{"id":26341,"date":"2018-07-02T00:14:20","date_gmt":"2018-07-02T03:14:20","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=26341"},"modified":"2018-07-02T05:58:23","modified_gmt":"2018-07-02T08:58:23","slug":"operacao-libera-a-jato-articulacao-criminosa-denuncia-do-mpf-contra-o-ex-procurador-marcello-miller","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2018\/07\/02\/operacao-libera-a-jato-articulacao-criminosa-denuncia-do-mpf-contra-o-ex-procurador-marcello-miller\/","title":{"rendered":"Opera\u00e7\u00e3o libera a jato. Articula\u00e7\u00e3o criminosa, den\u00fancia do MPF contra o ex-procurador Marcello Miller"},"content":{"rendered":"<div class=\"content-section\">\n<h5>Sob o comando de Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, a 2\u00aa Turma do STF acelera a revis\u00e3o de condena\u00e7\u00f5es e escancara as grades para a liberta\u00e7\u00e3o de pol\u00edticos presos. A pressa n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa: em setembro, com a mudan\u00e7a da correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as no colegiado, o jogo pode virar a favor da Lava Jato<\/h5>\n<p>Nos corredores do Supremo Tribunal Federal, um sentimento une desde alguns ministros at\u00e9 os auxiliares mais modestos. Aumenta o n\u00famero de pessoas que come\u00e7am a acalentar o sonho da chegada do m\u00eas de setembro. N\u00e3o exatamente porque a entrada da primavera ameniza o clima seco que j\u00e1 come\u00e7a a sufocar Bras\u00edlia. No STF, a esperan\u00e7a de mudan\u00e7a de clima \u00e9 outra. Setembro marcar\u00e1 o momento em que a atual presidente do Supremo, ministra C\u00e1rmen L\u00facia, passar\u00e1 o cargo para o ministro Ant\u00f4nio Dias Toffoli. E ocupar\u00e1 o lugar dele na 2\u00aa Turma de julgamento, aquela que os advogados apelidaram de \u201cJardim do \u00c9den\u201d pela forma camarada, para dizer o m\u00ednimo, com que costuma tratar os r\u00e9us. Nas \u00faltimas semanas, a 2\u00aa Turma tornou-se o foco principal de uma franca guerra interna no Supremo, que vem comprometendo a credibilidade da Corte. Na ter\u00e7a-feira 26, o \u201cJardim do \u00c9den\u201d atuou para rever diversas a\u00e7\u00f5es importantes da Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato. A j\u00e1 bem conhecida tr\u00edade formada por Toffoli, Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski atuou para confrontar a Lava Jato com uma verdadeira \u201cOpera\u00e7\u00e3o Libera a Jato\u201d. Na pr\u00e1tica, consolidou-se uma pol\u00edtica de grades abertas \u2013 e sem mesuras. Colocou em liberdade o ex-ministro da Casa Civil Jos\u00e9 Dirceu. Soltou tamb\u00e9m o ex-tesoureiro do PP Jo\u00e3o Claudio Genu. Tornou nula uma opera\u00e7\u00e3o de busca e apreens\u00e3o no apartamento da senadora Gleisi Hoffmann (PR), presidente do PT \u2013 uma semana depois de absolv\u00ea-la.<\/p>\n<p>Suspendeu a a\u00e7\u00e3o penal movida contra o deputado Fernando Capez (PSDB-SP), acusado de corrup\u00e7\u00e3o e lavagem de dinheiro em um esquema conhecido como \u201cm\u00e1fia da merenda\u201d. Toffoli ignorou mesmo o fato de Capez ter trabalhado em seu pr\u00f3prio gabinete no STF. Desconsiderou que a \u00f3bvia e estreita liga\u00e7\u00e3o entre os dois deveria imped\u00ed-lo de julgar. Com a aus\u00eancia na ter\u00e7a 26 do ministro Celso de Mello, a porteira foi escancarada, literalmente: a tr\u00edade isolou o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato, impondo-lhe uma escalada de derrotas.