{"id":28572,"date":"2018-09-01T05:34:25","date_gmt":"2018-09-01T08:34:25","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=28572"},"modified":"2018-09-01T06:42:23","modified_gmt":"2018-09-01T09:42:23","slug":"o-que-os-numeros-do-pib-falam-sobre-o-brasil-que-o-proximo-presidente-vai-herdar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2018\/09\/01\/o-que-os-numeros-do-pib-falam-sobre-o-brasil-que-o-proximo-presidente-vai-herdar\/","title":{"rendered":"O que os n\u00fameros do PIB falam sobre o Brasil que o pr\u00f3ximo presidente vai herdar"},"content":{"rendered":"<div class=\"story-body\">\n<p class=\"story-body__introduction\">A economia brasileira mant\u00e9m o ritmo em marcha lenta com que entrou em 2018. Divulgado nesta sexta-feira, o PIB (Produto Interno Bruto) cresceu apenas 0,2% entre abril e junho em rela\u00e7\u00e3o ao primeiro trimestre \u2013 quando a alta foi de 0,1% sobre os tr\u00eas meses anteriores, j\u00e1 descontados os efeitos da sazonalidade.<\/p>\n<p>A greve dos caminhoneiros teve impacto negativo importante sobre a atividade, especialmente sobre a produ\u00e7\u00e3o industrial, e foi respons\u00e1vel por uma s\u00e9rie de revis\u00f5es para o indicador que o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica) divulgou nesta manh\u00e3.<\/p>\n<p>Algumas proje\u00e7\u00f5es foram cortadas pela metade depois dos 11 dias de paralisa\u00e7\u00e3o, que bloquearam estradas e causaram desabastecimento.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dessa quest\u00e3o circunstancial, contudo, os n\u00fameros do PIB s\u00e3o um retrato de uma retomada lenta, marcada pela dificuldade de gerar emprego e de estimular os investimentos \u2013 e deixam cada vez mais claros os desafios do pr\u00f3ximo presidente.<\/p>\n<p>A seguir, cinco diagn\u00f3sticos que o principal indicador de atividade econ\u00f4mica d\u00e1 sobre o pa\u00eds que os candidatos ao Executivo prometem transformar partir de 2019.<\/p>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/3430\/production\/_103206331_construcao.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/3430\/production\/_103206331_construcao.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Constru\u00e7\u00e3o civil\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Setores como o de constru\u00e7\u00e3o civil ainda n\u00e3o reagiram.\u00a0Direito de imagem\u00a0GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">1. A constru\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o reagiu<\/h2>\n<div id=\"comp-pattern-library\" class=\"distinct-component-group container-parrot\"><\/div>\n<p>Desde que a recess\u00e3o acabou \u2013 de acordo com o Comit\u00ea de Data\u00e7\u00e3o de Ciclos Econ\u00f4micos, da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas, no fim de 2016 \u2013, a constru\u00e7\u00e3o civil \u00e9 o \u00fanico setor que ainda n\u00e3o conseguiu se descolar dos n\u00fameros bastante negativos que marcaram os anos de crise.<\/p>\n<p>Depois de ficar relativamente est\u00e1vel no fim do ano passado, a atividade no segmento voltou a contrair em 2018. Teve queda de 0,4% no primeiro trimestre e de 0,8% de abril a junho, na compara\u00e7\u00e3o com o per\u00edodo imediatamente anterior.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape no-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/41FD\/production\/_103239861_construcao.png?resize=624%2C403&#038;ssl=1\" alt=\"Constru\u00e7\u00e3o civil\" width=\"624\" height=\"403\" \/><\/span><\/figure>\n<p>Hoje, seu n\u00edvel \u00e9 semelhante ao de 2009, o pior desempenho mostrado pelos dados do PIB.<\/p>\n<p>&#8220;A constru\u00e7\u00e3o atingiu o fundo do po\u00e7o e n\u00e3o tem dado sinais de rea\u00e7\u00e3o&#8221;, avalia Sarah Bretones, da MCM Consultores.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio \u00e9 explicado, de um lado, pelo fato de este in\u00edcio de recupera\u00e7\u00e3o estar sendo puxado mais pelo consumo do que pelos investimentos.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/168C8\/production\/_103206329_porquinho.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/168C8\/production\/_103206329_porquinho.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Cofre, calculadora e notas de real\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Pr\u00f3ximo presidente encontar\u00e1 um cen\u00e1rio repleto de dificuldades na economia.