{"id":29549,"date":"2018-10-01T00:30:42","date_gmt":"2018-10-01T03:30:42","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=29549"},"modified":"2018-09-30T17:05:24","modified_gmt":"2018-09-30T20:05:24","slug":"o-decreto-federal-9-507-18-e-a-terceirizacao-na-administracao-primeiras-impressoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2018\/10\/01\/o-decreto-federal-9-507-18-e-a-terceirizacao-na-administracao-primeiras-impressoes\/","title":{"rendered":"O Decreto Federal 9.507\/18 e a terceiriza\u00e7\u00e3o na administra\u00e7\u00e3o: primeiras impress\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p class=\"authors\">A exist\u00eancia de normas que abordam a execu\u00e7\u00e3o indireta, mediante a contrata\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os por \u00f3rg\u00e3os e entidades da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, n\u00e3o \u00e9 novidade.<\/p>\n<div class=\"wysiwyg\">\n<p>O Decreto-Lei 200\/67<a title=\"\" href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2018-set-27\/interesse-publico-decreto-federal-950718-terceirizacao-administracao-publica?utm_source=dlvr.it&amp;utm_medium=facebook#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>, fruto de estudos desenvolvidos no \u00e2mbito da Comiss\u00e3o Especial de Estudos da Reforma Administrativa (Comestra), com vistas a redesenhar a administra\u00e7\u00e3o, j\u00e1 previa a execu\u00e7\u00e3o indireta, indicando a prefer\u00eancia pela terceiriza\u00e7\u00e3o para a execu\u00e7\u00e3o das atividades-meio.<\/p>\n<p>Assim, mesmo que \u00e0quela \u00e9poca a Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica n\u00e3o fizesse refer\u00eancia expressa ao princ\u00edpio da efici\u00eancia, e ainda que ambientado em cen\u00e1rio de administra\u00e7\u00e3o p\u00fabica burocr\u00e1tica, havia, e o decreto-lei assim bem simboliza<a title=\"\" href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2018-set-27\/interesse-publico-decreto-federal-950718-terceirizacao-administracao-publica?utm_source=dlvr.it&amp;utm_medium=facebook#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>, preocupa\u00e7\u00e3o com a otimiza\u00e7\u00e3o da fun\u00e7\u00e3o administrativa<a title=\"\" href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2018-set-27\/interesse-publico-decreto-federal-950718-terceirizacao-administracao-publica?utm_source=dlvr.it&amp;utm_medium=facebook#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>.<\/p>\n<p>Posteriormente, a terceiriza\u00e7\u00e3o foi objeto de leis e atos normativos, a ela se referindo indiretamente a Lei 8.666\/93 em diversos dispositivos, com destaque para os artigos 6\u00ba, VIII; 57, II, e 71.<\/p>\n<p>O Decreto Federal 2.271, de 7\/7\/1997, tamb\u00e9m cuidou da mat\u00e9ria, al\u00e9m da Instru\u00e7\u00e3o Normativa 5\/17, editada pelo Minist\u00e9rio do Planejamento, Desenvolvimento e Gest\u00e3o.<\/p>\n<p>O assunto volta \u00e0 pauta com a revoga\u00e7\u00e3o do referido ato normativo pelo Decreto Federal 9.507\/18, editado no \u00faltimo dia 21 de setembro, alvo de cr\u00edticas pelos que nele reconhecem abalo \u00e0 regra do concurso p\u00fablico, de matriz constitucional.<\/p>\n<p>Vejamos o que prev\u00ea o atual decreto em compara\u00e7\u00e3o com o decreto revogado. O olhar ser\u00e1 dirigido exclusivamente aos contornos e \u00e0 extens\u00e3o da terceiriza\u00e7\u00e3o ali admitida ou incentivada, coluna vertebral do ato normativo. A parte reservada ao teor e \u00e0 fiscaliza\u00e7\u00e3o dos contratos, praticamente inexistente no decreto revogado, merece um artigo exclusivo.<\/p>\n<p>O Decreto Federal 2.271\/97 alcan\u00e7ava a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica federal direta, aut\u00e1rquica e fundacional. Diversamente do decreto atual, seus tent\u00e1culos n\u00e3o envolviam as empresas estatais federais. A expans\u00e3o do alcance para empresas estatais reflete o cont\u00ednuo regramento dessas entidades, com evidente destaque para a Lei 13.303\/16.