{"id":29376,"date":"2018-09-24T00:04:49","date_gmt":"2018-09-24T03:04:49","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=29376"},"modified":"2018-09-24T07:13:42","modified_gmt":"2018-09-24T10:13:42","slug":"as-licoes-para-a-educacao-do-pais-em-que-e-preciso-estudar-ate-4-anos-para-se-trabalhar-como-pedreiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2018\/09\/24\/as-licoes-para-a-educacao-do-pais-em-que-e-preciso-estudar-ate-4-anos-para-se-trabalhar-como-pedreiro\/","title":{"rendered":"As li\u00e7\u00f5es para a Educa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds em que \u00e9 preciso estudar at\u00e9 4 anos para se trabalhar como pedreiro"},"content":{"rendered":"<h6 class=\"story-body__h1\">Adriane Gischig foi \u00e0 Su\u00ed\u00e7a h\u00e1 18 anos, levada pela paix\u00e3o. No Brasil, ela cursava o quinto semestre da faculdade de\u00a0<a class=\"story-body__link\" href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/topics\/6942cb29-9d3f-4c9c-9806-0a0578c286d6\">Direito<\/a>\u00a0e planejava transferir os estudos para a Universidade de Basileia para ficar pr\u00f3xima do namorado. Os cr\u00e9ditos j\u00e1 cursados, por\u00e9m, n\u00e3o foram reconhecidos e a paulista se viu em uma encruzilhada: recome\u00e7ar a faculdade do zero ou buscar uma nova\u00a0<a class=\"story-body__link\" href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/topics\/ee4d5541-afdc-4511-9ba6-a42823b19429\">carreira<\/a>. Precisando conquistar sua independ\u00eancia financeira logo, ela optou por fazer a chamada &#8220;forma\u00e7\u00e3o de aprendizagem&#8221;, mais curta, com tr\u00eas anos de dura\u00e7\u00e3o, e entrar no mercado de trabalho.<\/h6>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<p>Entre aulas de alem\u00e3o, tubos de ensaio e microsc\u00f3pios, ela se reinventou como assistente de laborat\u00f3rio. O treinamento vocacional exigiu que ela trabalhasse e estudasse ao mesmo tempo, sob a tutela do sistema educacional p\u00fablico e do empregador, uma multinacional farmac\u00eautica.<\/p>\n<p>Durante a forma\u00e7\u00e3o, recebia um sal\u00e1rio mensal de cerca de mil francos su\u00ed\u00e7os (o equivalente a R$ 4,3 mil). Ao concluir, foi efetivada com ganhos na faixa de cinco mil francos su\u00ed\u00e7os (R$ 21,5 mil).<\/p>\n<p>&#8220;Aqui na Su\u00ed\u00e7a, se voc\u00ea fizer um curso t\u00e9cnico e se empregar, voc\u00ea ganha muito bem em compara\u00e7\u00e3o com o Brasil. N\u00e3o precisa ser p\u00f3s-graduado ou ter mestrado para viver com conforto&#8221;, diz.<\/p>\n<p>A casa com jardim, o carro e a possibilidade de viajar nas f\u00e9rias com os dois filhos s\u00e3o fatores de qualidade de vida que ela conquistou inicialmente com a forma\u00e7\u00e3o de aprendizagem e depois com aperfei\u00e7oamento.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s trabalhar como assistente de laborat\u00f3rio por mais de tr\u00eas anos, Adriane decidiu fazer um novo estudo. Com mais quatro anos e meio de dedica\u00e7\u00e3o, ela conseguiu se formar na Escola Superior de Administra\u00e7\u00e3o. Ao longo desse tempo, avan\u00e7ou na empresa, passando a agente de compras at\u00e9 chegar no departamento de finan\u00e7as, onde j\u00e1 est\u00e1 h\u00e1 seis anos.<\/p>\n<p>&#8220;Os su\u00ed\u00e7os n\u00e3o t\u00eam preconceito se um profissional n\u00e3o tem faculdade. Isso s\u00f3 existe no Brasil. N\u00e3o existe discrimina\u00e7\u00e3o justamente porque aqui todo mundo vive bem, independentemente de como voc\u00ea se formou&#8221;, diz, sem lamentar o sonho abdicado de se tornar advogada e reafirmando que n\u00e3o se arrepende de trocar a universidade pelo aprendizado t\u00e9cnico.<\/p>\n<p>&#8220;No Brasil, tenho v\u00e1rios amigos e colegas formados em Direito que n\u00e3o trabalham na \u00e1rea ou est\u00e3o desempregados&#8221;, pondera.