{"id":28392,"date":"2018-08-27T00:06:29","date_gmt":"2018-08-27T03:06:29","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=28392"},"modified":"2018-08-26T07:59:17","modified_gmt":"2018-08-26T10:59:17","slug":"bernard-appy-o-econonomista-que-faz-a-cabeca-de-candidatos-nas-eleicoes-com-a-ideia-de-um-imposto-unico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2018\/08\/27\/bernard-appy-o-econonomista-que-faz-a-cabeca-de-candidatos-nas-eleicoes-com-a-ideia-de-um-imposto-unico\/","title":{"rendered":"Bernard Appy o econonomista que faz a cabe\u00e7a de candidatos nas elei\u00e7\u00f5es com a ideia de um imposto \u00fanico"},"content":{"rendered":"<p class=\"story-body__introduction\">Temas como &#8220;guerra fiscal&#8221; e &#8220;dupla tributa\u00e7\u00e3o&#8221; n\u00e3o s\u00e3o exatamente populares e nem fazem parte das conversas da\u00a0maioria dos brasileiros\u00a0na mesa do bar. Mas isso n\u00e3o tira o entusiasmo do economista Bernard Appy, 56 anos, ao falar sobre a ideia que ele defende h\u00e1 mais de dez anos: juntar cinco impostos atuais em apenas um, para simplificar a cobran\u00e7a de tributos no\u00a0Brasil.<\/p>\n<p>Agora, Appy parece mais pr\u00f3ximo do que nunca de concretizar sua proposta: dos cinco candidatos presidenciais mais bem colocados nas pesquisas, s\u00f3 Jair Bolsonaro (PSL) n\u00e3o menciona a fus\u00e3o de impostos entre suas propostas.<\/p>\n<p>Candidatos t\u00e3o diversos quanto Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB), Lula (PT) e Marina Silva (Rede) inscreveram a ideia em seus programas apresentados ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ou prometeram adot\u00e1-la durante entrevistas e nas redes sociais. Henrique Meirelles (MDB) e Jo\u00e3o Amo\u00eado (Novo) tamb\u00e9m se manifestaram a favor.<\/p>\n<p>E esse consenso entre os candidatos n\u00e3o \u00e9 fruto do acaso. Ao longo dos meses de pr\u00e9-campanha, Appy reuniu-se com os principais pr\u00e9-candidatos presidenciais para tentar emplacar a proposta j\u00e1 em 2019, no come\u00e7o do pr\u00f3ximo governo.<\/p>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/2A15\/production\/_102437701_marcos-oliveira_agsenado-bernardappy.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/2A15\/production\/_102437701_marcos-oliveira_agsenado-bernardappy.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"O economista Bernard Appy em maio de 2017, no Senado Federal\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Apesar de urgente, reforma tribut\u00e1ria nunca foi prioridade real de governos brasileiros, diz economista Bernard Appy.\u00a0Direito de imagem\u00a0MARCOS OLIVEIRA \/ AG\u00caNCIA SENADO<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>O economista encontrou-se com Marina, Ciro, Alckmin, Guilherme Boulos (PSOL) e Amo\u00eado para vender a ideia. Tamb\u00e9m conversou com o economista Paulo Guedes, da equipe de Bolsonaro, e com Fernando Haddad, candidato a vice na chapa de Lula.<\/p>\n<p>Em 2007, o economista trabalhava com o ent\u00e3o todo-poderoso ministro da Fazenda de Lula, Guido Mantega. Naquela \u00e9poca, Appy elaborou um projeto parecido de reforma tribut\u00e1ria, que foi apresentado ao Congresso &#8211; mas acabou engavetado. Nas elei\u00e7\u00f5es de 2014, colaborou com a formula\u00e7\u00e3o do programa econ\u00f4mico de Marina Silva.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/C655\/production\/_102437705_bernardappy013-ccif-divulgacao.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/C655\/production\/_102437705_bernardappy013-ccif-divulgacao.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"O economista Bernard Appy\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Em 2008, Appy foi um dos principais respons\u00e1veis pela proposta de reforma tribut\u00e1ria do ex-presidente Lula (PT). Ele admite que o governo n\u00e3o investiu capital pol\u00edtico no projeto.\u00a0Direito de imagem\u00a0PATR\u00cdCIA CRUZ &#8211; LUZ \/ CCIF &#8211; DIVULGA\u00c7\u00c3O<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Natural de S\u00e3o Paulo, Appy se formou economista em 1985 pela Faculdade de Economia da Universidade de S\u00e3o Paulo (FEA-USP). Alguns anos depois, obteve o grau de mestre pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).