<\/p>\n<p>Segundo informa o Minist\u00e9rio do Planejamento<a title=\"\" href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2018-set-27\/interesse-publico-decreto-federal-950718-terceirizacao-administracao-publica?utm_source=dlvr.it&amp;utm_medium=facebook#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>, a pretens\u00e3o \u00e9 uniformizar a mat\u00e9ria em todo o \u00e2mbito federal. Se o intuito \u00e9 a disciplina padronizada, evitando, por exemplo, cl\u00e1usulas contratuais antag\u00f4nicas, enla\u00e7ar as empresas estatais federais \u00e9 crucial. Afinal, ali se detecta expressivo n\u00famero de terceiriza\u00e7\u00f5es, segundo apura\u00e7\u00e3o realizada pelo TCU. Deix\u00e1-las \u00e0 margem do decreto esvaziaria o esp\u00edrito uniformizador.<\/p>\n<p>A maior repulsa provocada pelo atual decreto estaria no alargamento da terceiriza\u00e7\u00e3o na administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica federal. Os diversos coment\u00e1rios dispon\u00edveis na internet rotulam o Decreto 9.507\/18 de inconstitucional por ofender a regra do concurso p\u00fablico de que cuida o artigo\u00a037, inciso II. Avaliam que o Decreto 9.507\/18 \u00e9 resultado do julgamento favor\u00e1vel \u00e0 terceiriza\u00e7\u00e3o da atividade-fim nas empresas pelo STF<a title=\"\" href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2018-set-27\/interesse-publico-decreto-federal-950718-terceirizacao-administracao-publica?utm_source=dlvr.it&amp;utm_medium=facebook#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>. Consideram que a aus\u00eancia do rol de atividades pass\u00edveis de terceiriza\u00e7\u00e3o sinaliza a irrelev\u00e2ncia da cl\u00e1ssica distin\u00e7\u00e3o entre atividade-fim e atividade-meio para delimitar a licitude da execu\u00e7\u00e3o indireta.<\/p>\n<p>O centro irradiador de preocupa\u00e7\u00e3o est\u00e1 nos artigos 1\u00ba e 2\u00ba, assim redigidos:<\/p>\n<p>Art. 1\u00ba Este Decreto disp\u00f5e sobre a execu\u00e7\u00e3o indireta, mediante contrata\u00e7\u00e3o, de servi\u00e7os da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica federal direta, aut\u00e1rquica e fundacional e das empresas p\u00fablicas e das sociedades de economia mista controladas pela Uni\u00e3o.<\/p>\n<p>Art. 2\u00ba Ato do Ministro de Estado do Planejamento, Desenvolvimento e Gest\u00e3o estabelecer\u00e1 os servi\u00e7os que ser\u00e3o preferencialmente objeto de execu\u00e7\u00e3o indireta mediante contrata\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Percebe-se que as regras atuais n\u00e3o qualificam as atividades pass\u00edveis de execu\u00e7\u00e3o indireta, nada aludindo a atividades-fim ou meio, e n\u00e3o enumeram ou exemplificam os servi\u00e7os objeto da contrata\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A compara\u00e7\u00e3o entre os atuais artigos 1\u00ba e 2\u00ba com o que dispunha o artigo\u00a01\u00ba do revogado Decreto 2.271\/97 revela a diferen\u00e7a redacional.<\/p>\n<p>Dizia a norma revogada:<\/p>\n<p>Art. 1\u00ba. No \u00e2mbito da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica Federal direta, aut\u00e1rquica e fundacional poder\u00e3o ser objeto de execu\u00e7\u00e3o indireta as atividades materiais acess\u00f3rias, instrumentais ou complementares aos assuntos que constituem \u00e1rea de compet\u00eancia legal do \u00f3rg\u00e3o ou entidade.<br \/>\n\u00a7 1\u00ba As atividades de conserva\u00e7\u00e3o, limpeza, seguran\u00e7a, vigil\u00e2ncia, transportes, inform\u00e1tica, copeiragem, recep\u00e7\u00e3o, reprografia, telecomunica\u00e7\u00f5es e manuten\u00e7\u00e3o de pr\u00e9dios, equipamentos e instala\u00e7\u00f5es ser\u00e3o, de prefer\u00eancia, objeto de execu\u00e7\u00e3o indireta.<\/p>\n<p>O antigo arigo\u00a01\u00ba era, pois, expl\u00edcito, afirmando o terreno em que a terceiriza\u00e7\u00e3o poderia ocorrer, prevendo-a para atividades materiais acess\u00f3rias, instrumentais ou complementares aos assuntos que constitu\u00edam a \u00e1rea de compet\u00eancia legal do \u00f3rg\u00e3o ou entidade, enquanto o seu par\u00e1grafo 1\u00ba, mesmo sem exaurir, indicava fun\u00e7\u00f5es em que a terceiriza\u00e7\u00e3o era n\u00e3o apenas acolhida, mas preferencial.