{"id":29361,"date":"2018-09-24T00:30:29","date_gmt":"2018-09-24T03:30:29","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=29361"},"modified":"2018-09-24T06:07:47","modified_gmt":"2018-09-24T09:07:47","slug":"eleicoes-2018-comeca-a-corrida-pelo-voto-util","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2018\/09\/24\/eleicoes-2018-comeca-a-corrida-pelo-voto-util\/","title":{"rendered":"Elei\u00e7\u00f5es 2018: Come\u00e7a a corrida pelo voto \u00fatil. As pesquisas como fator eleitoral"},"content":{"rendered":"<p class=\"intro\">Como as altas taxas de rejei\u00e7\u00e3o dos candidatos \u00e0 Presid\u00eancia \u00e0 frente nas pesquisas e a propens\u00e3o de 40% do eleitorado a mudar de voto podem influenciar a reta final da campanha.<span dir=\"ltr\">\u00a0<\/span><\/p>\n<div class=\"picBox full\">\n<p>Com as pesquisas eleitorais j\u00e1 indicando, a duas semanas do primeiro turno, dois nomes de polos opostos disputando a segunda rodada\u00a0das elei\u00e7\u00f5es presidenciais, a estrat\u00e9gia do chamado voto \u00fatil j\u00e1 come\u00e7a a entrar em cena.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"group\">\n<div class=\"longText\">\n<p>Segundo o cientista pol\u00edtico Carlos Melo, a l\u00f3gica do voto \u00fatil \u00e9 simples. &#8220;Em tese, todo eleitor tem um candidato de prefer\u00eancia; aquele por quem sente maior empatia e que, com tranquilidade, cederia seu apoio. Este seria o que podemos chamar de um voto afirmativo&#8221;, explica.<\/p>\n<p>&#8220;Mas, num ambiente de conflito, o eleitor se d\u00e1 tamb\u00e9m o direito de definir o que, para ele, seria o &#8216;pior resultado&#8217;, o mal maior. O candidato entre todos que &#8216;mais&#8217; rejeita, que descarta decisiva e definitivamente&#8221;, completa.<\/p>\n<p>Assim, grupos de eleitores acabam depositando seus votos estrategicamente, inflando a vota\u00e7\u00e3o de um candidato com o objetivo de derrotar outro. S\u00f3 que neste ano, as coisas ficaram mais complicadas.<\/p>\n<p>&#8220;A novidade \u00e9 que desta vez, para muitos, n\u00e3o \u00e9 apenas um mal: mas pelo menos dois&#8221;, afirma Melo, em refer\u00eancia a Jair Bolsonaro e Fernando Haddad, dois candidatos polarizadores na corrida.<\/p>\n<p>Apesar de estarem na lideran\u00e7a, tanto Bolsonaro quanto Haddad, que registram 28% e 19% dos votos, respectivamente, de acordo com o \u00faltimo Datafolha, tamb\u00e9m est\u00e3o entre os candidatos com maior rejei\u00e7\u00e3o por parte do eleitorado.<\/p>\n<p>Pelo menos 43% dos eleitores afirmam que n\u00e3o votariam em Bolsonaro de jeito nenhum. Haddad, por sua vez, \u00e9 o terceiro candidato com maior rejei\u00e7\u00e3o, 29%, logo atr\u00e1s de Marina Silva (Rede), que tem 32%. Desde que assumiu o protagonismo da candidatura petista, a rejei\u00e7\u00e3o de Haddad aumentou sete pontos percentuais. S\u00e3o \u00edndices superiores \u00e0s inten\u00e7\u00f5es\u00a0de votos desses candidatos e que podem influenciar a reta final do primeiro turno.<\/p>\n<p>Diante desse cen\u00e1rio, os candidatos menos bem posicionados na pesquisa j\u00e1 come\u00e7am a fazer a prega\u00e7\u00e3o por um voto \u00fatil entre o eleitorado\u00a0que rejeita Haddad e Bolsonaro e que seja capaz de lev\u00e1-los ao segundo turno. Tamb\u00e9m pesa o fato de\u00a0que 40% dos eleitores estarem dispostos a mudar seu voto, segundo o Datafolha.