<\/p>\n<p><strong>\u201cNovidade jur\u00eddica: o foro privilegiado de im\u00f3veis\u201d, ironizou a procuradora Jerusa Viecili<\/strong><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/cdn-istoe-ssl.akamaized.net\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2018\/06\/43.png?ssl=1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-715519\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cdn-istoe-ssl.akamaized.net\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2018\/06\/43.png?resize=696%2C651&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"696\" height=\"651\" \/><\/a>No Supremo, consolida-se a impress\u00e3o de que os tr\u00eas ministros da 2\u00aa Turma combinaram \u201climpar a pauta\u201d. Ou seja, montaram uma articula\u00e7\u00e3o destinada a rever o m\u00e1ximo de condena\u00e7\u00f5es e decis\u00f5es poss\u00edveis enquanto dominam o qu\u00f3rum. Ciente do quadro favor\u00e1vel, o ex-presidente Lula ingressou na quinta-feira 28 com um pedido para l\u00e1 de esdr\u00faxulo. Por meio do advogado Cristiano Zanin apresentou um novo requerimento a fim de que a segundona do STF atropele o relator da Lava Jato, ministro Edson Fachin, e retome o julgamento de seu pedido de liberdade. Fachin havia decidido enviar ao plen\u00e1rio o julgamento sobre a validade ou n\u00e3o a soltura de Lula. Para dar celeridade, e evitar um novo golpe, descartou at\u00e9 a opini\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico. Cabe agora \u00e0 ministra C\u00e1rmen L\u00facia, presidente da corte, definir a data. L\u00e1, com o time completo, os 11 em campo, a hist\u00f3ria em geral \u00e9 outra: Lula j\u00e1 foi derrotado pelo placar apertado de 6 a 5. Na 2\u00aa Turma, as chances do triunfo na peleja s\u00e3o imensamente maiores, por \u00f3bvio. Para Zanin \u201co pedido de liminar dever\u00e1 ser analisado por um dos ministros da 2\u00aa Turma do STF, conforme prev\u00ea a lei (CPC, art. 988, par. 1o)\u201d. Resta saber se Lewandowski e companhia ter\u00e3o a aud\u00e1cia de passar a patrola sobre o colega.<\/p>\n<p><strong>Mais um 7\u00d71 contra o brasil<\/strong><\/p>\n<p>Se o fizerem, h\u00e1 consider\u00e1veis chances de \u00eaxito, como se viu na ter\u00e7a-feira 26, quando Fachin viveu seu dia de 7 a 1, s\u00f3 que pelo lado dos derrotados. Primeiro, os tr\u00eas ministros decidiram anular provas colhidas na Opera\u00e7\u00e3o Custo Brasil, um desdobramento da Lava Jato em S\u00e3o Paulo, que apura desvios de pelo menos R$ 40 milh\u00f5es no Minist\u00e9rio do Planejamento com a participa\u00e7\u00e3o da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) e seu marido, o ex-ministro Paulo Bernardo. Por 3 a 1, a Turma acolheu um pedido da defesa de Gleisi, que questionava a realiza\u00e7\u00e3o de buscas e apreens\u00f5es no apartamento funcional da senadora em Bras\u00edlia. Os ministros argumentaram que um juiz de primeira inst\u00e2ncia n\u00e3o poderia determinar a busca em um im\u00f3vel funcional sem aval do Supremo. Lewandowski teceu duras cr\u00edticas \u00e0 opera\u00e7\u00e3o: \u201c\u00c9 um absurdo um juiz de primeiro grau determinar busca em apartamento de uma senadora. Isso \u00e9 inaceit\u00e1vel\u201d. A decis\u00e3o, por\u00e9m, beira o surrealismo ao instaurar uma esp\u00e9cie de \u201cforo privilegiado em im\u00f3veis funcionais\u201d, ou seja, apartamentos que s\u00f3 podem ser alvos de buscas com autoriza\u00e7\u00e3o do Supremo. \u201cNovidade jur\u00eddica: foro privilegiado de im\u00f3veis\u201d, ironizou a procuradora da Lava Jato no Paran\u00e1, Jerusa Viecili. A Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato est\u00e1 concretamente amea\u00e7ada. STF deve ser o guardi\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o e n\u00e3o da injusti\u00e7a e impunidade. \u201cEnquanto todos secavam a Argentina, a maioria da 2\u00aa Turma faz 7 a 1 contra a Lava Jato. Ops, n\u00e3o marcamos nem mesmo um\u201d, lamentou o decano da Lava Jato, Carlos Fernando Lima.