<\/p>\n<p>De fato, a mudan\u00e7a sugere um poss\u00edvel alargamento do emprego da terceiriza\u00e7\u00e3o. N\u00e3o porque inexiste o elenco de servi\u00e7os que poderiam contar com m\u00e3o de obra externa, mesmo porque a lista do ato normativo anterior era exemplificativa, mas substancialmente diante da aus\u00eancia de refer\u00eancia \u00e0 natureza da atividade que poder\u00e1 ser objeto de contrata\u00e7\u00e3o. Some-se a isso o fato de que, a depender do conte\u00fado do ato a ser produzido pelo Ministro, a que se refere o artigo\u00a02\u00ba, a execu\u00e7\u00e3o indireta avan\u00e7ar\u00e1 para al\u00e9m do territ\u00f3rio habitual.<\/p>\n<p>A op\u00e7\u00e3o por nova reda\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser ignorada. N\u00e3o \u00e9 desproposital o desaparecimento da alus\u00e3o ao enquadramento da atividade.<\/p>\n<p>Sob esse \u00e2ngulo, compreende-se o rep\u00fadio que a norma tem provocado, partindo-se do pressuposto de que a mudan\u00e7a representaria um risco \u00e0 carreira p\u00fablica.<\/p>\n<p>Mas o Decreto 9.507\/18 repete o que j\u00e1 consta da Instru\u00e7\u00e3o Normativa 5\/17, repudiando a execu\u00e7\u00e3o indireta na administra\u00e7\u00e3o direta, aut\u00e1rquica e fundacional em casos que<a title=\"\" href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2018-set-27\/interesse-publico-decreto-federal-950718-terceirizacao-administracao-publica?utm_source=dlvr.it&amp;utm_medium=facebook#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>:<\/p>\n<ul>\n<li>envolvam a tomada de decis\u00e3o ou posicionamento institucional nas \u00e1reas de planejamento, coordena\u00e7\u00e3o, supervis\u00e3o e controle;<\/li>\n<li>sejam considerados estrat\u00e9gicos para o \u00f3rg\u00e3o ou a entidade, cuja terceiriza\u00e7\u00e3o possa colocar em risco o controle de processos e de conhecimentos e tecnologias;<\/li>\n<li>estejam relacionados ao poder de pol\u00edcia, de regula\u00e7\u00e3o, de outorga de servi\u00e7os p\u00fablicos e de aplica\u00e7\u00e3o de san\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>sejam inerentes \u00e0s categorias funcionais abrangidas pelo plano de cargos do \u00f3rg\u00e3o ou da entidade, exceto disposi\u00e7\u00e3o legal em contr\u00e1rio ou quando se tratar de cargo extinto, total ou parcialmente, no \u00e2mbito do quadro geral de pessoal. Essa restri\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m constava do decreto revogado<a title=\"\" href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2018-set-27\/interesse-publico-decreto-federal-950718-terceirizacao-administracao-publica?utm_source=dlvr.it&amp;utm_medium=facebook#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a>.<\/li>\n<\/ul>\n<p>N\u00e3o se obstaculiza, consoante prev\u00ea o par\u00e1grafo 1\u00ba do artigo\u00a03\u00ba, a execu\u00e7\u00e3o indireta dos servi\u00e7os auxiliares, instrumentais ou acess\u00f3rios relativos aos itens acima. Ou seja, pro\u00edbe-se a contrata\u00e7\u00e3o das atividades centrais, mas permite-se a entrega das tarefas sat\u00e9lites. Igualmente n\u00e3o h\u00e1 novidade, diante do que j\u00e1 informa a IN 5\/17.<\/p>\n<p>O par\u00e1grafo 2\u00ba do artigo\u00a03\u00ba, todavia, n\u00e3o autoriza a execu\u00e7\u00e3o indireta das atividades acess\u00f3rias relativas ao poder de pol\u00edcia. Nesse aspecto, a regra \u00e9 mais restritiva do que a constante da IN 5\/17.<\/p>\n<p>Assim, se por um lado os artigos 1\u00ba e 2\u00ba do novo decreto aumentam a inseguran\u00e7a sobre o que no futuro se desejar\u00e1 terceirizar, refor\u00e7am-se cen\u00e1rios em que isso n\u00e3o poder\u00e1 ocorrer.<\/p>\n<p>O decreto, todavia, disciplina de outra forma a contrata\u00e7\u00e3o pelas empresas estatais, dela cuidando o artigo 4\u00ba.<\/p>\n<p>O referido artigo, embora repita, em s\u00edntese, a proibi\u00e7\u00e3o da contrata\u00e7\u00e3o quando os servi\u00e7os desejados demandarem profissionais com atribui\u00e7\u00f5es inerentes aos cargos constantes dos planos de cargos e sal\u00e1rios, n\u00e3o a veda de forma absoluta.<\/p>\n<p>O par\u00e1grafo 3\u00ba afasta a restri\u00e7\u00e3o quando se tratar de cargo extinto ou em processo de extin\u00e7\u00e3o, reda\u00e7\u00e3o semelhante a do inciso IV do artigo\u00a03\u00ba, aplic\u00e1vel \u00e0 administra\u00e7\u00e3o direta, aut\u00e1rquica e fundacional, j\u00e1 comentado.