\u00a0Direito de imagemGETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>A libera\u00e7\u00e3o de recursos das contas inativas do FGTS e o ganho de poder de compra proporcionado pela queda da infla\u00e7\u00e3o foram alguns dos fatores que, no ano passado, contribu\u00edram para que o com\u00e9rcio avan\u00e7asse 1,8% \u2013 quando a economia como um todo cresceu 1%.<\/p>\n<p>Na contram\u00e3o, a \u00e1rea de infraestrutura n\u00e3o teve o mesmo tipo de est\u00edmulo. Com o Or\u00e7amento do governo federal e dos Estados no vermelho, praticamente n\u00e3o houve constru\u00e7\u00e3o de estradas, de moradias populares ou obras de saneamento por iniciativa do setor p\u00fablico.<\/p>\n<p>J\u00e1 o setor privado, que ainda digere d\u00edvidas do passado, segue desalentado pelo ambiente de crise pol\u00edtica e de inseguran\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o ao futuro. A esse fator a economista da MCM acrescenta o impacto indireto da opera\u00e7\u00e3o Lava Jato, que acabou afastando do mercado grandes empresas \u2013 parte das companhias acusadas de envolvimento nos esc\u00e2ndalos de corrup\u00e7\u00e3o segue vetada de participar de licita\u00e7\u00f5es e muitas reduziram em mais da metade o quadro de funcion\u00e1rios.<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o \u00e9 um dos quatro setores que comp\u00f5em a ind\u00fastria dentro do PIB, ao lado do segmento de eletricidade, \u00e1gua e esgoto e das ind\u00fastrias extrativa e de transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">2. Uma d\u00e9cada de retrocesso dos investimentos<\/h2>\n<p>Esse quadro explica em parte o desempenho ruim dos investimentos. Chamados de Forma\u00e7\u00e3o Bruta de Capital Fixo no PIB, eles despencaram cerca de 30% durante a crise e est\u00e3o reagindo em ritmo muito mais lento do que se esperava.<\/p>\n<p>&#8220;A constru\u00e7\u00e3o e os investimentos andam muito juntos&#8221;, pondera Igor Velecico, do Bradesco.<\/p>\n<p>No ano passado, eles chegaram a esbo\u00e7ar uma rea\u00e7\u00e3o, crescendo &#8220;at\u00e9 8% em termos anualizados&#8221;, mas a situa\u00e7\u00e3o voltou a piorar em 2018. A retra\u00e7\u00e3o de 1,8% entre abril e junho, em rela\u00e7\u00e3o ao primeiro trimestre, \u00e9 a primeira queda depois de um ano de resultados positivos.<\/p>\n<p>Hoje, seu n\u00edvel tamb\u00e9m \u00e9 semelhante ao que o pa\u00eds registrava em 2009.<\/p>\n<p>Especificamente no segundo trimestre, o resultado negativo dos investimentos foi influenciado pela ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o, que teve parte das atividades paralisadas em maio, por causa da greve dos caminhoneiros. Nesse segmento, o tombo foi de 0,8% (e de 0,6% na ind\u00fastria como um todo).<\/p>\n<figure class=\"media-landscape no-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/690D\/production\/_103239862_investimentos.png?resize=624%2C403&#038;ssl=1\" alt=\"Investimentos\" width=\"624\" height=\"403\" \/><\/span><\/figure>\n<p>Velecico calcula que a paralisa\u00e7\u00e3o tirou 0,2 ponto percentual do PIB do segundo trimestre.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio para o restante do ano tampouco \u00e9 animador. As incertezas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 elei\u00e7\u00e3o, que t\u00eam feito muitas empresas segurarem os investimentos e deixarem os projetos na gaveta, se mant\u00eam.<\/p>\n<p>E se somam ao ciclo recente de desvaloriza\u00e7\u00e3o do real \u2013 o d\u00f3lar caro eleva o custo da importa\u00e7\u00e3o de maquin\u00e1rio e de tecnologia e tamb\u00e9m joga contra a Forma\u00e7\u00e3o Bruta. Para o economista do Bradesco, os investimentos v\u00e3o continuar encolhendo at\u00e9 o fim de 2018.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">3. Retomada lenta<\/h2>\n<p>Apesar de a recess\u00e3o tecnicamente ter ficado para tr\u00e1s h\u00e1 mais de um ano, a retomada da economia segue lenta \u2013 mais ainda do que em outros per\u00edodos de crise \u2013 e n\u00e3o chega a ser percebida por muitos brasileiros.<\/p>\n<p>Em dezembro de 2017, acreditava-se que a atividade cresceria 3% neste ano, n\u00famero que foi cortado praticamente \u00e0 metade nos \u00faltimos meses.<\/p>\n<p>&#8220;Como dezembro (de 2017) foi um m\u00eas bom, muita gente revisou as estimativas pra 2018. A gente superestimou o ritmo de recupera\u00e7\u00e3o&#8221;, diz Sarah Bretones, da MCM Consultores.