{"id":30877,"date":"2018-11-15T07:23:37","date_gmt":"2018-11-15T10:23:37","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=30877"},"modified":"2018-11-15T07:23:37","modified_gmt":"2018-11-15T10:23:37","slug":"proclamacao-da-republica-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2018\/11\/15\/proclamacao-da-republica-do-brasil\/","title":{"rendered":"Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica do Brasil"},"content":{"rendered":"<div id=\"bodyContent\" class=\"mw-body-content\">\n<div id=\"mw-content-text\" class=\"mw-content-ltr\" dir=\"ltr\" lang=\"pt\">\n<div class=\"mw-parser-output\">\n<p>A\u00a0<b>Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Brasileira<\/b>\u00a0foi um\u00a0golpe de Estado\u00a0pol\u00edtico-militar, ocorrido em 15 de novembro de 1889, que instaurou a forma\u00a0republicana\u00a0presidencialista\u00a0de governo no\u00a0Brasil, encerrando a\u00a0monarquia constitucional\u00a0parlamentarista\u00a0do\u00a0Imp\u00e9rio\u00a0e, por conseguinte, destituindo e deportando o ent\u00e3o\u00a0chefe de estado,\u00a0imperador\u00a0D. Pedro II.<\/p>\n<p>A proclama\u00e7\u00e3o ocorreu na Pra\u00e7a da Aclama\u00e7\u00e3o (atual\u00a0Pra\u00e7a da Rep\u00fablica), na cidade do\u00a0Rio de Janeiro, ent\u00e3o capital do Imp\u00e9rio do Brasil, quando um grupo de militares do ex\u00e9rcito brasileiro, liderados pelo marechal\u00a0Manuel Deodoro da Fonseca, destituiu o imperador e assumiu o poder no pa\u00eds, instituindo um governo provis\u00f3rio\u00a0republicano, que se tornaria a\u00a0Primeira Rep\u00fablica Brasileira.<\/p>\n<div class=\"thumb tright\">\n<div class=\"thumbinner\">\n<div class=\"thumbcaption\">\n<div class=\"magnify\"><\/div>\n<p>&#8220;Alegoria da Rep\u00fablica&#8221;, quadro de\u00a0Manuel Lopes Rodrigues\u00a0pertencente ao acervo do\u00a0Museu de Arte da Bahia<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>O movimento de 15 de novembro de 1889 n\u00e3o foi o primeiro a tentar instituir uma rep\u00fablica no Brasil, embora tenha sido o \u00fanico efetivamente bem-sucedido, e, segundo algumas vers\u00f5es, teria contado com apoio tanto das elites nacionais e regionais quanto da popula\u00e7\u00e3o de um modo geral:<\/p>\n<ul>\n<li>Em 1789, a conspira\u00e7\u00e3o denominada\u00a0Inconfid\u00eancia Mineira\u00a0n\u00e3o buscava apenas a\u00a0independ\u00eancia, mas tamb\u00e9m a proclama\u00e7\u00e3o de uma rep\u00fablica na\u00a0Capitania de Minas Gerais, seguida de uma s\u00e9rie de reformas pol\u00edticas, econ\u00f4micas e sociais;<\/li>\n<li>Em 1817, atrav\u00e9s da\u00a0Revolu\u00e7\u00e3o Pernambucana\u00a0\u2014 \u00fanico movimento separatista do\u00a0per\u00edodo colonial\u00a0que ultrapassou a fase conspirat\u00f3ria e atingiu o processo revolucion\u00e1rio de tomada do poder \u2014 Pernambuco teve governo provis\u00f3rio por 75 dias;<sup id=\"cite_ref-Rev_Pernambucana_1-0\" class=\"reference\"><\/sup><sup id=\"cite_ref-2\" class=\"reference\"><\/sup><\/li>\n<li><\/li>\n<li>Em 1824,\u00a0Pernambuco\u00a0e outras prov\u00edncias do\u00a0Nordeste brasileiro\u00a0(territ\u00f3rios que pertenceram outrora \u00e0 prov\u00edncia pernambucana) criaram o movimento independentista conhecido como\u00a0Confedera\u00e7\u00e3o do Equador, igualmente republicano, considerado a principal rea\u00e7\u00e3o contra a tend\u00eancia absolutista e a pol\u00edtica centralizadora do governo de D. Pedro I;<sup id=\"cite_ref-3\" class=\"reference\"><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Proclama%C3%A7%C3%A3o_da_Rep%C3%BAblica_do_Brasil#cite_note-3\">[3]<\/a><\/sup><\/li>\n<li>Em 1839, na esteira da\u00a0Revolu\u00e7\u00e3o Farroupilha, proclamaram-se a\u00a0Rep\u00fablica Rio-Grandense\u00a0e a\u00a0Rep\u00fablica Juliana, respectivamente no\u00a0Rio Grande do Sul\u00a0e em\u00a0Santa Catarina.<\/li>\n<\/ul>\n<h2><span id=\"Crise_da_Monarquia\" class=\"mw-headline\">Crise da Monarquia<\/span><\/h2>\n<p>A partir da\u00a0d\u00e9cada de 1870, como consequ\u00eancia da\u00a0Guerra do Paraguai\u00a0(tamb\u00e9m chamada de\u00a0Guerra da Tr\u00edplice Alian\u00e7a, 1864-1870), foi tomando corpo a ideia de alguns setores da elite de alterar o regime pol\u00edtico vigente. Fatores que influenciaram esse movimento:<\/p>\n<ul>\n<li>O imperador D. Pedro II n\u00e3o tinha filhos, apenas filhas. O trono seria ocupado, ap\u00f3s a sua morte, por sua filha mais velha, a\u00a0princesa Isabel, casada com um\u00a0franc\u00eas,\u00a0Gast\u00e3o de Orl\u00e9ans, Conde d&#8217;Eu, o que gerava o receio em parte da popula\u00e7\u00e3o de que o pa\u00eds fosse governado por um estrangeiro.<\/li>\n<li>O fato de os negros terem ajudado o ex\u00e9rcito na Guerra do Paraguai e, quando retornaram ao pa\u00eds, permaneceram como escravos, ou seja, n\u00e3o ganharam a alforria de seus donos.<\/li>\n<\/ul>\n<h3><span id=\"Situa\u00e7\u00e3o_pol\u00edtica_do_Brasil_em_1889\" class=\"mw-headline\">Situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do Brasil em 1889<\/span><\/h3>\n<p>O governo imperial, atrav\u00e9s do 37.