{"id":27243,"date":"2018-07-25T00:09:47","date_gmt":"2018-07-25T03:09:47","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=27243"},"modified":"2018-07-24T19:31:27","modified_gmt":"2018-07-24T22:31:27","slug":"o-peso-do-judiciario-nas-eleicoes-de-2018","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2018\/07\/25\/o-peso-do-judiciario-nas-eleicoes-de-2018\/","title":{"rendered":"O peso do Judici\u00e1rio nas elei\u00e7\u00f5es de 2018"},"content":{"rendered":"<p class=\"intro\">Para especialistas, processo de interfer\u00eancia do Poder Judici\u00e1rio na pol\u00edtica vem se consolidando e deve ter efeito sobre pleito de outubro. Protagonismo teria come\u00e7ado no STF, que cobre vazio deixado pelo Legislativo.<\/p>\n<p>A figura do super-her\u00f3i de capa salvando a popula\u00e7\u00e3o do mal aos poucos vai conquistando magistrados, al\u00e9m de membros da Pol\u00edcia Federal (PF) e do Minist\u00e9rio P\u00fablico (MP). Intencionalmente ou n\u00e3o, nos \u00faltimos anos senten\u00e7as e investiga\u00e7\u00f5es alcan\u00e7aram pol\u00edticos importantes do Executivo e do Legislativo e j\u00e1 quase n\u00e3o h\u00e1 mais quem acredite que o Judici\u00e1rio v\u00e1\u00a0ser apenas um observador das elei\u00e7\u00f5es deste ano.<\/p>\n<p>Para especialistas, esse processo de interfer\u00eancia do Judici\u00e1rio na pol\u00edtica come\u00e7ou h\u00e1 mais tempo e se consolidou\u00a0em 2018.\u00a0O mais\u00a0recente exemplo \u00e9 o\u00a0caso do\u00a0habeas corpus &#8220;ioi\u00f4&#8221; do ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva,\u00a0que gerou um embate de togas envolvendo o Tribunal Regional Federal da 4\u00aa Regi\u00e3o (TRF-4), a Justi\u00e7a Federal no Paran\u00e1 e o Superior tribunal de Justi\u00e7a (STJ).<\/p>\n<p>Analisando desde o curr\u00edculo do desembargador Rog\u00e9rio Favreto, que foi filiado ao PT por quase 20 anos, at\u00e9 a forma como os magistrados S\u00e9rgio Moro e Jo\u00e3o Pedro Gebran Neto atuaram para impedir a soltura de Lula da cadeia da PF no Paran\u00e1, especialistas deixaram claro todos os envolvidos cometeram erros, desrespeitando o processo legal.<\/p>\n<div class=\"picBox full\">\n<figure style=\"width: 700px\" class=\"wp-caption alignright\"><a class=\"overlayLink init\" href=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.dw.com\/image\/44809035_303.jpg?ssl=1\" rel=\"nofollow\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Fachada do Supremo Tribunal Federal\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.dw.com\/image\/44809035_303.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Fachada do Supremo Tribunal Federal\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Decis\u00f5es do STF que alcan\u00e7am candidatos s\u00e3o apontadas por especialistas como interfer\u00eancias do Judici\u00e1rio na pol\u00edtica<\/figcaption><\/figure>\n<p>Os poss\u00edveis excessos de magistrados\u00a0s\u00e3o criticados\u00a0pelo jurista Ives Gandra Martins. Para ele, quando ju\u00edzes extrapolam o que est\u00e1 escrito na lei, o resultado sempre ser\u00e1 pol\u00edtico.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"group\">\n<div class=\"longText\">\n<p>&#8220;H\u00e1 duas correntes no Judici\u00e1rio atualmente. A de que fa\u00e7o parte, do poder negativo, que afirma que o Judici\u00e1rio n\u00e3o pode legislar, apenas cumprir o que est\u00e1 na lei&#8221;, afirma. &#8220;H\u00e1 ainda a dos neoconstitucionalistas, que acreditam que, nas omiss\u00f5es do Legislativo, o Judici\u00e1rio pode e deve legislar. Se v\u00e3o suprir as fun\u00e7\u00f5es do Congresso, \u00e9 claro que haver\u00e1 um ato pol\u00edtico.