{"id":27483,"date":"2018-08-01T00:06:36","date_gmt":"2018-08-01T03:06:36","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=27483"},"modified":"2018-07-31T18:24:25","modified_gmt":"2018-07-31T21:24:25","slug":"pesquisadoras-de-todo-o-mundo-discutem-genero-e-matematica-no-rio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2018\/08\/01\/pesquisadoras-de-todo-o-mundo-discutem-genero-e-matematica-no-rio\/","title":{"rendered":"Pesquisadoras de todo o mundo discutem g\u00eanero e matem\u00e1tica no Rio"},"content":{"rendered":"<div class=\"newsHeader\">O Rio de Janeiro recebeu ontem (31) o primeiro Encontro Mundial para Mulheres em Matem\u00e1tica (World Meeting for Women in Mathematics &#8211; (WM)\u00b2), evento que faz parte do Congresso Internacional de Matem\u00e1ticos (ICM 2018, da sigla em ingl\u00eas), que come\u00e7a hoje (1\u00ba) e vai at\u00e9 o dia 9 no Rio Centro, na zona oeste da cidade.<\/div>\n<article>A organizadora do evento no Brasil, a pesquisadora do Instituto de Matem\u00e1tica Pura e Aplicada (Impa) Carolina Ara\u00fajo, disse que, pela primeira vez, a discuss\u00e3o de g\u00eanero entrou no debate. Segundo ela, encontros de mulheres matem\u00e1ticas foram realizadas nas \u00faltimas duas edi\u00e7\u00f5es do ICM, mas o foco era apenas a pesquisa cient\u00edfica desenvolvida por mulheres.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\">\n<figure class=\"mejs-fotoh-wrapper\">\n<p><figure style=\"width: 754px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/imagens.ebc.com.br\/j3CaRxg422as3ul61q6G8RUmjeU%3D\/754x0\/smart\/http%3A\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/tnrgo_abr_310720180497.jpg\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"img-responsive full full\" title=\"T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\/Ag\u00eancia Brasil\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/imagens.ebc.com.br\/j3CaRxg422as3ul61q6G8RUmjeU%3D\/754x0\/smart\/http%3A\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/tnrgo_abr_310720180497.jpg?resize=696%2C463\" alt=\"Carolina Ara\u00fajo, pesquisadora do Impa e organizadora do Encontro Encontro Mundial para Mulheres em Matem\u00e1tica (WM)\u00b2, durante o evento no Riocentro.\" width=\"696\" height=\"463\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Carolina Ara\u00fajo, pesquisadora do Impa e organizadora do Encontro Encontro Mundial para Mulheres em Matem\u00e1tica (WM)\u00b2, durante o evento no Riocentro. &#8211;\u00a0T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<div class=\"meta\">\u201cUm momento de muita dificuldade na carreira profissional das mulheres \u00e9 o momento da maternidade, na maioria dos pa\u00edses, onde esse papel em geral socialmente acaba recaindo sobre a m\u00e3e mesmo. \u00c9 um momento em que as mulheres s\u00e3o muito impactadas na carreira e muitas vezes esse impacto vai ter um efeito para o resto da vida profissional da mulher\u201d, diz Carolina.<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>De acordo com ela, a discuss\u00e3o busca iniciativas para n\u00e3o perder essa cientista que virou m\u00e3e, \u201cporque s\u00e3o talentos que podem contribuir para a ci\u00eancia e que a gente perde se n\u00e3o fizer alguma coisa\u201d.<\/p>\n<p>Na matem\u00e1tica, Carolina destaca que existe uma sub-representa\u00e7\u00e3o das mulheres. \u201cNo Brasil somos menos de 25% dentre os pesquisadores em matem\u00e1tica, em outros pa\u00edses a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda mais extrema. Parte do que a gente est\u00e1 fazendo aqui \u00e9 tentando entender quais s\u00e3o os principais problemas, as principais dificuldades e discutir iniciativas, programas, pol\u00edticas que possam ajudar a reverter essa situa\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Segundo ela, a sub-representa\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o presente que, apenas em 2003, uma mulher foi aceita para ocupar um lugar no Comit\u00ea Executivo da Uni\u00e3o Internacional de Matem\u00e1tica (IMU), Ragni Piene. Apenas em 2014 uma mulher foi contemplada com a Medalha Fields, considerada o pr\u00eamio Nobel da matem\u00e1tica, a iraniana Maryam Mirzakhani. Morta no ano passado, v\u00edtima de c\u00e2ncer de mama, Maryam foi homenageada no (WM)\u00b2 com uma exposi\u00e7\u00e3o de pain\u00e9is que mostram fotos in\u00e9ditas da pesquisadora e seu trabalho.<\/p>\n<h2>Incentivo para mulheres na matem\u00e1tica<\/h2>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\">\n<figure class=\"mejs-fotoh-wrapper\">\n<p><figure style=\"width: 754px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/imagens.ebc.com.br\/M5g2zgT_nIVP8XmcHpLa2fEa-uE%3D\/754x0\/smart\/http%3A\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/tnrgo_abr_310720180488.jpg\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"img-responsive full full\" title=\"T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\/Ag\u00eancia Brasil\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/imagens.ebc.com.br\/M5g2zgT_nIVP8XmcHpLa2fEa-uE%3D\/754x0\/smart\/http%3A\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/tnrgo_abr_310720180488.jpg?resize=696%2C463\" alt=\"Protagonistas de importantes avan\u00e7os na Matem\u00e1tica, pesquisadoras de todo o mundo participam do Encontro Mundial para Mulheres em Matem\u00e1tica (WM)\u00b2, no Riocentro.