<\/p>\n<p>Essa batalha pelo voto \u00fatil deve ser especialmente intensa entre Ciro Gomes (PDT) e Geraldo Alckmin (PSDB), que aparecem em terceiro e quarto lugar nas pesquisas. &#8220;Se a onda do voto \u00fatil aparecer \u00e9 poss\u00edvel que Ciro Gomes ou Geraldo Alckmin ascendam ao posto que hoje \u00e9 de Haddad&#8221;, conjectura o cientista pol\u00edtico Gaud\u00eancio Torquato.<\/p>\n<p>Por enquanto, os candidatos menos bem posicionados nas pesquisas \u2013 Ciro, Alckmin, Marina, Alvaro Dias (Podemos), Jo\u00e3o Amo\u00eado (Rede) e Henrique Meirelles (MDB) \u2013 contam com 35% das inten\u00e7\u00f5es de voto.<\/p>\n<p>Nesta semana, a campanha de Geraldo Alckmin abra\u00e7ou de vez a estrat\u00e9gia do voto \u00fatil entre os eleitores\u00a0que rejeitam Bolsonaro ou Haddad &#8211; ou ambos -, dividindo os ataques regulares contra a campanha do militar reformado com cr\u00edticas ao PT e outros candidatos. Seu programa de TV passou a afirmar que apoiar Bolsonaro pode ser um voto para a vit\u00f3ria do PT, apontando que as pesquisas indicam que Bolsonaro e Haddad est\u00e3o empatados nos cen\u00e1rios de segundo turno &#8211; Alckmin seria capaz de derrotar ambos em uma segunda rodada, mas sua vantagem vem diminuindo.<\/p>\n<p>Em outras frentes, o tucano passou a criticar Ciro Gomes \u2013 com quem disputa o terceiro lugar \u2013, Henrique Meirelles e Marina Silva. No s\u00e1bado (22\/09), de olho no eleitorado do Sudeste, afirmou\u00a0que Ciro &#8220;n\u00e3o gosta de S\u00e3o Paulo&#8221; e ao longo da semana destacou as antigas liga\u00e7\u00f5es de Meirelles e Marina com o PT.<\/p>\n<p>Ciro, por sua vez, ultrapassado por Haddad na \u00faltima semana, afirmou que o brasileiro &#8220;n\u00e3o quer e n\u00e3o merece\u201d um segundo turno para ter de decidir entre um &#8220;fascista&#8221; \u2013 uma refer\u00eancia a Bolsonaro \u2013 e &#8220;as enormes contradi\u00e7\u00f5es do PT&#8221;. Sua campanha tamb\u00e9m destaca que nos cen\u00e1rios de segundo turno, ele seria capaz de derrotar tanto Haddad quanto Bolsonaro com margens confort\u00e1veis. Ele tamb\u00e9m tem a menor rejei\u00e7\u00e3o entre os cinco candidatos mais bem posicionados (22%).<\/p>\n<p>Nessa estrat\u00e9gia do voto \u00fatil, tamb\u00e9m pesa o fato de\u00a0que os candidatos menos bem posicionados t\u00eam o eleitorado menos consolidado, o que pode favorecer o direcionamento dos votos. Enquanto 76% dos eleitores de Bolsonaro e 75% de Haddad afirmam que n\u00e3o pretendem mudar seus votos, os percentuais s\u00e3o mais baixos entre os demais postulantes. Entre os eleitores de Ciro, 57% afirmam que podem mudar seu voto. Entre os que declararam voto em Alckmin, o percentual \u00e9 de 58%. J\u00e1 com Marina, 70%.<\/p>\n<p>Ainda segundo o Datafolha, entre os 40% dos eleitores que podem mudar seu voto, h\u00e1 por enquanto uma dispers\u00e3o entre todos os candidatos quando uma segunda op\u00e7\u00e3o \u00e9 indicada. Ciro Gomes seria o principal beneficiado, tendo a possibilidade de levar at\u00e9 15% desses votos. Marina poderia ficar com 13%, Alckmin e Haddad, com 12% cada, e Bolsonaro com 11%. Pelos c\u00e1lculos do instituto, esses 15% que indicam Ciro como segunda op\u00e7\u00e3o poderiam render seis pontos percentuais extras nas suas inten\u00e7\u00f5es de voto.<\/p>\n<p>No entanto, a mesma pesquisa aponta que Ciro tamb\u00e9m corre o risco de perder votos para Haddad, a depender como os eleitores dispostos a abra\u00e7ar o voto \u00fatil v\u00e3o se comportar. Entre os eleitores do candidato do PDT que podem mudar seu voto, 27% tem Haddad como segunda op\u00e7\u00e3o. Com Alckmin, um fen\u00f4meno parecido ocorre, e Bolsonaro \u00e9 a op\u00e7\u00e3o de 17% dos eleitores do tucano que podem mudar de ideia.