{"id":26369,"date":"2018-07-03T00:04:45","date_gmt":"2018-07-03T03:04:45","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=26369"},"modified":"2018-07-02T14:22:06","modified_gmt":"2018-07-02T17:22:06","slug":"para-copa-olimpiada-ou-quando-o-museu-elefante-branco-parado-ha-mais-de-dois-anos-no-rio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2018\/07\/03\/para-copa-olimpiada-ou-quando-o-museu-elefante-branco-parado-ha-mais-de-dois-anos-no-rio\/","title":{"rendered":"Para Copa, Olimp\u00edada ou quando? O museu &#8216;elefante branco&#8217; parado h\u00e1 mais de dois anos no Rio"},"content":{"rendered":"<div class=\"story-body__inner\">\n<p class=\"story-body__introduction\">Alice Gonzaga tem 82 anos, mora de frente para a praia de Copacabana h\u00e1 61 e h\u00e1 oito anos abre a janela de manh\u00e3 n\u00e3o apenas para ver o mar, mas para acompanhar o canteiro de obras no terreno ao lado de seu pr\u00e9dio, na Avenida Atl\u00e2ntica, onde viu o arrojado projeto do Museu da Imagem e do Som, no\u00a0Rio de Janeiro, come\u00e7ar a se erguer em 2010 &#8211; para at\u00e9 hoje n\u00e3o terminar.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 um elefante branco na praia mais famosa do Brasil&#8221;, diz Alice, que se queixa de ratos e baratas vindos do canteiro de obras, e de moradores de rua que passaram a dormir ao lado dos tapumes que avan\u00e7am pela cal\u00e7ada da avenida \u00e0 beira-mar.<\/p>\n<p>Moradores e comerciantes de Copacabana ouvidos pela BBC News Brasil reagem entre frustra\u00e7\u00e3o, desconfian\u00e7a e ironia ao falar sobre o pr\u00e9dio inacabado do MIS, que tinha sua conclus\u00e3o prevista primeiro para a\u00a0Copa do Mundo\u00a0de 2014, depois para a Olimp\u00edada, mas est\u00e1 parada desde fevereiro de 2016 &#8211; e ainda n\u00e3o tem data para acabar.<\/p>\n<p>Com tanto atraso, alguns moradores e lojistas at\u00e9 dizem sentir falta da Help, a boate frequentada por turistas e garotas de programa que foi demolida para dar lugar ao museu.<\/p>\n<p>&#8220;Pelo menos a Help trazia movimento para todo mundo&#8221;, diz o chaveiro Antonio Leit\u00e3o. &#8220;Fazia o dinheiro circular.&#8221;<\/p>\n<p>A nova sede do MIS ganhou um projeto arrojado do escrit\u00f3rio nova-iorquino Diller Scofidio + Renfro, autores da famosa High Line em Manhattan, o parque suspenso em uma linha f\u00e9rrea, para abrigar um dos principais acervos de m\u00fasica e cinema brasileiros.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/177AD\/production\/_102237169_fotos-julia-3.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/177AD\/production\/_102237169_fotos-julia-3.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"A moradora Alice Gonzaga olha de sua janela para tereno em que ocorre obra de museu\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">A moradora Alice Gonzaga, vizinha \u00e0 obra, manda cartas com frequ\u00eancia a autoridades e jornais cariocas se queixando de &#8216;descaso&#8217; e pedindo que cal\u00e7ada ocupada por tapumes seja liberada\/ Foto: J\u00falia Dias Carneiro\/BBC News Brasil<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>O projeto ic\u00f4nico, compat\u00edvel com a ambi\u00e7\u00e3o e o otimismo do Rio dos megaeventos, acabou virando um s\u00edmbolo das dificuldades atuais do Estado, buscando se desatolar de uma crise fiscal.<\/p>\n<p>Se os pr\u00f3ximos passos seguirem os planos do governo, a inaugura\u00e7\u00e3o dever\u00e1 ocorrer em 2020.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Crise fiscal<\/h2>\n<p>O imbr\u00f3glio envolveu a rescis\u00e3o do contrato com a empreiteira respons\u00e1vel pela obra e o impasse posterior para viabilizar uma nova licita\u00e7\u00e3o diante da fal\u00eancia do Estado do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Embora tivesse os recursos para terminar a obra atrav\u00e9s de um financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o Estado at\u00e9 hoje n\u00e3o conseguiu fazer a nova licita\u00e7\u00e3o por conta das restri\u00e7\u00f5es impostas pela &#8220;calamidade financeira&#8221; que decretou em 2016, diante de sua queda de arrecada\u00e7\u00e3o e crescente endividamento.