<\/p>\n<p>Mas o que mais chama aten\u00e7\u00e3o \u00e9 a parte final do\u00a0<em>caput<\/em>\u00a0que estabelece que a veda\u00e7\u00e3o n\u00e3o persiste se contrariar os princ\u00edpios administrativos da efici\u00eancia, economicidade e razoabilidade, indicando como uma das hip\u00f3teses a impossibilidade de competir no mercado.<\/p>\n<p>Assim, n\u00e3o estaria vedada a execu\u00e7\u00e3o indireta, ainda que os servi\u00e7os ambicionados exigissem profissionais com atribui\u00e7\u00f5es inerentes aos cargos referenciados no plano de cargos e sal\u00e1rios, se a medida pudesse sacrificar a competitividade no mercado.<\/p>\n<p>De todos os dispositivos aqui citados, esse \u00e9 o que merece maior aten\u00e7\u00e3o porque o argumento da competitividade poder\u00e1 ser empregado para alavancar o esvaziamento dos empregos p\u00fablicos nas estatais, em especial considerando que o decreto n\u00e3o aparta as atividades entre centrais ou acess\u00f3rias.<\/p>\n<p>H\u00e1, sim, em especial no campo dessas empresas, um sinal de flexibiliza\u00e7\u00e3o no ar.<\/p>\n<p>Contudo, a aplica\u00e7\u00e3o do decreto dever\u00e1, por \u00f3bvio, observar a Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, que oferece um conjunto de normas, a remeter a um quadro de trabalhadores pr\u00f3prio. N\u00e3o sem raz\u00e3o a Constitui\u00e7\u00e3o menciona os servidores estatut\u00e1rios e os empregados p\u00fablicos. Vale dizer, a Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica prev\u00ea a exist\u00eancia de v\u00ednculo direto com os trabalhadores, observado, como regra, o disposto no artigo\u00a037, inciso II.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m importante considerar que a decis\u00e3o do STF sobre a constitucionalidade da terceiriza\u00e7\u00e3o de atividade-fim n\u00e3o se debru\u00e7ou sobre as peculiaridades da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Da\u00ed n\u00e3o ser poss\u00edvel concluir, apoiando-se na ADPF, pela regularidade da contrata\u00e7\u00e3o de atividade-fim no \u00e2mbito da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n<p>Claro que n\u00e3o se pode desconsiderar o voto do ministro Gilmar Mendes que menciona a dificuldade de se diferenciar a atividade-meio da atividade-fim. Mas, salvo melhor ju\u00edzo, os demais argumentos apresentados pelos ministros para afirmar a constitucionalidade se aplicam ao campo privado, sendo imprest\u00e1veis para a esfera p\u00fablica em especial diante das diversas regras peculiares a esse setor.<\/p>\n<p>Assim, ainda que se insista em elastecer a terceiriza\u00e7\u00e3o, quer nos parecer que o potencial do decreto esbarar\u00e1 na muralha da Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica. Bom, pelo menos at\u00e9 um pronunciamento em sentido contr\u00e1rio pelo STF.<\/p>\n<div>\n<hr size=\"1\" \/>\n<div id=\"ftn1\">\n<p><a title=\"\" href=\"\/Users\/andressa.taffarel\/Downloads\/conjur%20terceirizacao.doc#_ftnref1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a>\u00a0Art. 10. A execu\u00e7\u00e3o das atividades da Administra\u00e7\u00e3o Federal dever\u00e1 ser amplamente descentralizada: [&#8230;]<br \/>\n\u00a77\u00ba Para melhor desincumbir-se das tarefas de planejamento, coordena\u00e7\u00e3o, supervis\u00e3o e controle, e com o objetivo de impedir o crescimento desmesurado da m\u00e1quina administrativa,\u00a0<u>a Administra\u00e7\u00e3o procurar\u00e1 desobrigar-se da realiza\u00e7\u00e3o material de tarefas executivas, recorrendo, sempre que poss\u00edvel, \u00e0 execu\u00e7\u00e3o indireta, mediante contrato, desde que exista, na \u00e1rea, iniciativa privada suficientemente desenvolvida e capacitada a desempenhar os encargos da execu\u00e7\u00e3o<\/u>. (grifos nossos)<br \/>\n<a title=\"\" href=\"\/Users\/andressa.taffarel\/Downloads\/conjur%20terceirizacao.doc#_ftnref2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a>\u00a0A an\u00e1lise do decreto-lei deve considerar o momento de sua edi\u00e7\u00e3o e o perfil de administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica ali delineado.