{"id":29574,"date":"2018-10-01T04:43:46","date_gmt":"2018-10-01T07:43:46","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=29574"},"modified":"2018-10-01T04:43:46","modified_gmt":"2018-10-01T07:43:46","slug":"triplica-grupo-de-jovens-que-nao-estudam-nao-trabalham-nem-buscam-emprego","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2018\/10\/01\/triplica-grupo-de-jovens-que-nao-estudam-nao-trabalham-nem-buscam-emprego\/","title":{"rendered":"Triplica grupo de jovens que n\u00e3o estudam, n\u00e3o trabalham nem buscam emprego"},"content":{"rendered":"<div class=\"corpo novo inicio large-16 columns inicio paywalled-content\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"large-16 columns\">\n<div class=\"head-materia\">\n<div class=\"resumo-capitulos\">\n<p>Moradora de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, Vit\u00f3ria Cam\u00f5es, de 21 anos, esteve muito perto do sonho de se tornar arquiteta. Conseguiu bolsa integral e chegou a frequentar uma semana de aulas, no in\u00edcio deste ano. Mas esbarrou na falta de dinheiro para o transporte at\u00e9 a faculdade, na Zona Norte do Rio, e o material para as aulas. Para estudar, precisa trabalhar. T\u00e9cnica em design de interiores, n\u00e3o consegue uma vaga porque n\u00e3o tem experi\u00eancia. De tanto ouvir \u201cn\u00e3o\u201d, desistiu de procurar emprego e de estudar.<\/p>\n<p>\u2014 Em todo lugar que deixava curr\u00edculo, perguntavam se eu tinha experi\u00eancia. Esse \u00e9 o maior obst\u00e1culo. Pedem experi\u00eancia a algu\u00e9m que nunca trabalhou antes \u2014 reclama Vit\u00f3ria, cuja fam\u00edlia, composta por quatro pessoas, tem renda de R$ 1.500 mensais.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"row\">\n<div class=\"large-16 columns\">\n<div class=\"capituloPage corpo novo large-16 columns\">\n<h2 class=\"no-border\">FUTURO COMPROMETIDO<\/h2>\n<div class=\"foto\">\n<figure>\n<p><figure style=\"width: 700px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ogimg.infoglobo.com.br\/in\/23113459-ec9-321\/FT1086A\/420\/x79056844_ECRio-de-Janeiro-RJ-26-09-2018Jovens-desempregadosJovens-sAo-considerados-a.jpg.pagespeed.ic.0mqiSZmkLf.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ogimg.infoglobo.com.br\/in\/23113459-ec9-321\/FT1086A\/420\/x79056844_ECRio-de-Janeiro-RJ-26-09-2018Jovens-desempregadosJovens-sAo-considerados-a.jpg.pagespeed.ic.0mqiSZmkLf.jpg?resize=696%2C418&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"696\" height=\"418\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Vit\u00f3ria Cam\u00f5es, 21 anos, precisa de um emprego para se manter na faculdade. Mas, de tanto ouvir &#8220;n\u00e3o&#8221;, desistiu de procurar vagas e teve de trancar o curso\u00a0&#8211; Pedro Teixeira \/ Ag\u00eancia O Globo<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<\/div>\n<p>O desalento, condi\u00e7\u00e3o em que desempregados desistem de buscar uma vaga, \u00e9 maior entre os jovens, que enfrentam taxa de desemprego mais alta que a m\u00e9dia, mas cresceu especialmente entre pessoas como Vit\u00f3ria. O n\u00famero de jovens que n\u00e3o estudam, n\u00e3o trabalham e nem procuram emprego triplicou desde o in\u00edcio da crise econ\u00f4mica, h\u00e1 quatro anos. Depois do m\u00ednimo hist\u00f3rico em meados de 2014, os \u201cnem-nem-nem\u201d saltaram de 445 mil para quase 1,4 milh\u00e3o de pessoas de 15 a 29 anos em junho deste ano. O levantamento foi feito pela consultoria IDados, com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua do IBGE.<\/p>\n<p>Carlos Corseuil, pesquisador do Ipea que estuda o tema, lembra que, historicamente, os jovens s\u00e3o os primeiros a serem demitidos em crises econ\u00f4micas devido \u00e0 pouca experi\u00eancia. E t\u00eam mais dificuldades de achar uma vaga. O pesquisador teme pelo futuro desses jovens. Quanto mais tempo ficam fora do mercado de trabalho e da educa\u00e7\u00e3o formal, mais ter\u00e3o seu capital humano depreciado, dificultando a inser\u00e7\u00e3o profissional e comprometendo sua renda. Ruim tamb\u00e9m para a economia do pa\u00eds, que abre m\u00e3o do que deveria ser a principal for\u00e7a de trabalho para sustentar crescimento econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>\u2014 S\u00e3o brasileiros que talvez nunca atingir\u00e3o seu pico de produtividade, que geralmente ocorre entre os 35 e 40 anos de idade \u2014 diz o economista do Ipea.