<\/p>\n<p><strong>O convescote de Dirceu<\/strong><\/p>\n<p>Na mesma sess\u00e3o, Gilmar, Toffoli e Lewandowski confirmaram a soltura do lobista Milton Lyra, apontado como operador do MDB. Em seguida, decidiram ir contra o entendimento do plen\u00e1rio da Corte, que autoriza a pris\u00e3o ap\u00f3s condena\u00e7\u00e3o em segunda inst\u00e2ncia, e soltaram o ex-tesoureiro do PP, Jo\u00e3o Claudio Genu, e o ex-ministro Jos\u00e9 Dirceu. Ambos j\u00e1 foram condenados pelo TRF4, mas restou entendido que as penas ainda poderiam ser revistas por recursos pendentes. Entre a decreta\u00e7\u00e3o de sua pris\u00e3o pelo juiz Sergio Moro e a soltura pelo STF, Dirceu passou menos de 40 dias preso na Penitenci\u00e1ria da Papuda, em Bras\u00edlia. Na quarta-feira 27, o petista promoveu um animado convescote em sua resid\u00eancia, no Sudoeste, regi\u00e3o nobre de Bras\u00edlia, durante o jogo do Brasil, regado a cerveja e petiscos variados.<a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/cdn-istoe-ssl.akamaized.net\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2018\/06\/44.png?ssl=1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-715520\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cdn-istoe-ssl.akamaized.net\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2018\/06\/44.png?resize=696%2C1070&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"696\" height=\"1070\" \/><\/a><\/p>\n<p>A sess\u00e3o continuou com mais resultados que levam os brasileiros a crer que criminosos poderosos recebem tratamento diferenciado no Poder Judici\u00e1rio. Para o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da for\u00e7a-tarefa da Lava Jato no Paran\u00e1, \u201cos ministros Gilmar, Toffoli e Lewandowski desrespeitaram a autoridade do plen\u00e1rio do STF, que autorizou pris\u00e3o ap\u00f3s decis\u00e3o de segunda inst\u00e2ncia. Tentaram disfar\u00e7ar, mas a viola\u00e7\u00e3o \u00e9 clara. Caso se exigissem requisitos de pris\u00e3o preventiva (que ali\u00e1s est\u00e3o presentes), n\u00e3o seria execu\u00e7\u00e3o provis\u00f3ria\u201d.<\/p>\n<p><strong>O ministro Marco Aur\u00e9lio mandou soltar at\u00e9 Eduardo Cunha, mas o ex-deputado permanece na cadeia por conta de outras a\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>Na tarde de quinta-feira 28 foi a vez do ministro Marco Aur\u00e9lio Mello mandar soltar outro preso de alto calibre: o ex-deputado e ex-presidente da C\u00e2mara, Eduardo Cunha. Mas como ele coleciona mandados de deten\u00e7\u00e3o, em a\u00e7\u00f5es \u00e0s quais responde por corrup\u00e7\u00e3o e lavagem de dinheiro, Cunha permanece na cadeia, onde se encontra desde outubro de 2016 por decis\u00e3o do juiz Sergio Moro.<\/p>\n<p>Como se nota, Fachin ao lado de C\u00e1rmen L\u00facia tornaram-se ilhas de resist\u00eancia, em meio ao libera geral que equipara certas togas ao que h\u00e1 de pior no Legislativo e Executivo, onde imperam fichas-sujas. No Judici\u00e1rio, descobre-se agora, coabitam os togas sujas \u2013 aqueles que preferem sujar as pr\u00f3prias m\u00e3os e a indument\u00e1ria de ministro a aplicar a lei.