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/112BF\/production\/_103553307_c634a303-1360-497e-ada9-b0b2c102c55c.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/112BF\/production\/_103553307_c634a303-1360-497e-ada9-b0b2c102c55c.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Crian\u00e7a em biblioteca na Sui\u00e7a\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Ensino na Sui\u00e7a \u00e9 compuls\u00f3rio do jardim de inf\u00e2ncia at\u00e9 a escola intermedi\u00e1ria; depois, sistema de forma\u00e7\u00e3o de aprendizagem \u00e9 escolhido por cerca de dois ter\u00e7os dos estudantes.\u00a0Direito de imagem\u00a0GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Educa\u00e7\u00e3o cont\u00ednua e porta para mercado<\/h2>\n<p>Na Su\u00ed\u00e7a o sistema de forma\u00e7\u00e3o de aprendizagem \u00e9 amplamente estimulado, e cerca de dois ter\u00e7os dos estudantes optam por esse caminho, que se segue aos 11 anos de ensino compuls\u00f3rio, come\u00e7ando no jardim de inf\u00e2ncia, passando pela escola fundamental at\u00e9 a intermedi\u00e1ria.<\/p>\n<p>Mais de 250 profiss\u00f5es est\u00e3o dispon\u00edveis por meio desse sistema de aprendizado, que propicia contato desde cedo com o mercado de trabalho. O tempo de forma\u00e7\u00e3o depende da carreira escolhida, mas o m\u00ednimo \u00e9 de dois anos, podendo chegar a quatro.<\/p>\n<p>Pelo sistema de forma\u00e7\u00e3o de aprendizagem s\u00e3o ensinadas ocupa\u00e7\u00f5es como padeiro, a\u00e7ougueiro, cozinheiro, vendedor, operador de m\u00e1quina, enfermeira, pintor, cabeleireiro, bombeiro e outros postos pr\u00e1ticos.<\/p>\n<p>A forma\u00e7\u00e3o profissionalizante serve n\u00e3o s\u00f3 como porta de entrada para o mercado de trabalho, como tamb\u00e9m \u00e9 base para uma educa\u00e7\u00e3o cont\u00ednua que pode se estender pela vida toda.<\/p>\n<p>As aulas s\u00e3o intercaladas com treinamento praticado em construtoras, supermercados, restaurantes, lojas, hospitais, laborat\u00f3rios e f\u00e1bricas. As empresas que no futuro contratar\u00e3o esses profissionais dividem com os governos local e nacional a responsabilidade pela implementa\u00e7\u00e3o do curr\u00edculo que foca em habilidades pr\u00e1ticas.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/0537\/production\/_103553310_aa0b487f-2e6a-45d1-8438-81e3e4e56c7c.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/0537\/production\/_103553310_aa0b487f-2e6a-45d1-8438-81e3e4e56c7c.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Supermercado\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Sistema de forma\u00e7\u00e3o de aprendizagem d\u00e1 curso profissionalizante de padeiro, a\u00e7ougueiro, cozinheiro, enfermeira, pintor e outros postos pr\u00e1ticos.\u00a0Direito de imagem\u00a0GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Os que concluem com sucesso recebem, normalmente, uma oferta de emprego da companhia onde treinaram e um diploma com validade nacional, o que os permite ter acesso a novos cursos, avan\u00e7ando na especializa\u00e7\u00e3o da \u00e1rea que escolheram.<\/p>\n<p>Se depois de formados os aprendizes quiserem mudar de profiss\u00e3o e seguir para um instituto superior polit\u00e9cnico ou ir \u00e0 universidade, \u00e9 poss\u00edvel, mas \u00e9 necess\u00e1rio fazer um rigoroso estudo complementar de transi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Profiss\u00f5es valorizadas e bons sal\u00e1rios<\/h2>\n<p>Os empregos de base que est\u00e3o acess\u00edveis por meio de aprendizagem despertam grande interesse porque garantem uma boa renda. Na m\u00e9dia, esses profissionais recebem por m\u00eas algo entre R$ 21.500 e R$ 25.850 (de 5 mil a 6 mil francos su\u00ed\u00e7os).