<\/p>\n<p>Inacabado, o museu virou uma &#8220;pedra no sapato&#8221; para todos os envolvidos, segundo uma fonte ligada ao projeto. &#8220;A nossa ang\u00fastia \u00e9 a mesma de todos os parceiros privados, dos moradores de Copacabana e da cidade do Rio de Janeiro, que querem ver isso mais do que pronto&#8221;, afirma a fonte, pedindo para n\u00e3o ser identificada. Os \u00faltimos meses foram de mobiliza\u00e7\u00e3o nos bastidores, com os principais atores envolvidos no projeto se reunindo em Bras\u00edlia para tra\u00e7ar metas detalhadas para ressuscitar a obra.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/4315\/production\/_102237171_misdivulgao-2.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/4315\/production\/_102237171_misdivulgao-2.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Fachada inacabada do MIS\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Fachada inacabada do MIS; obra come\u00e7ou em 2010.\u00a0Direito de imagem\u00a0DIVULGA\u00c7\u00c3O\/MIS<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>&#8220;Copacabana merecia ter um museu bacana, com uma grife internacional. O Rio est\u00e1 perdendo uma oportunidade. O dinheiro est\u00e1 em caixa, j\u00e1 carimbado. \u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o kafkiana&#8221;, diz a fonte, referindo-se \u00e0s dificuldades de ter acesso aos recursos existentes para terminar a obra &#8211; e confiante de que a nova ofensiva v\u00e1 fazer o processo andar.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Falta um ano de obras<\/h2>\n<p>Questionado pela BBC News Brasil, o Governo do Estado afirma, por meio de nota, que a constru\u00e7\u00e3o est\u00e1 &#8220;70% pronta&#8221;. Sua conclus\u00e3o custar\u00e1 R$ 39 milh\u00f5es e demandar\u00e1 um ano de obras f\u00edsicas e quatro meses para implantar equipamentos expositivos. Com isso, a previs\u00e3o \u00e9 que o novo MIS seja inaugurado em 2020.<\/p>\n<p>Atualmente or\u00e7ado em R$ 216 milh\u00f5es &#8211; o que inclui compra do terreno, projetos, demoli\u00e7\u00e3o, funda\u00e7\u00e3o, constru\u00e7\u00e3o e acabamentos &#8211; o empreendimento \u00e9 uma iniciativa do Governo do Estado do Rio, realizado e concebido em conjunto com a Funda\u00e7\u00e3o Roberto Marinho (FRM).<\/p>\n<p>A funda\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m est\u00e1 \u00e0 frente de outros dois museus constru\u00eddos na esteira dos grandes eventos do Rio, o Museu de Arte do Rio (MAR) e o Museu do Amanh\u00e3, ambos na Pra\u00e7a Mau\u00e1, na regi\u00e3o portu\u00e1ria.<\/p>\n<p>Ironicamente, o MIS foi o primeiro que come\u00e7ou a ser tocado. Tem recursos p\u00fablicos e privados, recebendo recursos do BID, do Minist\u00e9rio da Cultura (Lei Rouanet) e de empresas.<\/p>\n<figure class=\"media-portrait has-caption body-narrow-width\">\n<p><figure style=\"width: 412px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/304\/cpsprodpb\/D7E9\/production\/_102237255_divulgacao-dillerscofidio-renfro-1.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/304\/cpsprodpb\/D7E9\/production\/_102237255_divulgacao-dillerscofidio-renfro-1.jpg?resize=412%2C549&#038;ssl=1\" alt=\"Proje\u00e7\u00e3o do MIS em meio a Copacabana\" width=\"412\" height=\"549\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Proje\u00e7\u00e3o do MIS em meio a Copacabana; segundo governo, obra est\u00e1 &#8216;70% pronta&#8217;.Direito de imagem\u00a0DIVULGA\u00c7\u00c3O\/DILLER SCOFIDIO + RENFRO<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>O projeto teve sua pedra fundamental lan\u00e7ada em janeiro de 2010, ap\u00f3s o escrit\u00f3rio nova-iorquino Diller Scofidio + Renfro vencer o concurso internacional para a sede, em 2009. Uma das fundadoras, a arquiteta Elizabeth Diller figurou neste ano pela segunda vez na lista de 100 pessoas mais influentes do mundo da revista Time.