\u00ba e \u00faltimo gabinete ministerial, empossado em 7 de junho de 1889, sob o comando do\u00a0presidente do Conselho de Ministros do Imp\u00e9rio,\u00a0Afonso Celso de Assis Figueiredo, o Visconde de Ouro Preto, do\u00a0Partido Liberal, percebendo a dif\u00edcil situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica em que se encontrava, apresentou, em uma \u00faltima e desesperada tentativa de salvar o\u00a0imp\u00e9rio, \u00e0 C\u00e2mara-Geral,\u00a0c\u00e2mara dos deputados, um programa de reformas pol\u00edticas do qual constavam, entre outras, as medidas seguintes: maior autonomia administrativa para as prov\u00edncias, liberdade de voto, liberdade de ensino, redu\u00e7\u00e3o das prerrogativas do\u00a0Conselho de Estado\u00a0e mandatos n\u00e3o\u00a0vital\u00edcios\u00a0para o\u00a0Senado Federal. As propostas do Visconde de Ouro Preto visavam a preservar o regime mon\u00e1rquico no pa\u00eds, mas foram vetadas pela maioria dos deputados de tend\u00eancia conservadora que controlava a C\u00e2mara Geral. No dia 15 de novembro de 1889, a rep\u00fablica era proclamada.<\/p>\n<h3><span id=\"Perda_de_prest\u00edgio_da_monarquia\" class=\"mw-headline\">Perda de prest\u00edgio da monarquia<\/span><\/h3>\n<div class=\"hatnote\"><\/div>\n<p>Muitos foram os fatores que levaram o\u00a0Imp\u00e9rio\u00a0a perder o apoio de suas bases\u00a0econ\u00f4micas,\u00a0militares\u00a0e\u00a0sociais. Da parte dos grupos\u00a0conservadores\u00a0pelos s\u00e9rios atritos com a\u00a0Igreja Cat\u00f3lica\u00a0(na &#8220;Quest\u00e3o Religiosa&#8221;); pela perda do apoio pol\u00edtico dos grandes fazendeiros em virtude da\u00a0aboli\u00e7\u00e3o da escravatura, ocorrida em 1888, sem a indeniza\u00e7\u00e3o dos propriet\u00e1rios de escravos.<\/p>\n<p>Da parte dos grupos progressistas, havia a cr\u00edtica que a monarquia mantivera, at\u00e9 muito tarde, a escravid\u00e3o no pa\u00eds. Os progressistas criticavam, tamb\u00e9m, a aus\u00eancia de iniciativas com vistas ao desenvolvimento do pa\u00eds fosse\u00a0econ\u00f4mico, pol\u00edtico ou\u00a0social, a manuten\u00e7\u00e3o de um regime pol\u00edtico de\u00a0castas\u00a0e o\u00a0voto censit\u00e1rio, isto \u00e9, com base na renda anual das pessoas, a aus\u00eancia de um\u00a0sistema de ensino universal, os altos \u00edndices de\u00a0analfabetismo\u00a0e de\u00a0mis\u00e9ria\u00a0e o afastamento pol\u00edtico do Brasil em rela\u00e7\u00e3o a todos demais pa\u00edses do continente, que eram republicanos.<\/p>\n<p>Assim, ao mesmo tempo em que a legitimidade imperial deca\u00eda, a proposta republicana &#8211; percebida como significando o progresso social &#8211; ganhava espa\u00e7o. Entretanto, \u00e9 importante notar que a legitimidade do Imperador era distinta da do regime imperial: Enquanto, por um lado, a popula\u00e7\u00e3o, de modo geral, respeitava e gostava de dom Pedro II, por outro lado, tinha cada vez em menor conta o pr\u00f3prio imp\u00e9rio. Nesse sentido, era voz corrente, na \u00e9poca, que n\u00e3o haveria um terceiro reinado, ou seja, a monarquia n\u00e3o continuaria a existir ap\u00f3s o falecimento de dom Pedro II, seja devido \u00e0 falta de legitimidade do pr\u00f3prio regime mon\u00e1rquico, seja devido ao rep\u00fadio p\u00fablico ao\u00a0pr\u00edncipe consorte, marido da\u00a0princesa Isabel, o franc\u00eas\u00a0Conde d&#8217;Eu. O conde tinha fama de arrogante, n\u00e3o ouvia bem, falava com sotaque franc\u00eas e, al\u00e9m de tudo, era dono de\u00a0corti\u00e7os\u00a0no Rio, pelos quais cobrava alugu\u00e9is exorbitantes de gente pobre. Temia-se que, quando Isabel subisse ao trono, ele viesse a ser o governante de fato do Brasil.<sup id=\"cite_ref-VEJA_4-0\" class=\"reference\"><\/sup><\/p>\n<p>Embora a frase de\u00a0Aristides Lobo\u00a0(jornalista e l\u00edder republicano paulista, depois feito ministro do governo provis\u00f3rio), &#8220;O povo assistiu bestializado&#8221; \u00e0 proclama\u00e7\u00e3o da rep\u00fablica, tenha entrado para a hist\u00f3ria, pesquisas hist\u00f3ricas, mais recentes, t\u00eam dado outra vers\u00e3o \u00e0 aceita\u00e7\u00e3o da rep\u00fablica entre o povo brasileiro. \u00c9 o caso da tese defendida por Maria Tereza Chaves de Mello (<i>A Rep\u00fablica Consentida<\/i>, Editora da FGV, EDUR, 2007), que indica que a rep\u00fablica, antes e depois da proclama\u00e7\u00e3o, era vista popularmente como um regime pol\u00edtico que traria o desenvolvimento, em sentido amplo, para o pa\u00eds.<\/p>\n<h3><span id=\"Crise_econ\u00f4mica\" class=\"mw-headline\">Crise econ\u00f4mica<\/span><\/h3>\n<p>A crise econ\u00f4mica agravou-se em fun\u00e7\u00e3o das elevadas despesas financeiras geradas pela Guerra da Tr\u00edplice Alian\u00e7a, cobertas por capitais externos. Os empr\u00e9stimos brasileiros elevaram-se de tr\u00eas milh\u00f5es de libras esterlinas em 1871 para quase 20 milh\u00f5es em 1889, o que causou uma infla\u00e7\u00e3o da ordem de 1,75% ao ano, no plano interno.