<\/p>\n<p>O Brasil n\u00e3o \u00e9 a terra da pizza, seus tra\u00e7ados n\u00e3o formam uma bota, mas est\u00e1 cada vez mais parecido com a It\u00e1lia. L\u00e1, como aqui, tudo come\u00e7ou quase por acaso puxando o novelo de um esc\u00e2ndalo menos estrepitoso de corrup\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-empresarial que envolveu o l\u00edder dos socialistas de Mil\u00e3o, Mario Chiesa. Ele aspirava \u00e0 prefeitura da cidade e exigia dinheiro sujo das empresas em troca de concess\u00f5es de obras p\u00fablicas. Foi ent\u00e3o que um grupo de ju\u00edzes, liderado por Antonio Di Pietro, uma esp\u00e9cie de Sergio Moro italiano, descobriu que a corrup\u00e7\u00e3o era como cupim a carcomer o sistema pol\u00edtico como um todo. Como na Odebrecht, foram encontradas planilhas com as cifras oferecidas a partidos e pol\u00edticos. Praticamente todos os partidos pol\u00edticos teciam a grande e intrincada teia da corrup\u00e7\u00e3o, embora quem operasse os fios da corrup\u00e7\u00e3o fosse o Partido Socialista (PSI) que, com Bettino Craxi, havia al\u00e7ado pela primeira vez ao poder. Entre as centenas de pol\u00edticos condenados, Craxi e seu partido representaram a alma do esquema. O l\u00edder socialista acabou condenado a 17 anos de pris\u00e3o, mas desertou para um ex\u00edlio na Tun\u00edsia, onde terminou seus dias. Tamb\u00e9m l\u00e1, como aqui, Craxi atacou com virul\u00eancia os ju\u00edzes e posou de perseguido pol\u00edtico. A trama foi revelada como um c\u00e2ncer comandado por um partido a infestar a classe pol\u00edtica, mas degenerou em frustra\u00e7\u00e3o para os italianos e na aprova\u00e7\u00e3o de leis que neutralizaram as puni\u00e7\u00f5es aplicadas pela Justi\u00e7a. O risco, aqui, se imp\u00f5e a partir do comportamento de pr\u00f3ceres do Supremo. \u201cInfelizmente, o cen\u00e1rio \u00e9 muito preocupante porque a similitude com o que ocorreu na It\u00e1lia com o que est\u00e1 ocorrendo aqui \u00e9 muito grande. As rea\u00e7\u00f5es da classe pol\u00edtica l\u00e1 s\u00e3o exatamente as mesmas rea\u00e7\u00f5es da classe pol\u00edtica aqui. As frases s\u00e3o iguais. \u00c9 impressionante. O \u2018Judici\u00e1rio quer criminalizar a pol\u00edtica\u2019 \u00e9 uma express\u00e3o usada l\u00e1 e depois usada aqui\u201d, lamentou Rodrigo Chemim, procurador de Justi\u00e7a do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Paran\u00e1, para quem a popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 meio saturada de ouvir falar em esc\u00e2ndalo. \u201cE a\u00ed \u00e9 o momento que os pol\u00edticos aproveitam para aprovar leis que no final de contas neutralizam os efeitos da investiga\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p><strong>Joaquim Falc\u00e3o e o peso da palavra intermedi\u00e1ria: \u201cisso torna o Pa\u00eds juridicamente inseguro\u201d, diz ele<\/strong><\/p>\n<p>Em setembro, quando Toffoli sair de campo e adentrar aos gramados C\u00e1rmen L\u00facia, a tend\u00eancia hoje ali favor\u00e1vel aos r\u00e9us tende a se inverter. C\u00e1rmen, Fachin e Celso de Mello passar\u00e3o a formar a maioria que hoje est\u00e1 nas m\u00e3os de Toffoli, Gilmar e Lewandowski. O que preocupa a todos \u00e9 a inseguran\u00e7a jur\u00eddica que esse clima de guerrilha traz, com decis\u00f5es sendo modificadas apenas por conta da composi\u00e7\u00e3o que det\u00e9m a maioria nas turmas. Como escreveu o professor de Direito Constitucional Joaquim Falc\u00e3o, o que pesa hoje no STF n\u00e3o \u00e9 tanto \u201ca palavra final\u201d, do plen\u00e1rio, mas a \u201cpalavra intermedi\u00e1ria\u201d das turmas e dos ministros. As diversas mudan\u00e7as de decis\u00f5es s\u00e3o perigosas. \u201cIsso torna o Pa\u00eds inseguro juridicamente\u201d, considera Falc\u00e3o. Por isso, a dan\u00e7a de cadeiras no foro restrito \u00e9 considerada mais importante que a chegada de Toffoli \u00e0 Presid\u00eancia da corte. Mesmo no comando do STF, ele preside um colegiado. N\u00e3o pode agir contra a maioria. Seu poder concentra-se mais na defini\u00e7\u00e3o da pauta. Como hoje as se\u00e7\u00f5es intermedi\u00e1rias do Supremo t\u00eam sido mais importantes, \u00e9 na 2\u00aa Turma que a Lava Jato e o processo de saneamento do Pa\u00eds nutrem tempos de esperan\u00e7a. Se at\u00e9 setembro a tr\u00edade libertadora n\u00e3o colocar tudo a perder.