&#8221;<\/p>\n<p>A batalha no TRF-4 terminou com Lula ainda preso e os tr\u00eas magistrados tendo que prestar esclarecimentos ao Conselho Nacional de Justi\u00e7a (CNJ). O caso foi visto como um reflexo do que ocorre no Supremo Tribunal Federal (STF), onde ministros batem boca e decidem de forma monocr\u00e1tica sobre temas j\u00e1 discutidos em plen\u00e1rio, como a pris\u00e3o em segunda inst\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Eduardo Grin, cientista pol\u00edtico e professor da FGV-EAESP, aponta que foi no pr\u00f3prio STF que come\u00e7ou esse protagonismo do Judici\u00e1rio. &#8220;Desde 2004 temos um processo avan\u00e7ado de delega\u00e7\u00e3o de responsabilidades. O Legislativo, que deveria legislar, n\u00e3o o faz e deixa para o Judici\u00e1rio fazer. Na pol\u00edtica n\u00e3o existe vazio, porque sempre algu\u00e9m ocupa esse espa\u00e7o&#8221;, diz\u00a0o professor.<\/p>\n<p>&#8220;Nos \u00faltimos anos o STF decidiu sobre assuntos que v\u00e3o de pesquisas sobre c\u00e9lulas-tronco ao casamento de pessoas do mesmo sexo.\u00a0O poder deles foi crescendo, e hoje n\u00e3o temos apenas um Supremo, temos 11&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Grin ainda cita as opera\u00e7\u00f5es de investiga\u00e7\u00e3o da PF e do MP que ocupam manchetes de jornais. Para ele, o discurso de que a pol\u00edtica \u00e9 feita de corruptos acaba dando espa\u00e7o para figuras vistas como salvadores da p\u00e1tria em vez de pol\u00edticos com propostas concretas.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 comum ver promotores e delegados falando da pol\u00edtica como algo ruim. A popula\u00e7\u00e3o entende que aspectos morais v\u00e3o superar os problemas do pa\u00eds, e a consequ\u00eancia disso \u00e9 o surgimento de candidatos sem qualquer tipo de preparo, que ganham simpatizantes com um simples discurso contra a corrup\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma ideia salvacionista, o Brasil passou por algo semelhante com o\u00a0tenentismo [nos anos 1920 e 1930] e o udenismo de 1950&#8221;, explica Grin.<\/p>\n<p><strong>Um Poder com um p\u00e9 na pol\u00edtica<\/strong><\/p>\n<p>Dos atuais 11 ministros do STF, apenas dois t\u00eam carreira na magistratura. No STJ e nos tribunais regionais federais, o n\u00famero de magistrados de carreira \u00e9 um pouco maior que 50%.\u00a0Ao contr\u00e1rio dos outros tribunais, que t\u00eam regras mais claras sobre nomea\u00e7\u00e3o de ministros, a Constitui\u00e7\u00e3o exige apenas que o ministro a ser indicado ao Supremo tenha &#8220;not\u00f3rio saber jur\u00eddico&#8221;. Para cr\u00edticos, essa liberdade de nomea\u00e7\u00e3o pode ser usada para presidentes indicarem ju\u00edzes pr\u00f3ximos a partidos pol\u00edticos.<\/p>\n<p>&#8220;O Brasil copiou\u00a0o modelo norte-americano de nomea\u00e7\u00e3o de ministros para o STF. O que defendo \u00e9 que essa decis\u00e3o seja feita por operadores do direito, como o Conselho Federal da Ordem, o MP e tribunais superiores, que passariam uma lista tr\u00edplice para o presidente decidir&#8221;, sugere Gandra Martins.<\/p>\n<p>Procedimento similar de lista tr\u00edplice com\u00a0posterior escolha do presidente\u00a0existe para o mandato de procurador-geral da Rep\u00fablica. No entanto, os candidatos necessariamente devem ser de carreira do Minist\u00e9rio P\u00fablico.<\/p>\n<p>Na C\u00e2mara, h\u00e1 21\u00a0projetos de emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o, e no Senado, outros dez em tramita\u00e7\u00e3o com propostas para mudar a forma de nomea\u00e7\u00e3o de ministros do STF. Alguns\u00a0estipulam at\u00e9 um prazo de dez anos para o &#8220;mandato&#8221; do magistrado. Grin discorda do modelo proposto.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o acho que v\u00e1 ajudar estipular um prazo curto\u00a0no\u00a0STF. Um ministro\u00a0pode atuar\u00a0de forma diferente justamente porque sabe que tem data de validade. O que deve mudar \u00e9 o que chega ao nosso Supremo&#8221;, diz o cientista pol\u00edtico. &#8220;Nos EUA, a Suprema Corte \u00e9 constitucional. No Brasil, al\u00e9m de constitucional, \u00e9 tamb\u00e9m \u00faltima inst\u00e2ncia recursal, ent\u00e3o, j\u00e1 se espera que casos relacionados a pol\u00edticos sejam decididos no STF.