<\/p>\n<h3><span id=\"Quest\u00e3o_abolicionista\" class=\"mw-headline\">Quest\u00e3o abolicionista<\/span><\/h3>\n<p>A quest\u00e3o abolicionista impunha-se desde a aboli\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fico negreiro em 1850, encontrando viva resist\u00eancia entre as elites agr\u00e1rias tradicionais do pa\u00eds. Diante das medidas adotadas pelo Imp\u00e9rio para a gradual extin\u00e7\u00e3o do regime escravista, devido a repercuss\u00e3o da experi\u00eancia mal sucedida nos\u00a0Estados Unidos\u00a0de liberta\u00e7\u00e3o geral dos escravos ter levado aquele pa\u00eds \u00e0\u00a0guerra civil, essas elites reivindicavam do Estado indeniza\u00e7\u00f5es proporcionais ao pre\u00e7o total que haviam pago pelos escravos a serem libertados por lei. Estas indeniza\u00e7\u00f5es seriam pagas com empr\u00e9stimo externo.<\/p>\n<p>Com a decreta\u00e7\u00e3o da\u00a0Lei \u00c1urea\u00a0(1888), e ao deixar de indenizar esses grandes propriet\u00e1rios rurais, o imp\u00e9rio perdeu o seu \u00faltimo pilar de sustenta\u00e7\u00e3o. Chamados de &#8220;republicanos de \u00faltima hora&#8221; ou Republicanos do 13 de Maio, os ex-propriet\u00e1rios de escravos aderiram \u00e0 causa republicana, n\u00e3o por causa de um sentimento, mas como uma &#8220;vingan\u00e7a&#8221; contra a monarquia.<\/p>\n<p>Na vis\u00e3o dos progressistas, o Imp\u00e9rio do Brasil mostrou-se bastante lento na solu\u00e7\u00e3o da chamada &#8220;Quest\u00e3o Servil&#8221;, o que, sem d\u00favida, minou sua legitimidade ao longo dos anos. Mesmo a ades\u00e3o dos ex-propriet\u00e1rios de escravos, que n\u00e3o foram indenizados, \u00e0 causa republicana, evidencia o quanto o regime imperial estava atrelado \u00e0 escravatura.<\/p>\n<p>Assim, logo ap\u00f3s a princesa Isabel assinar a Lei \u00c1urea,\u00a0Jo\u00e3o Maur\u00edcio Wanderley, Bar\u00e3o de Cotegipe, o \u00fanico senador do imp\u00e9rio que votou contra o projeto de aboli\u00e7\u00e3o da escravatura, profetizou:<\/p>\n<table class=\"cquote\" role=\"presentation\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\u201c<\/td>\n<td>A senhora acabou de redimir uma ra\u00e7a e perder um trono!<\/td>\n<td>\u201d<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<h3><span id=\"Quest\u00e3o_religiosa\" class=\"mw-headline\">Quest\u00e3o religiosa<\/span><\/h3>\n<div class=\"hatnote\"><\/div>\n<p>Desde o\u00a0per\u00edodo colonial, a\u00a0Igreja Cat\u00f3lica, enquanto institui\u00e7\u00e3o, encontrava-se submetida ao estado. Isso se manteve ap\u00f3s a independ\u00eancia e significava, entre outras coisas, que nenhuma ordem do papa poderia vigorar no\u00a0<a title=\"Brasil\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Brasil\">Brasil<\/a>\u00a0sem que fosse previamente aprovada pelo imperador (Benepl\u00e1cito R\u00e9gio). Ocorre que, em 1872,\u00a0Vital Maria Gon\u00e7alves de Oliveira\u00a0e\u00a0Ant\u00f4nio de Macedo Costa, bispos de\u00a0Olinda\u00a0e\u00a0Bel\u00e9m do Par\u00e1\u00a0respectivamente, resolveram seguir, por conta pr\u00f3pria, as ordens do\u00a0Papa Pio IX, que exclu\u00edam, da igreja, os\u00a0ma\u00e7ons. Como membros de alta influ\u00eancia no Brasil mon\u00e1rquico eram ma\u00e7ons (alguns livros tamb\u00e9m citam o pr\u00f3prio\u00a0dom Pedro II\u00a0como ma\u00e7om), a bula n\u00e3o foi ratificada.<\/p>\n<p>Os bispos se recusaram a obedecer ao imperador, sendo presos. Em 1875, gra\u00e7as \u00e0 interven\u00e7\u00e3o do ma\u00e7om\u00a0Duque de Caxias, os bispos receberam o perd\u00e3o imperial e foram colocados em liberdade. Contudo, no epis\u00f3dio, a imagem do imp\u00e9rio desgastou-se junto \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica. E este foi um fator agravante na crise da monarquia, pois o apoio da Igreja Cat\u00f3lica \u00e0 monarquia sempre foi essencial \u00e0 subsist\u00eancia da mesma.<\/p>\n<h3><span id=\"Quest\u00e3o_militar\" class=\"mw-headline\">Quest\u00e3o militar<\/span><\/h3>\n<p>Os militares do\u00a0Ex\u00e9rcito Brasileiro\u00a0estavam descontentes com a proibi\u00e7\u00e3o, imposta pela monarquia, pela qual os seus oficiais n\u00e3o podiam manifestar-se na imprensa sem uma pr\u00e9via autoriza\u00e7\u00e3o do\u00a0Ministro da Guerra. Os militares n\u00e3o possu\u00edam uma autonomia de tomada de decis\u00e3o sobre a defesa do territ\u00f3rio, estando sujeitos \u00e0s ordens do imperador e do Gabinete de Ministros, formado por civis, que se sobrepunham \u00e0s ordens dos generais. Assim, no imp\u00e9rio, a maioria dos ministros da guerra eram civis.