<\/p>\n<p>Come\u00e7ou a carreira no setor privado. Em 1995, foi um dos fundadores da LCA Consultores, hoje uma das maiores empresas do ramo no pa\u00eds. A partir de 2003, com a chegada de Lula ao poder, Appy foi para Bras\u00edlia e exerceu v\u00e1rios cargos.<\/p>\n<p>Chegou a ser o n\u00ba 2 na hierarquia do Minist\u00e9rio da Fazenda e foi bastante pr\u00f3ximo ao ex-ministro Antonio Palocci. Foi tamb\u00e9m assessor especial do pr\u00f3prio Lula e chegou a ser filiado ao PT, mas se desligou do partido. Depois de deixar o governo, voltou para a iniciativa privada e trabalhou durante alguns anos na BM&amp;F Bovespa.<\/p>\n<p>Em 2015, o economista criou o Centro de Cidadania Fiscal (CCiF). Segundo Appy, trata-se de um &#8220;think-tank independente, que tem como objetivo contribuir para o aperfei\u00e7oamento do sistema tribut\u00e1rio&#8221;. Hoje, o CCiF \u00e9 bancado por oito empresas, com as quais Appy se re\u00fane a cada 15 dias: ABInBev, Vale, Ita\u00fa, Braskem, Votorantim, Natura, Souza Cruz e Huawei.<\/p>\n<p>Ele diz que a produ\u00e7\u00e3o intelectual da entidade \u00e9 independente. &#8220;A gente aqui n\u00e3o est\u00e1 defendendo interesses de nenhuma empresa, de nenhum setor&#8221;, afirma.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Reestruturar a carga tribut\u00e1ria<\/h2>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/6D8D\/production\/_102454082_porto-riodejaneiro.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/6D8D\/production\/_102454082_porto-riodejaneiro.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Terminal portu\u00e1rio de cargas no Rio de Janeiro\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">A estimativa do CCiF \u00e9 a de que o Brasil poderia crescer 10% a mais nos pr\u00f3ximos 10 a 20 anos com melhores regras tribut\u00e1rias.\u00a0Direito de imagem\u00a0LUOMAN \/ GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>\u00c9 justamente na sede do CCiF, no bairro paulistano da Bela Vista, que Appy tem se reunido com os candidatos. Nos encontros de cerca de duas horas, ele repete aos postulantes de 2018 algo que j\u00e1 dizia aos congressistas dez anos antes, em 2008: a mudan\u00e7a para o novo imposto n\u00e3o significa aumentar e nem reduzir a quantidade total de tributos pagos pelos brasileiros (a chamada carga tribut\u00e1ria). O objetivo \u00e9 simplificar a forma como os impostos s\u00e3o cobrados, diminuindo a burocracia e aumentando a produtividade das empresas.<\/p>\n<p>Economicamente, o tema \u00e9 relevante. Estudo de 2017 do Banco Mundial calculou que as empresas brasileiras s\u00e3o as que mais gastam tempo no mundo para pagar seus tributos. S\u00e3o 1.958 horas, em m\u00e9dia, todos os anos &#8211; quase tr\u00eas meses dedicados \u00e0 tarefa de ficar em dia com o Fisco.<\/p>\n<p>&#8220;Isso (o novo imposto) teria um efeito muito forte sobre a produtividade. Faria aumentar a produtividade do Brasil de forma significativa desde o curto prazo&#8221;, diz Appy. A estimativa do CCiF \u00e9 de que o pa\u00eds cresceria at\u00e9 10% a mais nos pr\u00f3ximos 10 a 20 anos com a mudan\u00e7a para o imposto \u00fanico &#8211; uma cobran\u00e7a mais racional de impostos facilitaria a vida de quem quer abrir um novo neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>Dinheiro e tempo das empresas que hoje s\u00e3o destinados a pagar os impostos tamb\u00e9m ficariam livres para novos investimentos.<\/p>\n<p>Segundo Appy, essa estimativa de 10% a mais \u00e9 &#8220;conservadora&#8221; &#8211; ele acha que os ganhos podem ser ainda maiores.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">A ideia de Appy<\/h2>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 838px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/1F6D\/production\/_102454080_haddad-wilson-dias_agbr.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/1F6D\/production\/_102454080_haddad-wilson-dias_agbr.jpg?resize=696%2C465&#038;ssl=1\" alt=\"O ex-prefeito de S\u00e3o Paulo Fernando Haddad\" width=\"696\" height=\"465\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Cotado para &#8216;plano B&#8217; do PT caso Lula n\u00e3o seja candidato, Fernando Haddad (foto) conversou com Appy sobre a reforma tribut\u00e1ria &#8211; e defendeu a proposta numa entrevista recente.