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: T\u00e1bata Viapiana e Rudolfo Lago\/Revista Isto\u00c9 edi\u00e7\u00e3o\u00a0N\u00ba 2532 29\/06 &#8211; dispon\u00edvel na internet 02\/07\/2018<\/strong><\/p>\n<h1 style=\"text-align: center\"><span style=\"color: #ff0000\"><strong>\u00a0Articula\u00e7\u00e3o criminosa<\/strong><\/span><\/h1>\n<figure id=\"attachment_26345\" aria-describedby=\"caption-attachment-26345\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/procurador-1.png\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-26345 size-medium\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/procurador-1.png?resize=300%2C169\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"169\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/procurador-1.png?resize=300%2C169&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/procurador-1.png?resize=768%2C432&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/procurador-1.png?resize=696%2C392&amp;ssl=1 696w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/procurador-1.png?resize=747%2C420&amp;ssl=1 747w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/procurador-1.png?w=1024&amp;ssl=1 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-26345\" class=\"wp-caption-text\">O R\u00c9U O ex-procurador Marcelo Miller teria aceitado propina de R$ 700 mil para orientar os executivos da JBS a celebrar um acordo de dela\u00e7\u00e3o (Cr\u00e9dito: Divulga\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n<h5>Den\u00fancia do MPF contra o ex-procurador Marcello Miller, aceita pela Justi\u00e7a, constitui o desfecho \u00f3bvio de uma farsa que prejudicou o Pa\u00eds e quase derrubou um presidente.<\/h5>\n<p>O\u00a0momento mais agudo da crise que, por muito pouco, n\u00e3o apeou o presidente Michel Temer do poder se consumou quando vieram \u00e0 baila as dela\u00e7\u00f5es premiadas dos executivos da JBS, incluindo os irm\u00e3os Joesley e Wesley Batista, donos da empresa, e os ex-diretores Ricardo Saud e Francisco de Assis e Silva. Apresentada na \u00faltima semana, a den\u00fancia do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal contra o ex-procurador da Rep\u00fablica Marcello Miller por corrup\u00e7\u00e3o passiva, aceita pela Justi\u00e7a, exp\u00f4s as v\u00edsceras de uma articula\u00e7\u00e3o destinada a destituir o presidente da Rep\u00fablica do cargo. Segundo a acusa\u00e7\u00e3o, Marcello Miller, na condi\u00e7\u00e3o de procurador da Rep\u00fablica, auxiliado por Esther Flesch, ent\u00e3o s\u00f3cia do escrit\u00f3rio Trench Rossi Watanabe (TRW), teria aceitado propina de R$ 700 mil para orientar os executivos da JBS a celebrar um acordo de confidencialidade com a Procuradoria-Geral da Rep\u00fablica, que posteriormente resultou nas colabora\u00e7\u00f5es premiadas, assinadas em maio de 2017.