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, frequentemente os militares do Ex\u00e9rcito Brasileiro sentiam-se desprestigiados e desrespeitados. Por um lado, os dirigentes do imp\u00e9rio eram civis, cuja sele\u00e7\u00e3o era extremamente elitista e cuja forma\u00e7\u00e3o era bacharelesca, mas que resultava em postos altamente remunerados e valorizados; por outro lado, os militares tinham uma sele\u00e7\u00e3o mais democr\u00e1tica e uma forma\u00e7\u00e3o mais t\u00e9cnica, mas que n\u00e3o resultavam nem em valoriza\u00e7\u00e3o profissional nem em reconhecimento pol\u00edtico, social ou econ\u00f4mico. As promo\u00e7\u00f5es na carreira militar eram dif\u00edceis de serem obtidas e eram baseadas em crit\u00e9rios personalistas em vez de promo\u00e7\u00f5es por m\u00e9rito e antiguidade.<\/p>\n<p>A\u00a0Guerra do Paraguai, al\u00e9m de difundir os ideais republicanos, evidenciou aos militares essa desvaloriza\u00e7\u00e3o da carreira profissional, que se manteve e mesmo acentuou-se ap\u00f3s o fim da guerra. O resultado foi a percep\u00e7\u00e3o, da parte dos militares, de que se sacrificavam por um regime que pouco os consideravam e que dava maior aten\u00e7\u00e3o \u00e0\u00a0Marinha do Brasil.<\/p>\n<h3><span id=\"Atua\u00e7\u00e3o_dos_republicanos_e_dos_positivistas\" class=\"mw-headline\">Atua\u00e7\u00e3o dos republicanos e dos positivistas<\/span><\/h3>\n<p>Durante a\u00a0Guerra do Paraguai, o contato dos militares brasileiros com a realidade dos seus vizinhos sul-americanos levou-os a refletir sobre a rela\u00e7\u00e3o existente entre regimes pol\u00edticos e problemas sociais. A partir disso, come\u00e7ou a desenvolver-se, tanto entre os militares de carreira quanto entre os civis convocados para lutar no conflito, um interesse maior pelo ideal republicano e pelo desenvolvimento econ\u00f4mico e social brasileiro.<\/p>\n<p>Dessa forma, n\u00e3o foi casual que a propaganda republicana tenha tido, por marco inicial, a publica\u00e7\u00e3o do\u00a0manifesto Republicano\u00a0em 1870 (ano em que terminou a Guerra do Paraguai), seguido pela\u00a0Conven\u00e7\u00e3o de Itu\u00a0em 1873 e pelo surgimento dos clubes republicanos, que se multiplicaram, a partir de ent\u00e3o, pelos principais centros no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, v\u00e1rios grupos foram fortemente influenciados pela\u00a0ma\u00e7onaria\u00a0(Deodoro da Fonseca\u00a0era ma\u00e7om, assim como todo seu minist\u00e9rio) e pelo\u00a0positivismo\u00a0de\u00a0Auguste Comte, especialmente, ap\u00f3s 1881, quando surgiu a\u00a0igreja Positivista do Brasil. Seus diretores,\u00a0Miguel Lemos\u00a0e\u00a0Raimundo Teixeira Mendes, iniciaram uma forte campanha abolicionista e republicana.<\/p>\n<p>A propaganda republicana era realizada pelos que, depois, foram chamados de &#8220;republicanos hist\u00f3ricos&#8221; (em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0queles que se tornaram republicanos apenas ap\u00f3s o 15 de novembro, chamados de &#8220;republicanos de 16 de novembro&#8221;).<\/p>\n<p>As ideias de muitos dos republicanos eram veiculadas pelo peri\u00f3dico\u00a0<a title=\"A Rep\u00fablica (Rio de Janeiro)\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/A_Rep%C3%BAblica_(Rio_de_Janeiro)\">A Rep\u00fablica<\/a>. Segundo alguns pesquisadores, os republicanos dividiam-se em duas correntes principais:<\/p>\n<ul>\n<li>Os evolucionistas, que admitiam que a proclama\u00e7\u00e3o da rep\u00fablica era inevit\u00e1vel, n\u00e3o justificando uma luta armada;<\/li>\n<li>Os revolucionistas, que defendiam a possibilidade de pegar em armas para conquist\u00e1-la, com mobiliza\u00e7\u00e3o popular e com reformas sociais e econ\u00f4micas.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Embora houvesse diferen\u00e7as entre cada um desses grupos no tocante \u00e0s estrat\u00e9gias pol\u00edticas para a implementa\u00e7\u00e3o da rep\u00fablica e tamb\u00e9m quanto ao conte\u00fado substantivo do regime a instituir, a ideia geral, comum aos dois grupos, era a de que a rep\u00fablica deveria ser um regime progressista, contraposto \u00e0 exausta monarquia. Dessa forma, a proposta do novo regime revestia-se de um car\u00e1ter social revolucion\u00e1rio e n\u00e3o apenas do de uma mera troca dos governantes.<\/p>\n<h2><span id=\"Golpe_militar_de_15_de_novembro_de_1889_e_a_proclama\u00e7\u00e3o_da_Rep\u00fablica\" class=\"mw-headline\">Golpe militar de 15 de novembro de 1889 e a proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica<\/span><\/h2>\n<div class=\"thumb tleft\">\n<div class=\"thumbinner\"><a class=\"image\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Ficheiro:Lopes_Trov%C3%A3o_charge.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"thumbimage alignright\" src=\"https:\/\/upload.wikimedia.org\/wikipedia\/commons\/thumb\/e\/e7\/Lopes_Trov%C3%A3o_charge.jpg\/170px-Lopes_Trov%C3%A3o_charge.jpg\" alt=\"\" width=\"170\" height=\"261\" \/><\/a><\/p>\n<div class=\"thumbcaption\">\n<div class=\"magnify\"><\/div>\n<p>Charge da proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, com\u00a0Jos\u00e9 do Patroc\u00ednio\u00a0em primeiro plano.