{"id":27847,"date":"2018-08-11T07:03:44","date_gmt":"2018-08-11T10:03:44","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=27847"},"modified":"2018-08-11T07:03:44","modified_gmt":"2018-08-11T10:03:44","slug":"o-brasil-conspira-contra-o-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2018\/08\/11\/o-brasil-conspira-contra-o-brasil\/","title":{"rendered":"O Brasil conspira contra o Brasil"},"content":{"rendered":"<h5>A autossabotagem parece ser uma marca inerente \u00e0 Na\u00e7\u00e3o. Numa avalia\u00e7\u00e3o fria dos \u00faltimos tempos \u00e9 f\u00e1cil perceber que quase todos os agentes \u2013 de congressistas a empres\u00e1rios, banqueiros, ju\u00edzes, trabalhadores em geral e at\u00e9 jornalistas (por que n\u00e3o?) \u2013 contribu\u00edram e seguem articulando para puxar o Pa\u00eds para baixo. Sen\u00e3o, vejamos: ao menos nos dois anos recentes estivemos prestes a evoluir de uma aguda recess\u00e3o, que castigou indiscriminadamente quase o per\u00edodo integral dos desastrosos mandatos da petista Dilma Rousseff, para um quadro de, ao menos, equil\u00edbrio de mercado e, com sorte, de crescimento sustent\u00e1vel. Havia efetivamente instrumentos para tanto. Os indicadores monet\u00e1rios de c\u00e2mbio, juros e carestia se acomodavam. Claro que bancos n\u00e3o iriam permitir repassar \u00e0 ponta final do tomador o cr\u00e9dito mais barato com taxas civilizadas. Naturalmente que a bancada de tribunais iria recorrer a veleidades como a da soltura de salafr\u00e1rios pol\u00edticos e empresariais condenados at\u00e9 em segunda inst\u00e2ncia. Inevit\u00e1vel que parlamentares, em tempos de elei\u00e7\u00e3o, se dariam ao desfrute de espetar gastos extras, em forma de projetos, no or\u00e7amento p\u00fablico. E que ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o se dedicariam com especial afinco aos desdobramentos da Lava Jato e dos esc\u00e2ndalos, deixando de lado a cobran\u00e7a sistem\u00e1tica de uma agenda mais positiva para reconsertar o Brasil. Todos, invariavelmente, nesse interregno de dois anos, resolveram cruzar os bra\u00e7os \u00e0 espera de mudan\u00e7as por osmose e aceitaram passivamente a crise como senten\u00e7a irrevers\u00edvel. Mergulharam em um des\u00e2nimo contagiante e inercial. Deram de ombros para a necessidade de participar e pressionar as institui\u00e7\u00f5es por alternativas mais palat\u00e1veis, de retomada, de abertura aos investimentos, de privatiza\u00e7\u00e3o e de aprova\u00e7\u00e3o de propostas estruturais que significassem efetivamente ajustes. Por que da escolha desse caminho? Como se chegou at\u00e9 aqui? Para uma conclus\u00e3o mais abalizada \u00e9 preciso retomar a trajet\u00f3ria desde o seu in\u00edcio com a deposi\u00e7\u00e3o da presidente petista em 2016. O governo que assumiu a seguir e fazia a transi\u00e7\u00e3o do caos para uma poss\u00edvel estabilidade foi literalmente engolfado por ataques.\u00a0Empres\u00e1rios e executivos, travestidos de denunciantes da Justi\u00e7a, partiram a acusa\u00e7\u00f5es e atropelaram planos que estavam em franco andamento. As reformas vinham sendo feitas. A trabalhista passou. O teto de gastos das estatais, idem. A infla\u00e7\u00e3o voltou ao eixo. Os juros desceram a um d\u00edgito \u2013 ainda n\u00e3o no plano ideal, mas quase l\u00e1 \u2013 e a revis\u00e3o completa do sistema previdenci\u00e1rio estava na boca para acontecer. Parou quando j\u00e1 era dada como certa em meio ao festival de arma\u00e7\u00f5es e negociatas para dizimar o poder constitu\u00eddo. O povo embarcou criando para o sucessor Temer, sabe-se l\u00e1 a t\u00edtulo do que e com quais fundamentos, o maior \u00edndice de impopularidade que j\u00e1 se viu de um mandat\u00e1rio \u2013 maior at\u00e9 do que o da Dilma\u00a0 (h\u00e1 explica\u00e7\u00e3o?). O Congresso entregou sua parcela de ajuda conspirando para entornar o caldo. Praticou o boicote escancarado a