<\/p>\n<p>&#8220;O MIS \u00e9 uma s\u00edntese dessa cidade&#8221;, disse o ent\u00e3o-governador S\u00e9rgio Cabral na solenidade para dar in\u00edcio aos trabalhos, em 2010. Na ocasi\u00e3o, destacou a nova sede como uma &#8220;atra\u00e7\u00e3o internacional&#8221; que ajudaria a revitalizar Copacabana &#8220;social e culturalmente&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Em 2016, n\u00e3o mais governador, j\u00e1 me imagino sentado no \u00faltimo andar do museu, assistindo aos Jogos Ol\u00edmpicos que estar\u00e3o acontecendo em Copacabana&#8221;, afirmou Cabral \u00e0 \u00e9poca. O ex-chefe do executivo no Rio est\u00e1 preso desde novembro de 2016 devido a esc\u00e2ndalos de corrup\u00e7\u00e3o e desvios de recursos p\u00fablicos em seu governo.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Licita\u00e7\u00e3o travada<\/h2>\n<p>A obra parou ap\u00f3s a rescis\u00e3o do contrato com a construtora que venceu a licita\u00e7\u00e3o, a Rio Verde, em fevereiro de 2016. De acordo com o governo, o motivo foi &#8220;o n\u00e3o cumprimento dos servi\u00e7os por parte da empresa licitada&#8221;. A BBC News Brasil apurou que a decis\u00e3o foi motivada por reiterados pedidos de aditivos por parte da empreiteira sobre valores estabelecidos para a obra na licita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em nota, a Rio Verde afirma que &#8220;o contrato foi encerrado por fatos imput\u00e1veis exclusivamente ao Estado do Rio de Janeiro, que descumpriu o ajuste contratual, ensejando o expressivo desequil\u00edbrio econ\u00f4mico-financeiro do contrato, impossibilitando a continuidade da obra.&#8221;<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a rescis\u00e3o, entretanto, a crise fiscal no Rio imp\u00f4s obst\u00e1culos a uma nova licita\u00e7\u00e3o, pegando os atores envolvidos de surpresa.<\/p>\n<p>Mesmo com recursos do BID j\u00e1 &#8220;garantidos&#8221; para a obra, refazer a licita\u00e7\u00e3o equivaleria a contrair um novo empr\u00e9stimo &#8211; algo que o Rio, em regime de recupera\u00e7\u00e3o fiscal, se viu impedido de fazer. Assim, o financiamento do banco ficou inacess\u00edvel.<\/p>\n<p>&#8220;Devido \u00e0 grave situa\u00e7\u00e3o financeira estadual, o cronograma de constru\u00e7\u00e3o previsto incialmente n\u00e3o p\u00f4de ser conclu\u00eddo&#8221;, justifica o Governo do Estado.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Grupo de trabalho<\/h2>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/12609\/production\/_102237257_fotos-julia-5.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/12609\/production\/_102237257_fotos-julia-5.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Camel\u00f4s em frente \u00e0 constru\u00e7\u00e3o do MIS\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Image caption Cria\u00e7\u00e3o do museu tem recursos p\u00fablicos e privados\/ Foto: J\u00falia Dias Carneiro\/BBC News Brasil<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>O Plano de Recupera\u00e7\u00e3o Fiscal do Estado do Rio de Janeiro, aprovado em setembro de 2017 em Bras\u00edlia, criou as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para que o financiamento fosse renegociado, mas os recursos ainda dependem de uma lista de requisitos para ser liberados.<\/p>\n<p>O processo voltou a andar no fim de mar\u00e7o deste ano, com uma reuni\u00e3o convocada no Minist\u00e9rio da Cultura com representantes do Governo do Estado, da Funda\u00e7\u00e3o Roberto Marinho, do BID e dos minist\u00e9rios do Planejamento e da Fazenda, al\u00e9m do pr\u00f3prio MinC.<\/p>\n<p>&#8220;Estabelecemos um passo a passo claro e estamos em contato permanente monitorando a evolu\u00e7\u00e3o de cada etapa, entrando em campo quando necess\u00e1rio para acelerar o processo&#8221;, explica o ministro da Cultura, S\u00e9rgio S\u00e1 Leit\u00e3o, \u00e0 BBC News Brasil.