<\/p>\n<p>Hoje economistas avaliam que fatores ex\u00f3genos \u2013 como a supersafra e a libera\u00e7\u00e3o dos recursos das contas inativas do FGTS \u2013 tiveram papel importante para o desempenho positivo da economia no ano passado e acabaram alimentando um otimismo que n\u00e3o se sustentou.<\/p>\n<p>&#8220;Acabaram os anabolizantes&#8221;, diz Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro, do Ibre-FGV (Instituto Brasileiro de Economia), referindo-se \u00e0queles est\u00edmulos tempor\u00e1rios.<\/p>\n<p>O desempenho mais fraco da ind\u00fastria automotiva no in\u00edcio do ano, ressalta Velecico, foi um dos primeiros sinais de que o ritmo de atividade era incompat\u00edvel com as estimativas.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 um setor, ali\u00e1s, tende a ser cada vez mais prejudicado pela situa\u00e7\u00e3o da Argentina, que vinha absorvendo parte dos ve\u00edculos que o mercado dom\u00e9stico n\u00e3o tinha apetite para consumir.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/8250\/production\/_103206333_consumo.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/8250\/production\/_103206333_consumo.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Cart\u00e3o de cr\u00e9dito\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Com\u00e9rcio ainda tem melhor desempenho que os outros setores, mas tamb\u00e9m tem tido m\u00e1s not\u00edcias.\u00a0Direito de imagem\u00a0GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Outro foco de frustra\u00e7\u00e3o tem vindo do mercado de trabalho. Em meados do ano passado, o crescimento do emprego informal refor\u00e7ou a expectativa de que o desemprego come\u00e7aria a ceder.<\/p>\n<p>Em geral, o in\u00edcio dos ciclos de crescimento \u00e9 marcado pela contrata\u00e7\u00e3o sem carteira. O emprego formal costuma reagir na sequ\u00eancia, quando as condi\u00e7\u00f5es para a recupera\u00e7\u00e3o se mostram consistentes.<\/p>\n<p>Essa segunda, entretanto, n\u00e3o tem acontecido. Mais que isso, a gera\u00e7\u00e3o de novas vagas, ainda que informais, estancou por meses e voltou a reagir apenas em julho.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape no-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/901D\/production\/_103239863_consumo.png?resize=624%2C403&#038;ssl=1\" alt=\"Consumo das fam\u00edlias\" width=\"624\" height=\"403\" \/><\/span><\/figure>\n<p>Gra\u00e7as a esse fator, conforme os dados divulgados nesta quinta-feira pelo IBGE, a taxa de desemprego recuou de 12,9% no trimestre encerrado em abril para 12,3% nos tr\u00eas meses at\u00e9 julho.<\/p>\n<p>&#8220;Em termos dessazonalizados, a taxa de desemprego permaneceu no mesmo patamar desde outubro de 2017, em torno de 12,3% (recuando para 12,2% em julho)&#8221;, ilustra o economista do Bradesco.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">4. Redu\u00e7\u00e3o do potencial de crescimento<\/h2>\n<p>Velecico chama aten\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m para o desempenho da renda. Sem os est\u00edmulos de 2017 \u2013 quando a infla\u00e7\u00e3o baixa e os reajustes salariais mais gordos, corrigidos pelos \u00edndices de pre\u00e7os de 2016, elevaram o poder de compra \u2013 a remunera\u00e7\u00e3o tem avan\u00e7ando cada vez menos.<\/p>\n<p>A expans\u00e3o mais modesta da massa salarial, em paralelo ao desemprego alto, s\u00e3o m\u00e1 not\u00edcia para o com\u00e9rcio, segmento que ainda tem melhor desempenho que os demais.<\/p>\n<p>Com a ajuda desse \u00faltimo setor \u2013 contabilizado dentro dos servi\u00e7os no PIB \u2013, a economia deve expandir cerca de 1,5% neste ano, de acordo com a m\u00e9dia de estimativas de consultorias e institui\u00e7\u00f5es financeiras reunidas pelo Banco Central no Boletim Focus.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/11AA8\/production\/_103206327_silviamatos.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/11AA8\/production\/_103206327_silviamatos.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro do Ibre-FGV\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Para Silvia Matos, pa\u00eds teve uma s\u00e9rie de investimentos mal alocados nos anos de bonan\u00e7a.