\u00e7as e carros de boi com frutas, verduras, carnes, leite e doces produzidos na comunidade para transport\u00e1-los at\u00e9 os canteiros de obra, quando a produ\u00e7\u00e3o de alimentos em Bras\u00edlia era nula.<a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/0C35\/production\/_102152130_brasilia_nucleo_bandeirante.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/0C35\/production\/_102152130_brasilia_nucleo_bandeirante.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Foto selecionada para a exposi\u00e7\u00e3o Trabalho e Presen\u00e7a Negra na Constru\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia, do governo do Distrito Federal\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><\/p>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\">Trabalhadores na Cidade Livre (atual N\u00facleo Bandeirante), bairro de oper\u00e1rios que ergueram Bras\u00edlia, em 1959.\u00a0Direito de imagem\u00a0ARQUIVO P\u00daBLICO DO DISTRITO FEDERAL . Foto selecionada para a exposi\u00e7\u00e3o Trabalho e Presen\u00e7a Negra na Constru\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia, do governo do Distrito Federal<\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Catetinho<\/h2>\n<p>Moradores mais velhos contam que, antes mesmo da chegada dos candangos, oito moradores do Mesquita ajudaram a construir o Catetinho, casa projetada por\u00a0Oscar Niemeyer\u00a0para que o ent\u00e3o presidente Juscelino Kubitschek pudesse acompanhar as obras da capital desde o in\u00edcio, em 1956. E mulheres da comunidade trabalharam na resid\u00eancia como cozinheiras.<\/p>\n<p>Segundo o Relat\u00f3rio T\u00e9cnico de Identifica\u00e7\u00e3o e Demarca\u00e7\u00e3o do quilombo, publicado em 2011 pelo Instituto Nacional de Coloniza\u00e7\u00e3o e Reforma Agr\u00e1ria (Incra), moradores do Mesquita tamb\u00e9m ajudaram a construir, em 1958, a usina Saia Velha, primeira hidrel\u00e9trica a servir \u00e0 capital.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/92F9\/production\/_102152673_aba4ac35-4400-4516-a43e-02dc480b067b.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/92F9\/production\/_102152673_aba4ac35-4400-4516-a43e-02dc480b067b.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Constru\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia fez com que quilombolas deixassem terras no Distrito Federal, segundo o Incra.\u00a0Direito de imagem\u00a0ARQUIVO P\u00daBLICO DO DISTRITO FEDERAL. Foto na exposi\u00e7\u00e3o Trabalho e Presen\u00e7a Negro na Constru\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Um dos quilombolas a trabalhar no Catetinho foi o carpinteiro Sinfr\u00f4nio Lisboa da Costa, que morreu em 2015, aos 90 anos. Costa costumava contar que hospedou JK em sua casa v\u00e1rias vezes e o ajudou a identificar pontos estrat\u00e9gicos para a constru\u00e7\u00e3o da capital.<\/p>\n<p>Homenageado pelo governo do Distrito Federal em 2012, o carpinteiro lamentou na cerim\u00f4nia que os demais quilombolas a acompanh\u00e1-lo nas obras estivessem mortos. &#8220;Eles tamb\u00e9m tinham que ser reconhecidos, mas n\u00e3o puderam esperar&#8221;, afirmou.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Ciclo do ouro<\/h2>\n<p>As origens do Quilombo Mesquita remontam ao ciclo do ouro, no s\u00e9culo 18. A corrida ao metal levou \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias vilas no interior de Goi\u00e1s &#8211; entre as quais Santa Luzia, fundada em 1746 pelo bandeirante paulista Ant\u00f4nio Bueno de Azevedo. Negros escravizados compunham a maioria da popula\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Conta-se no quilombo que, com o decl\u00ednio da minera\u00e7\u00e3o, o capit\u00e3o portugu\u00eas Paulo Mesquita resolveu abandonar Santa Luzia e deixou uma fazenda para tr\u00eas escravas alforriadas.