{"id":27953,"date":"2018-08-15T06:47:21","date_gmt":"2018-08-15T09:47:21","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=27953"},"modified":"2018-08-15T06:47:21","modified_gmt":"2018-08-15T09:47:21","slug":"exterminando-o-nosso-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2018\/08\/15\/exterminando-o-nosso-futuro\/","title":{"rendered":"Exterminando o nosso futuro."},"content":{"rendered":"<h5>No Rio, onde nem a interven\u00e7\u00e3o federal inibiu a criminalidade, o problema das balas perdidas adquirem uma tr\u00e1gica dimens\u00e3o<\/h5>\n<div class=\"corpo margin-default\">\n<p>No \u00faltimo fim de semana a imprensa noticiou que uma bala perdida atingira uma senhora de 61 anos no leito de um hospital e, com o proj\u00e9til alojado na cabe\u00e7a, ela corria o risco de ficar cega do olho direito. \u201cQuando a gente imaginou que ia acontecer isso comigo?\u201d, ela exclamou para o filho ap\u00f3s a cirurgia para reconstru\u00e7\u00e3o dos ossos do rosto.<\/p>\n<p>De fato, como n\u00e3o existe ponto de indigna\u00e7\u00e3o na l\u00edngua portuguesa, fica dif\u00edcil registrar em todas as propor\u00e7\u00f5es o que se passa no Estado do Rio em mat\u00e9ria de viol\u00eancia. Os sinais de exclama\u00e7\u00e3o e interroga\u00e7\u00e3o s\u00e3o insuficientes, assim como os adjetivos e as frias estat\u00edsticas, para dar conta, por exemplo, de uma rotina como a das balas perdidas.<\/p>\n<p>\u201cPerdidas\u201d \u00e9 maneira impr\u00f3pria de dizer, porque elas sempre encontram seu destino, inclusive nos endere\u00e7os mais improv\u00e1veis como o de um hospital. Ou de um col\u00e9gio, como aconteceu com Ca\u00edque, de 6 meses, a 15\u00aa crian\u00e7a alvejada em 2018 na regi\u00e3o metropolitana, onde houve 24 disparos por dia no per\u00edodo, segundo o aplicativo Fogo Cruzado. Ap\u00f3s ser baleado quando estava no colo da m\u00e3e, que aguardava a sa\u00edda de outro filho, ele foi submetido a uma cirurgia e sobreviveu. O pai desabafou: \u201cNem na escola e no aconchegante colo da m\u00e3e nossos filhos est\u00e3o livres do perigo.\u201d<\/p>\n<p>Na verdade, o absurdo pode ser maior, como o caso da senhora gr\u00e1vida atingida por um tiro. Ela fez cesariana, salvou-se; mas o beb\u00ea, n\u00e3o. Chegou-se a esse extremo paradoxo: mata-se a tiro at\u00e9 quem n\u00e3o nasceu. E isso acontece inclusive porque h\u00e1 mais facilidade para a aquisi\u00e7\u00e3o de armas de fogo. Como a manchete de ontem mostrou, a compra cresceu dez vezes no pa\u00eds entre 2004 e 2017.<\/p>\n<p>No Rio, onde nem a interven\u00e7\u00e3o federal inibiu os \u00edndices de criminalidade, o problema adquire uma tr\u00e1gica dimens\u00e3o assim resumida pelo presidente da ONG Rio de Paz, Antonio Carlos Costa: \u201cA morte de crian\u00e7as v\u00edtimas de balas perdidas \u00e9 a face mais hedionda da viol\u00eancia\u201d. E \u00e9 o retrato perverso de uma forma de exterm\u00ednio de nosso futuro.<\/p>\n<p><strong>Artigo publicado na p\u00e1gina do jornal O Globo \u2013 dispon\u00edvel na internet 15\/08\/2018<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #000080\"><strong>Nota: O presente artigo n\u00e3o traduz a opini\u00e3o do ASMETRO-SN. Sua publica\u00e7\u00e3o tem o prop\u00f3sito de estimular o debate dos problemas brasileiros e de refletir as diversas tend\u00eancias do pensamento contempor\u00e2neo.<\/strong><\/span><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Rio, onde nem a interven\u00e7\u00e3o federal inibiu a criminalidade, o problema das balas perdidas adquirem uma tr\u00e1gica dimens\u00e3o No \u00faltimo fim de semana a imprensa noticiou que uma bala perdida atingira uma senhora de 61 anos no leito de um hospital e, com o proj\u00e9til alojado na cabe\u00e7a, ela corria o risco de ficar [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":4165,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[134],"tags":[],"class_list":{"0":"post-27953","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-artigos"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/carinha_colunista_zuenir_ventura.jpg?fit=220%2C220&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27953","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27953"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27953\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4165"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27953"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27953"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27953"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}