{"id":29648,"date":"2018-10-04T00:08:13","date_gmt":"2018-10-04T03:08:13","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=29648"},"modified":"2018-10-03T19:55:17","modified_gmt":"2018-10-03T22:55:17","slug":"eleicoes-2018-voto-util-abstencoes-e-outros-tres-fatores-que-podem-ser-decisivos-na-reta-final","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2018\/10\/04\/eleicoes-2018-voto-util-abstencoes-e-outros-tres-fatores-que-podem-ser-decisivos-na-reta-final\/","title":{"rendered":"Elei\u00e7\u00f5es 2018: Voto \u00fatil, absten\u00e7\u00f5es e outros tr\u00eas fatores que podem ser decisivos na reta final"},"content":{"rendered":"<p class=\"story-body__introduction\">Faltando menos de uma semana para que 140 milh\u00f5es de brasileiros escolham seu\u00a0pr\u00f3ximo presidente\u00a0em um pleito fragmentado e polarizado, ainda h\u00e1 alguns fatores que podem influenciar a decis\u00e3o final do eleitor, segundo analistas.<\/p>\n<p>A BBC News Brasil reuniu dados das mais recentes pesquisas e ouviu especialistas para entender quais seriam estes elementos.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">1 &#8211; Prefer\u00eancia ou &#8216;voto \u00fatil&#8217;?<\/h2>\n<p>A pesquisa do Ibope de 26 de setembro questionou os entrevistados a respeito do chamado &#8220;voto \u00fatil&#8221; &#8211; a possibilidade de o eleitor deixar de votar no candidato de sua prefer\u00eancia para votar em outro que considere mais competitivo contra um terceiro.<\/p>\n<p>E 28% dos entrevistados naquela ocasi\u00e3o afirmaram que essa probabilidade era alta ou muito alta.<\/p>\n<p>Essa porcentagem \u00e9 semelhante \u00e0s inten\u00e7\u00f5es de voto do l\u00edder da pesquisa, Jair Bolsonaro (PSL), e supera a do segundo colocado, Fernando Haddad (PT).<\/p>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/175B4\/production\/_103686659_planalto.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/175B4\/production\/_103686659_planalto.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Pal\u00e1cio do Planalto\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Pal\u00e1cio do Planalto &#8211; Como a absten\u00e7\u00e3o \u00e0s urnas, rejei\u00e7\u00e3o e voto \u00fatil podem influenciar o rumo das elei\u00e7\u00f5es?\u00a0Direito de imagem\u00a0VALTER CAMPANATO\/AG\u00caNCIA BRASIL<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Segundo a pesquisa, 10% dos eleitores de Bolsonaro, 17% dos de Haddad, 21% dos de Ciro Gomes (PDT) e 14% dos de Alckmin admitiam a possibilidade de mudar sua escolha nas urnas para fazer voto \u00fatil.<\/p>\n<p>&#8220;J\u00e1 tivemos alguns casos memor\u00e1veis de voto \u00fatil (mudando o rumo de elei\u00e7\u00f5es), por exemplo em 1988, quando Luiza Erundina ganhou a prefeitura de S\u00e3o Paulo com o voto \u00fatil contra Paulo Maluf, em 1998, quando Mario Covas ia mal nas pesquisas (para governador de S\u00e3o Paulo), mas recebeu o voto de v\u00e1rios eleitores que abandonaram Marta Suplicy e foi eleito em segundo turno&#8221;, explica \u00e0 BBC News Brasil o cientista pol\u00edtico Carlos Melo, professor do Insper.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape no-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/604B\/production\/_97415642_007_in_numbers_624.png?resize=624%2C1&#038;ssl=1\" alt=\"Presentational white space\" width=\"624\" height=\"1\" \/><\/span><\/figure>\n<p>No entanto, diz Melo, a grande d\u00favida \u00e9 o quanto a atual volatilidade pode, de fato, ter efeito concreto, j\u00e1 que a eventual migra\u00e7\u00e3o de votos pode se pulverizar entre diversos candidatos e ser insuficiente para alterar o cen\u00e1rio atualmente mais prov\u00e1vel de segundo turno, entre Bolsonaro e Haddad.