<\/p>\n<p>E a campanha de Bolsonaro tamb\u00e9m passou a explorar o voto \u00fatil e propagandear que Bolsonaro tem chances de ganhar no primeiro turno se o eleitorado de outros candidatos for convencido a optar pelo ex-capit\u00e3o. &#8220;Bolsonaro pode estar a um Amo\u00eado ou a um Alvaro Dias de vencer no 1\u00b0 turno&#8221;, afirmou nesta semana um de seus filhos, Fl\u00e1vio Bolsonaro, omitindo que mesmo os percentuais desses dois candidatos ainda n\u00e3o somaria mais\u00a0que seis pontos percentuais ao seu eleitorado, que chega hoje a 28%.<\/p>\n<p>Na quinta-feira, o principal apelo pelo voto \u00fatil e por uma estrat\u00e9gia unificada entre diferentes candidatos partiu do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que divulgou uma carta pedindo que candidatos moderados se unissem em torno de um nome com mais chance de \u00eaxito. Pouco depois, FHC indicou que o nome\u00a0que se encaixa nessa estrat\u00e9gia \u00e9 do candidato do seu partido, o tucano Geraldo Alckmin. A iniciativa, no entanto, acabou sendo rejeitada publicamente por todos os principais candidatos.<\/p>\n<p>Em 2014, a prega\u00e7\u00e3o do voto \u00fatil acabou redesenhando a disputa presidencial nos dias\u00a0que antecederam o pleito. \u00c0 \u00e9poca, o tucano A\u00e9cio Neves disparou a pouco dias do primeiro turno ao pedir &#8220;voto \u00fatil para vencer Dilma&#8221; e foi ao segundo turno ap\u00f3s ter sido considerado fora do jogo, avan\u00e7ando sobre o eleitorado de Marina Silva.<\/p>\n<p>Em outros casos, o voto \u00fatil n\u00e3o foi capaz de influenciar de maneira decisiva, mesmo quando um candidato reunia baixa rejei\u00e7\u00e3o e potencial de vencer um segundo turno contra outros candidatos que eram vistos como um mal maior por uma parte significativa do eleitorado.<\/p>\n<p>Nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 1989, as pesquisas indicavam que M\u00e1rio Covas (PSDB) seria capaz de derrotar Fernando Collor em uma segunda rodada. Seus n\u00fameros eram mais promissores do que aqueles de Leonel Brizola e Luiz In\u00e1cio Lula da Silva. Ele tamb\u00e9m tinha a menor rejei\u00e7\u00e3o entre os principais candidatos. Covas, no entanto, apesar de ter crescido nos dias anteriores ao pleito, acabou em quarto lugar, com 11,51% dos votos.<\/p>\n<h1 style=\"text-align: center\"><strong><span style=\"color: #ff0000\">As pesquisas como fator eleitoral<\/span><\/strong><\/h1>\n<p class=\"intro\">Sondagens se prop\u00f5em mais a apontar tend\u00eancias do que cravar n\u00fameros. E nisso, dizem analistas, dificilmente os grandes institutos costumam se enganar. Os resultados podem mudar a estrat\u00e9gia do eleitor.<\/p>\n<div id=\"sharing-bar\" class=\"min\"><span dir=\"ltr\">\u00a0<\/span><span dir=\"ltr\">\u00a0<\/span><span dir=\"ltr\">\u00a0<\/span><span dir=\"ltr\">\u00a0<\/span><\/div>\n<div class=\"picBox full\"><a class=\"overlayLink init\" href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-br\/as-pesquisas-como-fator-eleitoral\/a-45596015#\" rel=\"nofollow\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" title=\"Symbolbild Wahlen in Brasilien (Agencia Brasil\/J. Cruz)\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.dw.com\/image\/45596722_303.jpg?w=696&#038;ssl=1\" alt=\"Symbolbild Wahlen in Brasilien (Agencia Brasil\/J. Cruz)\" \/><\/a><\/div>\n<div