<\/p>\n<p>Manoel Neres diz que, com o tempo, outros se juntaram \u00e0 comunidade chefiadas pelas mulheres &#8211; muitos deles escravos em busca de ref\u00fagio e que, para chegar l\u00e1, percorriam estradas de gado que ligavam Goi\u00e1s a Salvador e ao Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Casamentos entre os moradores pioneiros e os que foram chegando deram origem a quatro tronco familiares. Esses quatro troncos abarcam quase todas as cerca 1,2 mil fam\u00edlias que hoje moram no quilombo, segundo Neres.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/13ED9\/production\/_102152618_mesquita_igreja.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/13ED9\/production\/_102152618_mesquita_igreja.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Festas religiosas - como as folias de Reis e do Divino Esp\u00edrito Santo - s\u00e3o os principais eventos no calend\u00e1rio do Mesquita.\u00a0Direito de imagem\u00a0AG\u00caNCIA BRASIL\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Festas religiosas &#8211; como as folias de Reis e do Divino Esp\u00edrito Santo &#8211; s\u00e3o os principais eventos no calend\u00e1rio do Mesquita.\u00a0Direito de imagem\u00a0AG\u00caNCIA BRASIL. Festas religiosas &#8211; como as folias de Reis e do Divino Esp\u00edrito Santo &#8211; s\u00e3o os principais eventos no calend\u00e1rio do Mesquita.\u00a0Direito de imagem\u00a0AG\u00caNCIA BRASIL<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Constru\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia<\/h2>\n<p>At\u00e9 a constru\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia, a comunidade vivia relativamente isolada do mundo exterior. A maioria das fam\u00edlias se dedicava \u00e0 agricultura, a cria\u00e7\u00e3o de gado e \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de marmelada, comercializada em Luzi\u00e2nia, cidade criada a partir de Santa Luzia.<\/p>\n<p>Os principais eventos no calend\u00e1rio do povoado eram as festas religiosas, como as folias de Reis e do Divino do Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p>Com a inaugura\u00e7\u00e3o da capital, em 1960, a rotina da comunidade come\u00e7ou a mudar.<\/p>\n<p>Manoel Neres diz que, por um lado, os moradores &#8220;passaram a ter mais acesso a elementos da vida moderna, como energia e telefone&#8221;. A transfer\u00eancia da capital facilitou a venda de alimentos cultivados na comunidade e gerou empregos para v\u00e1rios quilombolas.<\/p>\n<p>Por outro lado, o povoado passou a lidar com problemas antes inexistentes, como viol\u00eancia armada e tr\u00e1fico de drogas. E a comunidade come\u00e7ou a perder terras.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/A875\/production\/_102152134_img_1089.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/A875\/production\/_102152134_img_1089.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Mauro Melo, morador do Quilombo Mesquita\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Mais velhos contam que Quilombo Mesquita nasceu com doa\u00e7\u00e3o de fazenda para escravas alforriadas.\u00a0Direito de imagem\u00a0ANA CAROLINA A. FERNANDES. Mauro Melo, morador do Quilombo Mesquita<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Um morador entrevistado durante a elabora\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio do Incra diz que quilombolas abandonaram \u00e1reas na regi\u00e3o de Santa Maria, no atual Distrito Federal, com &#8220;medo da cidade que foi chegando para l\u00e1&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Nossa casa era perto da Marinha, mas l\u00e1 era terra do governo, n\u00e9? A\u00ed a gente teve de se mudar&#8221;, relatou outra moradora.<\/p>\n<p>Segundo Manoel Neres, a movimenta\u00e7\u00e3o de avi\u00f5es e militares na v\u00e9spera da constru\u00e7\u00e3o fez a comunidade reviver um trauma da \u00e9poca da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), quando moradores foram recrutados \u00e0 for\u00e7a para o combate.