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"content-section content\">\n<p><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/cdn-istoe-ssl.akamaized.net\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2018\/06\/41.png?ssl=1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-715479\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cdn-istoe-ssl.akamaized.net\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2018\/06\/41.png?resize=280%2C505&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"280\" height=\"505\" \/><\/a><strong>Jogo duplo<\/strong><\/p>\n<p>Entre fevereiro do ano passado, data em que anunciou sua sa\u00edda do MPF, e 5 de abril, quando foi exonerado do cargo, Miller orientou Joesley e Wesley Batista na negocia\u00e7\u00e3o dos acordos. Segundo o MPF, Miller, agora r\u00e9u, se encontrou in\u00fameras vezes com os executivos e prestou a eles aconselhamentos jur\u00eddicos, uma postura totalmente em desalinho com a fun\u00e7\u00e3o de um procurador da Rep\u00fablica. Na pr\u00e1tica, Miller fez jogo duplo ou \u201cserviu a dois senhores\u201d, como descreveu o MPF na den\u00fancia: ele seguiu atuando no Minist\u00e9rio P\u00fablico enquanto auxiliava empres\u00e1rios corruptos que queriam escapar da Justi\u00e7a. Para receber a propina de R$ 700 mil, Miller teria contado com a ajuda de Esther Flesch, segundo a den\u00fancia. De acordo com o MPF, eles teriam usado o escrit\u00f3rio Trench Rossi Watanabe para intermediar os repasses, sem o conhecimento dos demais s\u00f3cios. A defesa de Esther Flesch disse ter recebido com \u201cprofunda indigna\u00e7\u00e3o\u201d a not\u00edcia. \u201cFica claro que Esther funcionou como inocente \u00fatil que precisou ser denunciada para que desse certo o projeto acusat\u00f3rio contra Marcelo Miller\u201d.<\/p>\n<p><strong>A procuradora-geral da Rep\u00fablica,\u00a0Raquel Dodge, j\u00e1 pediu a rescis\u00e3o\u00a0dos acordos ao apontar omiss\u00e3o e m\u00e1-f\u00e9 dos delatores<\/strong><\/p>\n<p>Conforme o MPF, os executivos da JBS procuraram Marcello Miller justamente com o intuito de que ele facilitasse a assinatura dos acordos de colabora\u00e7\u00e3o premiada. Na \u00e9poca, Miller integrava o grupo de trabalho do ent\u00e3o Procurador-Geral da Rep\u00fablica, Rodrigo Janot, e transitava com desenvoltura pelos corredores da PGR em Bras\u00edlia. \u201cEra a pessoa certa para, valendo-se do cargo, orientar juridicamente a interlocu\u00e7\u00e3o entre corruptores e seus colegas da PGR e minutar documentos, inclusive porque tinha livre acesso aos membros integrantes do citado grupo de trabalho da Lava Jato e poderia interferir, pela sua experi\u00eancia no assunto e pela respeitabilidade at\u00e9 ent\u00e3o existente entre seus pares, nas decis\u00f5es adotadas em rela\u00e7\u00e3o a acordos de colabora\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou o Minist\u00e9rio P\u00fablico. Em nota, Joesley negou a pr\u00e1tica de crime a ele imputada. \u201cO empres\u00e1rio nunca ofereceu vantagem indevida a Marcelo Miller\u201d.<\/p>\n<p><strong>Mancha na hist\u00f3ria<\/strong><\/p>\n<div class=\"clearfix\">A Procuradora-Geral da Rep\u00fablica, Raquel Dodge, j\u00e1 pediu a rescis\u00e3o dos acordos e apontou \u201comiss\u00e3o e m\u00e1-f\u00e9\u201d dos delatores. A decis\u00e3o ser\u00e1 do ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal. Recebidas inicialmente como uma bomba capaz de implodir a Rep\u00fablica, as dela\u00e7\u00f5es premiadas da JBS acabaram se tornando uma m\u00e1cula na reputa\u00e7\u00e3o de Rodrigo Janot \u00e0 frente da PGR, que a hist\u00f3ria n\u00e3o ter\u00e1 o cond\u00e3o de remover.<\/div>\n<div><strong>Cr\u00e9dito: T\u00e1bata Viapiana\/Revista Isto\u00c9 edi\u00e7\u00e3o\u00a0N\u00ba 2532 29\/06 &#8211; dispon\u00edvel na internet 02\/07\/2018<\/strong><\/div>\n<div class=\"clearfix\"><\/div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sob o comando de Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, a 2\u00aa Turma do STF acelera a revis\u00e3o de condena\u00e7\u00f5es e escancara as grades para a liberta\u00e7\u00e3o de pol\u00edticos presos. 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