{"id":32045,"date":"2018-12-17T00:08:26","date_gmt":"2018-12-17T03:08:26","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=32045"},"modified":"2018-12-16T07:28:39","modified_gmt":"2018-12-16T10:28:39","slug":"energia-solar-leva-qualidade-de-vida-a-comunidades-no-sul-do-amazonas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2018\/12\/17\/energia-solar-leva-qualidade-de-vida-a-comunidades-no-sul-do-amazonas\/","title":{"rendered":"Energia solar leva qualidade de vida a comunidades no sul do Amazonas"},"content":{"rendered":"<p>Desde que a energia solar come\u00e7ou a ser gerada em L\u00e1brea, no sul do Amazonas, cerca de mil fam\u00edlias de extrativistas que vivem em torno do munic\u00edpio v\u00eam tendo mais acesso \u00e0 sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o e a meios alternativos de produ\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. A hist\u00f3ria dos moradores das comunidades amaz\u00f4nicas beneficiadas pelo acesso \u00e0 energia limpa foi compartilhada durante a Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (COP 24), realizada nesta semana em Katowice, na Pol\u00f4nia.<\/p>\n<p>Por meio do projeto piloto Resex Solar, as comunidades de reservas extrativistas M\u00e9dio Purus e Ituxi receberam, nos \u00faltimos dois anos, capacita\u00e7\u00e3o para instalar e manter sistemas solares, que permite gerar energia nas casas e escolas, entre outros pontos da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>O Resex Solar \u00e9 desenvolvido pela WWF-Brasil em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBio) e o Minist\u00e9rio de Minas e Energia, que abriu edital para doar equipamentos solares que n\u00e3o estavam sendo usados desde a d\u00e9cada de 90. O processo de licita\u00e7\u00e3o permitiu que a WWF adquirisse 300 pain\u00e9is solares que foram enviados para a cidade de L\u00e1brea.<\/p>\n<h2>Qualidade de vida<\/h2>\n<p>A regi\u00e3o \u00e9 uma das mais carentes do pa\u00eds e n\u00e3o oferece energia barata para todas as comunidades. De acordo com relat\u00f3rio da Ag\u00eancia Internacional de Energia (AIE), pelo menos 1 bilh\u00e3o de pessoas ainda n\u00e3o t\u00eam acesso \u00e0 eletricidade no mundo, sendo que 1 milh\u00e3o vivem no Brasil, principalmente na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>A renda m\u00e9dia dos extrativistas do M\u00e9dio Purus \u00e9 de R$ 465 por m\u00eas, segundo o ICMBio. Se a energia fosse gerada por diesel ou gasolina, seriam consumidos pelo menos R$ 450 da renda mensal das fam\u00edlias por apenas tr\u00eas horas de funcionamento do gerador por dia. S\u00f3 nas escolas, seriam gastos mais de R$ 25 por dia para cada quatro horas de aula, per\u00edodo em que o gerador consome um litro de gasolina.<\/p>\n<p>Nos v\u00eddeos exibidos durante a COP 24, os moradores destacam que o dinheiro que seria gasto com o combust\u00edvel pode ser investido em outras necessidades. Desde a instala\u00e7\u00e3o dos pain\u00e9is, as fam\u00edlias tem conseguido produzir gelo para refrigerar produtos como a\u00e7a\u00ed, castanha, borracha, \u00f3leos vegetais, frutas regionais e algumas esp\u00e9cies de peixes para comercializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Dados divulgados pela organiza\u00e7\u00e3o mostram que um sistema solar de 0,8KW na Amaz\u00f4nia gera, em m\u00e9dia, 4 kwh por dia ou 1.460 Kwh em um ano. Esse volume evita a queima de 489 litros de diesel e a emiss\u00e3o de pelo menos 1.300 quilos de di\u00f3xido de carbono na atmosfera.<\/p>\n<p>O sistema de energia solar possibilitou tamb\u00e9m a instala\u00e7\u00e3o de uma bomba hidr\u00e1ulica para produ\u00e7\u00e3o de alimentos como mandioca e para abastecimento das resid\u00eancias. Quase 90% das pessoas da Reserva Extrativista M\u00e9dio Purus precisava caminhar at\u00e9 o rio para buscar \u00e1gua em baldes. A coleta da \u00e1gua sem filtragem tamb\u00e9m provocava doen\u00e7as, como diarreia.<\/p>\n<h2>Combate ao desmatamento<\/h2>\n<p>A gera\u00e7\u00e3o de energia fotovoltaica tamb\u00e9m tem contribu\u00eddo para o monitoramento de algumas esp\u00e9cies de tartarugas na Amaz\u00f4nia e para o combate ao desmatamento ilegal. Como os ribeirinhos t\u00eam conseguido se manter na \u00e1rea para extra\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel dos produtos da biodiversidade, eles contribuem para a prote\u00e7\u00e3o das florestas e, assim, para o aumento da capacidade de absor\u00e7\u00e3o de carbono da atmosfera.