\u00a0Direito de imagem\u00a0DIVULGA\u00c7\u00c3O<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>O resultado modesto est\u00e1 pr\u00f3ximo do chamado PIB potencial \u2013 c\u00e1lculo feito por economistas para tentar dimensionar a capacidade que a economia teria para crescer sem pressionar a infla\u00e7\u00e3o \u2013 hoje, algo entre 1,5% e 2%, conforme os economistas ouvidos pela BBC News Brasil.<\/p>\n<p>Silvia Matos, do Ibre-FGV, observa que nosso potencial de crescimento era significativamente maior alguns anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p>De um lado, o per\u00edodo extenso de recess\u00e3o faz com que, por exemplo, o maquin\u00e1rio obsoleto n\u00e3o seja reposto e tira do mercado de trabalho \u00e0s vezes por anos m\u00e3o de obra qualificada, que vai perdendo produtividade com o tempo.<\/p>\n<p>Ou seja, a pr\u00f3pria crise reduz o combust\u00edvel que poderia ser usado para acelerar a retomada.<\/p>\n<p>O Brasil tem ainda uma especificidade, diz a economista: uma s\u00e9rie de investimentos mal alocados nos per\u00edodos de bonan\u00e7a. O cr\u00e9dito f\u00e1cil que fluiu para empresas de diversos setores, ela exemplifica, inclusive aquelas envolvidos no esc\u00e2ndalo da Petrobras, n\u00e3o trouxe o retorno que se esperava e gerou custos para o setor p\u00fablico que at\u00e9 hoje est\u00e3o sendo pagos.<\/p>\n<p>&#8220;Isso tamb\u00e9m reduziu nosso potencial de crescimento.&#8221;<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">5. Um longo caminho at\u00e9 a &#8216;estaca zero&#8217;<\/h2>\n<p>A economista pondera, contudo, que h\u00e1 uma s\u00e9rie de medidas que podem ser tomadas no in\u00edcio do pr\u00f3ximo governo para aumentar a capacidade da economia de expandir.<\/p>\n<p>Uma sinaliza\u00e7\u00e3o maior de controle na trajet\u00f3ria da d\u00edvida p\u00fablica, por exemplo, poderia reduzir os juros reais e baratear o cr\u00e9dito para investimento.<\/p>\n<p>Ainda assim, o caminho at\u00e9 a &#8220;estaca zero&#8221; \u2013 os n\u00edveis registrados antes da crise \u2013 \u00e9 longo.<\/p>\n<p>Atualmente, a economia do Brasil roda em patamar pr\u00f3ximo do registrado em2011.<\/p>\n<p>Nas contas da coordenadora do Boletim Macro, se o Brasil mantivesse um ritmo de crescimento de 0,5% por trimestre, compat\u00edvel com um avan\u00e7o de 2% por ano, seriam necess\u00e1rios mais 11 trimestres para que volt\u00e1ssemos ao n\u00edvel de atividade \u00e0s v\u00e9speras da recess\u00e3o.<\/p>\n<p>Ou seja, apenas no in\u00edcio de 2021, no terceiro ano do pr\u00f3ximo mandato. Isso faz com que essa retomada seja, de longe, a mais lenta da hist\u00f3ria do pa\u00eds. Nas grandes crises dos anos 80 e 90, afirma Matos, a economia precisou, em m\u00e9dia, de sete trimestres para &#8220;resolver o problema&#8221;.<\/p>\n<p>Essa ressalta que n\u00e3o h\u00e1 &#8220;solu\u00e7\u00e3o m\u00e1gica&#8221; para o momento adverso atual.<\/p>\n<p>Uma pol\u00edtica fiscal contracionista, para conter os gastos do governo, pode ser boa, mas n\u00e3o funciona sozinha, pondera a especialista \u2013 precisaria vir acompanhada de est\u00edmulos para que o setor privado passasse a financiar os investimentos.<\/p>\n<p>Uma agenda reformista, por sua vez, n\u00e3o se sustenta se n\u00e3o forem criadas as condi\u00e7\u00f5es para implementa\u00e7\u00e3o das reformas, tanto pol\u00edticas (apoio do Congresso) quanto sociais (um ambiente sem grandes dist\u00farbios, greves ou paralisa\u00e7\u00f5es). Caso contr\u00e1rio, o cen\u00e1rio seria de grande instabilidade.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o tem uma bala de prata que v\u00e1 salvar a economia, mas uma s\u00e9rie de fatores que devem atuar em conjunto. Esse \u00e9 um jogo com v\u00e1rias rodadas&#8221;, resume.<\/p>\n<p><strong><span class=\"byline__name\">Cr\u00e9dito: Camilla Veras Mota da\u00a0<\/span><span class=\"byline__title\">BBC News Brasil em S\u00e3o Paulo &#8211; dispon\u00edvel na internet 01\/08\/2018<\/span><\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A economia brasileira mant\u00e9m o ritmo em marcha lenta com que entrou em 2018. Divulgado nesta sexta-feira, o PIB (Produto Interno Bruto) cresceu apenas 0,2% entre abril e junho em rela\u00e7\u00e3o ao primeiro trimestre \u2013 quando a alta foi de 0,1% sobre os tr\u00eas meses anteriores, j\u00e1 descontados os efeitos da sazonalidade. 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