<\/p>\n<p>Para Bruno Ottoni, pesquisador do IDados, o alto desemprego desestimula a procura:<\/p>\n<p>\u2014 No ano passado tivemos crescimento econ\u00f4mico, mas ainda estamos saindo da crise em um ritmo lento, com pouca gera\u00e7\u00e3o de empregos.<\/p>\n<p>No segundo trimestre de 2018, a taxa de desemprego no grupo de 18 a 24 anos estava em 26,6% \u2014 mais que o dobro da m\u00e9dia geral do pa\u00eds no mesmo per\u00edodo (12,4%). Isso ajuda a explicar porque muitos jovens que desistiram de procurar emprego n\u00e3o avan\u00e7aram na escola al\u00e9m do ensino m\u00e9dio, observa a economista do Ipea Maria Andr\u00e9ia Parente:<\/p>\n<p>\u2014 Muitos deles usavam os rendimentos para pagar os estudos. Sem emprego, param de estudar. O efeito seguinte, diante da dificuldade de se reinserir, \u00e9 parar de procurar trabalho, j\u00e1 que boa parte ainda n\u00e3o \u00e9 chefe de fam\u00edlia.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"capituloPage corpo novo large-16 columns\">\n<h2>FALTAM CRECHES<\/h2>\n<div class=\"foto\">\n<figure>\n<p><figure style=\"width: 700px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ogimg.infoglobo.com.br\/in\/23113523-5a9-605\/FT1086A\/420\/x79101542_EC-Rio-de-Janeiro-RJ-28-09-2018-Jovens-que-nAo-estudam-trabalham-e-no-momento-tambAm.jpg.pagespeed.ic.s5hh3iW2xY.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ogimg.infoglobo.com.br\/in\/23113523-5a9-605\/FT1086A\/420\/x79101542_EC-Rio-de-Janeiro-RJ-28-09-2018-Jovens-que-nAo-estudam-trabalham-e-no-momento-tambAm.jpg.pagespeed.ic.s5hh3iW2xY.jpg?resize=696%2C418&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"696\" height=\"418\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Leonardo Menezes, 24 anos, n\u00e3o estuda e parou de procurar trabalho porque tem de cuidar do filho Heitor, 3. Ele e a esposa, empregada, n\u00e3o conseguem creche\u00a0&#8211; Roberto Moreyra \/ Ag\u00eancia O Globo<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<\/div>\n<p>Para os que j\u00e1 t\u00eam a responsabilidade de manter uma casa, outros fatores contribuem para o desalento, como a falta de creches. Depois de muitas tentativas frustradas de arrumar emprego, Leonardo Menezes, de 24 anos, decidiu ficar em casa h\u00e1 dois meses, quando sua mulher conseguiu um trabalho como promotora de vendas, depois de tamb\u00e9m ficar muito tempo parada. Como n\u00e3o encontram vaga em creche p\u00fablica para o filho Heitor, de 3 anos, \u00e9 ele quem cuida da crian\u00e7a. \u00c9 uma maneira de ajudar a mulher a manter a \u00fanica renda da fam\u00edlia, que mora em Vargem Grande, com mais tr\u00eas familiares. A situa\u00e7\u00e3o financeira sempre foi um empecilho para ele fazer um curso superior.<\/p>\n<p>\u2014 Parei de procurar emprego porque n\u00e3o conseguimos creche, e o Heitor ainda \u00e9 muito pequeno. Mas n\u00e3o mudou muita coisa porque eu j\u00e1 estava h\u00e1 dois anos sem conseguir trabalho. Isso d\u00e1 uma desanimada significativa. Sempre vai ter algu\u00e9m com algo a mais no curr\u00edculo \u2014 conta o jovem, que terminou o ensino m\u00e9dio h\u00e1 seis anos e s\u00f3 tem experi\u00eancia at\u00e9 agora como estoquista.<\/p>\n<p>As consequ\u00eancias dessa din\u00e2mica v\u00e3o al\u00e9m da economia, ressalta Daniel Barros, consultor de pol\u00edticas p\u00fablicas e autor do livro \u201cPa\u00eds mal educado\u201d. Ele aponta que apenas 52% dos brasileiros de 19 anos terminaram o ensino m\u00e9dio. Muitos abandonam a escola. Outros sequer se matriculam.<\/p>\n<p>\u2014 Temos a\u00ed um grave problema de cidadania. S\u00e3o pessoas que ter\u00e3o dificuldades de tomar decis\u00f5es corretas. Al\u00e9m disso, como ter\u00e3o menos oportunidades, ficar\u00e3o mais suscet\u00edveis \u00e0 criminalidade, como indicam diversos estudos. A educa\u00e7\u00e3o precisa ser uma agenda priorit\u00e1ria \u2014 defende o especialista.