{"id":27332,"date":"2018-07-27T01:33:36","date_gmt":"2018-07-27T04:33:36","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=27332"},"modified":"2018-07-27T05:39:39","modified_gmt":"2018-07-27T08:39:39","slug":"o-despreparo-do-brasil-para-o-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2018\/07\/27\/o-despreparo-do-brasil-para-o-futuro\/","title":{"rendered":"O despreparo do Brasil para o futuro"},"content":{"rendered":"<header class=\"entry-header\">\n<div class=\"meta-post\"><span style=\"color: #111111;font-family: Roboto, sans-serif;font-size: 17px\">A campanha pol\u00edtica come\u00e7a, oficialmente, em 16 de agosto, mas os economistas que preparam os planos de governo dos candidatos deveriam se debru\u00e7ar sobre os n\u00fameros divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). A dica vale, sobretudo, para aqueles que relutam em n\u00e3o admitir a necessidade de reforma da Previd\u00eancia Social. O Brasil ficar\u00e1 velho muito rapidamente. Se nada for feito de imediato para acompanhar a transi\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica que o pa\u00eds viver\u00e1 at\u00e9 2060, certamente o caos vai imperar. Veremos velhos desassistidos, muitos \u00e0 beira da mis\u00e9ria.<\/span><\/div>\n<\/header>\n<div class=\"entry-content mgt-xlarge\">\n<p>Em 2060, prev\u00ea o IBGE, um em cada quatro brasileiros ter\u00e1 65 anos ou mais, ou seja, 25,5% da popula\u00e7\u00e3o estar\u00e3o na velhice. Cada 100 pessoas produzindo ter\u00e3o 67 dependentes \u2014 crian\u00e7as de at\u00e9 15 anos e idosos com mais de 65 anos. Trata-se de um quadro dram\u00e1tico perto do que se v\u00ea hoje: um em cada 10 brasileiros tem 65 anos ou mais e, para cada 100 pessoas no mercado de trabalho, h\u00e1 44 dependentes. Mesmo assim, o sistema previdenci\u00e1rio brasileiro registrou, somente em 2017, rombo de R$ 268,8 bilh\u00f5es, buraco que pode ultrapassar os R$ 300 bilh\u00f5es neste ano.<\/p>\n<p>O que se v\u00ea \u00e9 um Brasil despreparado para o futuro, que sequer resolveu os problemas do passado. Se hoje, ainda um pa\u00eds jovem, atolou-se em um regime de Previd\u00eancia altamente desigual, que favorece uma minoria privilegiada, como far\u00e1 para resolver todos os problemas que ser\u00e3o colocados quando um quarto da popula\u00e7\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o tiver mais condi\u00e7\u00f5es de produzir? Como oferecer\u00e1 um Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) que j\u00e1 n\u00e3o d\u00e1 conta de atender a popula\u00e7\u00e3o que n\u00e3o pode pagar um conv\u00eanio m\u00e9dico? Como evitar\u00e1 que os mais velhos n\u00e3o sejam marginalizados simplesmente por custarem caro?<\/p>\n<p><strong>Discurso para desinformados<\/strong><\/p>\n<p>Soa muito bonito, aos ouvidos dos desinformados, discursos de candidatos dizendo que o Brasil n\u00e3o tem problemas na Previd\u00eancia Social e que bastar\u00e1 cobrar as d\u00edvidas de devedores contumazes para cobrir o rombo de caixa. N\u00e3o \u00e9 verdade. Supondo que o governo consiga reaver os mais de R$ 400 bilh\u00f5es n\u00e3o pagos ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), esse dinheiro s\u00f3 dar\u00e1 para bancar o sistema por pouco mais de um ano. Quer dizer: os deficits continuar\u00e3o e ser\u00e3o cada vez maiores, acompanhando o envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nenhum governo quer fazer mal para os cidad\u00e3os ao propor mudan\u00e7as nos sistemas de aposentadorias e pens\u00f5es. Os ajustes s\u00e3o necess\u00e1rios para que a Previd\u00eancia se perpetue e possa cumprir todas as obriga\u00e7\u00f5es. Os pa\u00edses que n\u00e3o se renderam aos discursos populistas, aos argumentos sem embasamento t\u00e9cnico, conseguiram superar as dificuldades e voltaram a crescer. Um regime previdenci\u00e1rio saud\u00e1vel permite que o Estado possa destinar uma parte maior de recursos p\u00fablicos para \u00e1reas priorit\u00e1rias, como sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Mantido o quadro atual, sem reforma da Previd\u00eancia e sem aumento de impostos, no in\u00edcio da pr\u00f3xima d\u00e9cada o governo s\u00f3 ter\u00e1 dinheiro para pagar pens\u00f5es, aposentadorias e sal\u00e1rios de servidores p\u00fablicos. Isso quer dizer que o Estado ficar\u00e1 de m\u00e3os atadas para entregar o que a sociedade espera dele. Com toda a lucidez, o IBGE nos mostra que acabou o tempo de falsas promessas. O Brasil precisa de reformas, sejam elas impopulares ou n\u00e3o. Bom governante \u00e9 aquele que enfrenta os problemas e busca solu\u00e7\u00f5es eficientes. De bla-bla-bl\u00e1 e de demagogias estamos todos cheios.<\/p>\n<\/div>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Blog do Vicente\/Correio Braziliense &#8211; dispon\u00edvel na internet 27\/07\/2018<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A campanha pol\u00edtica come\u00e7a, oficialmente, em 16 de agosto, mas os economistas que preparam os planos de governo dos candidatos deveriam se debru\u00e7ar sobre os n\u00fameros divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). A dica vale, sobretudo, para aqueles que relutam em n\u00e3o admitir a necessidade de reforma da Previd\u00eancia Social. 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