<\/p>\n<p>Na pesquisa Datafolha divulgada na noite de ter\u00e7a-feira, as inten\u00e7\u00f5es de voto em Bolsonaro subiram para 32%, o que corresponde a 38% dos votos v\u00e1lidos. A trajet\u00f3ria ascendente do candidato \u00e0s v\u00e9speras das elei\u00e7\u00f5es fez analistas come\u00e7arem a considerar como poss\u00edvel, ainda que n\u00e3o prov\u00e1vel, uma vit\u00f3ria j\u00e1 no primeiro turno.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/17D9\/production\/_103650160_bolsonarohaddadreuters.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/17D9\/production\/_103650160_bolsonarohaddadreuters.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Bolsonaro e Haddad\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Bolsonaro e Haddad t\u00eam, juntos, apenas a metade das inten\u00e7\u00f5es de votos dos brasileiros.\u00a0Direito de imagem\u00a0REUTERS<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>&#8220;O voto \u00fatil existe e h\u00e1 movimentos de \u00faltima hora do eleitorado, mas a quest\u00e3o nesta elei\u00e7\u00e3o \u00e9: quem vai capitalizar com uma (eventual) mudan\u00e7a? Se os antipetistas, por exemplo, forem fazer voto \u00fatil, eles v\u00e3o votar em um mesmo candidato? \u00c9 um fen\u00f4meno mais complexo do que no passado, porque hoje temos duas grandes frentes de rejei\u00e7\u00e3o (PT e Bolsonaro) e campos m\u00faltiplos (por exemplo, Geraldo Alckmin, Ciro Gomes e Marina Silva) que podem receber essa rejei\u00e7\u00e3o&#8221;, agrega o cientista pol\u00edtico.<\/p>\n<p>Jair Bolsonaro \u00e9 o candidato que mais pode se beneficiar do voto \u00fatil, por estar na frente na inten\u00e7\u00e3o de votos. Assim, o total de votos que precisa conquistar para vencer em primeiro turno \u00e9 menor que o de outros candidatos.<\/p>\n<p>Isso entusiasma seus apoiadores a brigarem pela fatia de restante de voto anti-petista &#8211; dividido, principalmente, entre as candidaturas de direita ou centro-direita de Geraldo Alckmin, Jo\u00e3o Amo\u00eado (Novo), Henrique Meirelles (MDB), Alvaro Dias (Podemos). Em manifesta\u00e7\u00e3o de apoio a Bolsonaro na avenida Paulista, em S\u00e3o Paulo, no \u00faltimo domingo, o candidato ao Senado Major Ol\u00edmpio falou em um caminh\u00e3o de som: &#8220;Estamos um &#8216;Alckminzinho&#8217; de vencer no primeiro turno, coisa de 5% e 6%&#8221;.<\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o a Haddad, al\u00e9m de estar mais distante de vencer no primeiro turno, outro fator dificulta que se beneficie de voto \u00fatil: a resist\u00eancia da inten\u00e7\u00e3o de voto no candidato de centro-esquerda, Ciro Gomes. H\u00e1 pelo menos tr\u00eas pesquisas, Ciro Gomes n\u00e3o cai, indicando que seus apoiadores n\u00e3o est\u00e3o dispostos a abrir m\u00e3o da sua candidatura em nome do PT.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">2 &#8211; Os mais rejeitados?<\/h2>\n<p>O alto \u00edndice de rejei\u00e7\u00e3o dos candidatos mais bem colocados nas pesquisas de inten\u00e7\u00e3o de votos \u00e9 a principal for\u00e7a por tr\u00e1s do eventual voto \u00fatil discutido acima. Segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta ter\u00e7a-feira, 2 de outubro, 45% dos eleitores dizem que n\u00e3o votariam em Bolsonaro de jeito nenhum. Para Fernando Haddad, esse \u00edndice \u00e9 de 41%.<\/p>\n<p>Juntos, os dois candidatos t\u00eam cerca da metade das inten\u00e7\u00f5es de voto dos brasileiros &#8211; s\u00f3\u00a0em 1989 os dois primeiros colocados tiveram t\u00e3o pouco, t\u00e3o perto da data das elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;S\u00f3 existe voto \u00fatil por causa da alta taxa de rejei\u00e7\u00e3o&#8221;, afirma Melo. &#8220;De alguma forma, o voto de rejei\u00e7\u00e3o est\u00e1 se alinhando. A quest\u00e3o \u00e9 se vai se alinhar em um terceiro nome ou se vai se pulverizar entre dois ou tr\u00eas candidatos&#8221;, que podem acabar tendo uma vota\u00e7\u00e3o parecida no final, mas n\u00e3o suficiente para levar um deles ao segundo turno.