<\/p>\n<p>&#8220;D\u00f3i muito ver aquela obra paralisada, e eventualmente se degradando, sem que se consiga construir uma solu\u00e7\u00e3o&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>De acordo com o ministro, o grupo de trabalho voltar\u00e1 a se reunir daqui a duas semanas.<\/p>\n<p>A principal meta no momento \u00e9 obter uma carta de anu\u00eancia do BID permitindo a prorroga\u00e7\u00e3o de seu financiamento &#8211; que est\u00e1 dentro do escopo do Programa Nacional de Desenvolvimento de Turismo do Estado do Rio de Janeiro (Prodetur-RJ) e abrange outras iniciativas.<\/p>\n<p>No fim de maio, o Conselho de Supervis\u00e3o do Regime de Recupera\u00e7\u00e3o Fiscal, \u00f3rg\u00e3o que vem monitorando as finan\u00e7as do Rio, deu seu aval para estender o Prodetur-RJ. Foi um primeiro passo para levar o processo adiante.<\/p>\n<p>De acordo com S\u00e1 Leit\u00e3o, a previs\u00e3o, agora, \u00e9 que o edital de licita\u00e7\u00e3o para a parte remanescente da\u00a0obra\u00a0seja publicado no in\u00edcio do segundo semestre deste ano.<\/p>\n<p>Conclu\u00edda a licita\u00e7\u00e3o, ser\u00e3o retomadas as obras no museu, que precisa concluir toda a fase de acabamentos &#8211; instalando desde lumin\u00e1rias e pisos a torneiras e vasos sanit\u00e1rios. Contando o per\u00edodo necess\u00e1rio para montar a estrutura expositiva, a atual previs\u00e3o do Estado \u00e9 que o museu seja inaugurado em 2020.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">&#8216;Percal\u00e7os esquecidos&#8217;<\/h2>\n<p>Presidente do MIS, Rosa Maria Araujo diz torcer para que &#8220;todos os percal\u00e7os&#8221; da constru\u00e7\u00e3o possam ser esquecidos com a inaugura\u00e7\u00e3o do museu &#8211; e os benef\u00edcios que espera que traga para a cidade.<\/p>\n<p>&#8220;Estamos otimistas&#8221;, afirma. &#8220;Tem sido um processo longo e dif\u00edcil, o que \u00e9 justific\u00e1vel, dada a import\u00e2ncia dessa obra para a cidade e para o Brasil. Acreditamos que falta pouco.&#8221;<\/p>\n<p>O MIS \u00e9 um centro de documenta\u00e7\u00e3o que re\u00fane cole\u00e7\u00f5es com fotos, partituras, textos, \u00e1udios e v\u00eddeos de \u00edcones da cultura brasileira e carioca &#8211; como Nara Le\u00e3o, Augusto Malta, Jacob do Bandolim e Elizeth Cardoso. O acervo soma, segundo Araujo, 300 mil documentos.<\/p>\n<p>Atualmente, o MIS opera em duas sedes no centro do Rio, a mais antiga em um pr\u00e9dio tombado na Pra\u00e7a XV, a outra, na Lapa.<\/p>\n<p>O novo MIS ter\u00e1 exposi\u00e7\u00f5es de longa dura\u00e7\u00e3o voltadas para temas como a hist\u00f3ria social do samba, o humor, a rebeldia do Rio e o carnaval &#8211; mostradas &#8220;de uma forma moderna, interativa e muito atraente&#8221;, segundo a presidente do MIS. &#8220;Estamos certos de que vai ser um sucesso&#8221;, diz.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">&#8216;Sacrif\u00edcio para todos&#8217;<\/h2>\n<p>Enquanto montam as barraquinhas no cal\u00e7ad\u00e3o de Copacabana em frente ao MIS, vendendo camisas do Brasil, cangas, suvenires e pinturas de arte na\u00eff, os comerciantes que batem ponto na feirinha tur\u00edstica do Posto 5 monitoram sinais de evolu\u00e7\u00e3o no pr\u00e9dio. Se continuar parado vai virar uma &#8220;cracol\u00e2ndia&#8221; em Copacabana, palpita um; &#8220;\u00e9 mais uma obra milion\u00e1ria n\u00e3o conclu\u00edda no Rio&#8221;, lamenta outra; &#8220;poderiam ter constru\u00eddo um hospital, uma escola&#8221;, diz uma vendedora.<\/p>\n<p>Do outro lado da rua, em um dos quiosques da orla, o gar\u00e7om L\u00e1zaro Senna diz que turistas sempre perguntam, curiosos, o que \u00e9 aquela fachada arrojada na Atl\u00e2ntica.<\/p>\n<p>A fachada com desenhos geom\u00e9tricos, e linhas em ziguezague, contrasta fortemente com os pr\u00e9dios geminados constru\u00eddos h\u00e1 d\u00e9cadas na Avenida Atl\u00e2ntica. Ele torce para que o museu melhore o movimento de turistas e a reduza assaltos que diz terem sido frequentes local.