<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>No\u00a0Rio de Janeiro, os republicanos insistiram que o\u00a0Marechal Deodoro da Fonseca, um monarquista, chefiasse o movimento revolucion\u00e1rio que substituiria a monarquia pela rep\u00fablica.<\/p>\n<p>Depois de muita insist\u00eancia dos revolucion\u00e1rios, Deodoro da Fonseca concordou em liderar o movimento militar.<\/p>\n<p>Segundo relatos hist\u00f3ricos, em 15 de novembro de 1889, comandando algumas centenas de soldados que se movimentavam pelas ruas da\u00a0cidade do Rio de Janeiro, o marechal Deodoro, assim como boa parte dos militares, pretendia apenas derrubar o ent\u00e3o Chefe do Gabinete Imperial (equivalente a\u00a0primeiro-ministro), o\u00a0Visconde de Ouro Preto. &#8220;Os principais culpados de tudo isso [<i>a proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica<\/i>] s\u00e3o o\u00a0conde D&#8217;Eu\u00a0e o Visconde de Ouro Preto: o \u00faltimo por perseguir o Ex\u00e9rcito e o primeiro por consentir nessa persegui\u00e7\u00e3o&#8221;, diria mais tarde Deodoro.<\/p>\n<div class=\"thumb tright\">\n<div class=\"thumbinner\"><a class=\"image\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Ficheiro:A_Revolu%C3%A7%C3%A3o_de_15_de_Novembro,_carta_do_tenente-coronel_Jacques_Ourique_ao_Jornal_do_Commercio,_representando_a_posi%C3%A7%C3%A3o_das_tropas_no_dia_15_de_novembro_de_1889.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"thumbimage alignright\" src=\"https:\/\/upload.wikimedia.org\/wikipedia\/commons\/thumb\/3\/3a\/A_Revolu%C3%A7%C3%A3o_de_15_de_Novembro%2C_carta_do_tenente-coronel_Jacques_Ourique_ao_Jornal_do_Commercio%2C_representando_a_posi%C3%A7%C3%A3o_das_tropas_no_dia_15_de_novembro_de_1889.jpg\/220px-thumbnail.jpg\" alt=\"\" width=\"220\" height=\"265\" \/><\/a><\/p>\n<div class=\"thumbcaption\">\n<div class=\"magnify\"><\/div>\n<p>Carta do tenente-coronel\u00a0Jacques Ourique\u00a0ao\u00a0<i>Jornal do Commercio<\/i>, representando a posi\u00e7\u00e3o das tropas no dia\u00a015 de novembro\u00a0de\u00a01889, organizada pelo tenente-coronel de engenheiros A. E. Jacques Ourique e desenhada por J. M. P. de Lima Junior, desenhista da I. de Obras P\u00fablicas.<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>O\u00a0golpe militar, que estava previsto para\u00a020 de novembro\u00a0de\u00a01889, teve de ser antecipado. No dia 14, os conspiradores divulgaram o boato de que o governo havia mandado prender\u00a0Benjamin Constant Botelho de Magalh\u00e3es\u00a0e\u00a0Deodoro da Fonseca. Posteriormente confirmou-se que era mesmo boato. Assim, os revolucion\u00e1rios anteciparam o golpe de estado, e, na madrugada do dia\u00a015 de novembro, Deodoro disp\u00f4s-se a liderar o movimento de tropas do ex\u00e9rcito que colocou um fim no regime mon\u00e1rquico no Brasil.<\/p>\n<p>Os conspiradores dirigiram-se \u00e0 resid\u00eancia do marechal Deodoro, que estava doente, com\u00a0dispneia,<sup id=\"cite_ref-6\" class=\"reference\"><\/sup>e acabam por convenc\u00ea-lo a liderar o movimento. Aparentemente decisivo para Deodoro foi saber que, a partir de 20 de novembro, o novo Presidente do Conselho de Ministros do Imp\u00e9rio seria Silveira Martins, um velho rival. Deodoro e Silveira Martins eram inimigos desde o tempo em que o marechal servira no\u00a0Rio Grande do Sul, quando ambos disputaram as aten\u00e7\u00f5es da baronesa do Triunfo, vi\u00fava muito bonita e elegante, que, segundo os relatos da \u00e9poca, preferira Silveira Martins. Desde ent\u00e3o, Silveira Martins n\u00e3o perdia oportunidade para provocar Deodoro da tribuna do Senado, insinuando que malversava fundos e at\u00e9 contestando sua efic\u00e1cia enquanto militar.<sup id=\"cite_ref-VEJA_4-2\" class=\"reference\"><\/sup><\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o major\u00a0Frederico S\u00f3lon de Sampaio Ribeiro\u00a0dissera a Deodoro que uma suposta ordem de pris\u00e3o contra ele havia sido expedida, argumento que convenceu finalmente o velho marechal a proclamar a Rep\u00fablica no dia 16 e a exilar a Fam\u00edlia Imperial j\u00e1 \u00e0 noite, de modo a evitar uma eventual como\u00e7\u00e3o popular.<sup id=\"cite_ref-7\" class=\"reference\"><\/sup><\/p>\n<div class=\"thumb tright\">\n<div class=\"thumbinner\"><a class=\"image\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Ficheiro:La_Revolution_au_Br%C3%A9sil._%E2%80%94_La_Proclamation_de_la_R%C3%A9publique_a_Rio-Janeiro._%E2%80%94_(Dessin_de_M._Georges_Scott.)._%E2%80%94_(D%27apr%C3%A8s_les_documents_communiqu%C3%A9s_par_M._%C3%89douard_Garrido,_%C3%A0_Rio-Janeiro.).jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"thumbimage alignright\" src=\"https:\/\/upload.wikimedia.org\/wikipedia\/commons\/thumb\/7\/75\/La_Revolution_au_Br%C3%A9sil._%E2%80%94_La_Proclamation_de_la_R%C3%A9publique_a_Rio-Janeiro._%E2%80%94_%28Dessin_de_M._Georges_Scott.%29._%E2%80%94_%28D%27apr%C3%A8s_les_documents_communiqu%C3%A9s_par_M._%C3%89douard_Garrido%2C_%C3%A0_Rio-Janeiro.