{"id":27849,"date":"2018-08-11T07:14:46","date_gmt":"2018-08-11T10:14:46","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=27849"},"modified":"2018-08-11T07:16:18","modified_gmt":"2018-08-11T10:16:18","slug":"a-historia-que-os-diamantes-nao-contaram","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2018\/08\/11\/a-historia-que-os-diamantes-nao-contaram\/","title":{"rendered":"A hist\u00f3ria que os diamantes n\u00e3o contaram"},"content":{"rendered":"<div class=\"content-section\">\n<h5>Como um governador, um banqueiro e uma joalheria se uniram para criar um esquema internacional de lavagem de dinheiro que era desviado dos cofres p\u00fablicos<\/h5>\n<\/div>\n<div class=\"content-section content\">\n<p>Parecia o crime perfeito. Empreiteiras contratadas pelo governo do estado do Rio de Janeiro pagavam propinas em dinheiro vivo para pol\u00edticos, que compravam joias caras da grife H. Stern sem nota fiscal. Depois, os executivos da joalheria levavam o dinheiro para o escrit\u00f3rio de um banqueiro que agia como doleiro. As boladas passavam por sucessivas contas de empresas de fachada em para\u00edsos fiscais at\u00e9 ca\u00edrem, convertidas em d\u00f3lar, para a holding da joalheria no exterior. Para dar legalidade \u00e0s transa\u00e7\u00f5es, empr\u00e9stimos com datas retroativas eram forjados entre o TAG Bank, sediado no Panam\u00e1, as empresas fajutas e a holding. Na m\u00e9dia, esse circuito demorava dois dias para ser conclu\u00eddo e movimentou, segundo estimativas da Pol\u00edcia Federal, R$ 90 milh\u00f5es entre 2009 e 2015.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/cdn-istoe-ssl.akamaized.net\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2018\/08\/40.jpg?ssl=1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><br \/>\n<img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-740637\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cdn-istoe-ssl.akamaized.net\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2018\/08\/40.jpg?resize=696%2C153&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"696\" height=\"153\" \/><\/a>Tudo ia bem at\u00e9 que pistas colhidas em investiga\u00e7\u00f5es da Lava Jato desencadearam a opera\u00e7\u00e3o Hashtag, que prendeu o banqueiro Eduardo Plass na sexta-feira 3. Liberado sob fian\u00e7a de R$ 90 milh\u00f5es na quarta-feira 8, ele era o gerente dessa lavanderia internacional que se valia do TAG Bank, da qual \u00e9 s\u00f3cio majorit\u00e1rio, e de sua gestora de recursos no Rio, a Opus. Um de seus principais clientes era o ex-governador do Rio de Janeiro S\u00e9rgio Cabral (PMDB), condenado a 15 anos de pris\u00e3o por crimes de corrup\u00e7\u00e3o. Ele teria gasto no m\u00ednimo R$ 6,5 milh\u00f5es em diamantes e outros itens de alto luxo nessa falcatrua com dinheiro do contribuinte. Condenado a 30 anos por pagar R$ 52 milh\u00f5es de propinas \u2014 R$ 16,5 milh\u00f5es para Cabral \u2014, o megaempres\u00e1rio Eike Batista tamb\u00e9m teria se beneficiado.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/cabral.jpg\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-27851 size-full\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/cabral.jpg?resize=418%2C235\" alt=\"\" width=\"418\" height=\"235\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/cabral.jpg?w=418&amp;ssl=1 418w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/cabral.jpg?resize=300%2C169&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 418px) 100vw, 418px\" \/><\/a><\/p>\n<div class=\"clearfix\">\n<figure id=\"attachment_27852\" aria-describedby=\"caption-attachment-27852\" style=\"width: 418px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/rede.jpg\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-27852 size-full\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/rede.jpg?resize=418%2C235\" alt=\"\" width=\"418\" height=\"235\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/rede.jpg?w=418&amp;ssl=1 418w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/rede.jpg?resize=300%2C169&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 418px) 100vw, 418px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-27852\" class=\"wp-caption-text\">REDE CRIMINOSA Cabral (acima), a joalheria e Eduardo Plass (de branco): desvio de R$ 90 milh\u00f5es (Cr\u00e9dito:Tomaz Silva\/Ag\u00eancia Brasil)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p><strong>Acordo de leni\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>A Pol\u00edcia Federal e o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal chegaram ao banqueiro ap\u00f3s acordo de leni\u00eancia com a H. Stern. Entre os signat\u00e1rios est\u00e3o o presidente Roberto Stern, seu irm\u00e3o Ronaldo (vice-presidente), e os diretores Oscar Goldemberg e Maria Luiza Trotta. Eles tamb\u00e9m pagaram multas e prestam servi\u00e7os comunit\u00e1rios para sair da cadeia. Ao lado de Plass foram presas a s\u00f3cia minorit\u00e1ria da Opus, Maria Ripper K\u00f3s, e a funcion\u00e1ria Priscila Moreira Iglesias. Em pris\u00e3o domiciliar desde o domingo 5. Foram apreendidos documentos e e-mails que passaram por ambas, mostrando as movimenta\u00e7\u00f5es ilegais. Na Opus foram encontrados R$ 115 mil em esp\u00e9cia, ind\u00edcio de que o esquema seguia em opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No dia da pris\u00e3o de Plass, o procurador da Rep\u00fablica Almir Teubl Sanches afirmou: \u201cA estrutura usada era da Opus, mas n\u00e3o a pessoa jur\u00eddica formalmente. A gente acredita que o dinheiro sa\u00eda da H. Stern e ia para o escrit\u00f3rio\u201d. A defesa do ex-governador celebrou. \u201cTalvez agora apare\u00e7am as joias e o dinheiro que atribu\u00edram a S\u00e9rgio Cabral injustamente\u201d, afirmou seu advogado Rodrigo Roca.<\/p>\n<p>Plass ocupou a presid\u00eancia do Banco Pactual entre 1997 e 2003, onde demonstrou ser eficiente e implac\u00e1vel. Em 1998, obteve as a\u00e7\u00f5es do fundador da institui\u00e7\u00e3o Luiz C\u00e9sar Fernandes. Em 2004, vendeu sua parte e criou a Opus. Dois anos depois, comprou a corretora \u00c1gora, vendida ao Bradesco em 2008 por R$ 1,2 bilh\u00e3o. Na semana passada, o site da Opus informava ter mais de R$ 2 bilh\u00f5es em ativos financeiros, imobili\u00e1rios e investimentos em empresas no Brasil e no exterior. Entre seus s\u00f3cios est\u00e1 Jos\u00e9 M\u00e1rcio Camargo, coordenador do programa econ\u00f4mico de Henrique Meirelles (MDB) \u00e0 presid\u00eancia.<\/p>\n<div class=\"clearfix\"><strong>Cr\u00e9dito: Andr\u00e9 Vargas\/Revista Isto\u00c9 edi\u00e7\u00e3o\u00a02538 10\/08 &#8211; dispon\u00edvel na internet 11\/08\/2018<\/strong><\/div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como um governador, um banqueiro e uma joalheria se uniram para criar um esquema internacional de lavagem de dinheiro que era desviado dos cofres p\u00fablicos Parecia o crime perfeito. Empreiteiras contratadas pelo governo do estado do Rio de Janeiro pagavam propinas em dinheiro vivo para pol\u00edticos, que compravam joias caras da grife H. 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