<\/p>\n<p>Muitos jovens param de estudar para trabalhar, mas, sem instru\u00e7\u00e3o, as dificuldades para conseguir trabalho aumentam. A baixa qualidade do ensino tamb\u00e9m \u00e9 preocupante. Priscila Cruz, presidente executiva do Todos Pela Educa\u00e7\u00e3o, observa que avalia\u00e7\u00f5es internacionais mostram que os alunos brasileiros classificados entre os 10% melhores t\u00eam o mesmo conhecimento dos 10% piores do Vietn\u00e3:<\/p>\n<p>\u2014 O jovem que n\u00e3o aprende ter\u00e1 ainda mais dificuldades de conseguir emprego. A maior parte das sele\u00e7\u00f5es exige prova, preenchimento de ficha, envio de reda\u00e7\u00f5es. Restar\u00e1 o mercado informal, que \u00e9 muito vol\u00e1til e inst\u00e1vel.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"capituloPage corpo novo large-16 columns\">\n<h2 class=\"no-border\">&#8216;Ser\u00e1 que v\u00e3o dar uma vaga para mim?&#8217;<\/h2>\n<div class=\"foto\">\n<figure>\n<p><figure style=\"width: 700px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ogimg.infoglobo.com.br\/in\/23113463-ba8-d9e\/FT1086A\/420\/x79059075_EN-ItaguaA_-RJ-26-09-2018-Nos-Altinos-quatro-anos-o-nAmero-de-jovens-que-nAo-estuda.jpg.pagespeed.ic.lQ3oQ9_oQ0.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ogimg.infoglobo.com.br\/in\/23113463-ba8-d9e\/FT1086A\/420\/x79059075_EN-ItaguaA_-RJ-26-09-2018-Nos-Altinos-quatro-anos-o-nAmero-de-jovens-que-nAo-estuda.jpg.pagespeed.ic.lQ3oQ9_oQ0.jpg?resize=696%2C418&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"696\" height=\"418\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Com a maternidade, Brenda Teixeira, 21 anos, teve de largar os estudos e n\u00e3o consegue trabalho. Desistiu de procurar vaga h\u00e1 mais de ano\u00a0&#8211; Roberto Moreyra \/ Ag\u00eancia O Globo<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<\/div>\n<p>Mulheres jovens com baixa escolaridade s\u00e3o as que mais desistem de procurar emprego, mostra outro estudo, divulgado recentemente pelo Ipea. Entre as principais causas da maior vulnerabilidade desse grupo ao desalento est\u00e1 a maternidade precoce, aponta Maria Andr\u00e9ia Parente, economista do instituto de pesquisas.<\/p>\n<p>Brenda Salgado Dariux Teixeira, de 21 anos, casou-se aos 15 e teve a primeira filha, Sophia, aos 17, quando cursava o terceiro ano do ensino m\u00e9dio em Itagua\u00ed, onde mora. Os enjoos frequentes, nos primeiros meses de gravidez, impediram Brenda de concluir os estudos e fizeram ela perder o primeiro emprego, como atendente de uma loja.<\/p>\n<p>\u2014 Eu estava nos tr\u00eas primeiros meses de experi\u00eancia, e o dono da loja me demitiu assim que soube da gravidez \u2014 conta Brenda.<\/p>\n<p>Quando Sophia cresceu um pouco, ela voltou ao mercado de trabalho, dessa vez num restaurante, mas bastou a filha ficar internada por uma semana por causa de uma pneumonia para ela perder o emprego de novo. Os patr\u00f5es n\u00e3o compreenderam a necessidade que teve de se ausentar. Ela ent\u00e3o engravidou de novo, dessa vez de g\u00eameas. As portas se fecharam de vez, diz ela:<\/p>\n<p>\u2014 As entrevistas se tornaram interrogat\u00f3rios sobre o que eu faria com as meninas em v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es. Por causa delas, vejo que ningu\u00e9m me emprega. Ainda bem que meu marido sempre trabalhou \u2014 diz a jovem, que desistiu da busca h\u00e1 mais de um ano e ainda n\u00e3o sabe como concluir\u00e1 o ensino m\u00e9dio.<\/p>\n<p>Mec\u00e2nico, o marido de Brenda tem planos de abrir a pr\u00f3pria oficina. Para isso, tem pedido a ela para voltar a procurar emprego. Ao menos um dos dois precisa ter renda fixa enquanto a pequena empresa se consolida. Mas nem assim ela se anima a voltar \u00e0 rotina de curr\u00edculos, filas e processos seletivos:<\/p>\n<p>\u2014 J\u00e1 disse para ele que n\u00e3o adianta eu tentar. Com tanto homem sem filho desempregado, ser\u00e1 que v\u00e3o dar emprego para mim?