%29.jpg\/220px-thumbnail.jpg\" alt=\"\" width=\"220\" height=\"165\" \/><\/a><\/p>\n<div class=\"thumbcaption\">\n<div class=\"magnify\"><\/div>\n<p>Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica no\u00a0Rio de Janeiro\u00a0(por\u00a0Georges Scott, publicado em\u00a0<i>Le Monde Illustr\u00e9<\/i>, n\u00ba 1.708,\u00a021\/12\/1889).<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"thumb tright\">\n<div class=\"thumbinner\"><a class=\"image\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Ficheiro:Attentat_contre_le_Baron_de_Ladario,_ancien_ministre_de_la_marine._%E2%80%94_(Dessin_de_M._Parys.).jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"thumbimage alignright\" src=\"https:\/\/upload.wikimedia.org\/wikipedia\/commons\/thumb\/3\/35\/Attentat_contre_le_Baron_de_Ladario%2C_ancien_ministre_de_la_marine._%E2%80%94_%28Dessin_de_M._Parys.%29.jpg\/220px-Attentat_contre_le_Baron_de_Ladario%2C_ancien_ministre_de_la_marine._%E2%80%94_%28Dessin_de_M._Parys.%29.jpg\" alt=\"\" width=\"220\" height=\"165\" \/><\/a><\/p>\n<div class=\"thumbcaption\">\n<div class=\"magnify\"><\/div>\n<p>Atentado contra o Bar\u00e3o de Lad\u00e1rio, ent\u00e3o\u00a0ministro da Marinha.<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"thumb tright\">\n<div class=\"thumbinner\"><a class=\"image\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Ficheiro:La_Revolution_au_Br%C3%A9sil._%E2%80%94_D%C3%A9barquement_de_Dom_Pedro,_a_Lisbonne._%E2%80%94_Le_canot_imp%C3%A9rial_abordant_a_l%27Arsenal_de_la_Marine.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"thumbimage alignright\" src=\"https:\/\/upload.wikimedia.org\/wikipedia\/commons\/thumb\/3\/35\/La_Revolution_au_Br%C3%A9sil._%E2%80%94_D%C3%A9barquement_de_Dom_Pedro%2C_a_Lisbonne._%E2%80%94_Le_canot_imp%C3%A9rial_abordant_a_l%27Arsenal_de_la_Marine.jpg\/220px-La_Revolution_au_Br%C3%A9sil._%E2%80%94_D%C3%A9barquement_de_Dom_Pedro%2C_a_Lisbonne._%E2%80%94_Le_canot_imp%C3%A9rial_abordant_a_l%27Arsenal_de_la_Marine.jpg\" alt=\"\" width=\"220\" height=\"151\" \/><\/a><\/p>\n<div class=\"thumbcaption\">\n<div class=\"magnify\"><\/div>\n<p>Desembarque de Dom Pedro II em\u00a0Lisboa: a canoa imperial atraca no\u00a0Arsenal da Marinha.<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Convencido de que seria preso pelo governo imperial, Deodoro saiu de sua resid\u00eancia ao amanhecer do dia 15 de Novembro, atravessou o\u00a0Campo de Santana\u00a0e, do outro lado do parque, conclamou os soldados do batalh\u00e3o ali aquartelado, onde hoje se localiza o Pal\u00e1cio Duque de Caxias, a se rebelarem contra o governo. Oferecem um cavalo ao marechal, que nele montou, e, segundo testemunhos, tirou o chap\u00e9u e proclamou &#8220;Viva a Rep\u00fablica!&#8221;. Depois apeou, atravessou novamente o parque e voltou para a sua resid\u00eancia. A manifesta\u00e7\u00e3o prosseguiu com um desfile de tropas pela Rua Direita, atual rua 1.\u00ba de Mar\u00e7o, at\u00e9 o\u00a0Pa\u00e7o Imperial.<\/p>\n<p>Os revoltosos ocuparam o quartel-general do\u00a0Rio de Janeiro\u00a0e depois o\u00a0Minist\u00e9rio da Guerra. Depuseram o Gabinete ministerial e prenderam seu presidente, Afonso Celso de Assis Figueiredo,\u00a0Visconde de Ouro Preto.<\/p>\n<p>No Pa\u00e7o Imperial, o presidente do gabinete (primeiro-ministro), Visconde de Ouro Preto, havia tentando resistir pedindo ao comandante do destacamento local e respons\u00e1vel pela seguran\u00e7a do Pa\u00e7o Imperial, general\u00a0Floriano Peixoto, que enfrentasse os amotinados, explicando ao general Floriano Peixoto que havia, no local, tropas legalistas em n\u00famero suficiente para derrotar os revoltosos. O Visconde de Ouro Preto lembrou a Floriano Peixoto que este havia enfrentado tropas bem mais numerosas na\u00a0Guerra do Paraguai. Por\u00e9m, o general Floriano Peixoto recusou-se a obedecer \u00e0s ordens dadas pelo Visconde de Ouro Preto e assim justificou sua insubordina\u00e7\u00e3o, respondendo ao Visconde de Ouro Preto:<\/p>\n<table class=\"cquote\" role=\"presentation\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\u201c<\/td>\n<td>Sim, mas l\u00e1 (no Paraguai) t\u00ednhamos em frente inimigos e aqui somos todos brasileiros!<\/td>\n<td>\u201d<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Em seguida, aderindo ao movimento republicano, Floriano Peixoto deu voz de pris\u00e3o ao chefe de governo Visconde de Ouro Preto.<\/p>\n<p>O \u00fanico ferido no epis\u00f3dio da proclama\u00e7\u00e3o da rep\u00fablica foi o\u00a0Bar\u00e3o de Lad\u00e1rio, que resistiu \u00e0 ordem de pris\u00e3o dada pelos amotinados e levou um tiro. Consta que Deodoro n\u00e3o dirigiu cr\u00edtica ao\u00a0Imperador\u00a0dom Pedro II\u00a0e que vacilava em suas palavras. Relatos dizem que foi uma estrat\u00e9gia para evitar um derramamento de sangue. Sabia-se que Deodoro da Fonseca estava com o tenente-coronel\u00a0Benjamin Constant\u00a0ao seu lado e que havia alguns l\u00edderes republicanos civis naquele momento.