<\/p>\n<p>Um pedreiro, por exemplo, ganha por m\u00eas na Su\u00ed\u00e7a, em m\u00e9dia, 5,5 mil francos (R$ 24 mil), um marceneiro, 5,1 mil francos (R$ 22,2 mil) e um mec\u00e2nico, 5,8 mil (R$ 24,9 mil). Nessas mesmas profiss\u00f5es, a m\u00e9dia salarial no Brasil \u00e9 de R$ 1.640 para pedreiros, R$ 1.550 para marceneiros e R$ 1.530 para mec\u00e2nicos de autom\u00f3veis.<\/p>\n<p>O curso b\u00e1sico de aprendizagem de forma\u00e7\u00e3o para pedreiro, marceneiro e mec\u00e2nico dura dois anos na Su\u00ed\u00e7a. \u00c9 poss\u00edvel tamb\u00e9m estudar por tr\u00eas a quatro anos e receber uma qualifica\u00e7\u00e3o avan\u00e7ada nessas profiss\u00f5es, o que garante um sal\u00e1rio ainda maior.<\/p>\n<p>O fato de os estudantes j\u00e1 estarem inseridos ativamente na economia faz com que a taxa de desemprego entre a popula\u00e7\u00e3o jovem da Su\u00ed\u00e7a seja de apenas 4%. Al\u00e9m disso, a evas\u00e3o escolar \u00e9 baixa, pois mais de 90% dos inscritos conseguem concluir com sucesso o programa.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/139CF\/production\/_103553308_b34d80a8-a01a-4e4d-8dfa-e4c3f95aa598.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/139CF\/production\/_103553308_b34d80a8-a01a-4e4d-8dfa-e4c3f95aa598.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Berna, na Sui\u00e7a\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Taxa de desemprego na popula\u00e7\u00e3o jovem da Su\u00ed\u00e7a \u00e9 de 4% e evas\u00e3o escolar \u00e9 baixa.\u00a0Direito de imagem\u00a0GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Universidade para poucos?<\/h2>\n<p>Stefan Wolter, professor de economia na universidade de Berna dedicado ao tema da Educa\u00e7\u00e3o, alerta que o excesso de pessoas com forma\u00e7\u00e3o superior leva n\u00e3o apenas ao desemprego, mas tamb\u00e9m deprecia o sal\u00e1rio dos que est\u00e3o ativos no mercado.<\/p>\n<p>Wolter desaconselha jovens com perfil acad\u00eamico fraco a buscarem obter um diploma universit\u00e1rio a qualquer custo, recorrendo a universidades pagas e sem credibilidade.<\/p>\n<p>&#8220;Nos Estados Unidos h\u00e1 pesquisas que mostraram que essas faculdades que s\u00f3 querem lucrar causam um impacto negativo. L\u00e1, na m\u00e9dia para cada ano a mais que voc\u00ea estuda, voc\u00ea ganha entre 8% e 10% a mais de sal\u00e1rio. Mas se voc\u00ea for para uma universidade sem prest\u00edgio, o impacto ser\u00e1 negativo mesmo assim. Voc\u00ea acabar\u00e1 acumulando d\u00edvidas do financiamento educacional&#8221;, alerta.<\/p>\n<p>O especialista destaca que a realidade da Su\u00ed\u00e7a \u00e9 bem diferente da do Brasil, em que h\u00e1 muito poucas alternativas \u00e0 universidade para o jovem que quer continuar a estudar, em busca de aprimoramento e melhores sal\u00e1rios.<\/p>\n<p>&#8220;No Brasil, a alternativa que se tem a ir \u00e0 universidade \u00e9 zero. Voc\u00ea n\u00e3o recebe nenhuma educa\u00e7\u00e3o decente se n\u00e3o for \u00e0 universidade&#8221;, diz.<\/p>\n<p>O economista argumenta que os brasileiros menos qualificados, que muitas vezes acumulam anos de d\u00e9ficit de aprendizagem ao longo da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, acabam se formando com notas sofr\u00edveis em institui\u00e7\u00f5es ruins e n\u00e3o conseguem se posicionar na sua profiss\u00e3o em um mercado de trabalho j\u00e1 saturado e muito competitivo. Para esses, teria sido melhor fazer um treinamento vocacional. &#8220;\u00c9 um desperd\u00edcio de capital humano&#8221;, lamenta Wolter.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Adultos qualificados<\/h2>\n<p>Na Su\u00ed\u00e7a, cursam uma aprendizagem profissionalizante cerca de 220 mil pessoas, a maior parte delas (205 mil) em curr\u00edculos de tr\u00eas ou quatro anos. Segundo a OCDE (Organiza\u00e7\u00e3o para o Desenvolvimento e Coopera\u00e7\u00e3o Econ\u00f4mica), a Su\u00ed\u00e7a \u00e9 um dos pa\u00edses com maior n\u00famero de adultos qualificados por meio de pr\u00e1tica profissionalizante na Europa.