<br \/>\n<a title=\"\" href=\"\/Users\/andressa.taffarel\/Downloads\/conjur%20terceirizacao.doc#_ftnref3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a>\u00a0Entendemos que a busca por efici\u00eancia n\u00e3o caracteriza apenas o modelo gerencial de administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica. O que h\u00e1 s\u00e3o oscila\u00e7\u00f5es do que seria efici\u00eancia, ora compreendendo-se o procedimento como instrumento bastante para o alcance do resultado; ora entendendo necess\u00e1ria a flexibilidade lit\u00fargica.<br \/>\n<a title=\"\" href=\"\/Users\/andressa.taffarel\/Downloads\/conjur%20terceirizacao.doc#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a>\u00a0<a href=\"http:\/\/www.planejamento.gov.br\/noticias\/ultimas-noticias\/decreto-uniformiza-procedimentos-na-contratacao-de-terceirizados-no-executivo-federal\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.planejamento.gov.br\/noticias\/ultimas-noticias\/decreto-uniformiza-procedimentos-na-contratacao-de-terceirizados-no-executivo-federal<\/a><br \/>\n<a title=\"\" href=\"\/Users\/andressa.taffarel\/Downloads\/conjur%20terceirizacao.doc#_ftnref5\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a>\u00a0ADPF 324<br \/>\n<a title=\"\" href=\"\/Users\/andressa.taffarel\/Downloads\/conjur%20terceirizacao.doc#_ftnref6\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a>\u00a0A conferir a equival\u00eancia entre o artigo\u00a09\u00ba da IN5\/17 e o artigo\u00a03\u00ba do Decreto 9.507\/18<br \/>\n<a title=\"\" href=\"\/Users\/andressa.taffarel\/Downloads\/conjur%20terceirizacao.doc#_ftnref7\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a>\u00a0Artigo\u00a01\u00ba, par\u00e1grafo\u00a02\u00ba.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_29550\" aria-describedby=\"caption-attachment-29550\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/cristiana-fortini.png\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-29550 size-medium\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/cristiana-fortini.png?resize=300%2C158\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"158\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/cristiana-fortini.png?resize=300%2C158&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/cristiana-fortini.png?w=600&amp;ssl=1 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-29550\" class=\"wp-caption-text\">Cristiana Fortini\u00a0&#8211; advogada, professora da Universidade Federal de Minas Gerais e ex-controladora-geral e ex-procuradora-geral-adjunta de Belo Horizonte. Tem p\u00f3s-doutorado na Universidade George Washington (EUA).<\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"about\"><strong>Cr\u00e9dito : Cristiana Fortini \/Revista\u00a0Consultor Jur\u00eddico &#8211; dispon\u00edvel na internet 01\/10\/2018<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A exist\u00eancia de normas que abordam a execu\u00e7\u00e3o indireta, mediante a contrata\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os por \u00f3rg\u00e3os e entidades da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, n\u00e3o \u00e9 novidade. O Decreto-Lei 200\/67[1], fruto de estudos desenvolvidos no \u00e2mbito da Comiss\u00e3o Especial de Estudos da Reforma Administrativa (Comestra), com vistas a redesenhar a administra\u00e7\u00e3o, j\u00e1 previa a execu\u00e7\u00e3o indireta, indicando a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":10633,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[133],"tags":[],"class_list":{"0":"post-29549","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-destaques"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/precarizacao.jpg?fit=450%2C350&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29549","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29549"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29549\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10633"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29549"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29549"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29549"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}