\u00a0Direito de imagem\u00a0WILSON DIAS \/ AG\u00caNCIA BRASIL<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Na proposta, cinco impostos atuais desapareceriam: ICMS, PIS, Cofins, ISS e IPI seriam substitu\u00eddos gradualmente, ao longo de dez anos, por uma \u00fanica cobran\u00e7a. O nome da nova taxa seria Imposto sobre Bens e Servi\u00e7os (IBS). O novo imposto segue o padr\u00e3o adotado na Europa e em outros lugares, e \u00e9 conhecido na literatura econ\u00f4mica como IVA (Imposto sobre Valor Agregado).<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do modelo atual, o novo imposto seria pago por quem compra (embutido no valor), e n\u00e3o por quem produz. Hoje, o Imposto sobre Circula\u00e7\u00e3o de Mercadorias e Servi\u00e7os (ICMS) \u00e9 pago pelas empresas e cobrado pelos governos dos Estados. No modelo do IVA, \u00e9 o consumidor que paga o valor diretamente, como parte do pre\u00e7o da mercadoria.<\/p>\n<p>&#8220;Um bom IVA \u00e9 cobrado no destino, e n\u00e3o na origem. Ou seja: em opera\u00e7\u00f5es entre Estados, o imposto pertence ao Estado de destino (onde vive o comprador). A ideia \u00e9 tributar o consumo, e n\u00e3o a produ\u00e7\u00e3o&#8221;, explica Appy. E isso faz toda a diferen\u00e7a: hoje, Estados brigam entre si para atrair empresas, principalmente oferecendo descontos no ICMS. Esse tipo de disputa, conhecido como &#8220;guerra fiscal&#8221;, praticamente seria eliminado com o novo modelo, uma vez que n\u00e3o faria diferen\u00e7a para as empresas, do ponto de vista da cobran\u00e7a de impostos, o local de sua sede.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">H\u00e1 chances de o IBS sair do papel?<\/h2>\n<p>Appy acredita que o IBS possa virar lei no pr\u00f3ximo governo, independentemente de quem seja o presidente eleito. &#8220;Alguns deles t\u00eam falado explicitamente sobre a proposta, como o Geraldo Alckmin e a Marina Silva&#8221;, afirma.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/157ED\/production\/_102454088_amoedo-felix-lima-bbc.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/157ED\/production\/_102454088_amoedo-felix-lima-bbc.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"O pr\u00e9-candidato \u00e0 presid\u00eancia Jo\u00e3o Amo\u00eado\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">As propostas do CCiF foram ouvidas por candidatos de lados ideol\u00f3gicos opostos, como Jo\u00e3o Amo\u00eado, do Novo (foto), e Guilherme Boulos (PSOL).\u00a0Direito de imagem\u00a0FELIX LIMA \/ BBC NEWS BRASIL<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Em abril deste ano, a candidata da Rede disse em um evento do banco Santander que o CCiF e Appy est\u00e3o contribuindo de forma &#8220;institucional&#8221; com o seu programa de governo. A proposta de mudan\u00e7a nas regras tribut\u00e1rias tamb\u00e9m foi elogiada no come\u00e7o do ano pelo economista Persio Arida, um dos respons\u00e1veis pelo programa de governo de Alckmin. No come\u00e7o desta semana, a proposta tamb\u00e9m foi elogiada pelo petista Haddad, em entrevista ao jornal Valor Econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>&#8220;Obviamente que, depois da elei\u00e7\u00e3o, vamos procurar o presidente eleito para refor\u00e7ar a relev\u00e2ncia da agenda. Um governante que a adotar ganharia muito em termos de crescimento da economia ao longo do seu mandato&#8221;, defende.<\/p>\n<p>&#8220;O CCiF definiu que tinha como uma de suas tarefas esse ano conversar com os candidatos \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica. Ent\u00e3o, em alguns casos, n\u00f3s temos procurado, e em outros temos sido procurados&#8221;, diz ele. &#8220;Como n\u00f3s temos alguma discuss\u00e3o sobre os outros temas, quando o candidato demonstra interesse n\u00f3s falamos sobre outras coisas tamb\u00e9m&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p>Os &#8220;outros temas&#8221; s\u00e3o propostas que o CCiF ainda est\u00e1 elaborando &#8211; para mudar as regras de cobran\u00e7a de impostos sobre a folha de pagamentos das empresas, ou sobre a tributa\u00e7\u00e3o da renda, por exemplo.