class=\"group\">\n<div class=\"longText\">\n<p>&#8220;As pesquisas n\u00e3o conseguiram computar estatisticamente as nuances imprevis\u00edveis e insond\u00e1veis do car\u00e1ter humano\u201d, analisava o jornal\u00a0<em>The New York Times<\/em>\u00a0ap\u00f3s a vit\u00f3ria do democrata Harry Truman contra o republicano Thomas Dewey nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais dos Estados Unidos\u00a0em 1948. O resultado contrariava as previs\u00f5es expostas em pesquisas eleitorais. O jornal\u00a0<em>Chicago Daily Tribune<\/em>estampava\u00a0em\u00a0manchete no dia da vota\u00e7\u00e3o: &#8220;Dewey derrota Truman&#8221;. Ap\u00f3s o resultado, o\u00a0democrata ergueu\u00a0o jornal na festa da vit\u00f3ria. As pesquisas haviam perdido para as urnas.<\/p>\n<p>Passados 70 anos, a precis\u00e3o dos m\u00e9todos utilizados para captar o humor do eleitor melhorou. Um estudo feito pela\u00a0Universidade de Houston com mais de 500 vota\u00e7\u00f5es em 86 pa\u00edses em 2013 apontou que mais de 80% das pesquisas eleitorais\u00a0feitas a duas semanas da vota\u00e7\u00e3o\u00a0acertaram o vencedor. Outra parte do estudo, publicado na revista\u00a0<em>Science<\/em>\u00a0no ano passado, reuniu dados de 11 elei\u00e7\u00f5es na Am\u00e9rica Latina entre 2013 e 2014, com pesquisas indicando o vencedor correto em dez casos. Mais de 90% de acerto.<\/p>\n<p>Mesmo com essa evolu\u00e7\u00e3o, os EUA viveram um d\u00e9j\u00e0 vu com a vit\u00f3ria de Donald Trump em 2016. Mas para Pablo Ortellado, professor de Pol\u00edticas P\u00fablicas na Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e coordenador do Monitor do Debate Pol\u00edtico no Meio Digital, a possibilidade de vit\u00f3ria j\u00e1 estava na margem de erro. Naquela vez, afirma, n\u00e3o foram as pesquisas que perderam, mas os analistas.<\/p>\n<p>&#8220;Foi um erro de leitura dos resultados das pesquisas. O que aconteceu foi que as pessoas n\u00e3o acreditavam que Hillary Clinton perderia porque n\u00e3o era o cen\u00e1rio mais prov\u00e1vel, mas havia uma possibilidade dentro da margem de erro das pesquisas feitas dias antes da vota\u00e7\u00e3o\u201d, afirma Ortellado.<\/p>\n<p>O principal autor do estudo, Ryan Kennedy, cita que as pesquisas acompanhadas pela equipe do Centro de Estudos Internacionais e Comparativos da Universidade de Houston detectaram que a candidata democrata tinha 84% de chances de vencer. Em uma \u00e1rea baseada em probabilidade, 16% n\u00e3o \u00e9 um n\u00famero que deveria ser descartado, como fez a imensa maioria de jornais e analistas.<\/p>\n<p>&#8220;O que as pessoas esperam \u00e9 que as pesquisas cravem n\u00fameros certos. Pesquisas eleitorais s\u00e3o apenas amostras e tend\u00eancias do que pode ocorrer. Se uma pesquisa aponta que um candidato tem 90% de chance de vit\u00f3ria, isso significa que, em dez elei\u00e7\u00f5es, nove ele venceria. Mas a vota\u00e7\u00e3o ocorre apenas uma vez, ent\u00e3o aqueles 10% podem aparecer no resultado final\u201d, diz Glauco Peres, cientista pol\u00edtico da USP e pesquisador do Cebrap (Centro Brasileiro de An\u00e1lise e Planejamento).<\/p>\n<div class=\"picBox full rechts \">\n<p><a class=\"overlayLink init\" href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-br\/as-pesquisas-como-fator-eleitoral\/a-45596015#\" rel=\"nofollow\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Ap\u00f3s vit\u00f3ria improv\u00e1vel, Harry Truman mostra capa de jornal que chegou a anunciar candidato rival como vencedor das elei\u00e7\u00f5es americanas de 1948 \" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.dw.com\/image\/15751267_401.