<\/p>\n<p>&#8220;Muitos acabaram abandonando lugares mais perto da capital e se refugiando de volta no n\u00facleo do Mesquita&#8221;, diz o pesquisador.<\/p>\n<p>Outros foram expulsos por n\u00e3o conseguir provar a posse de terras destinadas \u00e0 constru\u00e7\u00e3o das cidades sat\u00e9lites. &#8220;O territ\u00f3rio quilombola foi desconsiderado no processo de demarca\u00e7\u00e3o do DF&#8221;, afirma o relat\u00f3rio do Incra.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a constru\u00e7\u00e3o da capital, terras da comunidade tamb\u00e9m passaram a ser cobi\u00e7adas por forasteiros.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/10829\/production\/_102152676_6fd7e09a-9476-49a8-8d1a-7ae0b36ae487.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/10829\/production\/_102152676_6fd7e09a-9476-49a8-8d1a-7ae0b36ae487.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Catetinho, casa projetada por Oscar Niemeyer e que abrigou Juscelino Kubitschek no in\u00edcio da constru\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Oito quilombolas ajudaram a erguer o Catetinho, resid\u00eancia de JK no in\u00edcio da constru\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia.\u00a0Direito de imagem\u00a0IBGE. Catetinho, casa projetada por Oscar Niemeyer e que abrigou Juscelino Kubitschek no in\u00edcio da constru\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>&#8220;Houve um ass\u00e9dio bem grande para a venda das propriedades. Por quest\u00e3o de necessidade, muitos moradores acabaram se desfazendo delas por pre\u00e7os irris\u00f3rios. Vendiam para comprar rem\u00e9dios e roupas&#8221;, diz Neres.<\/p>\n<p>Muitas vezes, terras adquiridas dos quilombolas eram logo revendidas. Uma dessas transa\u00e7\u00f5es trouxe ao territ\u00f3rio o pol\u00edtico maranhense Jos\u00e9 Sarney.<\/p>\n<p>Segundo o relat\u00f3rio do Incra, Sarney comprou nos anos 1980 dois lotes de terra que haviam sido expropriados da comunidade no passado. Um dos terrenos deu origem \u00e0 Fazenda Pericum\u00e3, que Sarney visitava aos fins de semana enquanto era presidente.<\/p>\n<p>Em 2004, ele vendeu as propriedades para a Divitex Pericum\u00e3 Empreendimentos Imobili\u00e1rios, da qual se tornou s\u00f3cio. Outro s\u00f3cio da empresa \u00e9 o advogado Ant\u00f4nio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, que tem como clientes v\u00e1rios pol\u00edticos ilustres em Bras\u00edlia.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Periferia chega ao Mesquita<\/h2>\n<p>Em 1990, a urbaniza\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o teve um impulso com a cria\u00e7\u00e3o do munic\u00edpio de Cidade Ocidental, subdivis\u00e3o de Luzi\u00e2nia que recebeu um n\u00facleo habitacional.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/12255\/production\/_102152347_photo-2018-06-16-22-14-29-1.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/12255\/production\/_102152347_photo-2018-06-16-22-14-29-1.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Homem produzindo marmelada no Quilombo Mesquita\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Produ\u00e7\u00e3o de marmelada j\u00e1 foi uma das principais fontes de receita do Quilombo Mesquita.\u00a0Direito de imagem\u00a0ANA CAROLINA A. FERNANDES. Homem produzindo marmelada no Quilombo Mesquita<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Com a expans\u00e3o da malha urbana, um condom\u00ednio de baixa renda \u2013 o Jardim Edite \u2013 foi constru\u00eddo dentro da \u00e1rea inicialmente pleiteada pelo quilombo. Em 2011, o Incra excluiu o conjunto habitacional do territ\u00f3rio em demarca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda v\u00e1rios s\u00edtios e ch\u00e1caras dentro do territ\u00f3rio reivindicado pela comunidade. Segundo o Incra, cerca de cem fam\u00edlias n\u00e3o quilombolas habitavam a \u00e1rea em 2011. Moradores dizem que hoje o n\u00famero \u00e9 bem maior.