<\/p>\n<p>A for\u00e7a de trabalho do pa\u00eds (adultos de 25 a 65 anos) est\u00e1 dividida desta maneira: 12,6% s\u00f3 conclu\u00edram o ensino fundamental, 46,2% tem forma\u00e7\u00e3o profissionalizante secund\u00e1ria e 41,2% t\u00eam forma\u00e7\u00e3o avan\u00e7ada terci\u00e1ria, que inclui o ensino superior.<\/p>\n<p>A diretora do departamento de estat\u00edstica da UNESCO, a ag\u00eancia da ONU que lida com o tema da Educa\u00e7\u00e3o, explica que o grande desafio no mundo hoje \u00e9, antes de mais nada, garantir compet\u00eancias de base para que a educa\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria vocacional seja uma consequ\u00eancia natural. Segundo ela, h\u00e1 uma crise global no ensino prim\u00e1rio.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/EBAF\/production\/_103553306_b000a44d-aea7-436e-86ee-1d3023beb6a9.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/EBAF\/production\/_103553306_b000a44d-aea7-436e-86ee-1d3023beb6a9.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Professor em lousa de matem\u00e1tica\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">&#8216;No mundo todo 6 de cada 10 alunos n\u00e3o \u00e9 capaz de demonstrar o m\u00ednimo de conhecimentos em leitura e matem\u00e1tica&#8217;, diz diretora de estat\u00edstica da Unesco.\u00a0Direito de imagem\u00a0GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>&#8220;No mundo todo, 6 de cada 10 alunos n\u00e3o \u00e9 capaz de demonstrar o m\u00ednimo de conhecimentos em leitura e matem\u00e1tica. S\u00e3o 617 milh\u00f5es de crian\u00e7as iletradas. Imagine tr\u00eas vezes a popula\u00e7\u00e3o do Brasil sendo incapaz de ler e de demonstrar conhecimentos de matem\u00e1tica&#8221;, alerta.<\/p>\n<p>&#8220;Esse desperd\u00edcio de capital humano nos diz que colocar as crian\u00e7as em sala de aula \u00e9 apenas metade da luta. Agora o desafio \u00e9 garantir que toda crian\u00e7a em sala de aula esteja aprendendo as habilidades m\u00ednimas necess\u00e1rias para leitura e matem\u00e1tica&#8221;, diz a diretora do departamento de estat\u00edstica da UNESCO, Silvia Montoya.<\/p>\n<p>Pelos n\u00fameros da UNICEF, no caso do Brasil, h\u00e1 1,5 milh\u00e3o de crian\u00e7as e jovens fora das escolas. S\u00e3o 772 mil na educa\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria e 740 mil na educa\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria. \u00c9 para esse segundo grupo, os adolescentes em forma\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria, que o modelo su\u00ed\u00e7o serviria.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Jovens sem estudo no Brasil<\/h2>\n<p>Segundo dados do IBGE em 2017, havia cerca de 25,1 milh\u00f5es de pessoas de 15 a 29 anos de idade que n\u00e3o alcan\u00e7aram o ensino superior completo e n\u00e3o estavam nem estudando, nem se qualificando &#8211; os chamados &#8220;nem-nem&#8221;. Desse grupo, a maioria era homens (52,5%) e negros (64,2%).<\/p>\n<p>Os motivos mais frequentemente alegados para estarem longe dos estudos eram porque trabalhavam, procuravam trabalho ou conseguiram trabalho e come\u00e7ariam em breve (39,7%); n\u00e3o tinham interesse em estudar (20,1%); e tinham que cuidar dos afazeres dom\u00e9sticos ou de pessoas (11,9%).<\/p>\n<p>O professor Wolter acredita que esses jovens deveriam melhorar suas capacidades sem abrir m\u00e3o do trabalho, mas h\u00e1 uma &#8220;falta de coordena\u00e7\u00e3o&#8221; entre o mercado e as institui\u00e7\u00f5es de estudo. &#8220;\u00c9 um problema &#8216;ovo-galinha'&#8221;, que impede que o Brasil acumule m\u00e3o de obra de base com excel\u00eancia.