<\/p>\n<p>Na tarde do mesmo dia 15 de novembro, na\u00a0C\u00e2mara Municipal do Rio de Janeiro, foi solenemente proclamada a\u00a0Rep\u00fablica.<\/p>\n<div class=\"thumb tleft\">\n<div class=\"thumbinner\"><a class=\"image\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Ficheiro:Proclama%C3%A7%C3%A3o_da_Rep%C3%BAblica._Ova%C3%A7%C3%A3o_popular_ao_General_Deodoro_da_Fonseca_e_Bucayuva,_na_Rua_do_Ouvidor.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"thumbimage alignright\" src=\"https:\/\/upload.wikimedia.org\/wikipedia\/commons\/thumb\/1\/13\/Proclama%C3%A7%C3%A3o_da_Rep%C3%BAblica._Ova%C3%A7%C3%A3o_popular_ao_General_Deodoro_da_Fonseca_e_Bucayuva%2C_na_Rua_do_Ouvidor.jpg\/220px-Proclama%C3%A7%C3%A3o_da_Rep%C3%BAblica._Ova%C3%A7%C3%A3o_popular_ao_General_Deodoro_da_Fonseca_e_Bucayuva%2C_na_Rua_do_Ouvidor.jpg\" alt=\"\" width=\"220\" height=\"251\" \/><\/a><\/p>\n<div class=\"thumbcaption\">\n<div class=\"magnify\"><\/div>\n<p>Ova\u00e7\u00e3o popular ao Marechal\u00a0Deodoro da Fonseca\u00a0e\u00a0Bocai\u00fava, na\u00a0Rua do Ouvidor.<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>\u00c0 noite, na C\u00e2mara Municipal do\u00a0Munic\u00edpio Neutro, o Rio de Janeiro,\u00a0Jos\u00e9 do Patroc\u00ednio\u00a0redigiu a proclama\u00e7\u00e3o oficial da Rep\u00fablica dos Estados Unidos do Brasil, aprovada sem vota\u00e7\u00e3o. O texto foi para as gr\u00e1ficas de jornais que apoiavam a causa, e, s\u00f3 no dia seguinte,\u00a016 de novembro, foi anunciado ao povo a mudan\u00e7a do regime pol\u00edtico do Brasil.<\/p>\n<p>Dom Pedro II, que estava em\u00a0Petr\u00f3polis, retornou ao Rio de Janeiro. Pensando que o objetivo dos revolucion\u00e1rios era apenas substituir o Gabinete de Ouro Preto, o Imperador D. Pedro II tentou ainda organizar outro gabinete ministerial, sob a presid\u00eancia do conselheiro\u00a0Jos\u00e9 Ant\u00f4nio Saraiva. O imperador, em Petr\u00f3polis, foi informado e decidiu descer para a Corte. Ao saber do golpe de estado, o Imperador reconheceu a queda do Gabinete de Ouro Preto e procurou anunciar um novo nome para substituir o Visconde de Ouro Preto. No entanto, como nada fora dito sobre Rep\u00fablica at\u00e9 ent\u00e3o, os republicanos mais exaltados espalharam o boato de que o Imperador escolhera\u00a0Gaspar Silveira Martins, inimigo pol\u00edtico de Deodoro da Fonseca desde os tempos do\u00a0Rio Grande do Sul, para ser o novo chefe de governo.<sup id=\"cite_ref-9\" class=\"reference\"><\/sup>\u00a0Deodoro da Fonseca ent\u00e3o convenceu-se a aderir \u00e0 causa republicana. O Imperador foi informado disso e, desiludido, decidiu n\u00e3o oferecer resist\u00eancia.<\/p>\n<div class=\"thumb tright\">\n<div class=\"thumbinner\"><a class=\"image\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Ficheiro:Entrega_da_mensagem_%C3%A0_D._Pedro_II,_pelo_Major_Solon,_no_dia_6_de_novembro_de_1889.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"thumbimage alignright\" src=\"https:\/\/upload.wikimedia.org\/wikipedia\/commons\/thumb\/8\/85\/Entrega_da_mensagem_%C3%A0_D._Pedro_II%2C_pelo_Major_Solon%2C_no_dia_6_de_novembro_de_1889.jpg\/300px-Entrega_da_mensagem_%C3%A0_D._Pedro_II%2C_pelo_Major_Solon%2C_no_dia_6_de_novembro_de_1889.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"145\" \/><\/a><\/p>\n<div class=\"thumbcaption\">\n<div class=\"magnify\"><\/div>\n<p>Entrega da mensagem \u00e0\u00a0D. Pedro II, pelo\u00a0Major S\u00f3lon, no dia\u00a06 de novembro\u00a0de\u00a01889.<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>No dia seguinte, o major\u00a0Frederico S\u00f3lon\u00a0de Sampaio Ribeiro entregou a dom Pedro II uma comunica\u00e7\u00e3o, cientificando-o da proclama\u00e7\u00e3o da rep\u00fablica e ordenando sua partida para a\u00a0Europa, a fim de evitar conturba\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. A fam\u00edlia imperial brasileira exilou-se na Europa, s\u00f3 lhes sendo permitida a sua volta ao Brasil na\u00a0d\u00e9cada de 1920.<\/p>\n<h2><span id=\"Controv\u00e9rsias\" class=\"mw-headline\">Controv\u00e9rsias<\/span><\/h2>\n<div class=\"thumb tright\">\n<div class=\"thumbinner\"><a class=\"image\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Ficheiro:Constitui%C3%A7%C3%A3o_da_Rep%C3%BAblica_dos_Estados_Unidos_do_Brasil_de_1891_p._00_(capa).jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"thumbimage alignright\" src=\"https:\/\/upload.wikimedia.org\/wikipedia\/commons\/thumb\/c\/c5\/Constitui%C3%A7%C3%A3o_da_Rep%C3%BAblica_dos_Estados_Unidos_do_Brasil_de_1891_p._00_%28capa%29.jpg\/220px-Constitui%C3%A7%C3%A3o_da_Rep%C3%BAblica_dos_Estados_Unidos_do_Brasil_de_1891_p._00_%28capa%29.jpg\" alt=\"\" width=\"220\" height=\"322\" \/><\/a><\/p>\n<div class=\"thumbcaption\">\n<div class=\"magnify\"><\/div>\n<p>Constitui\u00e7\u00e3o de 1891. Documento sob guarda do\u00a0Arquivo Nacional.