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Dos tribunais para as urnas<\/strong><\/p>\n<p>A atua\u00e7\u00e3o do Judici\u00e1rio pode ser indireta, com decis\u00f5es e opera\u00e7\u00f5es; ou direta, com a candidatura de algumas figuras nacionalmente conhecidas ap\u00f3s grande exposi\u00e7\u00e3o na m\u00eddia. Delegados da PF j\u00e1 iniciaram um movimento batizado de &#8220;bancada da Lava Jato&#8221;, com 13 candidatos para o pleito de outubro.<\/p>\n<p>Outro exemplo que quase se concretizou este ano foi a candidatura de Joaquim Barbosa, ex-ministro do STF, para a Presid\u00eancia. Bastante conhecido por causa do julgamento do mensal\u00e3o, Barbosa se aposentou do STF em 2014.<\/p>\n<div class=\"picBox medium \">\n<figure style=\"width: 340px\" class=\"wp-caption alignright\"><a class=\"overlayLink init\" href=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.dw.com\/image\/16383338_404.jpg?ssl=1\" rel=\"nofollow\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Ex-ministro do STF, Joaquim Barbosa chegou a anunciar uma pr\u00e9-candidatura \u00e0 Presid\u00eancia pelo PSB, mas recuou em maio\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.dw.com\/image\/16383338_404.jpg?resize=340%2C191&#038;ssl=1\" alt=\"Joaquim Barbosa (Nelson Jr)\" width=\"340\" height=\"191\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Ex-ministro do STF, Joaquim Barbosa chegou a anunciar uma pr\u00e9-candidatura \u00e0 Presid\u00eancia pelo PSB, mas recuou em maio<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em outubro de 2016, um juiz do interior do estado do Par\u00e1 foi punido pelo CNJ com aposentadoria compuls\u00f3ria. Entre outras irregularidades, o juiz foi\u00a0acusado de praticar &#8220;atividade pol\u00edtico-partid\u00e1ria&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n<p>Desde 2004, quando foi criado, o CNJ puniu cerca de cem magistrados. O caso paraense \u00e9 o\u00a0\u00fanico com\u00a0men\u00e7\u00e3o \u00e0 atividade de um magistrado e pol\u00edtica, algo proibido e pass\u00edvel de perda de cargo de acordo com a\u00a0Lei Org\u00e2nica da Magistratura (Loman). Como os processos s\u00e3o sigilosos, a busca se limita\u00a0a notas no site do CNJ e\u00a0mat\u00e9rias publicadas\u00a0na imprensa brasileira.<\/p>\n<p>Mesmo com a proibi\u00e7\u00e3o, h\u00e1 um movimento de magistrados que pretende lan\u00e7ar candidatura nas pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es. A estrat\u00e9gia \u00e9 usar candidaturas avulsas, sem filia\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria, para driblar a limita\u00e7\u00e3o do Judici\u00e1rio. No entanto, candidaturas avulsas tamb\u00e9m s\u00e3o proibidas pela reforma eleitoral de 2017. Casos de magistrados que conseguiram liminar em primeira inst\u00e2ncia federal para disputar a elei\u00e7\u00e3o este ano ainda devem ser julgados em tribunais superiores.<\/p>\n<p>&#8220;O conflito s\u00f3 existe quando h\u00e1 liga\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria. Pa\u00edses como It\u00e1lia, Espanha e Fran\u00e7a admitem candidaturas de ju\u00edzes. N\u00f3s vamos para essa guerra e teremos sim ju\u00edzes candidatos&#8221;, afirma o juiz Federal Eduardo Cubas, presidente da Uni\u00e3o dos Ju\u00edzes Federais do Brasil (UNAJUF). Segundo Cubas, a entidade conta com mais de cem\u00a0ju\u00edzes federais cadastrados.<\/p>\n<p>Ministros do Supremo, como Gilmar Mendes, j\u00e1 declararam publicamente que, para se candidatar, o magistrado precisa pedir demiss\u00e3o do cargo. Em nota, a assessoria do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que candidaturas avulsas s\u00e3o proibidas at\u00e9 que o STF decida sobre o caso.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: A Deutsche Welle Brasil &#8211; dispon\u00edvel na internet 25\/07\/2018<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para especialistas, processo de interfer\u00eancia do Poder Judici\u00e1rio na pol\u00edtica vem se consolidando e deve ter efeito sobre pleito de outubro. Protagonismo teria come\u00e7ado no STF, que cobre vazio deixado pelo Legislativo. 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