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">3 &#8211; Quem levar\u00e1 o voto das mulheres?<\/h2>\n<p>As men\u00e7\u00f5es \u00e0s mulheres feitas pelos candidatos durante os debates de TV d\u00e3o pistas de qu\u00e3o cobi\u00e7ado \u00e9 o voto feminino nesta reta final, por dois motivos principais: o primeiro \u00e9 que elas comp\u00f5em 52% do eleitorado do total; o segundo \u00e9 que o candidato mais bem colocado, Jair Bolsonaro, \u00e9 tamb\u00e9m o que tem o maior \u00edndice de rejei\u00e7\u00e3o feminina &#8211; 52%, segundo o Datafolha.<\/p>\n<p>Um exemplo dessa reprova\u00e7\u00e3o foi dado pelos protestos de s\u00e1bado, na campanha #EleN\u00e3o, organizados por mulheres em diversas cidades do pa\u00eds.<\/p>\n<p>O impacto das manifesta\u00e7\u00f5es lideradas por mulheres, no entanto, pode n\u00e3o ter tido o efeito desejado. Segundo uma\u00a0<a class=\"story-body__link\" href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-45702409\">pesquisa da USP<\/a>, a maior parte das ades\u00f5es ao protesto em S\u00e3o Paulo veio de mulheres que j\u00e1 rejeitavam o pol\u00edtico e o que se viu nas pesquisas posteriores foi justamente um avan\u00e7o de Bolsonaro entre eleitoras mulheres.<\/p>\n<p>Apesar de continuar l\u00edder na rejei\u00e7\u00e3o feminina, a pesquisa do Datafolha publicada na ter\u00e7a-feira mostra que o candidato do PSL cresceu em inten\u00e7\u00f5es de voto entre as mulheres, passando de 21% para 27%.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/14C71\/production\/_103650158_elenaoafp.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/14C71\/production\/_103650158_elenaoafp.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Protestos contra Bolsonaro\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Protestos da campanha #EleN\u00e3o refletem alta rejei\u00e7\u00e3o de Bolsonaro entre mulheres, que s\u00e3o maioria dos eleitores.\u00a0Direito de imagem\u00a0AFP<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Do ponto de vista de Bolsonaro, que tem quase um ter\u00e7o das inten\u00e7\u00f5es totais de voto dispon\u00edveis, cerca de 20 pontos percentuais s\u00e3o de homens e 10 s\u00e3o de mulheres, aponta Carlos Melo.<\/p>\n<p>&#8220;Ou seja, um ter\u00e7o dos votos dele vem de mulheres que n\u00e3o foram sensibilizadas pelas falas (consideradas de cunho machista) ou pelas campanhas anti-Bolsonaro&#8221;, avalia Melo.<\/p>\n<p>Segundo dados levantados pela BBC News Brasil, nunca havia existido uma diferen\u00e7a t\u00e3o grande no voto de homens e mulheres no per\u00edodo p\u00f3s-ditadura.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">4 &#8211; Absten\u00e7\u00f5es, brancos e nulos<\/h2>\n<p>O percentual de eleitores que dizem pretender votar nulo, branco ou se abster caiu para 8% (tendo chegado a 22%), segundo o Datafolha, mas esse grupo ainda pode ter um papel muito relevante no pleito.<\/p>\n<p>Para Lucio Renn\u00f3, professor-associado do Instituto de Ci\u00eancia Pol\u00edtica da Universidade de Bras\u00edlia, as pesquisas de inten\u00e7\u00e3o de voto muitas vezes n\u00e3o captam plenamente o impacto das absten\u00e7\u00f5es e dos votos nulos e brancos porque nem sempre as pessoas admitem, durante a entrevista, a inten\u00e7\u00e3o de n\u00e3o comparecer \u00e0s urnas.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/65F9\/production\/_103650162_tituloeleitoral.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/65F9\/production\/_103650162_tituloeleitoral.