<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Com a proclama\u00e7\u00e3o da rep\u00fablica, &#8220;segundo todas as probabilidades&#8221;, acabaria tamb\u00e9m o Brasil, pensava, no fim do s\u00e9culo XIX, o escritor portugu\u00eas\u00a0E\u00e7a de Queir\u00f3s. &#8220;Daqui a pouco&#8221; &#8211; acrescentava, numa das suas cartas de\u00a0Fradique Mendes, publicadas depois de sua morte sob o t\u00edtulo de &#8220;<i>Cartas In\u00e9ditas de Fradique Mendes<\/i>&#8220;, e transcritas por\u00a0Gilberto Freyre\u00a0em sua obra &#8220;<i>Ordem e Progresso<\/i>&#8220;<sup id=\"cite_ref-10\" class=\"reference\"><\/sup>:<\/p>\n<table class=\"cquote\" role=\"presentation\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\u201c<\/td>\n<td>O que foi o Imp\u00e9rio estar\u00e1 fracionado em Rep\u00fablicas independentes de maior ou menor import\u00e2ncia. Impelem a esse resultado a divis\u00e3o hist\u00f3rica das prov\u00edncias, as rivalidades que entre elas existem, a diversidade do clima, do car\u00e1ter e dos interesses, e a for\u00e7a das ambi\u00e7\u00f5es locais. [&#8230;] Por outro lado, h\u00e1 absoluta impossibilidade de que S\u00e3o Paulo, a Bahia, o Par\u00e1 queiram ficar sob a autoridade do general fulano ou do bacharel sicrano, presidente, com uma corte presidencial no Rio de Janeiro [&#8230;] Os Deodoros da Fonseca v\u00e3o-se reproduzir por todas as prov\u00edncias. [&#8230;] Cada Estado, abandonado a si desenvolver\u00e1 uma hist\u00f3ria pr\u00f3pria, sob uma bandeira pr\u00f3pria, segundo o seu clima, a especialidade da sua zona agr\u00edcola, os seus interesses, os seus homens, a sua educa\u00e7\u00e3o e a sua imigra\u00e7\u00e3o. Uns prosperar\u00e3o, outros deperecer\u00e3o. Haver\u00e1 talvez Chiles ricos e haver\u00e1 certamente Nicar\u00e1guas grotescas. A Am\u00e9rica do Sul ficar\u00e1 toda coberta com os cacos de um grande imp\u00e9rio.<\/td>\n<td>\u201d<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>O soci\u00f3logo\u00a0Gilberto Freyre\u00a0entendeu que E\u00e7a de Queir\u00f3s errou redondamente<sup id=\"cite_ref-11\" class=\"reference\"><\/sup>:<\/p>\n<table class=\"cquote\" role=\"presentation\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\u201c<\/td>\n<td>Profecia que de modo algum se realizou. E n\u00e3o se realizou por lhe ter faltado quase de todo consist\u00eancia sociol\u00f3gica; ou ter se baseado apenas numa estreita parassociologia, quando muito, pol\u00edtica; e esta quase inteiramente l\u00f3gica. L\u00f3gica e de gabinete: nem sequer intuitiva no seu arrojo prof\u00e9tico [&#8230;] O &#8220;cora\u00e7\u00e3o \u00edntimo&#8221; dos brasileiros da \u00e9poca que se seguiu \u00e0 proclama\u00e7\u00e3o da rep\u00fablica, se examinado de perto [&#8230;] haveria de mostrar-lhe que existia entre a gente do Brasil, do Norte ao Sul do pa\u00eds, uma unidade nacional j\u00e1 t\u00e3o forte, quanto \u00e0s cren\u00e7as, aos costumes, aos sentimentos, aos jogos, aos brinquedos dessa mesma gente, quase toda ela de forma\u00e7\u00e3o patriarcal, cat\u00f3lica e ib\u00e9rica nas predomin\u00e2ncias dos seus caracter\u00edsticos, que n\u00e3o seria com a simples e superficial mudan\u00e7a de regime pol\u00edtico, que aquele conjunto de valores e de constantes de repente se desmancharia!<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Origem: Wikip\u00e9dia, a enciclop\u00e9dia livre. 15\/11\/2108<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A\u00a0Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Brasileira\u00a0foi um\u00a0golpe de Estado\u00a0pol\u00edtico-militar, ocorrido em 15 de novembro de 1889, que instaurou a forma\u00a0republicana\u00a0presidencialista\u00a0de governo no\u00a0Brasil, encerrando a\u00a0monarquia constitucional\u00a0parlamentarista\u00a0do\u00a0Imp\u00e9rio\u00a0e, por conseguinte, destituindo e deportando o ent\u00e3o\u00a0chefe de estado,\u00a0imperador\u00a0D. Pedro II. A proclama\u00e7\u00e3o ocorreu na Pra\u00e7a da Aclama\u00e7\u00e3o (atual\u00a0Pra\u00e7a da Rep\u00fablica), na cidade do\u00a0Rio de Janeiro, ent\u00e3o capital do Imp\u00e9rio do Brasil, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":30878,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[133],"tags":[],"class_list":{"0":"post-30877","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-destaques"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Proclama%C3%A7%C3%A3o-da-Rep%C3%BAblica-de-Benedito-Calixto.jpg?fit=720%2C449&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30877","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30877"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30877\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media\/30878"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30877"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30877"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30877"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}