<\/p>\n<p>&#8220;Era para ser para a Copa, depois para a Olimp\u00edada, e at\u00e9 agora n\u00e3o saiu do papel. \u00c9 triste ver o dinheiro p\u00fablico indo pelo ralo&#8221;, considera.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/17429\/production\/_102237259_fotos-julia-1.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/17429\/production\/_102237259_fotos-julia-1.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"O chaveiro Ant\u00f4nio Leit\u00e3o ao lado de colega em rua de Copacabana\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Image caption\u00a0O chaveiro Ant\u00f4nio Leit\u00e3o (\u00e0 esquerda), que h\u00e1 15 anos trabalha ao lado do terreno onde o MIS est\u00e1 sendo constru\u00eddo, diz sentir falta da antiga Help, casa noturna frequentada por turistas e garotas de programa que foi demolida para dar lugar ao museu\/ Foto: J\u00falia Dias Carneiro\/BBC News Brasil<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Os sucessivos esc\u00e2ndalos da Lava Jato no governo Cabral levam muitos a achar que o obra est\u00e1 parada por causa de desvios de recursos ou corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O ministro S\u00e9rgio S\u00e1 Leit\u00e3o rebate a ideia, e frisa que os problemas do MIS foram ocasionados pela queda de arrecada\u00e7\u00e3o e pela crise fiscal do Rio.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o conseguimos identificar irregularidades em todo o processo do MIS, nem nada que pudesse ligar o projeto a esses esc\u00e2ndalos (de corrup\u00e7\u00e3o) que estamos vendo a\u00ed&#8221;, afirma S\u00e1 Leit\u00e3o.<\/p>\n<p>Os vizinhos imediatos do MIS, por\u00e9m, n\u00e3o veem a hora de o processo terminar. Os pr\u00e9dios adjacentes sofreram com um afundamento do terreno arenoso do museu na primeira fase das obras, que resultou em uma longa rachadura crescendo verticalmente entre edifica\u00e7\u00f5es geminadas vizinhas \u00e0 obra, preenchida por uma manta para impermeabilizar a fenda.<\/p>\n<p>Suportaram o barulho de constru\u00e7\u00e3o dia e noite durante a fase inicial do projeto. Afinal, havia pressa, j\u00e1 que a obra deveria estar pronta a tempo da Copa de 2014.<\/p>\n<p>&#8220;Eu passei muito tempo sem dormir, por causa dos mosquitos que vinham do canteiro de obras e do barulho&#8221;, diz uma moradora que prefere n\u00e3o se identificar, mas mostra pontos de infiltra\u00e7\u00e3o deixados em sua parede por causa das rachaduras no pr\u00e9dio geradas pela obra.<\/p>\n<p>&#8220;Foi um momento de muito sacrif\u00edcio para todos n\u00f3s. Espero que essa obra acabe um dia, sen\u00e3o ser\u00e1 preju\u00edzo demais&#8221;, considera.<\/p>\n<p><span class=\"byline__name\">Cr\u00e9dito: J\u00falia Dias Carneiro da<\/span><span class=\"byline__title\">\u00a0BBC News Brasil no Rio de Janeiro &#8211; dispon\u00edvel na internet 03\/07\/2018<\/span><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alice Gonzaga tem 82 anos, mora de frente para a praia de Copacabana h\u00e1 61 e h\u00e1 oito anos abre a janela de manh\u00e3 n\u00e3o apenas para ver o mar, mas para acompanhar o canteiro de obras no terreno ao lado de seu pr\u00e9dio, na Avenida Atl\u00e2ntica, onde viu o arrojado projeto do Museu da [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":26370,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[135],"tags":[],"class_list":{"0":"post-26369","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-clipping"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/mis.jpg?fit=320%2C180&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26369","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26369"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26369\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media\/26370"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26369"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26369"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26369"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}