\" width=\"696\" height=\"463\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Protagonistas de importantes avan\u00e7os na Matem\u00e1tica, pesquisadoras de todo o mundo participam do Encontro Mundial para Mulheres em Matem\u00e1tica (WM)\u00b2, no Riocentro. &#8211;\u00a0T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<div class=\"meta\">De acordo com a especialista, iniciativas para incentivar a entrada de mulheres na carreira cient\u00edfica s\u00e3o recentes. Por isso, ela acredita que a participa\u00e7\u00e3o das mulheres na matem\u00e1tica deve melhorar nos pr\u00f3ximos anos. \u201cParte desse encontro tem como objetivo juntar for\u00e7as, se conhecer melhor, saber o que as outras est\u00e3o fazendo, aprender da experi\u00eancia umas das outras pra gente conseguir construir algo mais s\u00f3lido nessa dire\u00e7\u00e3o\u201d.<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Dados da Olimp\u00edada Brasileira de Matem\u00e1tica das Escolas P\u00fablicas (Obmep) \u2013 aplicada a estudantes de ensino fundamental e m\u00e9dio \u2013 mostram que a participa\u00e7\u00e3o de meninas e meninos na prova s\u00e3o parit\u00e1rias, inclusive entre os 5% que passam para a segunda fase da competi\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, entre os medalhistas, apenas 30% s\u00e3o meninas no n\u00edvel 1 (6\u00ba e 7\u00ba anos) caindo para 20% no n\u00edvel 2 (8\u00ba e 9\u00ba anos) e apenas 10% no n\u00edvel 3 (ensino m\u00e9dio).<\/p>\n<p>\u201cEsses n\u00fameros s\u00e3o gritantes, mostra que alguma coisa precisa ser feita. A Obmep traz um diagn\u00f3stico da situa\u00e7\u00e3o, ela tamb\u00e9m se apresenta como uma ferramenta muito potente para a gente mudar, porque a Obmep consegue teracesso ao pa\u00eds todo, tem uma rede que conecta o pa\u00eds todo, ent\u00e3o ela pode ser tamb\u00e9m uma ferramenta pra gente propor essas mudan\u00e7as\u201d, diz Carolina.<\/p>\n<h2>Igualdade racial<\/h2>\n<p>O (WM)\u00b2 tamb\u00e9m promove o incentivo com recorte racial. Um grupo de 20 matem\u00e1ticas negras recebeu apoio do Instituto Serrapilheira para participar do encontro. Segundo a diretora de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica do instituto, Natasha Felizi, o fomento \u00e0 produ\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica precisa levar em conta a diversidade de g\u00eanero e ra\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cEssa \u00e9 uma parcela muito grande da popula\u00e7\u00e3o e quando voc\u00ea exclui essa parcela da popula\u00e7\u00e3o, voc\u00ea est\u00e1 perdendo muitos talentos e muitos c\u00e9rebros que poderiam contribuir para o desenvolvimento da ci\u00eancia no Brasil. Porque as pesquisadoras elas existem, mas por ocuparem menos posi\u00e7\u00f5es de prest\u00edgio e serem menos vis\u00edveis, a gente tem a impress\u00e3o que existem menos do que existem de fato\u201d.<\/p>\n<p>A ideia, de acordo com Natasha, \u00e9 incentivar garotas a entrar para carreira cient\u00edfica a partir da divulga\u00e7\u00e3o de figuras inspiradoras que sirvam de modelo. \u201cN\u00e3o \u00e9 s\u00f3 no Brasil, uma das bandeiras que a gente considera \u00e9 a da representatividade, s\u00e3o os role models. Ao apoiar a\u00e7\u00f5es como essa, a gente procura mostrar para garotas, meninas e potenciais futuras cientistas que existem outras mulheres nessas carreiras e que esse \u00e9 um caminho poss\u00edvel para elas tamb\u00e9m\u201d.<\/p>\n<p>Segundo um levantamento divulgado no fim do ano passado pela Sociedade Brasileira de Matem\u00e1tica (SBM), a primeira mulher a obter um doutorado em matem\u00e1tica no pa\u00eds foi Mar\u00edlia Chaves Peixoto, em 1948, seguida de outras duas pioneiras no campo, Maria Laura Mouzinho Leite Lopes e Elza Furtado Gomide, que obtiveram o t\u00edtulo em 1949.<\/p>\n<p>Atualmente, a participa\u00e7\u00e3o das mulheres na matem\u00e1tica do Brasil \u00e9 compar\u00e1vel a de muitos pa\u00edses da Europa e da Am\u00e9rica do Norte, com cerca de 42% dos estudantes de gradua\u00e7\u00e3o e 48% dos que terminaram a faculdade na \u00e1rea. Na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, cerca de 27% dos graus s\u00e3o obtidos por mulheres. Entre os professores das universidades federais e estaduais, elas somam cerca de 40%.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil de Not\u00edcias 01\/08\/2018<\/strong><\/p>\n<\/article>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Rio de Janeiro recebeu ontem (31) o primeiro Encontro Mundial para Mulheres em Matem\u00e1tica (World Meeting for Women in Mathematics &#8211; (WM)\u00b2), evento que faz parte do Congresso Internacional de Matem\u00e1ticos (ICM 2018, da sigla em ingl\u00eas), que come\u00e7a hoje (1\u00ba) e vai at\u00e9 o dia 9 no Rio Centro, na zona oeste da [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":27484,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[135],"tags":[],"class_list":{"0":"post-27483","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-clipping"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/matematica.jpg?fit=1140%2C760&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27483","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27483"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27483\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media\/27484"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27483"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27483"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27483"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}