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"T\u00edtulo eleitoral\" width=\"696\" height=\"392\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Nas elei\u00e7\u00f5es de 2014, absten\u00e7\u00e3o foi maior em Estados mais pobres, ressalta cientista pol\u00edtico.\u00a0Direito de imagem\u00a0GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>&#8220;A absten\u00e7\u00e3o pode ser influente, por se tratar de um pleito competitivo e porque as pesquisas t\u00eam sinalizado tend\u00eancias de voto, e n\u00e3o necessariamente a vota\u00e7\u00e3o absoluta dos candidatos&#8221;, diz ele.<\/p>\n<p>Analisando os dados da elei\u00e7\u00e3o de 2014, Renn\u00f3 identificou uma absten\u00e7\u00e3o maior nos Estados brasileiros mais pobres.<\/p>\n<p>A absten\u00e7\u00e3o e anula\u00e7\u00e3o s\u00e3o importantes porque acabam reduzindo o patamar necess\u00e1rio para um candidato ser eleito em primeiro turno &#8211; ele precisa ter mais da metade dos votos v\u00e1lidos, que excluem os nulos, brancos e absten\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Na elei\u00e7\u00e3o \u00e0 prefeitura de S\u00e3o Paulo em 2016, por exemplo, Jo\u00e3o Doria (hoje candidato ao governo do Estado) venceu com 53,2% dos votos \u00fateis, mas teve vota\u00e7\u00e3o menos expressiva (3,085 milh\u00f5es de votos) do que o total de eleitores que anulou ou se absteve (3,096 milh\u00f5es).<\/p>\n<p>E em um eventual segundo turno, ser\u00e1 que a absten\u00e7\u00e3o pode alcan\u00e7ar n\u00edveis recordes caso se confirme um cen\u00e1rio com dois candidatos com alta rejei\u00e7\u00e3o (Bolsonaro x Haddad)?<\/p>\n<p>Renn\u00f3 acha dif\u00edcil especular &#8211; e pensa que o efeito pode acabar sendo o oposto. &#8220;\u00c0s vezes, em um pleito mais competitivo, o comparecimento pode aumentar&#8221;, opina.<\/p>\n<p>Fabio Wanderley Reis, cientista pol\u00edtico da UFMG, acredita em efeito semelhante: &#8220;As pessoas est\u00e3o em posi\u00e7\u00e3o beligerante, ent\u00e3o o mais prov\u00e1vel \u00e9 que as pessoas votem no segundo turno no candidato a que tiverem menos avers\u00e3o, para neutralizar o advers\u00e1rio&#8221;.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">5 &#8211; O imponder\u00e1vel<\/h2>\n<p>Para Carlos Melo, do Insper, um \u00faltimo fator n\u00e3o pode ser descartado como potencial influenciador do voto na \u00faltima hora: o imprevis\u00edvel.<\/p>\n<p>&#8220;Alguma den\u00fancia nova, alguma dela\u00e7\u00e3o premiada ou algum esc\u00e2ndalo pode ter um efeito importante quando temos uma elei\u00e7\u00e3o acirrada &#8211; se voc\u00ea muda 10 pontos percentuais de um candidato para outro j\u00e1 vira um aumento de 20 pontos&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Ele cita como exemplo novamente a disputa de 1988 pela prefeitura de S\u00e3o Paulo: seis dias antes da elei\u00e7\u00e3o, uma a\u00e7\u00e3o do Ex\u00e9rcito contra uma greve em sider\u00fargica de Volta Redonda (RJ) resultou na morte de tr\u00eas oper\u00e1rios, gerando uma onda de indigna\u00e7\u00e3o pelo pa\u00eds.<\/p>\n<p>Isso acabou influenciando o desempenho de Paulo Maluf (\u00e0 \u00e9poca visto como pr\u00f3ximo aos militares) nas urnas e gerando uma onda de apoio \u00e0 candidatura da ent\u00e3o petista Erundina.<\/p>\n<p><strong><span class=\"byline__name\">Cr\u00e9dito: Paula Adamo Idoeta da\u00a0<\/span><span class=\"byline__title\">BBC News Brasil em S\u00e3o Paulo &#8211; dispon\u00edvel na internet 04\/10\/2018<\/span><\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Faltando menos de uma semana para que 140 milh\u00f5es de brasileiros escolham seu\u00a0pr\u00f3ximo presidente\u00a0em um pleito fragmentado e polarizado, ainda h\u00e1 alguns fatores que podem influenciar a decis\u00e3o final do eleitor, segundo analistas. 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