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Demarca\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>Ap\u00f3s a Constitui\u00e7\u00e3o de 1988 determinar a demarca\u00e7\u00e3o de quilombos, muitas comunidades se mobilizaram para obter os t\u00edtulos das terras.<\/p>\n<p>No Mesquita, o primeiro passo ocorreu em 2006, quando a Funda\u00e7\u00e3o Cultural Palmares (subordinada ao Minist\u00e9rio da Cultura) o reconheceu como uma comunidade remanescente de quilombo.<\/p>\n<p>Cinco anos depois, o Incra publicou o Relat\u00f3rio T\u00e9cnico de Identifica\u00e7\u00e3o e Demarca\u00e7\u00e3o da comunidade, definindo sua extens\u00e3o em 4,3 mil hectares \u2013 o equivalente a 4 mil campos de futebol. Segundo o Incra, a \u00e1rea reivindicada representa &#8220;apenas parte das terras ancestrais&#8221; da comunidade e foi delimitada de modo a garantir a reprodu\u00e7\u00e3o f\u00edsica, social e cultural do grupo.<\/p>\n<p>Deu-se ent\u00e3o in\u00edcio \u00e0 etapa \u2013 ainda n\u00e3o superada \u2013 em que moradores n\u00e3o quilombolas e outros interessados no territ\u00f3rio podem contestar o relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Para que a demarca\u00e7\u00e3o seja conclu\u00edda, falta que a Presid\u00eancia da Rep\u00fablica desaproprie im\u00f3veis dentro do territ\u00f3rio e indenize os propriet\u00e1rios. S\u00f3 ent\u00e3o o Incra poder\u00e1 conceder \u00e0 comunidade o t\u00edtulo coletivo e imprescrit\u00edvel da terra.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/0591\/production\/_102152410_sandra_quilombo.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/0591\/production\/_102152410_sandra_quilombo.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Sandra Braga diante de acervo hist\u00f3rico do Quilombo Mesquita\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Sandra Braga diz que quilombolas ainda n\u00e3o foram reconhecidos por papel na constru\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia.\u00a0Direito de imagem\u00a0AG\u00caNCIA BRASIL<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Dos cerca de 3,2 mil quilombos j\u00e1 reconhecidos no Brasil, pouco mais de 200 foram titulados. Como no caso do Mesquita, muitos processos est\u00e3o travados por impasses quanto \u00e0 desapropria\u00e7\u00e3o e indeniza\u00e7\u00e3o de n\u00e3o quilombolas.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Redu\u00e7\u00e3o do quilombo<\/h2>\n<p>A demarca\u00e7\u00e3o do quilombo teve um desdobramento no fim de maio, quando o Conselho Diretor do Incra publicou uma resolu\u00e7\u00e3o que autorizava o presidente do \u00f3rg\u00e3o a reduzir o tamanho do territ\u00f3rio para 971 hectares, 22% da \u00e1rea originalmente prevista.<\/p>\n<p>O an\u00fancio foi duramente criticado por associa\u00e7\u00f5es quilombolas. Segundo a Coordena\u00e7\u00e3o Nacional das Comunidades Quilombolas do Brasil (Conaq), a manobra abria um precedente para a redu\u00e7\u00e3o de outros quilombos.<\/p>\n<p>A resolu\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m foi condenada pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF), que recomendou sua revoga\u00e7\u00e3o. Segundo o \u00f3rg\u00e3o, a decis\u00e3o &#8220;desconsiderava completamente&#8221; estudos conduzidos pelo pr\u00f3prio Incra durante a identifica\u00e7\u00e3o do quilombo.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/5479\/production\/_102152612_mesquita_abr.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/5479\/production\/_102152612_mesquita_abr.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Casar\u00e3o mais antigo do Quilombo Mesquita\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Casar\u00e3o mais antigo do Quilombo Mesquita; com funda\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia, terras na regi\u00e3o se valorizaram.