{"id":29338,"date":"2018-09-22T00:02:04","date_gmt":"2018-09-22T03:02:04","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=29338"},"modified":"2018-09-22T06:16:31","modified_gmt":"2018-09-22T09:16:31","slug":"chamas-de-ideologia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2018\/09\/22\/chamas-de-ideologia\/","title":{"rendered":"Chamas de ideologia"},"content":{"rendered":"<div class=\"large-16\">\n<div class=\"head-materia\">\n<h5>Uma sequ\u00eancia improvisada de causas e efeitos do inc\u00eandio dificilmente permite uma aproxima\u00e7\u00e3o dos reais problemas da UFRJ<\/h5>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"row\">\n<div class=\"large-16 columns\">\n<div class=\"corpo novo large-16 columns paywalled-content\">\n<p>O inc\u00eandio do Museu Nacional desencadeou in\u00fameras consequ\u00eancias. Raros e preciosos acervos e cole\u00e7\u00f5es foram perdidos, e suas poss\u00edveis causas imediatas est\u00e3o em debate. A v\u00edtima foi a culpada? Como o acidente poderia ter sido evitado? Motivos remotos tamb\u00e9m t\u00eam sido apresentados ao escrut\u00ednio p\u00fablico, entre os quais um alegado elevado custo para o pa\u00eds com uma universidade com declarados problemas estruturais. Argumenta-se que os gastos realizados pela UFRJ s\u00e3o excessivos e mal direcionados. Com base nesse diagn\u00f3stico, determinados analistas de pol\u00edticas p\u00fablicas sugerem que o direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o limite-se ao ensino fundamental. Acesso \u00e0s universidades ocorrer\u00e1 ou n\u00e3o dependendo da capacidade de pagamento das fam\u00edlias dos estudantes.<\/p>\n<p>Cr\u00edticas \u00e0 gest\u00e3o, especialmente relativas \u00e0 falta de transpar\u00eancia, e informa\u00e7\u00f5es confusas sobre despesas da UFRJ foram mobilizadas para confirmar a acep\u00e7\u00e3o de inefici\u00eancia, desperd\u00edcio. Recentemente, chegou-se a atribuir a fa\u00edsca inicial do inc\u00eandio ao suposto desequil\u00edbrio entre despesas com pessoal e investimentos. Como se o pagamento de professores e t\u00e9cnicos que trabalham na UFRJ estivesse impedindo a conserva\u00e7\u00e3o de seu patrim\u00f4nio. Uma sequ\u00eancia improvisada de causas e efeitos dificilmente permite uma aproxima\u00e7\u00e3o dos reais problemas da UFRJ e outras universidades p\u00fablicas. O que n\u00e3o est\u00e1 nem um pouco vis\u00edvel e, pior, sob a fuma\u00e7a de uma trag\u00e9dia, s\u00e3o as raz\u00f5es para transformar a solu\u00e7\u00e3o em problema. Quem est\u00e1 interessado em afirmar que a UFRJ \u00e9 insustent\u00e1vel, falida?<\/p>\n<p>Tal pergunta deve ser qualificada: a raiva contra a UFRJ n\u00e3o \u00e9 de hoje. De onde ela vem? Vem da tentativa de compensar subjetivamente a incapacidade do setor privado do ensino superior de desenvolver ensino e pesquisa de qualidade, com a exce\u00e7\u00e3o de uma ou outra institui\u00e7\u00e3o, assim mesmo em pequena escala e em diminuta amplitude. Essa tentativa \u00e9 in\u00fatil, os estudantes e os pesquisadores, nacionais e estrangeiros, sabem onde est\u00e1 a qualidade. Seria muito melhor para o avan\u00e7o do conhecimento se o capital acumulado no setor privado pudesse ser aplicado na produ\u00e7\u00e3o de conhecimento ao inv\u00e9s de apenas buscar mais e mais lucros pela venda de diplomas a baixo custo.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, a t\u00e3o recomendada busca no setor privado de recursos financeiros para a manuten\u00e7\u00e3o das universidades p\u00fablicas apareceu de novo por ocasi\u00e3o do inc\u00eandio do Museu Nacional. Junto com essa receita, vem a suposi\u00e7\u00e3o de que institui\u00e7\u00f5es privadas s\u00e3o boas gestoras, jamais deixariam que um pr\u00e9dio e acervos t\u00e3o preciosos pegassem fogo. No entanto, desconhecem (ou escondem dos leitores) que o Museu da L\u00edngua Portuguesa, em S\u00e3o Paulo, e o Museu de Arte Moderna, do Rio de Janeiro, incendiaram e foram destru\u00eddos. Desconhecem (ou escondem) que dos seis projetos de capta\u00e7\u00e3o de recursos pela Lei Rouanet que a Associa\u00e7\u00e3o de Amigos do Museu Nacional apresentou ao empresariado, um era justamente para a instala\u00e7\u00e3o de um moderno sistema de preven\u00e7\u00e3o e combate a inc\u00eandio. Nenhum empres\u00e1rio se interessou por algo que n\u00e3o daria visibilidade ao mecenato. Se parte do imposto devido aplicado no combate ao inc\u00eandio n\u00e3o rende publicidade, as chamas que consumiram o Museu Nacional est\u00e3o rendendo no mercado ideol\u00f3gico.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Maria Lucia Werneck Vianna (presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Docentes da UFRJ) publicado no caderno Opini\u00e3o do Jornal\u00a0 O Globo &#8211; dispon\u00edvel na internet 22\/09\/2018<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma sequ\u00eancia improvisada de causas e efeitos do inc\u00eandio dificilmente permite uma aproxima\u00e7\u00e3o dos reais problemas da UFRJ O inc\u00eandio do Museu Nacional desencadeou in\u00fameras consequ\u00eancias. Raros e preciosos acervos e cole\u00e7\u00f5es foram perdidos, e suas poss\u00edveis causas imediatas est\u00e3o em debate. A v\u00edtima foi a culpada? Como o acidente poderia ter sido evitado? 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