projetos (ali\u00e1s, sua maior especialidade) e seguiu dando as costas ao Executivo. Vieram seguidas acusa\u00e7\u00f5es, ao menos tr\u00eas processos de julgamento por casos de favorecimento. A m\u00eddia em boa parte cuidou de fazer o bombardeio sistem\u00e1tico da cobertura \u00e0s investiga\u00e7\u00f5es, deixando de lado medidas funcionais em negocia\u00e7\u00e3o. A maior emissora do Pa\u00eds passou quase um ano inteiro mostrando a mesma cena de um encontro forjado entre o presidente Temer e o empres\u00e1rio que foi orientado por procuradores do Minist\u00e9rio P\u00fablico a agir nesse sentido. Vieram depois os caminhoneiros que literalmente pararam o Brasil, com o apoio benevolente da popula\u00e7\u00e3o, diga-se de passagem \u2013 mesmo que isso significasse (como veio a se verificar depois) preju\u00edzos de toda ordem em v\u00e1rios setores e principalmente no bolso do contribuinte e no PIB. Os caminhoneiros decidiram travar as estradas e paralisar a produ\u00e7\u00e3o simplesmente porque a estatal do petr\u00f3leo, que havia passado pelo maior roubo da hist\u00f3ria \u2013 praticado pela corja dos adoradores de Lula que se estabeleceu no poder-, estava finalmente fazendo o certo. Qual seja: agindo segundo regras do mercado, obedecendo a reajustes de pre\u00e7os conforme o resto do mundo. Na estatal, desde a troca de gest\u00e3o, entrou a compet\u00eancia. O executivo Pedro Parente foi colocado ali para arrumar a casa e tratou justamente disso em um prazo quase recorde. Tamb\u00e9m teve sua cota de ataques e foi for\u00e7ado a sair (seguiu depois, como n\u00e3o poderia deixar de ser, para uma das maiores empresas privadas nacionais com a miss\u00e3o de consertar outro buraco). Logo a seguir a sua sa\u00edda, e certamente decorrente das mudan\u00e7as adotadas at\u00e9 ent\u00e3o, a Petrobras anunciou o maior lucro de que se tem not\u00edcia em um semestre desde 2011. N\u00e3o \u00e9 pouco depois de tudo que enfrentou. N\u00e3o importava. Os impulsos de sabotagem \u00e0 brasileira superariam qualquer fato positivo.<\/h5>\n<div class=\"content\">\n<h5>Na reta final do mandato, que est\u00e1 por assim dizer em per\u00edodo de aviso pr\u00e9vio, cumprindo os derradeiros 90 dias de comando, o presidente se encontra nas cordas, acuado, travado pelo descaso de um Parlamento oportunista e de sistem\u00e1ticas acusa\u00e7\u00f5es de desvios ainda n\u00e3o devidamente comprovadas. O Supremo Tribunal trata de fazer das suas. Virou palco de circo nos julgamentos, com os magistrados querendo aparecer mais do que as leis.\u00a0Um candidato presidi\u00e1rio esculhamba com o que h\u00e1 de m\u00ednimo respeito \u00e0s leis. O povo espera pelo milagre da mudan\u00e7a com as elei\u00e7\u00f5es. Mas ela s\u00f3 vir\u00e1 atrav\u00e9s de uma revis\u00e3o de comportamento, geral e irrestrita.<\/h5>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Artigo publicado na p\u00e1gina da Revista Isto\u00c9, edi\u00e7\u00e3o <\/strong><strong>N\u00ba 2538 10\/08<\/strong><strong> &#8211; <\/strong><strong>dispon\u00edvel na internet 11\/08\/2018<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #000080\"><strong>Nota: O presente artigo n\u00e3o traduz a opini\u00e3o do ASMETRO-SN. Sua publica\u00e7\u00e3o tem o prop\u00f3sito de estimular o debate dos problemas brasileiros e de refletir as diversas tend\u00eancias do pensamento contempor\u00e2neo.<\/strong><\/span><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A autossabotagem parece ser uma marca inerente \u00e0 Na\u00e7\u00e3o. Numa avalia\u00e7\u00e3o fria dos \u00faltimos tempos \u00e9 f\u00e1cil perceber que quase todos os agentes \u2013 de congressistas a empres\u00e1rios, banqueiros, ju\u00edzes, trabalhadores em geral e at\u00e9 jornalistas (por que n\u00e3o?) \u2013 contribu\u00edram e seguem articulando para puxar o Pa\u00eds para baixo. 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