<\/p>\n<p>Ele lembra que desde a Assembleia Nacional Constituinte de 1988 fala-se sobre a necessidade de uma reforma tribut\u00e1ria. A ideia n\u00e3o foi adiante, segundo Appy, porque o tema &#8220;nunca foi prioridade&#8221; dos governos, nem mesmo no per\u00edodo em que ele estava no Minist\u00e9rio da Fazenda. &#8220;Prioridade \u00e9 prioridade, \u00e9 colocar capital pol\u00edtico para aprovar. N\u00e3o teve, em nenhum dos governos&#8221;, diz.<\/p>\n<p>&#8220;Do ponto de vista t\u00e9cnico, n\u00f3s temos uma proposta muito melhor do que as (demais) que existem hoje. Posso te falar: eu cuidei da reforma tribut\u00e1ria de 2008 (sepultada pelo Congresso) e tinha v\u00e1rias quest\u00f5es que me incomodavam. Todas elas est\u00e3o resolvidas nessa nova proposta&#8221;, refor\u00e7a.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 862px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/2B02\/production\/_102601011_marina_silva-agbr-wilson-dias.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/2B02\/production\/_102601011_marina_silva-agbr-wilson-dias.jpg?resize=696%2C463&#038;ssl=1\" alt=\"Marina Silva\" width=\"696\" height=\"463\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Marina Silva diz que Appy est\u00e1 colaborando com seu programa de governo.\u00a0Direito de imagem\u00a0WILSON DIAS \/ AG\u00caNCIA BRASIL<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>O economista relata uma reuni\u00e3o com secret\u00e1rios da Fazenda de diferentes Estados brasileiros, no come\u00e7o de julho. &#8220;Foi interessante perceber que os pr\u00f3prios secret\u00e1rios de Fazenda, pelo menos em sua grande maioria, est\u00e3o concordando que o ICMS n\u00e3o d\u00e1 mais. O ICMS chegou no seu limite, e o que a gente prop\u00f5e \u00e9 acabar com ele&#8221;, conta.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Quem ganha e quem perde com a mudan\u00e7a?<\/h2>\n<p>Segundo Appy, a proposta enfrenta resist\u00eancias de empresas e setores econ\u00f4micos que t\u00eam benef\u00edcios fiscais no modelo atual.<\/p>\n<p>&#8220;Algumas delas (empresas) s\u00e3o competitivas mesmo sem os benef\u00edcios, ent\u00e3o n\u00e3o resistem tanto. Aceitam mudar desde que haja regras de transi\u00e7\u00e3o (como as presentes no projeto do CCiF)&#8221;, diz ele. Um dos setores mais resistentes \u00e0 ideia \u00e9 o de Servi\u00e7os &#8211; que poderia sofrer um aumento de tributa\u00e7\u00e3o com o novo modelo. &#8220;No fundo, eles n\u00e3o s\u00e3o prejudicados. A resist\u00eancia \u00e9 mais fruto de incompreens\u00e3o&#8221;, rebate Appy.<\/p>\n<p>Outros economistas especialistas em tributa\u00e7\u00e3o ouvidos pela BBC News Brasil tamb\u00e9m fazem cr\u00edticas a essa proposta de reforma &#8211; e n\u00e3o porque o IVA seja uma m\u00e1 ideia, mas porque, sozinho, segundo eles, n\u00e3o seria capaz de corrigir as injusti\u00e7as do modelo tribut\u00e1rio brasileiro.<\/p>\n<p>&#8220;O IVA \u00e9 um instrumento importante. Reduz a complexidade (da cobran\u00e7a de impostos), melhora a estrutura tribut\u00e1ria do pa\u00eds e d\u00e1 mais competitividade \u00e0s empresas brasileiras. Mas n\u00e3o contempla o principal desafio de uma reforma tribut\u00e1ria, que \u00e9 reduzir as desigualdades sociais no Brasil&#8221;, diz o economista Pedro Rossi, professor do Departamento de Economia da Unicamp.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 640px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/5ACB\/production\/_102634232_marcos-cintra-leao-youtube.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/5ACB\/production\/_102634232_marcos-cintra-leao-youtube.jpg?resize=640%2C469&#038;ssl=1\" alt=\"Marcos Cintra com um le\u00e3o no hor\u00e1rio eleitoral de 1998\" width=\"640\" height=\"469\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Marcos Cintra posa com um le\u00e3o em sua vinheta no hor\u00e1rio eleitoral de 1998, quando elegeu-se deputado federal pelo antigo PL.\u00a0Direito de imagem\u00a0MARCOS CINTRA YOUTUBE \/ REPRODU\u00c7\u00c3O<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>&#8220;N\u00e3o \u00e9 que a ado\u00e7\u00e3o do IVA n\u00e3o seja importante, mas a meu ver ele, por si mesmo, n\u00e3o ataca a quest\u00e3o da regressividade (o fato de os pobres pagarem proporcionalmente mais impostos). O Brasil \u00e9 um pa\u00eds injusto do ponto de vista tribut\u00e1rio e uma reforma precisa contemplar esse aspecto&#8221;, opina Rossi.