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma falta de empresas com disponibilidade para investir e que poderiam sustentar um programa de treinamento qualificado ambicioso como o modelo su\u00ed\u00e7o, diagnostica Wolter. Ele recomenda que o governo atraia investidores da iniciativa privada internacional para tentar estimular uma transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No Brasil, o sistema de parceria entre empresas e governo existe dentro do programa Pronatec (Programa Nacional para o Acesso ao Ensino T\u00e9cnico e Emprego) e dos cursos FIC (Forma\u00e7\u00e3o Inicial Continuada). Para se formar em um curso de forma\u00e7\u00e3o continuada, o aluno brasileiro precisa atender apenas 350 horas de aulas, e no curso t\u00e9cnico, 800 horas.<\/p>\n<p>Na Su\u00ed\u00e7a, o m\u00ednimo \u00e9 de dois anos de estudo.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/2C47\/production\/_103553311_a590fe82-60ed-4080-93d4-503b42eb133c.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/2C47\/production\/_103553311_a590fe82-60ed-4080-93d4-503b42eb133c.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Pintor\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Na Su\u00ed\u00e7a, n\u00e3o h\u00e1 tanta discrep\u00e2ncia salarial entre pintores, pedreiros e outras profiss\u00f5es.\u00a0Direito de imagem\u00a0GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Qualidade e acesso a todos<\/h2>\n<p>Se no Brasil existe a preocupa\u00e7\u00e3o em evitar que o acesso ao ensino superior fique restrito \u00e0 elite, na Su\u00ed\u00e7a isso n\u00e3o \u00e9 um problema. L\u00e1, a qualidade da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica \u00e9 boa e rigorosa para ricos e pobres, que estudam nas mesmas escolas p\u00fablicas, explicam os especialistas.<\/p>\n<p>E \u00e9 durante os anos do ensino b\u00e1sico, com base em exames na 6\u00aa s\u00e9rie, que ocorre a sele\u00e7\u00e3o entre os que ir\u00e3o \u00e0 universidade. O sistema de avalia\u00e7\u00e3o premia n\u00e3o s\u00f3 os alunos brillhantes, mas tamb\u00e9m os muito disciplinados.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o ensino t\u00e9cnico n\u00e3o \u00e9 o fim dos estudos. Quem se forma em educa\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica pode mais tarde fazer um curso que leva de um a dois anos, chamado de &#8220;passarela&#8221;, para o ensino superior. Muitos optam por n\u00e3o fazer, no entanto, porque j\u00e1 t\u00eam um bom retorno financeiro com a profiss\u00e3o t\u00e9cnica.<\/p>\n<p>&#8220;Justamente porque o treinamento vocacional na Su\u00ed\u00e7a \u00e9 t\u00e3o bom, n\u00e3o h\u00e1 uma grande discrep\u00e2ncia salarial frente aos que possuem diplomas universit\u00e1rios. \u00c9 uma alternativa vi\u00e1vel, porque a qualidade do ensino \u00e9 praticamente quase t\u00e3o boa quanto de uma faculdade&#8221;, diz.<\/p>\n<p>A brasileira Adriane concorda: &#8220;\u00e9 uma forma\u00e7\u00e3o que me deu muito pra vida toda. Eu aprendi demais&#8221;.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Preparando profissionais do futuro?<\/h2>\n<p>Por outro lado, se o Brasil estimular excessivamente os cursos de aprendizado, poderia vir a sofrer um &#8220;apag\u00e3o&#8221; de universit\u00e1rios? O advogado e pol\u00edtico argentino Gustavo Beliz, que estuda o fen\u00f4meno da Quarta Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, diz que \u00e9 indispens\u00e1vel seguir investindo em profiss\u00f5es de n\u00edvel universit\u00e1rio.<\/p>\n<p>&#8220;A intelig\u00eancia artificial permitir\u00e1 a cria\u00e7\u00e3o de muitos empregos que ainda n\u00e3o existem, como especialistas em agricultura vertical, antropologistas do cyberespa\u00e7o, auditores da economia compartilhada. Temos que preparar as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es para esse novo mercado de trabalho.&#8221;<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/160DF\/production\/_103553309_d661de0e-1045-47df-825a-cbac7a91c73d.