\u00a0Direito de imagem\u00a0AG\u00caNCIA BRASIL<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Na semana passada, o Incra anunciou que a acataria a sugest\u00e3o do MPF e revogaria a resolu\u00e7\u00e3o enquanto rediscutia o caso.<\/p>\n<p>Em nota \u00e0 BBC News Brasil, o Incra disse que a redu\u00e7\u00e3o havia sido proposta pela Associa\u00e7\u00e3o Renovadora Quilombo Mesquita, uma organiza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria dos quilombolas.<\/p>\n<p>Presidente da associa\u00e7\u00e3o, Valcinei Batista Silva diz que a redu\u00e7\u00e3o permitiria destravar a demarca\u00e7\u00e3o do quilombo e \u00e9 apoiada pela maioria dos moradores.<\/p>\n<p>Segundo ele, a inten\u00e7\u00e3o original do Incra de reservar 4,3 mil hectares para a comunidade se mostrou invi\u00e1vel, pois o governo n\u00e3o tem recursos para desapropriar todos os n\u00e3o quilombolas que vivem na \u00e1rea.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 500px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/6BE9\/production\/_102152672_sinfronio1.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/6BE9\/production\/_102152672_sinfronio1.jpg?resize=500%2C333&#038;ssl=1\" alt=\"Carpinteiro Sinfr\u00f4nio Lisboa da Costa em cerim\u00f4nia promovida pelo governo de Bras\u00edlia\" width=\"500\" height=\"333\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Em 2015, quilombola Sinfr\u00f4nio Lisboa da Costa (\u00e0 dir.) foi homenageado por participa\u00e7\u00e3o na constru\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia.\u00a0Direito de imagem\u00a0FUNDA\u00c7\u00c3O CULTURAL PALMARES. Em 2015, quilombola Sinfr\u00f4nio Lisboa da Costa (\u00e0 dir.) foi homenageado por participa\u00e7\u00e3o na constru\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia.\u00a0Direito de imagem\u00a0FUNDA\u00c7\u00c3O CULTURAL PALMARES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Silva afirma que, caso a proposta de redu\u00e7\u00e3o fosse aplicada, os quilombolas manteriam todos os territ\u00f3rios que ocupam hoje. &#8220;\u00c9 uma proposta que permite ao Incra trabalhar, enviar recursos para desapropria\u00e7\u00e3o e ningu\u00e9m precisaria sair da terra que \u00e9 dele.&#8221;<\/p>\n<p>Ex-presidente da associa\u00e7\u00e3o, Sandra Pereira Braga diz que a proposta da gest\u00e3o atual n\u00e3o tem o respaldo da comunidade e foi articulada &#8220;em conluio com empresas, fazendeiros e especuladores&#8221; interessados no territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o tenho d\u00favida de que haja interesses de poderosos por tr\u00e1s&#8221;, afirma. &#8220;A ampla maioria da comunidade \u00e9 totalmente contra a redu\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio \u2013 \u00e9 isso o que o Incra descobriria se tivesse nos consultado antes de tomar qualquer decis\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Braga cita, entre os que seriam beneficiados pela redu\u00e7\u00e3o, a Divitex Pericum\u00e3 \u2013 empresa que tem Sarney e Kakay como s\u00f3cios e estaria, segundo ela, interessada em construir condom\u00ednios de luxo no territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>Com o crescimento de Bras\u00edlia, muitas \u00e1reas em volta da capital passaram a abrigar conjuntos residenciais de alto padr\u00e3o. A 40 km do centro de Bras\u00edlia e pr\u00f3ximo de uma rodovia que d\u00e1 acesso \u00e0 cidade, a regi\u00e3o do quilombo teria grande potencial para empreendimentos desse tipo, segundo Braga.<\/p>\n<p>Um assessor de Sarney disse que o ex-presidente n\u00e3o se manifestaria sobre o caso. Kakay afirmou que jamais esteve na regi\u00e3o e n\u00e3o acompanha a administra\u00e7\u00e3o da empresa, na qual disse atuar apenas como &#8220;s\u00f3cio investidor&#8221;.<\/p>\n<p>Em nota \u00e0 BBC News Brasil, o advogado da Divitex Pericum\u00e3 Empreendimentos Imobili\u00e1rios, Orlando Diniz Pinheiro, disse que a empresa comprou terras na regi\u00e3o dois anos antes do in\u00edcio da regulariza\u00e7\u00e3o do quilombo e, portanto, &#8220;n\u00e3o tinha conhecimento do pleito (em rela\u00e7\u00e3o ao territ\u00f3rio)&#8221;.