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Ap\u00f3s vit\u00f3ria improv\u00e1vel, Harry Truman mostra capa de jornal que chegou a anunciar candidato rival como vencedor das elei\u00e7\u00f5es americanas de 1948\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a>Ap\u00f3s vit\u00f3ria improv\u00e1vel, Harry Truman mostra capa de jornal que chegou a anunciar candidato rival como vencedor das elei\u00e7\u00f5es americanas de 1948<\/p>\n<\/div>\n<p><strong>As estrat\u00e9gias do eleitor<\/strong><\/p>\n<p>A partir de domingo (23\/09) o Brasil entra no per\u00edodo eleitoral que \u00e9 abrangido pela pesquisa americana:\u00a0a duas semanas da vota\u00e7\u00e3o, os resultados das pesquisas dificilmente erram. \u00c9 tamb\u00e9m a \u00e9poca onde os candidatos que precisam ganhar votos se tornam mais incisivos em debates e na propaganda. Para o professor Peres, h\u00e1 ainda um elemento a mais para movimentar a corrida eleitoral: a influ\u00eancia das pesquisas na tend\u00eancia no voto do eleitor.<\/p>\n<p>&#8220;O eleitor tamb\u00e9m tem uma estrat\u00e9gia, n\u00e3o vamos pensar que ele \u00e9 100% sincero na urna. Ele pode votar no candidato para vencer ou apenas para passar um recado. Por exemplo, os eleitores de Guilherme Boulos e Jo\u00e3o Amo\u00eado sabem que eles n\u00e3o t\u00eam chance de ir ao segundo turno, ent\u00e3o esse \u00e9 um voto ideol\u00f3gico. Mas esse eleitor pode mudar de op\u00e7\u00e3o caso acredite que pode mudar a ordem no topo da pesquisa para ter uma op\u00e7\u00e3o no segundo turno\u201d, explica Peres.<\/p>\n<p>O cientista pol\u00edtico cita como exemplo de movimenta\u00e7\u00e3o do eleitorado de acordo com pesquisas as elei\u00e7\u00f5es municipais de 2016 em S\u00e3o Paulo. Nos \u00faltimos dias os institutos de pesquisa apontaram um crescimento do ent\u00e3o prefeito petista Fernando Haddad. Ent\u00e3o, analistas apontaram uma migra\u00e7\u00e3o e votos de outros candidatos em Jo\u00e3o D\u00f3ria (PSDB), que acabou vencendo no primeiro turno.<\/p>\n<p>&#8220;A rejei\u00e7\u00e3o ao PT na cidade era t\u00e3o grande que acredito que o crescimento dele nas pesquisas induziu eleitores de outros candidatos a evitar uma reviravolta, ent\u00e3o migraram para D\u00f3ria. Quando decide o voto, o eleitor decide que quer uma coisa, mas tamb\u00e9m decide que n\u00e3o quer v\u00e1rias coisas. Por isso, a vit\u00f3ria no primeiro turno n\u00e3o era esperada\u201d, conta Peres.<\/p>\n<p><strong>T\u00eate-\u00e0-t\u00eate ou por telefone<\/strong><\/p>\n<p>O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrou 147 milh\u00f5es de eleitores aptos nas elei\u00e7\u00f5es deste ano. Como ouvir e analisar a inten\u00e7\u00e3o de todas essas pessoas \u00e9 uma tarefa invi\u00e1vel, institutos de pesquisa delimitam um universo a ser apurado, como caracter\u00edsticas de sexo, cor, escolaridade e renda dos eleitores.<\/p>\n<p>A propor\u00e7\u00e3o da amostra a ser pesquisada deve ser igual \u00e0 dos 147 milh\u00f5es aptos pelo TSE. Por exemplo, se 52% dos eleitores brasileiros s\u00e3o mulheres, a mesma propor\u00e7\u00e3o de pessoas do sexo feminino deve estar representada nas entrevistas das pesquisas eleitorais.