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/160DF\/production\/_103553309_d661de0e-1045-47df-825a-cbac7a91c73d.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Pessoas e telas - intelig\u00eancia artificial\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Para especialista, intelig\u00eancia artifical permitir\u00e1 a cria\u00e7\u00e3o de empregos que ainda n\u00e3o existem.\u00a0Direito de imagem\u00a0GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Mas, segundo ele, as mudan\u00e7as tecnol\u00f3gicas recentes geraram uma tend\u00eancia que \u00e9 justamente a intensifica\u00e7\u00e3o dos extremos, com aus\u00eancia de capacita\u00e7\u00e3o em n\u00edvel intermedi\u00e1rio.<\/p>\n<p>&#8220;As mudan\u00e7as no mercado de trabalho deram origem aos fen\u00f4menos de esvaziamento e polariza\u00e7\u00e3o, um processo atrav\u00e9s do qual o n\u00famero de empregos de alta e baixa qualifica\u00e7\u00e3o cresce com o tempo, enquanto o emprego de m\u00e9dia qualifica\u00e7\u00e3o diminui devido aos diferentes impactos das mudan\u00e7as tecnol\u00f3gicas&#8221;, explica.<\/p>\n<p>&#8220;Isso aponta para duas necessidades: primeiro, o sistema educacional precisa dar aos jovens as ferramentas necess\u00e1rias para entrar em um mercado de trabalho cada vez mais sofisticado. Segundo, ele precisa funcionar como um nivelador social, para evitar que a desigualdade e a fragmenta\u00e7\u00e3o social se tornem ainda mais intensas.&#8221;<\/p>\n<p>Beliz ressalta que os trabalhadores do futuro ter\u00e3o de focar principalmente nas &#8220;habilidades interpessoais&#8221; para n\u00e3o perder o emprego para as m\u00e1quinas, investindo em habilidades como a &#8220;intelig\u00eancia emocional, a empatia e a criatividade&#8221;.<\/p>\n<p>Justamente as profiss\u00f5es menos valorizadas no Brasil poderiam ganhar destaque no futuro da Quarta Revolu\u00e7\u00e3o Industrial. &#8220;A Am\u00e9rica Latina precisa come\u00e7ar a apostar no fator humano, no talento. Paix\u00e3o, comprometimento, sacrif\u00edcio, trabalho em equipe e criatividade. Essas s\u00e3o as \u00e1reas que superamos as m\u00e1quinas&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>&#8220;Precisamos preparar as novas gera\u00e7\u00f5es para esse novo mercado de trabalho que poder\u00e1 demandar tanto treinamento vocacional, quanto acad\u00eamico, porque n\u00f3s precisamos de ambos&#8221;, conclui.<\/p>\n<p><strong><span class=\"byline__name\">Cr\u00e9dito:Marina Wentzel d<\/span><span class=\"byline__title\">e Basileia (Su\u00ed\u00e7a) para a BBC Brasil &#8211; dispon\u00edvel na internet 24\/09\/2018<\/span><\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Adriane Gischig foi \u00e0 Su\u00ed\u00e7a h\u00e1 18 anos, levada pela paix\u00e3o. No Brasil, ela cursava o quinto semestre da faculdade de\u00a0Direito\u00a0e planejava transferir os estudos para a Universidade de Basileia para ficar pr\u00f3xima do namorado. Os cr\u00e9ditos j\u00e1 cursados, por\u00e9m, n\u00e3o foram reconhecidos e a paulista se viu em uma encruzilhada: recome\u00e7ar a faculdade do [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":29378,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[135],"tags":[],"class_list":{"0":"post-29376","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-clipping"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/pedreiro.jpg?fit=660%2C371&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29376","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29376"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29376\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media\/29378"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29376"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29376"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29376"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}