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/F0B9\/production\/_102152616_mesquita_acervo.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/F0B9\/production\/_102152616_mesquita_acervo.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Itens que pertenceram aos primeiros moradores do Quilombo Mesquita\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Objetos no acervo hist\u00f3rico do Quilombo Mesquita; presidente de associa\u00e7\u00e3o diz que redu\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio viabilizaria demarca\u00e7\u00e3o.\u00a0Direito de imagem\u00a0AG\u00caNCIA BRASIL<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Segundo Pinheiro, quilombolas jamais habitaram as \u00e1reas em posse da Divitex Pericum\u00e3. Ele diz que a empresa questiona na Justi\u00e7a a inclus\u00e3o do terreno na \u00e1rea definida pelo Incra como territ\u00f3rio ancestral da comunidade.<\/p>\n<p>De acordo com o advogado, a terra em processo de demarca\u00e7\u00e3o &#8220;extrapola em muito a efetiva \u00e1rea de posse da comunidade do Mesquita&#8221;. Ele afirma, no entanto, que a empresa jamais exerceu qualquer press\u00e3o sobre \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos para que o quilombo fosse reduzido.<\/p>\n<p>Pinheiro diz que o terreno em posse da empresa est\u00e1 sendo arrendado para o plantio de gr\u00e3os, mas que nada impede que no futuro abrigue empreendimentos imobili\u00e1rios &#8211; atividade citada no objeto social da empresa.<\/p>\n<p>&#8220;As fam\u00edlias que pleiteiam a demarca\u00e7\u00e3o foram todas elas compradoras de terras na regi\u00e3o, e n\u00e3o posseiras de \u00e1rea quilombola&#8221;, afirma o advogado.<\/p>\n<p>A quilombola Sandra Pereira Braga contesta a afirma\u00e7\u00e3o e diz que seus antepassados habitam a regi\u00e3o h\u00e1 quase 300 anos.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/E119\/production\/_102152675_candangos.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/E119\/production\/_102152675_candangos.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Fila para cadastro de trabalhadores na constru\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Fila de candangos, os oper\u00e1rios migrantes que ergueram Bras\u00edlia; cidade foi constru\u00edda em menos de quatro anos.\u00a0Direito de imagem\u00a0ARQUIVO P\u00daBLICO DO DISTRITO FEDERAL<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Ela diz que o quilombo festejou o an\u00fancio de que o Incra revogaria a proposta de reduzir o territ\u00f3rio enquanto o caso era rediscutido, mas que a comunidade seguir\u00e1 mobilizada at\u00e9 que o recuo seja definitivo.<\/p>\n<p>Braga diz que, 58 anos ap\u00f3s a funda\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia, o quilombo ainda luta para que seu papel na constru\u00e7\u00e3o da cidade seja reconhecido &#8211; e, mais do que isso, para que possa simplesmente continuar existindo nos arredores da capital.<\/p>\n<p>&#8220;Se n\u00e3o fosse o Mesquita, Bras\u00edlia n\u00e3o existiria&#8221;, afirma.<\/p>\n<p><strong><span class=\"byline__name\">Cr\u00e9dito: Jo\u00e3o Fellet da<\/span><span class=\"byline__title\">\u00a0BBC News Brasil em S\u00e3o Paulo &#8211; dispon\u00edvel na internet 02\/07\/2018<\/span><\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antes de sediar os pr\u00e9dios mais importantes de Bras\u00edlia, a Esplanada dos Minist\u00e9rios abrigava um campo aberto onde\u00a0descendentes de escravoslevavam bois para pastar. Eram moradores do Quilombo Mesquita, instalado na regi\u00e3o desde o s\u00e9culo 18 e que teve um papel importante \u2013 e pouco conhecido \u2013 na funda\u00e7\u00e3o da cidade. 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