<\/p>\n<p>\u201cEste \u00e9 um trabalho de forma integrada que mostra que \u00e9 poss\u00edvel trabalhar a quest\u00e3o da conserva\u00e7\u00e3o florestal e, ao mesmo tempo, promover desenvolvimento e inclus\u00e3o social das popula\u00e7\u00f5es que ali vivem, muitas em situa\u00e7\u00e3o de car\u00eancia\u201d, disse \u00e0&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>&nbsp;Andr\u00e9 Nahur, coordenador do programa Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas e Energia do WWF-Brasil.<\/p>\n<p>Nahur acrescentou que os extrativistas t\u00eam sido conscientizados sobre a import\u00e2ncia da produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel sobre a Amaz\u00f4nia e os impactos sobre o controle do aquecimento da temperatura global.<\/p>\n<p>\u201cAs mudan\u00e7as clim\u00e1ticas relacionadas ao desmatamento e \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o do bioma potencializam muito mais os efeitos para uma popula\u00e7\u00e3o que depende dos recursos naturais para sobreviver. E a Amaz\u00f4nia \u00e9 fundamental para o regime de chuvas do Centro-Oeste, por exemplo. Ent\u00e3o, \u00e9 importante saber que tudo est\u00e1 conectado. Conservando a floresta e promovendo o desenvolvimento sustent\u00e1vel, estamos contribuindo tamb\u00e9m com o bem-estar das pessoas em todo o pa\u00eds\u201d, acrescentou.<\/p>\n<h2>Desafios<\/h2>\n<p>Um dos principais desafios nessa \u00e1rea \u00e9 ampliar o uso de energia limpa para outras comunidades. Na fronteira do Acre com o Peru, por exemplo, uma organiza\u00e7\u00e3o ambiental alem\u00e3 tem trabalhado com comunidades que vivem ao longo do Rio Juru\u00e1. \u201c\u00c9 um absurdo eles terem que levar diesel para l\u00e1 para gerar energia. Diesel \u00e9 um produto caro, e o investimento em energia solar seria inicialmente alto, mas \u00e9 sustent\u00e1vel. Em uma vis\u00e3o de anos, consegue-se economizar o dinheiro que se investe agora no diesel\u201d, comentou a antrop\u00f3loga Eliane Fernandes Ferreira.<\/p>\n<p>Em parceria com a Universidade de Hamburgo, na Alemanha, Eliane trabalha atualmente em uma pesquisa sobre povos amea\u00e7ados da Amaz\u00f4nia.O foco est\u00e1 na cidade de Marechal Thaumaturgo, no Acre, onde muitas fam\u00edlias transportam diesel pelo Rio Juru\u00e1 para ter acesso \u00e0 energia.<\/p>\n<p>Na reserva extrativista do Alto Juru\u00e1, as comunidades tem energia s\u00f3 quatro horas por dia, e \u00e9 dif\u00edcil para as fam\u00edlias conservar alimentos e rem\u00e9dios e ter acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA energia fotovoltaica \u00e9 a melhor solu\u00e7\u00e3o porque abrange v\u00e1rios campos onde a sociedade s\u00f3 vai ter a ganhar. Se a gente fala de desenvolvimento sustent\u00e1vel consciente, tem que lutar pela gera\u00e7\u00e3o desse tipo de energia, sobretudo na floresta. Isso deveria ser prioridade de governo\u201d, enfatizou Eliane.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil de Not\u00edcias 17\/12\/2018<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde que a energia solar come\u00e7ou a ser gerada em L\u00e1brea, no sul do Amazonas, cerca de mil fam\u00edlias de extrativistas que vivem em torno do munic\u00edpio v\u00eam tendo mais acesso \u00e0 sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o e a meios alternativos de produ\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. A hist\u00f3ria dos moradores das comunidades amaz\u00f4nicas beneficiadas pelo acesso \u00e0 energia limpa [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":32046,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[135],"tags":[],"class_list":{"0":"post-32045","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-clipping"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/placas_energia_solar_1.jpg?fit=1140%2C760&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32045","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32045"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32045\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media\/32046"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32045"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32045"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32045"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}