<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"capituloPage corpo novo large-16 columns\">\n<h2>&#8216;Emprego deve ser conciliado com escola&#8217;<\/h2>\n<div class=\"foto\">\n<figure>\n<p><figure style=\"width: 700px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ogimg.infoglobo.com.br\/in\/23113479-487-7c9\/FT1086A\/420\/xanna_cunha.jpg.pagespeed.ic.4kIqURrgnq.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ogimg.infoglobo.com.br\/in\/23113479-487-7c9\/FT1086A\/420\/xanna_cunha.jpg.pagespeed.ic.4kIqURrgnq.jpg?resize=696%2C418&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"696\" height=\"418\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">A oficial de programa do Fundo de Popula\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, Anna Cunha\u00a0&#8211; DIVULGA\u00c7\u00c3O\/ONU<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<\/div>\n<p>Oficial de programa do Fundo de Popula\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, Anna Cunha, avalia que, mais que a motiva\u00e7\u00e3o, \u00e9 a falta de oportunidades que leva jovens sem trabalho a n\u00e3o estudar nem procurar emprego.<\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 o peso da crise sobre o aumento desse grupo?<\/strong><\/p>\n<p>Em contextos de crise econ\u00f4mica, especialmente nos pa\u00edses em que as pol\u00edticas de juventude n\u00e3o se encontram fortalecidas, jovens podem se deparar com mais dificuldades para fazer uma transi\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel e produtiva da adolesc\u00eancia para a idade adulta.<\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 o impacto dessa condi\u00e7\u00e3o sobre suas vidas?<\/strong><\/p>\n<p>Jovens sem emprego deixam de acumular experi\u00eancia e tendem a aceitar trabalhos piores, na informalidade. Os que est\u00e3o nos n\u00edveis mais baixos de renda ou em situa\u00e7\u00f5es de vulnerabilidade s\u00e3o ainda mais afetados, pois n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de romper com o ciclo intergeracional de pobreza e desigualdade.<\/p>\n<p><strong>O que leva esse jovem a entrar no desalento?<\/strong><\/p>\n<p>Quando um jovem n\u00e3o estuda nem trabalha, isso est\u00e1 mais relacionado \u00e0 falta de pol\u00edticas p\u00fablicas de educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e trabalho do que a aspectos individuais, como motiva\u00e7\u00e3o. A maioria dos jovens quer ter a oportunidade de se dedicar aos estudos e trabalhar para ter renda.<\/p>\n<p><strong>Por que o desalento atinge mais meninas jovens?<\/strong><\/p>\n<p>Nessa quest\u00e3o, o g\u00eanero \u00e9 um fator que tem grande peso. Segundo o IBGE, elas s\u00e3o maioria nas estat\u00edsticas de jovens que est\u00e3o sem estudar e sem trabalho remunerado. E, entre elas, a maior parte tem ao menos um filho e dedica muitas horas \u2014 muito mais do que os homens da mesma faixa et\u00e1ria \u2014 aos cuidados da casa e do lar, que \u00e9 um trabalho n\u00e3o remunerado.<\/p>\n<p><strong>O que pode ser feito para mudar essa realidade?<\/strong><\/p>\n<p>Pol\u00edticas p\u00fablicas precisam garantir mais e melhor educa\u00e7\u00e3o, e que o primeiro emprego possa ser conciliado com a perman\u00eancia na escola ou faculdade. \u00c9 preciso focar nas popula\u00e7\u00f5es mais vulner\u00e1veis: favorecer a empregabilidade de jovens m\u00e3es, jovens rurais, de periferias, ind\u00edgenas. E tamb\u00e9m combinar isso com pol\u00edticas que ajudem a evitar a gravidez n\u00e3o intencional, com creche e atendimento \u00e0 primeira inf\u00e2ncia de qualidade e com servi\u00e7os dignos de cuidados para os idosos para aliviar o peso dom\u00e9stico que recai sobre as mulheres.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Daiane Costa e Barbara N\u00f3brega(estagi\u00e1ria sob supervis\u00e3o de Alexandre Rodrigues)\/ O Globo &#8211; dispon\u00edvel na internet 01\/10\/2018<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Moradora de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, Vit\u00f3ria Cam\u00f5es, de 21 anos, esteve muito perto do sonho de se tornar arquiteta. Conseguiu bolsa integral e chegou a frequentar uma semana de aulas, no in\u00edcio deste ano. 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