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Outras propostas de imposto \u00fanico<\/h2>\n<p>Al\u00e9m do IVA tal como proposto por Appy, h\u00e1 outras propostas de imposto \u00fanico sendo defendidas no pa\u00eds. O economista e pol\u00edtico Marcos Cintra prop\u00f5e, h\u00e1 tempos, a cria\u00e7\u00e3o de um imposto \u00fanico, mas sobre as transa\u00e7\u00f5es financeiras. Seria cobrado de forma eletr\u00f4nica e autom\u00e1tica &#8211; algo parecido com a antiga Contribui\u00e7\u00e3o Provis\u00f3ria sobre Movimenta\u00e7\u00e3o Financeiras (CPMF).<\/p>\n<p>Cintra \u00e9 professor da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (FGV) e o atual presidente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), empresa p\u00fablica brasileira de fomento \u00e0 ci\u00eancia. Nos anos 1990, quando foi eleito deputado federal, ficou conhecido ao aparecer no hor\u00e1rio eleitoral acariciando um le\u00e3o &#8211; o bicho aparecia aos p\u00e9s do candidato, preso por uma corda.<\/p>\n<p>J\u00e1 para o advogado tributarista Jo\u00e3o Eloi Olenike, a mudan\u00e7a para o modelo do IVA \u00e9 &#8220;necess\u00e1ria&#8221; e at\u00e9 &#8220;urgente&#8221;. Segundo ele, h\u00e1 consenso entre os especialistas no tema sobre a necessidade de mudar a forma de cobran\u00e7a de impostos sobre o consumo no Brasil, extinguindo tributos como o ICMS.<\/p>\n<p>O problema, diz Olenike, \u00e9 que governos dificilmente topar\u00e3o uma mudan\u00e7a nas regras que represente queda do montante arrecadado. &#8220;Hoje, \u00e9 um projeto ut\u00f3pico. Mesmo que um governante liberal ven\u00e7a em outubro, ele tentar\u00e1 manter a alta arrecada\u00e7\u00e3o&#8221;, diz. &#8220;E para este ano, esque\u00e7a. N\u00e3o h\u00e1 mais tempo h\u00e1bil para qualquer mudan\u00e7a&#8221;. Olenike \u00e9 presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributa\u00e7\u00e3o (IBPT), um dos principais institutos que discutem o tema no Brasil.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/7922\/production\/_102601013_rodovia-agbr-df.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/7922\/production\/_102601013_rodovia-agbr-df.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Carros e caminh\u00f5es em trecho de rodovia pr\u00f3ximo de Bras\u00edlia (DF)\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Um dos objetivos da\u00a0mudan\u00e7a proposta por Appy \u00e9 evitar a guerra fiscal no com\u00e9rcio entre os Estados.\u00a0Direito de imagem\u00a0AG\u00caNCIA BRASIL<\/figcaption><\/figure><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\"><strong><span class=\"byline__name\">Cr\u00e9dito: Andr\u00e9 Shalders e Camilla Veras Mota d<\/span><span class=\"byline__title\">a BBC News Brasil em S\u00e3o Paulo &#8211; dispon\u00edvel na internet 27\/08\/2018<\/span><\/strong><br \/>\n<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Temas como &#8220;guerra fiscal&#8221; e &#8220;dupla tributa\u00e7\u00e3o&#8221; n\u00e3o s\u00e3o exatamente populares e nem fazem parte das conversas da\u00a0maioria dos brasileiros\u00a0na mesa do bar. Mas isso n\u00e3o tira o entusiasmo do economista Bernard Appy, 56 anos, ao falar sobre a ideia que ele defende h\u00e1 mais de dez anos: juntar cinco impostos atuais em apenas um, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":28393,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[135],"tags":[],"class_list":{"0":"post-28392","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-clipping"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Impostos.jpg?fit=400%2C322&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28392","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28392"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28392\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media\/28393"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28392"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28392"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28392"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}