<\/p>\n<p>Os dois maiores institutos de pesquisa do Brasil, Ibope e Datafolha, fazem pesquisas presenciais, mas utilizam m\u00e9todos diferentes para chegar ao entrevistado. O Ibope manda os entrevistadores aos chamados &#8220;setores censit\u00e1rios\u201d para obter respostas. Esses setores s\u00e3o \u00e1reas definidas pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica), que usa esse m\u00e9todo na elabora\u00e7\u00e3o do Censo. J\u00e1 o Datafolha, para coletar respostas, encaminha os entrevistadores para &#8220;pontos de fluxo\u201d, locais de grande tr\u00e2nsito de pessoas nas cidades.<\/p>\n<p>As elei\u00e7\u00f5es deste ano ganharam um modelo novo de pesquisas no Brasil, o de question\u00e1rios feitos por telefone. Um rob\u00f4 liga aleatoriamente para um determinado n\u00famero de telefones, fixos e celulares, e registra dados pessoais dos entrevistados como CPF, sexo, cor e renda; em seguida o rob\u00f4 l\u00ea as perguntas. O m\u00e9todo \u00e9 bem mais barato tamb\u00e9m. Por telefone, uma pesquisa para coletar dados de 3 mil pessoas custa em m\u00e9dia R$ 60 mil. Em um levantamento presencial o valor gira em torno de R$ 400 mil.<\/p>\n<p>Mas a principal pol\u00eamica est\u00e1 na pergunta principal. Para escolher um candidato, pesquisas presenciais apresentam um cart\u00e3o circular com os nomes, assim o entrevistado n\u00e3o consegue ver os pol\u00edticos em uma lista com algu\u00e9m no topo, o que pode induzir a uma resposta. Por telefone os nomes s\u00e3o lidos em ordem alfab\u00e9tica. Al\u00e9m disso, o rob\u00f4 l\u00ea os oito primeiros nomes relacionando \u00e0s teclas de 1 a 8. Para ouvir os \u00faltimos cinco candidatos, o entrevistado precisa clicar no n\u00famero 9 para recome\u00e7ar a contagem. Ou seja, tem que haver um esfor\u00e7o extra do eleitor para &#8220;encontrar\u201d o seu candidato.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 consenso que esse tipo de pesquisa ainda precisa ser calibrado. H\u00e1 alguns ajustes estat\u00edsticos, at\u00e9 pelo n\u00famero e acesso a telefone no Brasil e pela distribui\u00e7\u00e3o da pir\u00e2mide brasileira. Justamente por isso os resultados s\u00e3o divergentes de pesquisas presenciais\u201d, afirma Pablo Ortellado.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Deutsche Welle Brasil &#8211; dispon\u00edvel na internet 24\/09\/2019<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como as altas taxas de rejei\u00e7\u00e3o dos candidatos \u00e0 Presid\u00eancia \u00e0 frente nas pesquisas e a propens\u00e3o de 40% do eleitorado a mudar de voto podem influenciar a reta final da campanha.\u00a0 Com as pesquisas eleitorais j\u00e1 indicando, a duas semanas do primeiro turno, dois nomes de polos opostos disputando a segunda rodada\u00a0das elei\u00e7\u00f5es presidenciais, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":29362,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[135],"tags":[],"class_list":{"0":"post-29361","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-clipping"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/elei%C3%A7%C3%B5es-2.jpg?fit=700%2C394&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29361","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29361"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29361\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media\/29362"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29361"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29361"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29361"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}